Director do Jornal de Angola expõe negócios da Primeira Dama

Lisboa -  A publicação, em de Maio de 2013 do oficial Jornal de Angola , da notícia segundo a qual a primeira Dama, Ana Paula dos Santos, esteve na cerimónia de apresentação do novos uniformes dos tripulantes da TAAG-Linhas Aéreas de Angola, na qualidade de presidente do Conselho de Administração da empresa Lunar-DT, junta-se aos muitos  embaraços que o diário do único diário angolano tem criado ao Governo.

Fonte: Club-k.net

Ribeiro embaraça Ana Paula dos Santos 

Efectivamente, José Ribeiro tem estado sob fogo cruzado do círculo presidencial, mesmo entre aqueles que o têm defendido e mantido nas funções apesar das pressões em sentido contrário.

É que a notícia espoletou uma onda de reacções desabonatórias nas hostes do partido no poder, já “cansados” de tantos benefícios para a família presidencial, na oposição e nas redes sociais, o que vai em contramão com uma alegada estratégia de “branqueamento” que vem sendo seguida pelo gabinete do PR, visando distanciá-lo de negócios e esquemas que possam envolver familiares seus.

Conhecedores do dossier, adiantam que a notícia do JA devia fazer alusão à presença de Ana Paula dos Santos, apenas na qualidade de Primeira Dama e de uma pessoa interessada ao assunto, uma vez ter sido por largos anos assistência de bordo da TAAG, vulgo hospedeira, o único emprego que conheceu antes de se casar com o Presidente José Eduardo dos Santos.

A referencia de que estava na cerimónia como PCA da Lunar-DT, a empresa que vai vestir os tripulantes da TAAG com novos fardamentos, foi vista como um claro conflito de interesses, além de legalmente questionável por não se saber se, a Primeira Dama pode, ao mesmo tempo, ser PCA de uma empresa privada, além de presidente de outras organizações mais ou menos inócuas, como o Fundo Lwiny ou o Comité Miss Angola.

Desde logo porque não há notícia de ter havido qualquer concurso público para o fornecimentos de novos uniformes da TAAG, a que a Lunar-DT tivesse concorrido e ganho e, depois, pela implícita ideia de favorecimento por se tratar de uma empresa ligada à Primeira Dama. Há ainda o endémico problema de empresas semelhantes, ligadas aos familiares do PR, fazerem negócios com o Estado, sem investirem um tostão, apenas indo buscar os chorudos lucros. No caso em análise, será a TAAG a pagar a factura quer da concepção, fabrico e aquisição dos uniformes, além das despesas do acto de apresentação…

A aparente “pacífica” notícia do Jornal de Angola fez com que o nome da Primeira Dama ficasse exposto e por via disso o do próprio Presidente da República. Nas redes sociais, “descobriu-se” que, afinal, a Lunar já trabalha há tempos para a TAAG, sendo responsável pelo recrutamento, formação e refrescamento do pessoal navegante de cabine, vulgo comissários de bordo. Informou-se que essa formação tem sido feita “à la minute”, sem obedecer a rigorosos critérios que a profissão exige, desde a segurança aérea, ao domínio de línguas e atendimento aos passageiros. Aliás, a qualidade do serviço nos aviões da TAAG é uma queixa recorrente de passageiros que utilizam os seus voos, principalmente pela impreparação do pessoal, que muitas vezes roça à má educação, embora se reconheçam alguns excessos de alguns passageiros.

O núcleo presidencial tem estado aparentemente a tentar afastar o PR das denúncias de favorecimento de negócios de pessoas a si ligadas. O afastamento de Armando Manuel, actual ministro das Finanças, da presidência do Fundo Soberano (Petrolífero) enquadrou-se nessa estratégia de levar a crer que os seus filhos, no caso Filomeno  (Zenu) dos Santos, evoluem autonomamente. Zenu é o presidente do Fundo e terá anunciado a intenção de se afastar/alienar dos interesses que possui no Banco Kwanza Invest, principal gestor do Fundo! O fim do monopólio do laboratório Brumangol nas análises aos produtos alimentares pós-embarque, foii em igual sentido, já que se dizia ter Zenu interesses nessa empresa, combinados, entre outros, com o antigo director dos Serviços de Alfandega, Sílvio Burity

O “apagamento” do general Leopoldino também pode ser visto nessa perspectiva, salpicada com algumas noticias de aparentes quezílias entre ele, o seu chefe Kopelipa Vieira Dias e o vice-presidente, Manuel Vicente. O “grupo Madaleno” tem sido uma das vias utilizadas para “picar” as diferentes partes.

A maka levantada por José Paulino dos Santos , Coreon Du ou Zedu, da Semba Comunicação, sobre a redução do tempo de antena da TPA Internacional em função do não pagamento de alegadas dívidas da TPA e do Ministério da Comunicação Social, também pode ser entendida como estando nessa senda, a que se pode enquadrar também a declaração de Welwitchia (Tchizé) dos Santos de que não possuía cinquenta milhões de dólares e que não tinha a nada a ver com os negócios da meia-irmã, Isabel dos Santos.

A notícia do Jornal de Angola deixou José Ribeiro em maus lençóis, por ir no sentido de confirmar a promiscuidade de interesses e negócios entre os familiares do PR e instituições do Estado, situação que lhe está a causar alguns dissabores, que se vêm somar a outros recentes. A notícia, aliás, “desapareceu” dos arquivos online do jornal…

O facto do Jornal de Angola ter publicado, na primeira página, que Isabel dos Santos era a primeira milionária africana, caiu muito mal nos corredores palacianos que já nessa altura exigiam a cabeça do director do Jornal de Angola. A mesma cólera já tinha sido notada quando, igualmente em primeira página, José Ribeiro publicou declarações do ex-primeiro-ministro Marcolino Moco, criticando a falta de democracia do regime. Neste caso em particular, os ânimos estiveram mais aquecidos no Kremlim, como é conhecida a sede do MPLA, onde o ex-secretário-geral do partido não é bem visto.

Rui Falcão Pinto de Andrade, então secretário do MPLA para a Informação, não terá gostado nada do facto e terá manifestado isso mesmo directamente ao próprio José Ribeiro, considerado um seu aliado na linha de endurecimento do regime. Com a sua saída para governador do Namibe, José Ribeiro perde um grande defensor, mantendo, porém, aparentes fortes alianças com altos funcionários da Presidência da República, de que desponta Aldemiro da Conceição, o secretário de quadros sempre visto como o “homem sombra” da comunicação social angolana.

O director do Jornal de Angola conseguiu, aliás, outras importantes alianças no “in circle” presidencial, sobretudo nas áreas da segurança e contra-inteligência, notadamente com o general José Maria. Há notícias que tem sido este último, responsável pela inteligência militar, um dos principais incitadores dos incendiários artigos do Jornal de Angola contra Portugal, o governo e políticos de Lisboa. Os artigos são, geralmente, assinados pelo próprio José Ribeiro, mas nos meios jornalísticos angolanos, sabe-se que o verdadeiro autor é o jornalista português Artur Queiroz, que também costuma publicar sob o pseudónimo de Álvaro Domingos, entre mais de meia dúzia de outros. Nesses mesmos meios diz-se, aliás, que na prática Artur Queiroz é que é o verdadeiro director do Jornal de Angola pelo seu ascendente sobre José Ribeiro que lhe leva a atropelar constantemente o director adjunto, Filomeno Manaças.

Sem o apoio de Rui Pinto de Andrade e com as “reservas” de Aldemiro, José Ribeiro estará muito exposto uma vez ser conhecida a sua relutância em respeitar os ministros da Comunicação Social. Foi assim no consulado de Manuel Rabelais, consolidou-se no de Carolina Cerqueira e repete-o agora com José Luis de Matos.

Com a recente ascensão de Manuel Rabelais para secretário de Informação do Presidente da República, a situação de José Ribeiro fica mais debilitada, confortada, ainda, pelos generais dos serviços de inteligência, sobretudo o José Maria.

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