Luanda - Dois juristas consideraram de infeliz o pronunciamento do ministro do Interior sobre as detenções de vários jovens do chamado Movimento Revolucionário.

*Manuel José
Fonte: VOA

Para os advogados as detenções fazem parte de uma campanha de intimidação generalizada por parte do governo.

O ministro Ângelo Tavares disse à rádio estatal que as detenções que a polícia praticou são legais e que os familiares dos detidos e outros actores sociais podiam ficar tranquilos e deixar a justiça fazer o seu trabalho.

Os jovens foram acusados de estarem a preparar-se “para realizar actos tendentes a alterar a ordem e a segurança pública do país”, segundo nota do Serviço de Investigação Criminal (SIC).

O jurista e professor universitário Ângelo Kapuatcha diz que o pronunciamento do ministro do Interior sobre estas detenções não faz qualquer sentido.

"O ministro do Interior foi infeliz na medida em que apela à calma dos familiares, pois em momento algum um familiar vai ficar calmo vendo o seu filho ser preso arbitrariamente e sem saber como está e onde”, disse o advogado.

“Qualquer pessoa acusada de um crime deve ser informado de que cometeu e a sua família deve ser informada para onde o levam, para constituir um advogado e ser ouvido”, acrescentou.

Para o jurista as prisões dos jovens tem um único objectivo.


"Estas detenções são próprias para intimidar e perturbar a democracia e o estado de direito", disse.


William Tonet outro jurista chama de “pronunciamento surrealista” a acusação de que os jovens se preparavam para alterar a ordem pública.

"Partindo do surrealismo do ministro, seria o primeiro golpe de Estado, que teria lugar com computadores, lapiseiras e bloco de apontamentos”, disse.

“Isto mostra um desnorte do regime que um dia destes vai começar a prender os mosquitos,” acrescentou.

“Este país está doente, o regime esgotou todas as soluções só assim se justifica estas detenções todas", disse Tonet para quem "isto não é política é ditadura e em ditadura não há bom senso, não há justiça só há pouca vergonha e força”.

“Qualquer dia destes quem sonhar e pensar também vai preso", acrescentou.



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