Luanda - “Maria Luísa Abrantes é alguém que detém muita informação classificada e pode ser que encontremos algo de relevante”, afirmou, ao Correio Angolense, fonte dessa instituição judicial. A Procuradoria-Geral da República (PGR) requisitou esta segunda-feira, 8, à rádio MFM o registo das declarações proferidas pela economista Maria Luísa Abrantes “Milucha”, que levantou várias suspeitas de como cidadãos saídos praticamente do nada tornaram-se milionários.


Fonte: Correio Angolense

Se Manuel Vicente “abrir a boca haverá novo governo ou o MPLA nasce novamente”

A informação foi dada ao Correio Angolense por fonte da PGR. De acordo com a mesma, a requisição visa analisar detalhadamente as pertinentes declarações e encontrar eventual matéria de crime. “Precisamos moralizar a sociedade e isto faz-se com actos e não apenas com palavras”, disse o nosso interlocutor, antes de afirmar que “Maria Luísa Abrantes é alguém que detém muita informação classificada e pode ser que encontremos algo de relevante”.


Instado a pronunciar-se sobre se a ex-directora da Agência Nacional de Investimento Privado não será também ouvida, a nossa fonte avançou que “para já não há necessidade”. Revelou, contudo, que se a PGR entender que se faz necessário ouvi-la não haverá problemas nenhuns em pedir a colaboração da cidadã que na entrevista tratou de defender os filhos Tchizé dos Santos e Coréon Du de acusações de nepotismo e corrupção.


Nas declarações proferidas sábado no programa de debate matinal na MFM, “O Estado da Nação”, Milucha disse com todas as letras que se o ex-vice-Presidente da República Manuel Vicente “abrir a boca haverá novo governo ou o MPLA nasce novamente”. Apontou os nomes dos empresários Tulumba, Bento Kangamba, Pinto Conto e Santos Bikuku como sendo dos que beneficiaram de biliões de dólares sem terem dado garantias para o efeito.


“Não creio que um jovem de 20 e tal anos, que começou a vender na rua, como é o caso do Tulumba, possa ter um avião privado. Fico estupefacta. Não sei aonde foi buscar esses biliões e com que garantias”, questionou a economista que associou o empresário a Kundi Payhama e considerou Bento Kangamba um mero ladrão de kinguilas que “não era ninguém” mas agora é bajulado.


Mas “Milucha” não se ficou pela arraia-miúda. Foi mais longe e levantou fortes suspeitas sobre a actuação do DT Group, propriedade dos generais Leopoldino do Nascimento “Dino” e Manuel Hélder Vieira Dias Jr. “Kopelipa”. No final, foi lapidar: “Não têm que se preocupar só com os filhos de José Eduardo dos Santos mas com todos os ladrões do país”.


Tendo estado numa posição privilegiada, que a levou a “abrir a boca” relativamente ao empresário Tulumba, “Milucha” sabe certamente de muito mais e pode ser de extrema serventia para as autoridades judiciais do país que o seu ex-marido levou ao caos.



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