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Quem irá governar Angola nos próximos 30 anos? - Fernando Kapetango

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Benguela - Angola é um país da costa ocidental da África, cujo regime político vigente é o presidencialismo, em que o Presidente da República é igualmente chefe do Governo, que tem ainda poderes legislativos e Comandante em Chefe das Forças Armadas. Em 1992, com o fim da Guerra Fria, Angola aprovou uma Lei Constitucional que contemplava o multipartidarismo. No entanto, com a Guerra Civil ainda activa, só em 2008 foi possível realizar novas eleições legislativas ganhas pelo MPLA, com a maioria absoluta menos convincente.


Fonte: blocodemocraticobenguela.blogspot.com


Uma nova Constituição atípica foi aprovada pela Assembleia Nacional em 27 de Janeiro de 2010, aproveitando o momento da euforia dos angolanos pelo CAN, mudando várias das regras políticas do país. A principal é que os candidatos a Presidente e Vice-Presidente não estão sujeitos a uma limitação de mandatos, bastando ser eleitos como cabeça e segundo na lista do partido que for mais votado nas Legislativas. O cargo de Vice-Presidente é igualmente uma figura nova e substitui a do Primeiro-Ministro.



Por conseguinte, e a despeito das mudanças constitucionais, institucionais e políticas operadas no país, mantêm-se os mesmos rostos nos principais postos de governação de Angola, desde a independência, em 1975 à presente data - 2010, e continuarão os mesmos, com certeza, até que o devir se encarregue do seu destino. Todavia, a minha preocupação prende-se não apenas com esse sistema cíclico e viciado dos governantes que não dá oportunidade a novos rostos, mas com a postura menos participativa, menos activa e a-política de muitos jovens angolanos no que tange a questões relevantes do país e do seu futuro.

 

A juventude, como é óbvio, é a força motriz e o factor “sine qua non” do desenvolvimento de qualquer sociedade. Porém, a maioria da juventude angolana está alienada. Essa juventude não quer saber da política, do Poder Político, das eleições e, às vezes, nem quer trabalhar. Prima mais pelo imediatismo. Não lê e, em muitos casos, aquela que está nas Faculdades, apenas está lá para acompanhar os outros; está lá por conveniência e para exibir os carros e os “grifes”. Essa juventude perdeu-se no tempo, no materialismo e no prazer. É epicurista que vive apenas para comer e satisfazer os apetites da carne e os do regime. Não faz nada de bom acontecer mas deixa tudo de mal acontecer sem nada fazer. Ser jovem para muitos é ter bens materiais aos pontapés (o que a priori não é negativo quando alcançados honestamente e com o suor laboral) como carrões do último grito, casas em condomínios fechados e também muitas amantes. Ser jovem para elas, é ter muito dinheiro, cabelos longos brasileiros e telemóveis com bastante saldo do qual saiem apenas uns “liga só” para pedinchar outros saldos; é ter o namorado e uns tantos “amigos”, ou melhor, é ter o “Chique”, o “Choque” e o “Cheque”. Dito doutra forma, “o Chique” é o namorado oficial apresentado à família; “o Choque” é aquele que dá um bom choque camal e o “Cheque” é o pagador de tudo: carro, Faculdade, cartão da parabólica, internet, telefone, energia, água, renda da casa e ainda providencia os víveres do “Choque” que precisará apagar a chama da “perenguela” consequente da competição libidinosa com a camarada. Este é o “good life” por muitos sonhado que exclamam bem alto: “bazei”… como que de um êxito se tratasse. Como que de uma viagem espacial ou de uma invenção cientifica importante tivessem realizado.



Ser jovem para eles é estar “na moda”. E estar na moda implica coleccionar muitas garrafas de cuca ou de Whisky ao som do “kuduro” estonteante. É dançar o “windek” ao sabor do frango e do pincho mal assados nas noites não dormidas e nas maratonas solorentas a que o sistema os habituou. É tarachar até causar ejaculações inoportunas aos rapazes que com a língua fora e com os olhos fechados respiram um ar de “um está a cuiar” sem precedentes como que a vida fosse basicamente isso. Essa juventude perdeu valores éticos e morais (ou nunca os teve?) e o sentido ontológico do ser. O mais importante para ela é ter e não o ser. Aqui os fins justificam os meios. Ter a todo o custo não importando de que forma.



Não obstante, a culpa, afinal de contas, não é, de todo, desta juventude alienada e sem norte, mas sim do regime do MPLA que apostou, desde muito cedo, na importação, fabrico e propaganda das bebidas alcoólicas para manter essa malta brava distraída e totalmente perdida. Algo para dizer que o regime aprendeu bem a lição do colonizador português que usou o método do vinho para facilitar a sua penetração em território angolano e a consequente colonização e subjugação dos indígenas. Não foi em vão que em 2008, antes das eleições legislativas, houve muito fino gratuito a jorrar nas torneiras de O’mbaka. Não será espantoso, com certeza, ver rios caudalosos de cuca nas esquinas de todo o país, na véspera das primeiras eleições atípicas de Angola, em 2012. A culpa é de quem detém o poder que não promove políticas sérias e inclusivas mas de exclusão a todos os níveis. A culpa é de quem preferiu governar contra o povo e contra a juventude…


Quem irá governar Angola nos próximos trinta anos?


Não serão, debalde, os veteranos, actualmente nos postos governativos. Eles já “fizeram muito para Angola”. Correram com o colono, inventaram uma Constituição atípica e cunharam a “gasosa” e a “catorzinha”. São autênticos cientistas e peças valiosas para os nossos futuros museus. E, além de mais, muitos deles, até lá, contarão já com mais de cem anos de idade. Também não serão esses jovens ávidos da “boa vida” sem nada quererem fazer para merecê-la. Seria querer colher sem nunca antes ter semeado.



Ademais, Não é que essa juventude alienada não seja potencialmente capaz de mudar o rumo das coisas. Não é que não seja inteligente. É-o, efectivamente, porém canaliza as suas energias em futilidades. Foi-lhe habituado assim. Foi “educado” a perder o tempo em baboseiras, enquanto “os cães ladram e a caravana vai passando”. Não é que a juventude não deva divertir-se, mas que o faça de forma moderada e não se esquece da sua missão na terra. Que deixe para trás o espírito do “deixa andar”, o medo e o princípio segundo o qual “ché menino, não fala da política”. Que a política é apenas para uma elite de poucos privilegiados que podem fazer tudo e de todos a seu bel-prazer. A política é a arte de organizar e administrar a “polis” – a cidade, e que todo o homem é por natureza um “zoon politikon”, um ser político, no dizer dos clássicos gregos. Negar essa evidência e alhear-se das questões políticas equivalia a negar-se a si mesmo, enquanto ser humano. Incentivo, então, a juventude a não encarar a politica como sinónimo de morte mas como um meio através do qual é possível participar activa e efectivamente na organização da sociedade e na promoção de valores humanos, cívicos, culturais e no bem comum. “Nós não podemos nem devemos passar por esse mundo como cabritos”, dizia o meu reitor, actual Director da Ecclésia, Padre Maurício Camuto. E “o que faço é uma gota no oceano, mas sem essa gota o oceano não seria o mesmo”, Madre Teresa de Calcutá.


Mas quem serão, então, os governantes desse portentoso país?



É imperioso que a juventude angolana, refiro-me a juventude angolana, em geral, e não apenas a JMPLA, porque esta não é toda a juventude angolana como muitas vezes se pretende fazer crer e nem a Jura, mas da juventude angolana toda e toda a juventude angolana, sem distinção, saia da letargia e comece a ser mais consciente do presente e perspective melhor o futuro. Que seja mais interventiva, criativa, dona do seu próprio destino e desempenhe o seu papel para que possa passar, amanhã, um testemunho válido e digno às gerações vindouras. É necessário que a juventude ocupe o seu lugar antes que os filhos dos “mwatas” a se formarem no estrangeiro venham ser os únicos substitutos naturais e legítimos dos seus progenitores dos actuais cargos políticos e administrativos, em alguns casos até sem mérito, e o jovem actual, não continue a ser um autêntico assistente da peça teatral a distância e eterno mendigo de consciência. Que o jovem de hoje que é o velho do amanhã não lamente, se nada fizer para que algo construtivo aconteça, pois como diz o aforismo, “quem semeia ventos só colhe tempestades”.

Viva A juventude angolana. Viva Angola.

Fernando Kapetango,






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Comentários Arquivados:



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0 meninahinocente 22-11-2010 06:45 #21
mais os filhos deles irao governar mesmo porque mesmo mal eles estao a estudar e aqui a juvetude nao quer estudar andao nos colegios lusiada, independentente , gregorio etc e nao aprendem nada alunos universitarios que nao sabem ler nem escrever como e q qerem ter uma oportunidade?? Eu acho que deviamos investir mais em nossa educacao...
0 gixito 01-11-2010 12:44 #20
aqui em portugal sta a se ouvir que a um novo patido que possivelmente é bloco democratico. acho que é liderado pelo Justino Pinto de Andrade. este sim pode sim ganhar ser o partido democraticoa liderar o pais
0 Mpopota 07-09-2010 22:06 #19
O que é a verdade, filosoficamente , falando?
0 Mpopota 07-09-2010 21:15 #18
Assim falaste a verdade? O é a verdade, filosoficamente , falando?
0 Mpopota 07-09-2010 09:42 #17
Está mais do que claro que a foto da Ana Paula e do Zenu foram coladas.
0 Samuel Rodrigues 07-09-2010 09:28 #16
Apreciei o artigo do compatriota Kapetango pelo facto de espelhar um pouco o nosso dia-a-dia. Foi também feliz na escolha do título. De facto é preocupante o que temos observado. Claro está que há muita gente nova que não se encaixa no arquétipo aqui esboçado. O problema mesmo é que a maioria de nós faz exactamente como foi relatado. É caso para nos interrogarmos se será ou não bom que essas mesmas pessoas venham a ser dirigentes de alguma coisa. E olha que o país é muito grande. Somos pouquíssimos para a carga de trabalho que nos aguarda. O que me preocupa mesmo é a falta de qualificação para qualquer tipo de tarefa. Sou de opinião que se devia estimular cada vez mais a aparição e funcionamento dos centros, das escolas de formação técnico-profis sional. As artes e ofícios. É risível que até mesmo quando a nossa malta opta por ser cantor (que já alguém teve a petulância de dizer que é a arte mais fácil) não conseguem passar do estado de mediocridade. As letras são um autêntico vomitado. Daí terem que sacrificar os dj´s para sair alguma coisa de jeito.

Por outro lado, gostaria de fazer reparo sobre alguns erros de análise e falta de conhecimento sobre determinadas matérias que notei no autor do artigo. Começo por dizer que para a ciência do Direito Constitucional e, no caso do modelo constitucional adoptado no país, o Presidente da República não é igualmente o chefe do governo. Nos sistemas de governo do tipo presidencialist a a figura jurídica governo inexiste. Há sim um poder executivo, do qual o Presidente da República é o titular (art. 108º, n.º 1 CRA). O Vice-Presidente , Ministros de Estado, ministros são auxiliares do Presidente da República no exercício do poder executivo (art. 108º, n.º 2 e 131º, N.º 1 CRA). Como vê, se antes se tratavam de membros do governo, actualmente são auxiliares do Presidente da República. Se calhar agora é oportuno questionarmo-no s sobre a praticidade dessa diferenciação . Pois bem, a importância prática disso decorre do facto de agora, ao contrário de antes, se poder implicar o Presidente da República não só pelo sucesso da sua gestão (o que sempre se fez antes e continuará), como também pelos fracassos da acção governação (o que sempre se fez elegendo-se um culpado entre os então membros do governo, mas nunca o próprio que era o chefe do governo). Nesse particular, assemelha-se ao modelo americano, com as adaptações que levaram à sua atipicidade.

Relativamente ao que o autor designa poderes legislativos, fiquei sem perceber o que quererá afirmar. Informo, entretanto, que o Presidente da República, como anteriormente, é um órgão legiferante. No exercício das suas competências emite decretos legislativos presidenciais, decretos legislativos presidenciais provisórios, decretos presidenciais e despachos presidenciais (arts. 125º e 126º CRA). Não há nada de anormal nessa questão. Por outro lado, referiu o autor que o MPLA venceu as eleições de 2008 com maioria absoluta. Nada mais falso. Venceu, sim, com maioria qualificada. A maioria absoluta dos 223 deputados são 2/3 (dois terços) e equivale a 50% dos votos dos deputados mais um, ou seja, dos 223 será 112, ao passo que uma maioria qualificada é muito maior do que 2/3.

Por fim, também não é certa a afirmação segundo a qual não existe limitação do mandato do Presidente da República. Basta lermos os artigos 109º e 113º da Constituição para descobrirmos que o seu mandato é limitado. Ao contrário da anterior lei constitucional, que admitia até três mandatos para o Presidente da República, a actual constituição fixa para dois (art. 113, n.º 2 CRA). Relativamente ao Vice-Presidente , pelas razões que já mencionamos acima, não há pertinência em limitar o número de mandatos. Afinal ele é um auxiliar do titular do poder executivo.
0 Zindungo 07-09-2010 06:33 #15
"A ruína de uma nação começa nas casas de seu povo."

"A união do rebanho obriga o leão a ir dormir com fome."

provérbios africanos
0 kalumbilumbi 07-09-2010 03:05 #14
tem muita razao este artigo, me identifiquei com ele quando fez referencia da polis e do politicozoom visto que sao conteudos que trato no meu curso de Administracao na disciplina da filosofia e etica na administracao mas diria que, a culpa de tudo isso e dos partidos da oposicao e das suas estruturas juvenis me refiro da jura da jurs e da jfnla, e preciso mais acutilancia e agressividade na atuacao, nao e preciso muito dinheiro para se fazer politica o importante sao estrategias, o mal dos nossos popliticos tanto do poder como da oposicao e pensarem que angola e so luanda ignoram o interior, o que vou escrever a seguir em letras maiusculas sera celebre e uma professia, um dia serei procurado para dar este testemunho " A DERROCADA DO MPLA SAIRA DO INTERIOR" quem almeja substituir o mpla deve investir no interior e nao em luanda.
0 antonio salvador 07-09-2010 01:57 #13
Mas esta fotografia e que me supreende. A Primeira sempre sera primeira.
Primeiro com o pai agora com o filho. Meu amigo cuidado com a tua madrasta, ela sabe muito. O caminho dos quimbandas e feiticaria e com ela. Cuidado, nao fiac muito ao pe dela. Ja enfeiticou o teu pai agora quer te enfeiticar para ficar contigo. Abre o olho meu amigo. Te aviso que esta cota sabe muito. Sempre a viajar Brasil, Franca, fazer o que? Feiticaria. O teu pai ja lhe apanharam distraido, voce nao fica distraido. Nao lhe queremos mais como primeira dama. Alias como esposa so o marido dela sabe se e boa ou nao. Mas como primeira dama e uma lastima. Fica atendo miudo Zeno. A aproximacao dela a ti nos estamos atentos fica atento. Saudacoes.:-);- )
0 Ndemufayo 06-09-2010 22:57 #12
ANTES DE MAIS GOSTARIA DE CONGRATULAR O SENHOR KAPETANGO PELA REFLEXAO, POIS ELE TRAZ A PUBLICO UM BELO ARTIGO E A TEMPO OPORTUNO. UMA VEZ QUE SE REGISTA EM ANGOLA UMA FRACA PARTICIPAÇAO DA CAMADA JUVINIL NA ACTIVIDADE POLITICA, E NECESSARIO DESPREZAR O CONFORMISMO E AJUDAR O GOVERNO A TRAÇAR O MELHOR FUTURO PARA A PRESENTE JUVENTUDE. E OUVIDO EM VARIIDASSIMOS DISCURSOS: "OS JOVENS SAO A FORÇA MOTRIZ DE QUALQUER PAIS". EM ANGOLA, E ISSO TEORICAMENTE CORRECTO...PRAT ICAMENTE FALANDO POLITICA PARECE SER UM LABIRINTO NA QUAL POUCOS JOVENS QUEREM ENTRAR. NA MINHA OPINIAO, JOVENS E NAO SO DEVEM ASSUMIR A RESPONSABILIDAD E FAZER SENTIR A SUA VOZ DE MODOS A PODER COBRAR DOS GOVERNANTES OS RESULTADOS DE SUAS ESCOLHAS.
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