Luanda - Acossados por verem os nomes lançados pelo Tribunal Provincial de Luanda na praça pública num processo de calote, os dois tiveram recusada uma proposta de renegociação da dívida e só depois decidem o óbvio: devolver o dinheiro


Fonte: Correio Angolense
 
 

Tribunal Provincial de Luanda recebeu a queixa desse caso em 2015

Job Capapinha ou Noberto dos Santos “Kwata Kanawa”, um dos dois telefonou ao Banco BIC, na semana que terminou a 6 de Maio, a prometer pagar parte ou o total da dívida que, em princípios de Abril, levou o Tribunal Provincial da Luanda a publicar um anúncio nas páginas do Jornal de Angola, intimando a que se pronunciem num processo de penhora de bens.
 
 
Isso mesmo foi revelado ao Correio Angolensepor uma fonte conhecedora do processo que acrescentou que essa reacção dos intimados se deu depois de, numa reunião, uma semana antes, o banco ter recusado um plano de reembolso apresentado por Kwata Kanawa.
 
 
O plano consistia na reactivação do negócio associado ao crédito reclamado pelo BIC, uma pedreira de inertes em nome da qual os dois subscreveram fianças que favoreciam igual número de sócios portugueses da empresa de exploração, a Transformação Transportes e Comércio de Inertes (TCCI).
 
 
O Correio Angolense apurou que o crédito é de uns dois milhões de dólares mas, oito anos depois, está onerado de juros de mora que elevam o reembolso a um valor próximo do dobro do capital.
 
 
A recusa do BIC, apontaram as fontes, está relacionada com a alegação de que a reactivação da TCCI não dá garantias de reembolso. Os inertes – areia, burgau, brita e outros minérios não preciosos – são explorados para a construção civil, um sector que, estando em recessão no mercado angolano, não oferece a credibilidade requerida para a renegociação de uma dívida dessa magnitude.


Mas fontes disseram estar confiantes em que, depois do telefonema com a promessa de pagamento, o reembolso haverá de ser feito, até com base em notícias segundo as quais o banco estaria disposto a perdoar parte daquela dívida constituída pela mora – juros sobre juros.
 
 
A negociação em curso tem em Kwata Kanawa o interlocutor mais activo e foi desencadeada depois da publicação de um anúncio publicado no Jornal de Angola, a 3 de Abril, em que o Tribunal Provincial de Luanda concede aos dois um prazo de 40 dias – expira neste sábado, 13 – para contestarem, pagar ou nomear bens à penhora para ressarcir a dívida.
 
 
Informações obtidas pelo Correio Angolense revelam que o Tribunal Provincial de Luanda recebeu a queixa desse caso em 2015, quando também iniciou diligências junto dos acusados, mal sucedidas, entretanto, por se presumir que tenham instruído o pessoal que serve em suas residências a não receber as citações judiciais.
 
 
As fontes afirmaram que a publicação da citação representa apenas um acto de persistência das autoridades judiciais e torceram o nariz aos argumentos que apontam um tipo qualquer de tendência no facto do caso ser despoletado agora, em véspera de eleições: “o processo judicial e as tentativas de contactar os acusados iniciaram em 2015”, lembraram.
 
 
Esta publicação soube que outro grande banco, o BFA, também está a empenhado na cobrança coerciva do malparado, o que as fontes consideraram ser o prenúncio de uma nova atitude da banca angolana no que diz respeito ao cumprimento das normas prudenciais e na observação de práticas de rigor na gestão dos fundos dos clientes.
 
 
Job Capapinha e “Kwata Kanawa” desempenharam funções de relevo no aparelho do MPLA. O primeiro chegou a ministro da Juventude e Desportos e a governador de Luanda, enquanto o outro já desempenhou os postos de ministro da Administração do Território e é actualmente governador de Malanje.



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