Luanda - 13 de Junho, DIA DE CONSCIENCIALIZAÇÃO SOBRE O ALBINISMO, proclamado pelas Nações Unidas faz dois anos. Existem três dificuldades principais que as pessoas com albinismo passam:) a sensibilidade da pele por falta de melanina que a protege e, por via disso, susceptível ao cancro da pele; ii) a baixa visão ou subvisão que condiciona o seu desenvolvimento intelectual e social; iii) os preconceitos, tabus e estereótipos negativos em relação aos albinos/as, e que são fatores inibidores ao desenvolvimento emocional e efetivo de albinos/as.

Fonte: Club-k.net

Desde a comemoração do Dia 13 de Junho do ano passado, qual é o balanço? Dentre outras, a visibilidade mediático e partilha nas redes sociais sobre o albinismo mantém-se e é algo útil que contribui para superar crenças negativas profundamente enraizados nas sociedades, nos grupos, nas instituições, nas famílias e nos indivídus. Tem havido mais pesquisas e estudos académicos cujos resultados são pouco divulgadas e debatidas. É objectivamente observável, e cada vez mais, que pessoas com albinismo se destacam na sociedade e, são figuras notáveis com protagonismo público, desde jornalistas e outros profissionais, académicos, parlamentares e candidatos a deputado, tecnocratas, directores, líderes de organizações sociais, etc. Aparentemente, os níveis de auto-organização de pessoas com albinismo está a crescer, mas há uma variabilidade grande a tomar em conta de lugar para lugar. Conheço e participo em Grupos de Ajuda Mútua (GAM) de albinos/as em Luanda, no Uíge e no Lubango. No Uíge há pequenas iniciativas de intermediação em que pessoas vuneráveis com albinismo são encaminhadas à Luanda para fazer consultas da pele ou da visão com apoio de familiares e de voluntários albinos e não albinos. Ainda no Uíge está em curso o diagnóstico da vulnerabilidade e riscos, no quadro da Municipalização da Acção Social do Governo de Angola que inclui uma abordagem sobre albinismo.

 

A Associação de Apoio de Albinos de Angola (4As) está a fazer acordos com casas de óptica, em vista à saúde ocular de albinos/nas para terem acesso, qualidade e desconto dos serviços clínicos de oftalmologia e serviços técnicos de optometria e aquisição artigos ópticos. Os artigos ópticos albinos são caros e a maior parte das famílias não aguenta.

 

Foram criados mais Núcleos Provinciais da Associação de Apoio de Albinos de Angola (4As), todavia, em termos estruturais, organizacionais e institucionais a Associação ainda é incipiente, ademais, somente com quase 4 anos de existência legal. Aparentemente, o movimento em prol ao albinismo está a perder vigor e vibração. Por exemplo, o Grupo de Contactos de Alto Nível constituído por pessoas com albinismo que são notáveis na sociedade, praticamente deixou de ter acções enquanto grupo. Porém, estão a surgir outras inicitivas e dinâmicas sociais e organizativas. É assim que se perde de um lado e se ganha do outro.

 

Em algumas capitais provinciais (menos de metade no país) há condições de serviços públicos de assistência em dermatologia e, lá, médicos, enfermeiros e outro pessoal de apoio em hospitais fazem tudo para salvar vidas de albinos/as com doenças evitáveis. É preciso discutir, aprovar e desenvolver políticas públicas, prática e investimento focalizado na prevenção para reduzir ou parar com mortes de gente na flor da idade. Ademais, além da prevenção, é também necessário a protecção que ajuda a salvar, bem como a promoção que poderia aumentar e ampliar a inclusão de pessoas com albinismo.

 

Conheci pessoalmente alguns albinos/as que pereceram nos últimos dois anos em Luanda, entre outros, a Suzana dos Gambos/Huíla, de 22 anos de idade, o Benedito do Luena, de 28 anos de idade, o Nzambi do Saurimo, de 27 anos de idade, a Paula do Rangel, o Varela do Cuanza Sul, o Isaac Ngola César, todos muitos novos de idade. Os protetores solares são caríssimos ao bolso das pessoas com albinismo. Mesmo os que têm algum rendimento não é possível manter um nível regular do uso de protetores solares.

 

Sabe-se que existem crenças em algumas partes do continente africano que se acredita que partes de corpos de albinos são peças preciosas para a prática de magia e são em lugares como a Tanzania e norte de Moçambique há relatos antigos e recentes destas prática.

 

Entretanto, seja no global ou local não existem estratágias também globais para lidar com este drama de seres humanos que são caçados para fins obscuros. É preciso resitir contras estas indiferenças e resistências em não acelerar processos concretos para lidar de forma estrutural com os problemas complexos e complicados que os albinos/as anfrentem, sobre tudo os mais vulneráveis.

Ainda vamos a tempo!

 



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