Augusto Makuta Nkondo, príncipe do trono do Reino do Congo

Lisboa – Tornou-se rapidamente no rosto mais visível dos povos do norte de Angola  e já há quem  olhe para ele  lembrando a bravura  do malogrado Mfulumpinga Lando Victor que levantava questões encubadas. Assume-se como um tradicionalista bantu  cujo conhecimento baseado na  tradição kikongo inspirada pelo seu avó materno, Nzau a Ntaya, lhe é  reconhecido com aptidão.  


Fonte: Club-k.net

Estimado pela sua eloqüente oratória

Augusto Pedro Makuta Nkondo, nasceu na aldeia Yenga, comuna de Kinsimba, Província do Zaire, Angola mas foi na aldeia do Luandu a cerca de dez quilómetros a sudeste da vila de Matadi, Província do Baixo Congo, República Democrática do Congo (RDC) onde cresceu próximo a uma   base do extinto do  exercito da FNLA. Estudou em  Matadi  e devido a distancia que percorria para ir a escola,  o  seu padrasto Zuze Nsimba colocou-lhe a viver em casa de  um primo Eduardo Pinnock,  co-fundador da UPA.


A vivencia em casa deste histórico da UPA, fez de Makuta Nkondo pioneiro da organização de Holden Roberto; era chamado para declamar poemas e participar em actividades de festividade em datas de comemoração alusivas aos guerrilheiros da FNLA. Quando mais crescido  fez parte de um trio que assessorou a delegação do Governo de Revolução  angolana no Exílio - GRAE no Baixo-Zaire. Trabalhou  directamente com Artur  Nkosi e Francisco Xavier Lubota que largaria esta organização para fundar a FLEC.

 

Enquanto residente no Congo aprofundou os estudos e se licenciou  em Biologia mas foi como profissional de jornalismo que se destacou nas zonas controladas pela FNLA.  Regressou a Angola em 1975, enviado  como comissário político na sua comuna de origem Kinsimba, Província do Zaire. Esteve também na área  do Noki, onde permaneceu até a expulsão da FNLA em  território nacional.

 

Transferiu-se para Luanda e no inicio da década de oitenta  foi preso pela segurança de Estado sob acusação de ter participado numa reunião no Consulado do ex-Zaire em Angola com elementos dos serviços secretos daquele país suspeitos de planear o desvio de um MIG 21 da extinta FAPA-DA. Após a soltura  foi integrado como jornalista da Agencia Angop. No período após os acordos de Bicesse, o então DG da Angop  criou  condições para afastá-lo dos quadros da empresa depois de ter sido indicado para cobrir uma conferencia de imprensa no Hotel Presidente em Luanda, dada pela primeira delegação da UNITA que chegou a Luanda. Makuta Nkondo sentenciou-se ao perguntar aos membros do “Galo Negro”, o seguinte: “Como está o nosso presidente” – Teria sido uma pergunta em  alusão a Savimbi o que levou as  autoridades a marcarem lhe como simpático a UNITA. A partir desta  data “militou” em algumas organizações da sociedade civil e reaproximou-se a velhas amizades da linha de Holden Roberto. Passou para a Imprensa privada escrevendo para o Folha8 e para o Jornal Angolense, publicação onde colabora nos dias de hoje. Esta  proibido de falar a Radio Eclésia, numa alocução teria dito que “os padres são  uns fingidos e que namoram”.

 

 Mantém se desligado da FNLA mas conserva as suas  amizades  e é por esta via que é  chamado para dar palestras. Mostra-se “muito” sentido com o ambiente de “alas”,  neste partido histórico. Em iniciativas de promoção individual  a unidade dos seus antigos companheiros  faz  recurso a um provérbio kikongo:  “E vata dieto diziwanga, kedivayikuanga ko” (A nossa aldeia precisa de receber mais gente, que perde-la).


A juventude em Luanda estima-lhe pela sua eloqüente oratória capaz de eletrizar uma  platéia. Em Angola, uma das personalidades que identifica-lhe vantagens para o beneficio do país, é  Isaias Samakuva, líder da UNITA. Convidou-lhe para integrar a lista de candidatos independentes pelo seu partido nas ultimas nas eleições de 2008, mas não chegou a entrar para o parlamento. Passou a prestar serviços no gabinete presidencial de Samakuva como assessor de imprensa sem no entanto comprometer a sua  condição de apartidário.

 

A forma como se relaciona com a  UNITA é delineada por  limites que obedecem a pressupostos costumeiros sensíveis a tradição Kikongo.  Makuta Nkondu é  descendente  do clã materno “Miala mia Nzinga” (Ngenda),  um dos mais importantes na arquitectura de poder do antigo Reino do Congo, que abrange as províncias do norte de Angola até aos Camarões, envolvendo a República Democrática do Congo, Congo-Brazzaville e o Gabão.

 

O mesmo é considerado como um dos "príncipes" pretendentes ao trono do Reino do Congo.  A sua condição de pretendente ao trono, cujas cortes se situam na cidade de Mbanza-Congo, não chocaram com a sua condição de então  candidato a deputado pelas listas do maior partido da oposição angolana mas como  tradição e  costumes que se  impõem teve de ter a autorização dos mais velhos da sua etnia. Makuta Nkondu esta  sob  a  condição de jamais envolver o Reino nas questões político-partidárias, sem a autorização da Corte constituída por todos os guardiães do Wene Wa  Kongo (Reino ou Império em Kikongo). Trata-se de um processo complexo que de acordo com a tradição,  quem não obedece morre.

 

Para que o processo de escolha do Ntotela do Reino do Congo avance, Makuta Nkondo, mas essencialmente os "sábios" das 12 linhagens reais(Kanda) existentes, aguardam, desde 2003, para não "ferir" as instituições do Estado angolano, a resposta a uma carta que foi enviada ao Presidente da República, José Eduardo dos Santos.  Enquanto aguarda pela entrada na Corte do Wene Wa Kongo, Makuta Nkongo corre  o país ao lado do presidente da UNITA, Isaías Samakuva, e é chamado pelas rádios e televisão em Angola para abordar temas  sobre a sua tradição. A sua linhagem  etinolinguistica, é equiparada a dois membros do MPLA, na província do Zaire, Joanes André e Alberto Sabino, também notabilizados  como descendentes   de um reconhecido rei na província.






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