Angola e o tabu sobre as origens dos dirigentes - Makuta Nkondo

Luanda - Qual é a origem etnolinguística do Presidente José Eduardo dos Santos, qual é o seu verdadeiro nome e qual é a sua língua materna? É tempo de revelar as origens dos dirigentes do topo à base, porque a manutenção do segredo sobre a sua identidade verdadeira ameaça a estabilidade politica do País. Em Angola, é comum ouvir pessoas questionarem a origem do Presidente da República, José Eduardo dos Santos.


Fonte: Angolense

Não é mal questionar a origem de um PR

O MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) de que ele é o líder, assim como o seu governo, apresenta uma Biografia lacónica de José Eduardo dos Santos (JES) em que afirmam que este é natural do Município de Sambizanga, em Luanda.


Ultimamente, foi a vez do “Semanário Angolense” (SA) a publicar uma longa peça sobre a origem, a infância e a juventude de José Eduardo dos Santos, afirmando que o líder do MPLA nasceu em Zambizanga, nas imediações do Mercado de São Paulo de Luanda.

 

Para identificar alguém, não basta dizer que ele nasceu no bairro tal. Sabe-se que as cidades e vilas são cosmopolitas e como tal elas são habitadas por pessoas oriundas de várias origens etnolinguísticas.


O Bairro Sambizanga é povoado de pessoas de origem Kikongo, Kimbundu, Umbundu, Ngangela, Tshokwe, Luvale, Mbundas, Kuanhama, Inhaneka Nkumbi, Mukuvale, Caboverdeana, Saotomense, Moçambicana, Portuguesa e agora Chinesa.

 

O Presidente José Eduardo dos Santos pertence a que Etnia, Tribo, Clã e Linhagem? Ele é nkongo ou mukongo (singular de bakongo, pessoas de etnia Kikongo), Kimbundu ou Umbundu? O malogrado Presidente da UPA-FNLA, Holden Roberto, afirmava que José Eduardo dos Santos é originário da comuna de Kindezi (ex-Beça Monteiro), Município do Nzeto, Província do Zaire, mas não precisava o seu Kanda (clã ou família no contexto bantu) assim como as suas aldeias paterna e materna.


Em África e principalmente para o povo bantu, o local de nascimento pouco importa para a identidade de uma pessoa. O que importa é o seu sangue. Um filho sempre tem a origem dos seus progenitores, independemente do local onde nasceu.

 

Não é mal questionar a origem de um Presidente da República. Buscar saber donde é o chefe de Estado não se deve confundir a um insulto ou a uma humilhação ou falta de respeito. Pelo contrario!

 

Da mesma maneira que um filho deve saber detalhadamente a origem dos seus progenitores, pai e mãe, os cidadãos de um país devem conhecer a origem do seu Presidente da República assim como as de todos os outros dirigentes do país, do topo à base.

 


Mesmo as origens das autoridades tradicionais, Regedores, Sobas e Séculos, devem ser conhecidas. Os antepassados paternos e maternos de José Eduardo dos Santos são de que País, Etnias, Tribos, Clãs e Linhagens? Antes da chegada do colonialismo (português) em África, os bisavôs de JES eram donde?


Quais são as aldeias paternas e maternas do Presidente José Eduardo dos Santos e qual é a sua língua de origem?


É aconselhável que o Governo ou o MPLA revelem as origens das pessoas que dirigem Angola. Que o MPLA deixe de ser egoísta em relação a origem do seu líder, JES.


É tempo de revelar as origens, os verdadeiros nomes, as aldeias e as línguas maternas de todos os membros do Governo (Ministros, Vice-Ministros, Secretários de Estado, Governadores de Província e de Bancos públicos, Directores Nacionais, PCA- Presidentes de Conselhos de Administração - de Empresas públicas, etc), das Forças Armadas Angolanas e Policia Nacional, Diplomacia, dos Deputados à Assembleia Nacional, dos Tribunais Supremo, Constitucional e de Contas, da Procuradoria geral da República e da Procuradoria Militar.

 

Os Partidos políticos, incluindo os da Oposição, devem igualmente publicar as origens dos seus líderes e de membros dos seus Comité Central.

 

O povo quer saber também a origem dos antepassados do vice-presidente, Fernando Dias dos Santos “Nandó”. Laconicamente, Nandó é apresentado como sendo natural da Barra do Dande, Província do Bengo. Esta identidade não é clara um Vice-Presidente da República, sobretudo quando se sabe que Barra do Dande era um porto marítimo onde desembarcaram pessoas de várias procedências, dos países da África do Oeste, antigos estivadores de navios.


Muitos destes oeste-africanos fixaram-se em Barra do Dande onde casaram e fizeram filhos.


A que Etnia, Tribo, Clã, Linhagem pertence Nandó e como se chama a aldeia da sua mãe e a do seu pai na Comuna da Barra do Dande e qual é a sua língua local?


A propósito da identidade nacional, deve-se ter em conta a mistura de pessoas de várias origens que se regista nas cidades portuárias como Luanda, Benguela, Cabinda, Lobito, Namibe e Tombua, assim como nas Estações do Caminho-deferro de Benguela (CFB) habitadas por antigos trabalhadores katangueses e soldados do Exercito Vermelho de Moise Tshombé que fugiram a guerra de Secessão da Província de Katanga, República Democrática do Congo (RDC).


Por causa do Porto de Lobito e do CFB, existem muitos ovimbundu falsos, da mesma maneira que há muitos bakongo, kimbundu e tchokwe falsos devido às fazendas agrícolas do café, algodão e cana de açúcar, e de empresas de diamantes, nas suas Provincias.


De igual modo, os angolanos são sedentos de conhecer as origens do Chefe de Estado-maior General das FAA, o general Fortunato, como também do Ministro das Relações Exteriores, Assunção dos Anjos.


Muitos dizem que Assunção dos Anjos identifica-se como sendo natural da Província de Malange, sem precisar em que Município, Comuna e Aldeia. Outro questionamento refere-se às origens do actual Ministro dos Assuntos Parlamentares, Norberto dos Santos “Kwatakanawa” e do Primeiro Vice-Presidente da Assembleia Nacional, João Lourenço.


Os Presidentes nomeadamente do Tribunal Supremo, Tribunal Constitucional, Tribunal de Contas assim como os Presidentes dos Conselhos de Administração (PCA) do Banco Nacional
de Angola, do Banco de Poupança e Credito e outros Bancos públicos e o Procurador-
geral da República são oriundos donde?

O povo quer saber com clareza as origens de todas as pessoas que exercem os cargos de soberania nacional. Pois, como diz uma sabedoria kikongo, “O ngumbe kete nkayi, enkula zamalu kalendi zo kaya ko” (Mesmo generosa, a perdiz não oferece a tinta das suas pernas).


Da maneira que não se deixa uma filha casar com um homem desconhecido, que os bakongo chamam por Mfumbiankenge (fantasma), não se entrega o poder de uma família (Kanda, clã), de uma comunidade e muito menos de um país à uma pessoa intrusa.

 

No Reino do Kongo, alguém queria candidatar-se a Ntotela (Autoridade máxima dos bakongo que outros chamam por Rei ou Imperador). Os Mbanda-Banda (Conselheiros) de Ntotela pediram para que a candidatura seja acompanhada de uma informação detalhada sobre os makanda (singular
Kanda, clã) paterno e materno do candidato.


Como o mesmo não pertencia a nenhum kanda kikongo, ele abandonou a iniciativa, calou-se e como vingança, organizou uma revolta armada contra o poder do Kongo, Wene wa Kongo (Reino ou Império do Kongo). Para os bakongo, um Kanda – que pode ser definido também como sendo uma família no conceito bantu – deve ser chefiado por um membro genuíno eleito. É o Nkulubundu ou Nkazi (Chefe de Kanda).


Um intruso ou escravo nunca pode dirigir um cla (Kanda). Os bakongo identificam-se pelo luvila – nome de makanda – e não pelos nomes. Makuta Nkondo é quem? Ele é Miala mia Nzinga (clã materno) e neto de Ntumb´a Mvemba.

 

A sua aldeia materna é Yenga, Comuna de Kinsimba, a paterna Nsenge, ambas no Município do Tomboko, Província do Zaire. A sua língua é Kikongo. Na sua comunidade ele (Makuta Nkondo) é chamado por Mpetelo. Antes do colonialismo português, os antepassados de Makuta Nkondo eram originários do “Reino ou Império” do Kongo. O tabu sobre as origens dos dirigentes e líderes políticos é perigoso para o País, comparável a um vulcão adormecido ou um furúnculo que acabará por rebentar.






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