Luanda - Chefe da Casa Civil da Presidência na era José  Eduardo dos Santos, Feijó prefere não avançar as razões para uma medida que pode ter como base a salvaguarda da relação com o Governo de João Lourenço. Escritório de Benja Satula entra em cena

*Nelson Francisco Sul
Fonte:Expansão

“Benja Satula vai defender ex-PCA da Sonangol”

O jurista e político Carlos Feijó terá recusado defender os dois filhos do antigo Presidente da República, José Filomeno dos Santos e Isabel dos Santos, ambos envolvidos em processos judiciais a decorrer em Angola, encaminhando-os para um escritório de advogados da sua confiança onde são associados Benja Satula e Bangula Quembo, apurou o Expansão.

 

De acordo com a fonte, o contacto terá sido engendrado recentemente pelo patriarca da família, José Eduardo dos Santos, que pretendia contar com o próprio Carlos Feijó como defensor dos seus filhos.

 

Figura ligada ao ex-chefe de Estado e Presidente do MPLA durante vários anos, Feijó não só declinou o pedido, para o espanto de Isabel e Zenú, como aconselhou-os a solicitar os préstimos de um outro escritório, o da Legis Veritas- Advogados, dos juristas juristas Benja Satula, Bangula Quembo, Ildefonso Manico, Edgar Quessongo, Hermani Cabinda e Osvaldo dos Santos.

 

A recusa de um homem tido como delfim de José Eduardo dos Santos levanta algumas interpretações, havendo círculos que aventam a hipótese de ter como pano de fundo o facto de Carlos Feijó ser bastante requisitado pelo Governo para a elaboração de diplomas jurídico-legais e para a defesa do Estado angolano em vários processos judiciais.

 

Nesta altura, diz a fonte do Expansão, um eventual “sim” aos filhos do actual líder do MPLA poderia ser encarado como um choque frontal com a administração de João Lourenço.

 

Entretanto, não querendo ser visto como “persona non grata” por José Eduardo dos Santos, Carlos Feijó tomou a iniciativa de sugerir aos filhos do seu antigo chefe a contratação de um outro escritório de advogados, da sua confiança.

 

No Legis Veritas, José Filomeno dos Santos, constituído arguido no caso da alegada transferência ilícita de 500 milhões de USD retirados do BNA, está ser defendido por Bangula Quembo e Ildefonso Manico.

 

Já a empresária Isabel dos Santos, antiga PCA da Sonangol, está a ser defendida pelo advogado Benja Satula, num processo intentado contra o actual PCA da petrolífera, Carlos Saturnino, por sentir-se “difamada e injuriada” na sequência das declarações sobre uma transferência, alegadamente irregular, de 38 milhões USD, que teria sido realizada dias após a sua exoneração.

 

Contactado pelo Expansão, Carlos Feijó recusou-se a prestar declarações.

 



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