O tempo de antena da UNITA falou aos eleitores da sua longa prática na diplomacia e as suas excelentes relações internacionais. Quanto aos parceiros privilegiados, a UNITA apresentou em Luanda muito pouco, numa conferência internacional que teve apenas quintos planos políticos europeus ou o inevitável Ribeiro e Castro.

Nos tempos de antena da TPA, a UNITA voltou à carga. Mostrou imagens da conferência no Hotel Trópico e voltou a garantir que domina a cena da diplomacia internacional. Foi mais longe e disse que é o único partido que pode melhorar a imagem de Angola no mundo. Aqui o partido do Galo Negro não mediu as palavras. A UNITA e seus amigos e aliados têm grandes responsabilidades na destruição da imagem de Angola no exterior. Não pode agora vir dizer que os eleitores têm de votar no Galo Negro se querem que a imagem do país melhore. Soa a chantagem do tipo: se não votarem em nós, vamos continuar a estragar a imagem de Angola no exterior. Não pode!

A FpD apresentou um tempo de antena na televisão com substância e consistência. Mas aproveita mal as excelentes condições de Nilsa Esperança e aposta em intervenções desastradas de Domingas Manuel. A activista diz coisas sérias e depois remata com um sorriso de plástico, aprendido à força para exibir nas passarelles dos concursos de beleza. Assim não dá. Dêem a Nilsa a tarefa da continuidade e de passar as mensagens curtas, que vão directas ao coração e à mente dos eleitores.

O PAJOCA e o PRS insistem em fazer passar mensagens que apelam aos regionalismos e mostram insuficiências políticas. Neste aspecto o PDP-ANA e o PADEPA ultrapassam tudo, com as mensagens em línguas nacionais a roçarem a ilegalidade.

A PPE, como quem não quer a coisa, já vai à frente dos partidos da segunda divisão. A UNITA desce na tabela porque está empenhada em perder credibilidade, apresentando propostas que sabe jamais poder cumprir. Os eleitores também sabem.


Campanha e política


Se o eleitorado tivesse de votar em projectos e propostas políticas consentâneas com a realidade nacional, as eleições estariam à partida decididas.   À excepção do MPLA, que se esforça por fazer chegar ao público um programa político com cabeça, tronco e membros, a campanha eleitoral está caracterizada por um amontoado de fantasias despojado de propostas alternativas.    O partido que proclamou a independência, abriu o país ao regime democrático e à economia de mercado, dá estabilidade à governação e organizou eleições de maneira exemplar, mostra deter uma visão sólida de Estado que não encontra paralelo.

   Para recorrer à linguagem olímpica, a avaliação que se faz do modo como as formações políticas se prepararam para a competição eleitoral, obriga a dizer que, apesar do “avanço” que receberam do partido no poder, com todas as oportunidades e facilidades para se organizarem, o balanço do que foi até aqui apresentado é confrangedor.
   A regra de ouro da luta política, que se traduz na apresentação de soluções para os problemas nacionais através do debate franco e construtivo de ideias, parece descredibilizada por um jogo de principiantes. A simples repetição de palavras de ordem, de um “jingle” mais ou menos bem conseguido ou a transmissão de imagens de charcos e buracos nas ruas das cidades, pode ser insuficiente para mobilizar o eleitorado e conquistar votos.

   É claro que a produção audiovisual de algumas formações políticas foi entregue a jovens na idade e imaturos na preparação política. A sua criatividade está menos em causa do que a percepção e o profissionalismo. Algumas produções assemelham-se aos jogos de luzes que animam as discotecas frequentadas pela juventude ou a trabalhos de escola.

   Espaço onde melhor se expressa a qualidade (ou falta dela) dos dirigentes dos partidos políticos que temos, os tempos de antena mostram que não se domina o elementar da política. E quando falta o estudo e escasseiam as propostas, o normal é transformar o espaço político em lugar de provocação e de desvirtuamento do sentido do combate eleitoral e do dever de engrandecimento nacional. É o que acontece com as formações constituídas por jovens.

    Quanto aos tradicionais, a FNLA continua igual a si mesma e a UNITA apostada na mensagem para o exterior.
   Para quem defende que acima de tudo estão os angolanos, não se percebe porque Samakuva trouxe a Angola personalidades estrangeiras para anunciar o projecto “Angola sem Fome”, com que pretende marcar a próxima legislatura se vencer as eleições. Entre os convidados, estavam membros do antigo “lobby” da UNITA em Portugal. Samakuva sabe que eles se encarregarão de continuar a espalhar no mundo a imagem falsa de que Angola é um país de miséria e corrupção. Samakuva não se importou também de confirmar que o seu projecto foi “copiado” do estrangeiro (o Rendimento Mínimo Garantido, de Portugal?). As coisas boas são para “copiar”, disse ele. Assim se vê como é difícil compatibilizar as palavras com os actos políticos.

*Director do Jornal de Angola
Fonte: JA



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