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“Jonas Savimbi pertence a uma geração de patriotas raros”, diz Constantino Zeferino

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Luanda - A UNITA comemora no dia 22 de Fevereiro do ano em curso, o décimo aniversário desde, a suposta, morte em combate de Jonas Malheiro Savimbi, seu líder fundador ocorrida na região do Lukusse, leste de Angola.


Em alusão a data, o historiador e docente universitário, Constantino Zeferino, em entrevista ao jornal Terra Angolana, faz alguma resenha histórica da vida e obra de quem em vida defendeu a angolanidade e o Angolano em primeiro lugar.


Fonte: Jornal Terra Angolana

Terra Angolana - Dr. estamos em plena quadra alusiva ao X aniversário da morte do Dr. Savimbi. É um momento de reflexão?
Constantino Zeferino
- Sem dúvida. Não só fazer uma reflexão, mas recordar quem foi Jonas malheiro Savimbi, o protagonista da vida política, diplomática e militar da História Contemporânea de Angola, desde os anos 50 até aos nossos dias. Porquê? Porque esse protagonismo está além da sua morte.
Mais do que proceder a reconstituição cronológica e/ou histórica da vida e obra do Dr. Savimbi, podemos destacar, três ou quatro elementos ou aspectos que se tornaram particularmente relevantes nas considerações acerca da memória, das sensações, percepções, afecto, imaginação etc., que os angolanos e a humanidade guarda do Dr. Savimbi, no tempo e no espaço: Jonas Savimbi foi um carismático líder político-militar forte, diplomata, exemplar chefe de família, erudito e/ou um nato poliglota. Além disso, a sua oratória fez dele o dirigente político de maior poder de comunicação da sua época, quiçá um dos maiores da História política de Angola e de África.
O Dr. Savimbi, vulto do nacionalismo angolano, deu tudo em prol da independência nacional, da conquista da liberdade e da democracia para Angola. Infelizmente, a História de Angola não está ainda escrita na sua pluralidade de participação e estoicismo na luta de libertação nacional do jugo colonial português. Destarte, aos jovens de hoje, é-lhes ensinada uma história artificial, artesanal, parcial, manipulada e identificada com os interesses apenas de um partido político no poder. Julgo portanto ser importante a publicação de textos, livros e bibliografia completa e actualizada, com conteúdo histórico científico, para que num futuro próximo, alguém com responsabilidades relevantes ao aparelho do Estado, equidistante e serenidade bastante, venha proporcionar um trabalho sério aos investigadores e historiadores que possam produzir para as gerações vindouras, a verdadeira HISTÓRIA DE ANGOLA.
 
 
T. A - Morreu o Dr. Savimbi, será que com ele morreu também o projecto de defender Angola e os menos equipados?
C. Z -
Não creio nessa possibilidade, por ser contranatura e não resistir a análise da conjuntura. O Projecto de MUANGAI, não morre; este, no Tempo e no Espaço é Forte! É eterno, porque corresponde aos anseios de todos os angolanos oprimidos na Pátria de seu nascimento. Outrossim, a UNITA, assente no Projecto de MUANGAI, é fruto do trabalho heróico e patriótico do Dr. Savimbi e de milhões de cidadãos de Angola, que deram inclusivamente as suas vidas por ele. Biológica e cientificamente falando, os frutos têm, normalmente, no seu interior uma ou mais sementes; as sementes, quando encontram condições favoráveis, desenvolvem-se (germinação) originam uma nova planta iniciando-se um novo ciclo.

A todo este processo desde a flor, ao fruto, à germinação da semente, ao desenvolvimento de uma nova planta, uma nova flor… chamamos ciclo de vida. Portanto, com o passamento físico e prematuro do Presidente Fundador da UNITA, Dr. Savimbi em 22 de Fevereiro de 2002, iniciamos um novo ciclo de vida, assente no Projecto de MUANGAI, com uma nova semente germinada, sem o qual, Angola não se liberta da neocolonização euro-asiática, da humilhação e da pobreza extrema. O que o MPLA e o Presidente José Eduardo dos Santos não perceberam, é que com a morte de Jonas Savimbi, a África perdeu um dos seus mais importantes filhos, cuja vida e obra o situam na senda dos arautos da História africana como N’Khumahn, Amílcar Cabral, Senghor…
 
 
T.A - O Dr. Podia falar-nos daquilo que foi o percurso do Dr. Savimbi e o seu contributo para Angola que temos nos nossos dias?
C.Z -
Falar do percurso histórico, da vida e obra do Dr.  Savimbi, não é tarefa fácil. E porquê? Porque, o Dr. Savimbi foi/é para Angola, um factor imprescindível para a evolução e mudança do sistema social, a dois níveis: para a adesão a um projecto de mudança, e para a mudança comportamental dos indivíduos e grupos. Na verdade, só adere a um projecto de mudança quem o conseguiu perceber, reflectir e discutir sobre ele. E só muda de comportamento quem adere ao projecto de mudança, porque o percebeu, reflectiu e discutiu. Por outro lado, falar do Dr. Savimbi, exige, uma reflexão e trabalho aturados e muita criatividade. Mas, mesmo assim não chegaria. Seria necessário procurar e encontrar palavras simples, apoiá-las com exemplos práticos, e ilustrá-lo com esquemas e imagens. Encontrar meios, e tudo o que promovesse a compreensão eficaz de quem nos lê, e/ou um discurso que pudesse alimentar a reflexão de quem nos ouve.


Parafraseando O. CASTRO (…), «Definir um líder africano segundo os padrões ideológicos ocidentais é errado. Creio que ele, apesar da forte influência chinesa, pretendia implantar em Angola algo entre o socialismo e a social-democracia, com forte respeito e incentivo pelas tradições das muitas etnias do país mas sem esquecer a importância da economia de mercado. Daí o socialismo africano. Há cerca de 27 anos, na então cidade de Nova Lisboa (Huambo), perguntei ao presidente Savimbi como é que ele definia a UNITA e a luta que travava em prol dos angolanos. Savimbi disse-me: “Há coisas que não se definem – sentem-se”. É exactamente isso. Jonas Malheiro Savimbi, quer pela estatura moral, formação humanista, capacidade de liderança quer pelo amor à sua terra... não se define, sente-se. José Eduardo dos Santos é o oposto. Não passa de corrupto pigmeu que está rodeado por mercenários que o tratam como se fosse um gigante. E ele acredita.» IN A GUERRA CIVIL ANGOLANA E SUAS DIVERSAS FACES. IN http://jonas-savimbi.com/3.html.
 
 
Em resumo: O Dr. Savimbi pertence a uma geração de patriotas raros, que sonhou uma Angola Livre, Independente e democrática. Um sonho nascido da aura do sofrimento dos seus ancestrais e não de uma vontade intelectual qualquer. É sobretudo um pan-africanista e nacionalista convicto. Assumiu-se historicamente em defesa dos pobres e dos oprimidos de Angola. Fê-lo em reacção a injustiça diária que atingia seus familiares, amigos e compatriotas. Preparando-se política e militarmente, viria licenciar-se em Ciências Políticas, na Suíça. O sonho de libertar Angola e os angolanos da opressão colonial portuguesa, o levou a cruzar continentes e países dentre os quais, Portugal; França; Alemanha; Inglaterra; Bélgica; Suíça; Congo-Leopold Ville (RDC); Congo Brazaville; Ghana; Egipto; Etiópia: Tanzânia; Quénia; Marrocos, Tunísia; RP.China; EUA. URSS, etc. O Dr. Savimbi foi o Primeiro Secretário-geral da UPA-FNLA e Primeiro-ministro dos Negócios estrangeiros do GRAE (Governo Revolucionário de Angola no Exílio), com sede em Leopold Ville. Em 13 de Março de 1966, fundou em MUANGA, província do MOXICO a UNITA. Tombou heroicamente no campo de batalha pela democracia, com a arma na mão, em 22 de Fevereiro de 2002.
 
 
 
T.A - Alguns estudiosos dizem que Jonas Savimbi continuará a ser uma referência obrigatória pelas gerações vindouras. É também esse o seu pensamento?
C.Z -
Com certeza! Intelectual, Político-militar, estratega, diplomata de craveira internacional, historiador e filósofo da ciência bantu africana, Jonas Malheiro Savimbi, nasceu a 3 de Agosto de 1934, em Munhango-Bié, e faleceu a 22 de Fevereiro de 2002, em Lucusse-Moxico, leste de Angola. Foi o grande responsável por alterações substanciais no processo da luta anticolonial e no processo dos engajamentos construtivos, visando o desanuviamento do panorama político angolano e da África Austral. Impôs uma luta sem quartel ao exército expedicionário russo-cubano que contribuiu para mudar o rumo do mundo com a queda do Muro de Berlim. O Dr. Savimbi, é autor de várias obras literárias editadas e publicadas em várias línguas.


O Dr. Savimbi, se tornou em referência multidisciplinar obrigatória e, para os historiadores, politólogos, sociólogos, diplomatas, economistas Juristas, academias militares, … para se poder entender a História e a Filosofia dos povos africanos de Angola. A sua tese fundamental na luta pela Liberdade e Independência de Angola era a definição de Angola: país africano. E do angolano para a I Constituição da RPA. A sua visão consiste na convicção de que “Primeiro, o angolano, Segundo, o angolano, terceiro, o angolano e… o angolano sempre…”, para a concretização dessa verdade histórica em Angola, o Dr. Savimbi morreu e deu a sua própria vida à causa dos excluídos, dos pobres enfim, do angolano não cidadão. Finalmente, o Dr. Savimbi é ainda referência obrigatória para as gerações vindouras, porque soube transformar por completo o paradigma político dominante: de sistema monopartidário para o sistema pluripartidário.


O paradigma político que ele impôs para Angola, é o democrático. Este representa um conjunto de valores, Direitos, Liberdades, Garantias, teorias, regras, e métodos de formulações de políticas públicas e/ou de governos, que impliquem o diálogo permanente entre os actores sociais e políticos, implicando para tal um maior protagonismo da sociedade civil. Era fundamentalmente essa a sua forma de olhar o mundo. Na verdade essa, parece-nos a melhor, por estar de acordo com o desejo da maioria dos angolanos, e porque corresponde também, com a necessidade da mudança de paradigma dominante, para uma alteração radical. Foi em suma, essa a sua visão política do mundo. Sim uma verdadeira revolução social em Angola.






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Comentários Arquivados:



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0 rebelde 23-02-2012 20:25 #61
ai este kota só pode estar de sacanagem ,savimbi foi um grande nacionalista ou africanista antes de 75, ai sim ele fez um grande trabalho na libertação dos povos africanos,quer dizer que ele foi um grande humanitaristas, um grande chefe de familia,defenso r dos menos favorecidos e querer comparar savimbi com nkruma,tem que ser sinsero e tomar vergonha na cara,savimbi é comparado a mussulini e hitler,kadaaf,e saadam,não serve de exemplo para nenhu geração
+2 Mafiso 22-02-2012 23:54 #60
Carta enviada a Paulo Lukamba 'Gato' por Bela Malaquias, esposa de Eugénio Manuvakola.

Eu poderia esperar tudo de si, menos esta provocação: A carta que me enviou e que recebi em 20 de Fevereiro, por volta das 20.30, onde me convida a prestar tributo à memória de Savimbi!

Apesar de tudo, tenho tentado conter a minha indignação! Mas pergunto-me se será possível ter esquecido o que Savimbi representa para mim e toda a minha família próxima e mais distante! Eu não quero acreditar que tal seja possível!
Se é um problema de amnésia, eu terei muito gosto em lhe refrescar a memória: Savimbi perseguiu-me durante 20 longos anos, através do exílio, a prisão e assédio sexual, e todas as formas de tortura psicológica!
Savimbi encarcerou o meu pai, já bastante idoso, numa cela subterrânea, ao longo de meses, pelo único crime de ter transmitido aos nossos companheiros a notícia do atentado contra a vida de Reagan, então presidente dos Estados Unidos. Lembra-se?
Savimbi espancou até à morte os meus familiares, Eduardo Jonatão Chingunji e a sua esposa Violeta Jamba. Nem os seus filhos e restante família conseguiram escapar à fúria de Savimbi.
+2 Sacramento Tunga 22-02-2012 18:48 #59
O Docente mostrou bastante insuficiencia na sua abordagem, quando diz que Savimbi pertence a uma geraçao de patriota raro, se nao vejamos a intervençao do Dr.Samacuva:
O desaparecimento de Savimbi,conduzi u ao fim de uma guerra civil que durou 27 anos provocou mais de 2 milhoes de vitimas, 4,3 milhoes de deslocados e mais de 1 milhao de mutilados, a sua morte permitiu ao partido abraçar um processo de Democratizaçao interna.

Com estes dados avançados por Samacuva, pergunto ao senhor Docente Universitário, em que angulo podemos ver savimbi como pertencente a uma geraçao de patriota raro... Tudo quanto o mundo sabe é que retardou o País durante muitos anos, aconselhamos pela sua abordagem a investigar melhor os factos, e pela sua paixao demostrada ao Savimbi que sejas mais um dos fies seguidores do projecto de MUANGAI
+1 Sacramento Tunga 22-02-2012 18:04 #58
È bem verdade que Savimbe pertence a uma geraçao rara, basta ver como partiu o país, quero citar estrato do pronunciamento de Samacuva.
O desaarecimento de Savimbi conduziu ao fim de uma guerra civil que durou 27 anos,que provocou mais de 2 milhoes de vitimas, 4,3 milhoes de deslocados e mais de 1 milhao de mutilados, a sua morte permitiu abrir um processo de Democratizaçao do partido, este é o patriota raro...
Senhor na sua abordagem mostraste que de Docente nada tens para ensinar,mas sim de um aventureiro politico, e que apresenta uma aborgem na diagonal; Lhe aconselho a seguir as pegadas da dita tese de MUANGAI, pos que parece que falta fies seguidores, e que tenha maior equidistacia nas suas analises.
+1 100% mwangolé 22-02-2012 13:59 #57
Me desculpem senhores quando apareçem pessoas a defender alguem q massacrou tamtos mwangolês, era um politico fracassado por isso é q se suicidou, por acaso com a sua morte de lá pra cá o país teve algumas mudanças, ele negou ser viçe presiente porq? xtava habituado a viver na selva, refletem manos.
-2 ANONIMO 22-02-2012 12:00 #56
ACUSAM SAVIMBI DE TER MORTOS MUITOS DIRIGENTES DA UNITA O K É MENTIRA APENAS CONFIRMO O BOOK E O RESTO PERGUNTEM AOS GENERIS K ESTÃO NO MPLA. UMDIA A HISTORIA DIVULGARÁ MUITA COISA
-2 M.carlos 22-02-2012 11:23 #55
Depois de ler vários comentários,eu me interrogo?Nesta face drástica do neocolonialismo que vivemos atuamente,não estarão a rezar os comentaristas dia e noite que nos surge um Jonas Malheiros Savimbi,de modos que mude o figurino atual,porque estes governantes só começaram a torrar farinha depois dele morrer.Savimbi quer queira quer não será sempre um ícone.
-1 Vigilante 22-02-2012 11:21 #54
Saibam que Savimbi, embora não se comparando as figuras sagradas da Bíblia, ele é e continuará a ser uma referência obrigatória para análise do contexto politico, social e economico deste país.
-1 Mona Kessua 22-02-2012 10:47 #53
Os grandes homens nunca morre esta sempre vivo na memoria das pessoas.
-1 huilano filipado 22-02-2012 09:14 #52
E o santomense ainda tem coragem de aldrabar que o partido dele foi o unico que esteve na frente da luta para a independencia nacional.
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