O Jogo perigoso de Chivukuvuku - Carlos Alberto

Montreal  - O político Abel Chivukuvuko nunca escondeu a sua ambição de servir os angolanos como Presidente da República. Para o efeito, concorreu para o cargo de Presidente da UNITA, exactamente porque os Estatutos da UNITA estabelecem que o presidente da UNITA é o candidato do Partido para as eleições presidenciais. Perdeu as eleições a favor de Isaías Samakuva, em 2007, quando os militantes da UNITA rejeitaram Chivukuvuko, que não conseguiu arrecadar mais de 27% dos votos expressos.


Fonte: Club-k.net

Análise política

Depois dessa derrota, de 2007 a 2011, Abel passou a agir contra a UNITA, sabotando os programas da UNITA para enfraquecer a Direcção da UNITA. Chegou a cogitar organizar uma base de apoio no seio da juventude católica para candidatr-se como independente. Quando verificou que a Constituição de 2010 não lhe permitia candidatar-se como independente, Abel tentou aproximar-se do Bloco Democrático, onde verificou que as portas não lhe estavam totalmente fechadas. Fontes daquele Partido declararam que não ‘desmentiam nem confirmavam’ o namoro com Chivukuvuko.


Mas o Bloco não é expressivo nem suficiente para as ambições de Chivukuvuko, que precisa de levar uma boa parte do eleitorado da UNITA a apoiar a sua candidatura, o que só seria possível com uma implosão ou uma cisão. Aliou-se a Lukamba Gato – outro derrotado por Samakuva – e engendrou uma jogada perigosa. O que fez Chivukuvuko?

 

Arregimentou os apoiantes da sua candidatura derrotada em 2007 para integrar uma estrutura paralela, denominada “Grupo de Reflexão” para em reuniões clandestinas, fazer o planejamento de acções de desmobilização de membros e de deslealdade à Direcção eleita. Sabendo que os Estatutos e Regulamentos da UNITA punem a criação de tais grupos com a pena mínima de suspensão dos ofensores, Chivuko nunca deu a cara. Utilizou sempre jovens aventureiros e mais velhos desiquilibrados ou distraídos. Todos eles, porém, atraídos por falsas promessas ou mesmo por alguns trocos.

 

Recentemente, foi mais longe: logrou mandar publicar um Memorando com base numa interpretação errada dos Estatutos. O documento dizia que o mandato de Samakuva terminou em Julho e que uma “Comissão de Gestão” presidida por Ernesto Mulato, actual Vice-Presidente, deveria dirigir o Partido até o Congresso. Lucamba Gato seria o Vice-Presidente. O documento não foi assinado por ninguém. Apontava um certo Katengue, comerciante do Uige e não filiado na UNITA como líder, e insinuava que nomes sonantes da UNITA estavam do seu lado. O que se viu a seguir? Um por um, tais nomes surgiram a desmentir tal insinuação.


Chivuko lançou os “miúdos” seus fãs na fogueira e escondeu-se para ver as reações. Os miúdos foram sendo apertados e exigiram que Chivuko desse a cara. Caso contrário, iam “abrir o jogo e denunciá-lo.”


Em resposta, Chivuko aprontou outra: contou uma mentira a Faustino Wapossoca, amigo comum de Samakuva e Chivuko e solicitou que este mediasse uma pretensa “negociação que os mais velhos do Partido já tinham acordado”: Samakuva continuava presidente e Abel seria o cabeça de lista para as eleições de 2012. Se a fórmula fosse aceite, a “confusão” dos golpistas iria parar já. Esta tese terá sido também ventilada pelo próprio Chivuko em conversas com alguns dirigentes do Partido, entre os quais o veterano Jaka Jamba. A seguir, engendrou que alguns dirigentes fossem convidados para uma reunião. A cada um foi explicado um motivo diferente para a reunião. Afinal, quando lá chegaram, ficaram surpresos, porque o tema era outro: foram apresentados como “mediadores de uma certa negociação.” Dois deles desmarcaram-se logo, percebendo que tinham sido abusivamente usados!

 

Outros, menos atentos, caíram nesta e na próxima cilada: foram ao Hotel Fórum, supostamente para “repreender e chamar à razão os miúdos confusionistas”. Quando lá chegaram, depararam-se com uma conferência de imprensa golpista, presidida por Carlos Kandanda, um veterano que congelou a sua militância por carta até 2017. Os convidados ou ludibriados não disseram palavra, mas Chivuko conseguiu, com a sua astúcia, audácia ou malabarismo, dar a cara e assim sossegar os jovens; criar na opinião pública a impressão de que os veteranos estão do seu lado; e enfraquecer Samakuva e a UNITA no jogo político nacional. A presença de Lucamba Gato ao seu lado é que não deve ter sido inocente! Não sendo militante activo, Kandanda não pode ser sancionado.


Foi mesmo duro para os militantes da UNITA ver aquela encenação na Televisão! Uma clara demonstração de fragilidade, divisão e confusão!


O Comité Permanente da UNITA reuniu-se extraordinariamente de imediato. O Comunicado final contraria as intenções de Chivukuvuko: A reunião “decidiu por unanimidade reafirmar a legitimidade do mandato dos órgãos de direcção do Partido saídos do X Congresso, em particular do mandato do Presidente Isaías Samakuva, que, nos termos dos Artigos 22º e 41º, termina com a tomada de posse do Presidente eleito”.

 

Decidiu ainda, por unanimidade, “condenar as tentativas de implosão da Direcção do Partido, assim como os desvios aos documentos reitores do Partido, nomeadamente aos seus Estatuto e Regulamento Interno “.

 

O mais grave para Abel Chivukuvuko é que a reunião decidiu igualmente por unanimidade “considerar infracção disciplinar gravíssima, nos termos do Artigo 7º dos Estatutos e do nº3 do Artigo 15ºdo Regulamento Interno, alíneas (a), (c), (f), (i), a criação e apoio ao chamado “grupo de reflexão”. Ou seja, quer Abel Chivukuvuko, quer Lucamba Gato, quer os mais velhos que apareceram na Televisão, todos estão sujeitos a processo disciplinar se se provar que são, de facto, autores ou mentores do referido grupo golpista.


Quem ficou mal na fotografia foi a UNITA. Quem ficou mal na trama foram os miúdos que tinham sido atirados p’ra fogueira. Os peixes graúdos negaram tudo. Ninguém mais era membro do grupo de reflexão: nem intelectuais nem veteranos; nem Abel, nem Gato, nem Chiwale, nem Antonino, nem Sicato, ninguém. Todos os ditos intelectuais e veteranos, cheios de títulos, afinal, condenaram a conduta dos autores e mentores (anónimos) do referido grupo de rebeldes, ou golpistas, como lhes chamou Ernesto Mulato. A coragem que tiveram no passado, nas matas, transformou-se em cobardia, na cidade.


Nesta jogada perigosa, Abel Chivukuvuko fez definitivamente o jogo do MPLA, porque causou sérios danos à UNITA num momento em que a UNITA estava a subir na bolsa política e o MPLA estava em baixo.


O político deve ter decepcionado a alguns, mas não à UNITA, que conhece bem os seus métodos e a sua ambição. Quem é capaz de prejudicar o colectivo para viabilizar uma agenda pessoal, não pode dirigir a UNITA.





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