"A Unita é responsavel pela destruição da imagem de Angola no exterior" - JA & José Ribeiro

ImageLuanda - O PRD no tempo de antena de ontem, na rádio, foi particularmente agressivo para os outros partidos. Não se percebeu bem, mas pelo menos um tem no seu seio autênticos “comités de conspiração”. Um pouco de adrenalina na campanha nem faz mal a ninguém, mas os tempos de antena são para divulgar propostas políticas, manifestos eleitorais e para a educação cívica. Perder tempo com guerras partidárias é um desperdício e tira mais votos do que dá. Mas o PRD está com muita sorte nas eleições e pede aos eleitores um milhão de votos. Ficámos esclarecidos, porque a seguir entrou a rubrica “palavras que o vento levou”...

O tempo de antena da UNITA falou aos eleitores da sua longa prática na diplomacia e as suas excelentes relações internacionais. Quanto aos parceiros privilegiados, a UNITA apresentou em Luanda muito pouco, numa conferência internacional que teve apenas quintos planos políticos europeus ou o inevitável Ribeiro e Castro.

Nos tempos de antena da TPA, a UNITA voltou à carga. Mostrou imagens da conferência no Hotel Trópico e voltou a garantir que domina a cena da diplomacia internacional. Foi mais longe e disse que é o único partido que pode melhorar a imagem de Angola no mundo. Aqui o partido do Galo Negro não mediu as palavras. A UNITA e seus amigos e aliados têm grandes responsabilidades na destruição da imagem de Angola no exterior. Não pode agora vir dizer que os eleitores têm de votar no Galo Negro se querem que a imagem do país melhore. Soa a chantagem do tipo: se não votarem em nós, vamos continuar a estragar a imagem de Angola no exterior. Não pode!

A FpD apresentou um tempo de antena na televisão com substância e consistência. Mas aproveita mal as excelentes condições de Nilsa Esperança e aposta em intervenções desastradas de Domingas Manuel. A activista diz coisas sérias e depois remata com um sorriso de plástico, aprendido à força para exibir nas passarelles dos concursos de beleza. Assim não dá. Dêem a Nilsa a tarefa da continuidade e de passar as mensagens curtas, que vão directas ao coração e à mente dos eleitores.

O PAJOCA e o PRS insistem em fazer passar mensagens que apelam aos regionalismos e mostram insuficiências políticas. Neste aspecto o PDP-ANA e o PADEPA ultrapassam tudo, com as mensagens em línguas nacionais a roçarem a ilegalidade.

A PPE, como quem não quer a coisa, já vai à frente dos partidos da segunda divisão. A UNITA desce na tabela porque está empenhada em perder credibilidade, apresentando propostas que sabe jamais poder cumprir. Os eleitores também sabem.


Campanha e política


Se o eleitorado tivesse de votar em projectos e propostas políticas consentâneas com a realidade nacional, as eleições estariam à partida decididas.   À excepção do MPLA, que se esforça por fazer chegar ao público um programa político com cabeça, tronco e membros, a campanha eleitoral está caracterizada por um amontoado de fantasias despojado de propostas alternativas.    O partido que proclamou a independência, abriu o país ao regime democrático e à economia de mercado, dá estabilidade à governação e organizou eleições de maneira exemplar, mostra deter uma visão sólida de Estado que não encontra paralelo.

   Para recorrer à linguagem olímpica, a avaliação que se faz do modo como as formações políticas se prepararam para a competição eleitoral, obriga a dizer que, apesar do “avanço” que receberam do partido no poder, com todas as oportunidades e facilidades para se organizarem, o balanço do que foi até aqui apresentado é confrangedor.
   A regra de ouro da luta política, que se traduz na apresentação de soluções para os problemas nacionais através do debate franco e construtivo de ideias, parece descredibilizada por um jogo de principiantes. A simples repetição de palavras de ordem, de um “jingle” mais ou menos bem conseguido ou a transmissão de imagens de charcos e buracos nas ruas das cidades, pode ser insuficiente para mobilizar o eleitorado e conquistar votos.

   É claro que a produção audiovisual de algumas formações políticas foi entregue a jovens na idade e imaturos na preparação política. A sua criatividade está menos em causa do que a percepção e o profissionalismo. Algumas produções assemelham-se aos jogos de luzes que animam as discotecas frequentadas pela juventude ou a trabalhos de escola.

   Espaço onde melhor se expressa a qualidade (ou falta dela) dos dirigentes dos partidos políticos que temos, os tempos de antena mostram que não se domina o elementar da política. E quando falta o estudo e escasseiam as propostas, o normal é transformar o espaço político em lugar de provocação e de desvirtuamento do sentido do combate eleitoral e do dever de engrandecimento nacional. É o que acontece com as formações constituídas por jovens.

    Quanto aos tradicionais, a FNLA continua igual a si mesma e a UNITA apostada na mensagem para o exterior.
   Para quem defende que acima de tudo estão os angolanos, não se percebe porque Samakuva trouxe a Angola personalidades estrangeiras para anunciar o projecto “Angola sem Fome”, com que pretende marcar a próxima legislatura se vencer as eleições. Entre os convidados, estavam membros do antigo “lobby” da UNITA em Portugal. Samakuva sabe que eles se encarregarão de continuar a espalhar no mundo a imagem falsa de que Angola é um país de miséria e corrupção. Samakuva não se importou também de confirmar que o seu projecto foi “copiado” do estrangeiro (o Rendimento Mínimo Garantido, de Portugal?). As coisas boas são para “copiar”, disse ele. Assim se vê como é difícil compatibilizar as palavras com os actos políticos.

*Director do Jornal de Angola
Fonte: JA





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