Opinião

Evangelho da libertação – Manuel Tandu

Zaire - Começo esta reflexão baseando-me nas palavras de Jesus Cristo: "conhecereis a verdade e a verdade, vós libertará". A essência da mensagem de Cristo visava e visa a libertação do homem. Mas para que o homem seja liberto, há a necessidade de conhecer a verdade ou ter o conhecimento, que irá despertar a consciência deste. O que é o evangelho? O evangelho significa boas novas, boas notícias, etc. A libertação tem a ver com independência, pois quem está cativo, ele não é independente. Para que tome consciência que encontra-se em cativo e necessita de se libertar, há uma necessidade de absorver o conhecimento. Este conhecimento despertará a consciência deste.

Fonte: Club-k.net


Quem tem a missão de transmitir ou de passar este conhecimento? É o servo de Deus (Profeta, Apostolo, Bispo, Rev. Pastor, Pastor e Evangelista), de que forma transmite ou passa este conhecimento? Fazendo uso do evangelho da libertação, o que é o evangelho da libertação? O evangelho da libertação é uma mensagem que tem a finalidade de dar o conhecimento ao homem, permitindo que este desperte a consciência. O evangelho da libertação tem duas vertentes: anunciar e denunciar.


Na primeira vertente, o evangelho de libertação se encarrega em anunciar o bem, quer dizer o conhecimento transmitido dá elementos que permite ao cidadão ou o cristão viver na sociedade e em sociedade. Na segunda vertente, o evangelho da libertação denúncia o mal. Quer dizer, denúncia as más acções que ocorre na congregação e na sociedade em geral. Deste modo se levantam as seguintes questões: o estado, o partido político, etc. Estão isentas ou as más acções praticadas por estes não devem ser denunciadas pelos servos de Deus? Será que a mensagem do servo de Deus se circunscreve na congregação? O servo de Deus como factor de equilíbrio e não de desequilíbrio numa sociedade, tem a missão de anunciar o bem e denunciar o mal, logo a acção do mesmo não se circunscreve na congregação, pois abrange até aqueles que estão fora da congregação, como: o estado, os partidos políticos, as organizações cívicas, o cidadão comum, etc.


Mas a bíblia sagrada diz: "dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus", logo o servo de Deus não deve emitir opiniões sobre questões de política. Esta é uma falácia que os políticos usam com a intenção de calar ou impedir que o servo de Deus exerça a sua missão. Em que contexto Jesus Cristo diz: dai, pois, a César o que é César e a Deus o que é de Deus. Ele faz esta declaração, respondendo a questão que lhe tivera sido colocado sobre o tributo. Segundo o dicionário online de português, olhando pelo contexto em que Jesus Cristo faz uso do termo tributo.


O tributo é uma taxa obrigatória paga pelos cidadãos ao estado ou é o imposto. Se o tributo é de César (estado), então o que é de Deus? Referindo-se nas palavras de Jesus Cristo em Lucas 20:19-26. A resposta se encontra em Malaquias 3: 8-10, onde Deus orienta que se deve trazer dízimos para à igreja. Quer dizer, o tributo é de césar (estado) e o dízimo é de Deus. Porque actualmente a esmagadora maioria de servos de Deus não denúncia os males que o estado faz ao cidadão? Porque quando há violações dos direitos dos cidadãos, a esmagadora maioria de servos de Deus cala-se ou faz pronunciamentos que em vez de repudiar elas alimentam a continuação destas acções do estado? Porque nos seus pronunciamentos defendem sempre as acções do governo e do partido político que sustenta o governo? Porque a esmagadora maioria de servos de Deus, nos seus pronunciamentos não têm havido algum equilíbrio entre o partido político que sustenta o governo e outros partidos políticos? Em função de factos que estão bem visíveis na nossa sociedade, mostram claramente que a esmagadora maioria de servos de Deus são burgueses, quer dizer pertencem a burguesia.


Ora para ser burguês ou continuar a ser burguês, se deve ter bens materiais ou os dinheiros, e quem na realidade tem os dinheiros ou quem tem a capacidade de transformar um número considerável de servos de Deus de burguês em tempo recorde? É o estado, é uma individualidade ou são individualidades que têm ligações direitas e indiretas com o estado. O servo de Deus denunciando o mal ou os males que o estado faz aos cidadãos, logo ele se transforma numa pedra no sapato do estado e daqueles que têm monopolio dos dinheiros, e deste modo começa a encontrar barreiras no exercício do sacerdócio e chega a perder as regalias ou as mordomias, etc. Então a esmagadora maioria de "servos de Deus" tendo a consciência das situações que poderão advir nele, se denunciar o mal que o estado faz aos cidadãos, então ele ignora os problemas que os cidadãos passam começando pelas questões como: a educação, a saúde, as liberdades, a concorrência desleal, injustiças, a exclusão social, o abuso de poder, etc.


A bíblia sagrada é clara em I° Pedro 2:17: "Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai o rei". Quer dizer se deve honrar o rei e temer-se Deus. Não o que se vê hoje e qualquer um de bom senso percebe-se que há inversão destas palavras, pois actualmente se teme o rei e se honra Deus. O servo de Deus tem a obrigação, repito a obrigação de anunciar o bem e denunciar o mal. Pois ele é servo de Deus e não servo do homem, é ministro de Deus e não ministro do homem. "É pá na bíblia sagrada há evidências, provas ou orientação para que o servo de Deus tenha esta linha de orientação ou há obrigatoriedade no cumprimento destas orientações? ". Há obrigatoriedade no cumprimento destas orientações, lendo o Ezequiel 3:16-21, e em Isaías 10: 1-2, o Profeta Isaías denúncia o mal que o estado causa ao povo. Então não é errado e não é contra a ética e a deontologia do sacerdócio denunciar o mal que um estado, um partido político, uma organização cívica, etc. Causam ao povo ou denunciar o mal que um cidadão ou de cidadãos causam a um estado, a um partido político, a uma organização cívica, etc.


Claro que as autoridades existem por permissão de Deus e devem ser obedecidas (Romanos 13:1-6). Mais devemos ter em atenção, pois o servo de Deus não se encontra na mesma categoria que o cristão, o cidadão e o estado. Quer dizer, o cristão é uma ovelha e o servo de Deus é o Pastor encarregue de apascentar estas ovelhas. Ora as autoridades não tem o estatuto de servos de Deus ou de ministros de Deus, logo elas não estão acima de servos de Deus. Mas neste rebalho existe um conjunto de membros de podem associar em diferentes grupos com a finalidade de disputar, quem irá representar e defender os interesses de toda comunidade ou rebalho e a associação que vence esta disputa, através do voto de confiança da comunidade por meio das eleições, ele governa, e o servo de Deus como Pastor, ele deve apascentar o rebalho, e a sua função é fiscalizar, nortear, etc, e ele materializa estas funções denunciando o mal que as autoridades fazem ao cidadão e do mal que o cidadão ou os cidadãos causam as autoridades e anunciando o bem que as autoridades fazem aos cidadãos e do bem ou as boas acções que os cidadãos prestam as autoridades.


Pois antigamente Deus governava directamente o povo usando os sacerdotes. Mais depois Ele instituiu o estado, e incumbiu ao servo de Deus a função de fiscalizar, nortear, etc. As acções tanto do estado como do cidadão (I° Samuel 10:17-18, 24). Por isso em Romanos 13:1-6, o Apóstolo Paulo anúncia que quem instituiu as autoridades é Deus. Mais, Deus não deixou as autoridades para fazerem tudo ao seu belo prazer, por isso colocou o servo de Deus para fiscalizar, nortear, etc. As acções do estado. Porque o servo de Deus é o atalalia (vigia) duma nação (Ezequiel 3:16-21).


Em suma a sociedade que temos hoje é fruto da falta de acção fiscalizadora, norteadora, etc. Do servo de Deus nas acções do estado, dos partidos políticos, das organizações cívicas, etc. Deste modo cabe ao servo de Deus retomar o exercício da função que lhe fora incumbida por Jeova.Pois actualmente sou os políticos é que são apontados como os causadores de todos males que enfermam a sociedade. Mais na realidade os verdadeiros culpados das situações que assolam a sociedade são os servos de Deus. Pois se esquivam da real missão que lhes foi incumbido. Que se resume em apregoar o evangelho da libertação: anunciando o bem e denunciando o mal, fazendo-se uso duma mensagem crítica construtiva, que na verdade ajuda o próprio estado, partidos políticos, etc. A melhor se posicionar na sociedade.

 

Carta aberta a PCA da ENDE sobre cobranças injustas


Ao Senhor Presidente do
Conselho de Administração
Da Empresa Nacional de
Distribuição de Eletricidade - ENDE

Luanda

Assunto: Fraco Fornecimento de Energia e Cobranças Injustas

Os melhores cumprimentos,


Nós, os moradores da Rua 10 do Projecto Sonho da Casa própria, junto do condomínio Jardim do Éden, comuna do Camama, município de Belas, vimos através desta manifestar a nossa total insatisfação e indignação ao fraco fornecimento de energia elétrica às nossas residências.


Temos um fornecimento irregular, do tipo Dia Sim – Dia não, ou seja metade do mês, que tem sido bastante difícil gerir do ponto de vista financeiro, uma vez que estamos forçado a gastar valor extra em combustível, para fontes alternativas; Situação esta que dura mais de 6 meses.


Em contrapartida, estamos a ser obrigados a pagar o total da factura mensal, o que não é justo, porque mexe com o bolso do cidadão. Outrosim, a continuar com esta prática, estarão a incorrer ao enriquecimento ilícito. Também temos conhecimento que se está a instalar um PT “de reforço” na zona com o objectivo de solucionar este problema, mas que as obras se encontram em lento progresso, o que não reflete a vontade célere de solucionar esta situação.


Pelo que vimos através desta solicitar a vossa compreensão que nos façam uma cobrança justa, ou seja a metade do mês, visto não haver um sistema mais justo de cálculo do consumo, como contador ou o pré-pago instalado nesta zona.


Sem mais assunto, subscrevemos.
Luanda, 23 de Agosto de 2016

 

O Discurso do Presidente da República foi patriótico e histórico - João Hungulo

Luanda - V. Ex.ª Sr.º Presidente Digníssimo Engenheiro José Eduardo Dos Santos, trouxe para o País e para os angolanos, no âmbito do encerramento do sétimo congresso do MPLA, um discurso inédito e histórico, um discurso que poderá mudar de forma definitiva e inadiável a marcha evidente dos acontecimentos em Angola. Dando relevo para uma nova conjuntura nacional em todos os domínios político-social, geopolíticos e económicos.


Fonte: Club-k.net

O discurso da V. Ex.ª Sr.º Presidente, constitui uma dimensão fundamental da acção política angolana, e, por consequência, contribuirá para a construção das representações que circulam sobre os políticos, os seus ethos, no âmbito do sétimo congresso realizado pelo MPLA em Luanda.

Por contingências de vária ordem, o País vive um momento de delicado panorama sócio - económico, cujo impacto social não tarda por exprimir descontentamento junto da orla social, com reflexos aos órgãos de gestão pública que são forçados a todo custo a se adaptarem às mudanças que circundam o País e dotar ao povo de alternativas que lhes permitam integrar - se na actual conjuntura económica que o País vive, definindo – se assim, uma sociedade perpassada por profundas e constantes transformações socioeconómicos, porém, com anseios de contrapor os impasses vigentes no momento, e tornar – se por isso, mais dinâmica, mais evoluída e mais complexa.

Reflexos no mínimo não surpreendentes, se tivermos em conta que a própria sociedade angolana, apesar dos níveis de desenvolvimento amplos e prosperidade alcançados, anseia ver resolvidas um leque de situações prementes à vista da sua trajectória social.

Mas parece que a serenidade e a frontalidade humilde de que se expuseram nas palavras do Presidente Dos Santos no seu discurso de encerramento, vieram dar um novo rumo as coisas em Angola, motivando desde logo, os actores políticos da nação no seu todo e os dirigentes dos diversos sectores da máquina pública, impondo a disciplina e a seriedade como o factor decisivo na efectivação da mensagem exposta em discurso. Traduzindo a transformação da figura de um chefe numa figura de um líder. Porque o chefe não encarna o sofrimento dos seus súbdito, o chefe manda e não participa de forma directa na acção, mas neste discurso se encarnou a necessidade de fortificar na pessoa dos dirigentes a figura de um líder e não de um chefe.

Os líderes dos partidos políticos são a força motriz da credibilidade política do seu partido, maus líderes destroem as organizações, mas bons líderes transforma as organizações em fortes, coesas, poderosas e desenvolvidas; um partido político somente é capaz de se tornar atractivo à vista de todos, se tiver um líder pró – activo, calmo, coeso, actuante, motivador, entusiasmado na acção, que sabe definir prioridades, sabe planear com cuidado a acção a implementar, alguém que mesmo sabendo que as coisas estão difíceis não se deixa desanimar, alguém convincente, que sabe exprimir por meio das ideias a sua visão e animar o povo, pois que não é possível se ter um partido forte com um líder fraco, os líderes fazem as organizações. Neste prisma, queremos relevar que, o MPLA é forte por ter um líder forte, estratégico, sereno, com ânimos não muito exaltados, um verdadeiro génio político, um líder que parece mais a um enviado de Deus que a um humano, com uma magnitude implacável no que concerne a sua visão metódica e política sobre o presente e o futuro. O Presidente Dos Santos, tornou o MPLA num verdadeiro íman, cuja interacção electrostática entre partículas electricamente carregadas é capaz de atrair um mar de multidões e tornar o MPLA num partido de milhões de seguidores angolanos.

O discurso do Presidente da República, foi decisivo no que concerne a actual conjuntura que o país vive, envolveu todos os fenómenos sociais partindo desde logo, na família como pilar da sociedade, na igualdade do género, na seriedade, no comprometimento dos órgãos de gestão pública com o povo, na melhoria do sistema de Saúde no que tange a qualidade, do sistema de Educação no que tange também a qualidade, no combate à arrogância dos órgãos de gestão pública e sobretudo na resolução dos problemas sociais vigentes hoje.

Esse discurso teve uma importância metódica nos difusores das representações sociais, no instaurar de um novo paradigma que se restringe na aproximação dos líderes ao povo, este discurso veio mudar o estrato ideológico de muitos, desde os maiores aos mais pequenos, os mais ricos aos mais pobres, os mais altos aos mais baixos, os mais importantes aos menos importantes, esse discurso atingiu em toda a esfera social, sem reservas.

Torna-se premissa fundamental, neste discurso, a resolução dos problemas do povo, com maior realce aos mais frágeis e mais carenciados, sem distinção de região, raça, cor, tribo, clã, com inclusão territorial global.

Seu discurso somente pode comparar – se aos maiores discursos da história da humanidade como de Nelson Mandela, de Ronald Reagan, Martin Luther King, de Abraham Lincoln, cujo discurso fizeram de forma natural e obrigatória dar um novo relevo no quadro dos acontecimentos vigentes na altura e mudar de forma definitiva a situação vivida para o melhor.

Querendo ressaltar que nossas palavras têm um poder muito forte sobre nossas acções, palavras são como um míssil, uma vez lançado para o espaço rumo a uma certa direcção parte para atingir o alvo e faz aquilo a que foi destinado, fiquemos atentos, porque as palavras têm poder e definem o rumo dos acontecimentos.

«Somos os arquitectos do nosso próprio futuro e os construtores da nossa vida». Aquilo que falamos define aquilo que fizemos e aquilo que fizemos define aquilo que somos ou seremos, aquilo que somos define a nossa personalidade, a nossa dignidade, a nossa reputação e honra diante do mundo que existe em nossa volta.

Durante o acto de encerramento do Sétimo Congresso do MPLA, a V. Ex.ª Sr.º Presidente Engenheiro José Eduardo Dos Santos, soube trazer à ribalta quão inédito discurso convincente e sensato que se transformará em histórico no que concerne a mudança dos fenómenos político – sociais que Angola abarca.

O povo sabe, que não existe solução alguma para a actual conjuntura que o País vive senão intervenções actuantes advindas da sua Excelência Senhor Presidente Dos Santos, a V. Ex.ª Sr.º Presidente, tem sido histórico em todas as suas intervenções ímpares no que concerne as circunstâncias que cruzam a atmosfera social, mais uma vez fará história ao mudar o rosto da actual conjuntura sócio-económica a um rumo completamente diferente do actual.

O Presidente fez muita gente em Angola chorar através do seu discurso, quase que o seu discurso causou nos angolanos o pulsar na alma até ao mais alto grau da sua emoção, o Presidente encarnou no seu discurso aquilo que o povo Angolano passa e passou, o Presidente assentou no seu discurso de forma clara e absoluta o seu sentido de patriotismo, caridade e responsabilidade pública serena e séria que sempre o dignificaram enquanto líder da nação angolana. É na parte final de seu discurso onde se encontram as palavras que bateram em profundeza os corações dos angolanos, fazendo - os caírem em lágrimas de emoções ao não mais poder ser, nestas palavras mostra o quanto ama Angola, e está disposto a lutar por ela e se possível morrer por ela, com sentido de patriotismo absoluto, não resignando nunca esse legado, que o define desde a idade mais tenra até aos nossos dias.

A parte final do discurso do Presidente da República, não estava inscrita no seu papel. E viu-se uma emoção nos seus olhos, quando disse:
· “Temos que trabalhar com responsabilidade, não devemos nos aproveitar dos nossos cargos para nos servimos a nós mesmos, temos que respeitar o povo porque se temos esses cargos é para os servir o povo e não para sermos servidos por eles.”

Debalde, porém, se esperará que milagrosamente, por efeito de uma vara mágica, mudem as circunstâncias da vida angolana. Pouco mesmo se conseguirá se o País não estiver disposto a todos os sacrifícios necessários e a acompanhar o discurso do Presidente com confiança nas suas inteligentes palavras animadoras e prósperas, com honestidade dos órgãos de gestão que representam a maquinaria do estado; confiança absoluta mas serena, calma, sem entusiasmos exagerados nem desânimos depressivos.

 

O Presidente da República, elucidou de forma clara no seu discurso, sobre o caminho que o povo e os dirigentes da Nação devem trilhar, sobre os motivos e a significação de tudo que não seja claro de si próprio; este discurso, teve ao seu dispor todos os elementos necessários ao juízo da situação que Angola e os angolanos vivem.


O discurso do Presidente soube bem o que quer o povo e para onde quer chegar o povo angolano, mas não se lhe exijamos que chegue ao seu alcance efectivo com muita brevidade. No mais, passe o que passar, doravante, que obedeçamos aquilo que o discurso soube expor na sua íntegra.

 

O Presidente Dos Santos, foi singularmente grato pela missão que serve para o País, não por aquilo que ele representa de motivo de importante figura mundial, mas pelo que traduz de apoio necessário à obra que todos desejam ver realizada.


Muito obrigado V. Ex.ª Sr. Presidente!

Portugal: Falemos do MPLA - Rui Tavares

Lisboa - Mas comecemos por falar de Angola e de Portugal. Todos sabemos que há milhares de portugueses em Angola e angolanos em Portugal, muitos deles unidos por laços familiares, profissionais e de amizade. Os dois países partilham a língua, uma história profunda e às vezes trágica, interesses e projetos comuns. Inevitavelmente, os dois estados devem relacionar-se tão estreitamente quanto possível. Não é só a vida corriqueira da política. É necessário e até desejável.

Fonte: Publico

Essa relação estreita não deve servir para encobrir ou justificar nada do que de errado se faça, de qualquer dos lados. Estive contra o Governo do meu país na ridícula polémica das cartas de condução angolanas. E não concebo outra posição que não seja contra o Governo de Angola em casos como os do 15+2 jovens que estiveram presos por lerem literatura supostamente subversiva. Os direitos humanos são universais e indivisíveis, e não são aceitáveis acusações de ingerência quando defendemos os direitos humanos daqueles que nos estão mais próximos e conhecemos melhor.

 

A grande questão, porém, é que Angola e MPLA não são a mesma coisa. E por isso não é possível ter compreensão pela presença no congresso do MPLA, com declarações elogiosas e abonatórias, de todos os maiores partidos portugueses (com a honrosa exceção do Bloco de Esquerda).

 

Um congresso partidário não é uma ocasião de estado, nem sequer quando partido e estado se confundem. A presença num congresso partidário deve dar-se quando se partilham valores e princípios, atitude e maneira de fazer. Ou seja, quando há afinidade ideológica e/ou metodológica com o partido em causa. É no mínimo bizarro que nos estejam a dizer isso os partidos portugueses que acorreram ao congresso do MPLA — mas é. Foi isso que pretenderam dizer Hélder Amaral do CDS quando falou dos “pontos comuns” com o MPLA ou Carlos César do PS quando disse que os dois partidos trilharam um “caminho conjunto” em ambos os países.

 

Por incrível que pareça, todos aqueles partidos, do comunista ao democrata-cristão, do que defende o socialismo democrático ao que favorece as políticas de austeridade estão a tentar convencer-nos de uma coisa impossível: que todos eles têm afinidade ideológica com o MPLA. Isso só poderia querer dizer que o MPLA não tem ideologia — o que é capaz de ser bem verdade.

 

Ou teremos então de passar a uma segunda hipótese: estes partidos portugueses estão a dizer-nos que se revêem nos métodos do MPLA. Como entre esses métodos estão a opacidade no poder, a confusão entre o público e o privado, o desrespeito pela separação de poderes, o branqueamento da corrupção — esta hipótese não é nada menos do que assustadora.

 

Resta então a explicação que uma grande parte dos portugueses, sem surpresa, dá como provável. A de que os partidos foram ao congresso do MPLA tratar dos seus próprios interesses. Não é preciso justificarem-se com os angolanos e os portugueses, a história e o destino, os estados e a língua. Ao escolherem a presença no congresso do MPLA, e justificá-la com elogios que excedem a diplomacia e a circunstância, os partidos portugueses descredibilizaram-se perante os portugueses — e suspeito que perante muitos angolanos também. O MPLA, e não Portugal nem Angola, foi o lado que escolheram.

 

Solução está nas nossas mãos - João Kanda Bernardo

Alemanha  - Antes de mais, é uma honra poder partilhar este texto com os angolanos, pois cada reflexão que publico por via deste espaço jornalf8.net me permite conversar com muitas pessoas que eu nunca conhecerei pessoalmente.

Fonte: Folha8

A minha intenção neste texto não é apenas de contribuir com pensamentos que podem ajudar na renovação da esperança do povo angolano que é diariamente bombardeado com mais dificuldades e sacrifícios, mas também pedir que cada angolano seja a parte da solução dos problemas do país.

 

Durante a minha análise sobre a actual situação que o país passa senti-me forçado a encontrar um nome próprio para caracterizar a posição do Governo (MPLA) perante o problema que não é necessario estudar a Fenomenologia ou a Parapsicologia para perceber a sua gravidade.

 

Como é sabido, a situação que o país vive hoje é uma consequência de “erro de avaliação“ perpetrado desde sempre pelo MPLA/JES. Já há anos que o Governo não consegue dar resposta aos desafios que o país apresenta. Portanto o MPLA nada faz e nem deixa os outros fazer.

 

Se acreditarmos que um genocídio consiste na intenção de eliminar um grupo ou comunidade com a mesma característica étnica, racial, religiosa ou social, tal como também ataque grave à integridade física ou psíquica de elementos desse grupo; forçar essas pessoas a viverem em condições desumanas que podem causar a sua morte; transição forçada de crianças desse grupo para outro grupo, teremos a certeza de que o que se passa em Angola pode ser comparado a um genocídio social que está a atacar directamente o “núcleo da sociedade“.

 

Um dia ninguém se vai assustar quando ouvirmos que, em Angola, estão a morrer mais pessoas que moscas por dia.

 

Um dia ninguém se vai assustar quando ouvirmos que o país tem mais cervejas para o povo que medicamentos nos hospitais e livros nas bibliotecas.

 

Trata-se dum país que um dia ja ofereceu milhões à Somália, que acudiu às vítimas da errupção vulcânica em Cabo Verde, que organizou o CAN de todos os tempos, que gastou milhões para a reforma do exército da Guiné Bissau, que colocou Catherine Samba-Panza na República Centro Africana no Poder, um país cujo presidente alguma vez ajudou também Denis Sassou-Nguesso a atingir o pPoder presidencial no Congo-Brazzaville por vias anormais que ameançam a segurança e a tranquilidade pública. Trata-se dum país especialista em arrogância e em exibir riquezas, um país cujo Governo fica apenas sem resposta quando se trata de democratizar o estado e defender/proteger a vida humana.

Devido a toda a catástrofe supracitada resultante da má Governação, presumo que o JES sente-se obrigado a abandonar o poder e isso vai acontecer com ou contra a sua vontade.

Se continuarmos a ser um povo especial que so olha e nada faz poderemos correr o risco de sermos cúmplices da ditadura caso JES ganhe eleições em 2017, pois quem vota num ditador não é vítima mas sim é um cúmplice das consequências. Lembrem-se que as eleições constitucionalmente previstas para o ano de 2017 voltarão a condicionar a vida social dos angolanos por muitos anos.

Nessa fase do Regime Change (MPLA “out“ – Oposição “in“), convido os angolanos para a seguinte análise:

O senhor Presidente da República de Angola José Eduardo dos Santos anunciou recentemente que irá abandonar a vida política activa em 2018.

Mas como?

Ninguém se deixa enganar por essas falácias de JES. Desta feita convido a todos a fazermos uma análise da posição tomada pelo presidente do ponto de vista constitucional através dos seus artigos 128° (Auto-demissão do Presidente da República), 130° (Vacatura), e 132° (Substituição do Presidente da República).

Primeira hipótese:

Segundo o artigo 128° da Constituição da República de Angola (CRA) no seu parágrafo número 2, a Auto-demissão do Presidente da República nos termos do parágrafo número 1 do mesmo artigo implica a dissolução da Assembleia Nacional e a convocação das eleições gerais antecipadas, as quais devem ter lugar no prazo de 90 dias.

Com base na afirmação supracitada será que Angola tem dinheiro para realizar duas eleições consecutivas respectivamente em 2017 prevista pela CRA e em 2018 com a demissão de JES, uma vez que nem dinheiro para se comprar medicamentos para salvar a vida das pessoas nos hospitais o país tem?

Ou então indirectamente queria transmitir-nis que as eleições serão adiadas para o ano de 2018 para não realizarmos duas eleições em anos consecutivos?

Segunda hipótese:

Essa segunda hipótese que também descreve a forma como JES pretende abandonar o poder é a mais perigosa, pois é nela onde podemos encontrar a adaptação da estratégia que facilita a substituição de JES por um individuo de sua preferência e/ou enquadrar o seu filho. José Filomeno de Sousa dos Santos, numa posição que lhe garante e protege a posse da titularidade de imunidades prevista na CRA para os membros do Conselho da República enquanto ex-presidente para poder não prestar contas à justiça.

O artigo 132° (Substituição do Presidente da Republica) no seu parágrafo número 1 , reza que, em caso de vacatura do cargo de Presidente da Republica eleito, as funções são assumidas pelo Vice-presidente, o qual cumpre o mandato até ao fim, com a plenitude dos poderes.

Portanto caso a retirada de JES do poder se enquadre nessa segunda hipótese, isso so poderá aumentar a certeza de que ele é o candidato do MPLA á próximas eleições gerais e que por sua vez se for eleito ele pode recorrer-se ao artigo 130° (Vacatura) da CRA que no seu parágrafo número 1 indica que “há vacatura do cargo de Presidente da República nas seguintes situações: a) renúncia ao mandato, nos termos do artigo 116°; b) morte; c) destituição; d) incapacidade física ou mental permanente; e) abandono de funções“.

Porém, conforme conhecemos JES neste caso ele poderá preferir invocar pelo menos uma das alineas dentre (a), (d) ou alinea (e) do artigo 130° para facilitar a aplicação do parágrafo número 4 do artigo 132° que segundo o mesmo “em caso de impedimento definitivo do Presidente da República eleito, antes da tomada de posse, é substituido pelo Vice-presidente eleito, devendo um Vice-presidente substituto ser designado nos termos do n° 2 do presente artigo“.

Isso mostra que a recandidatura de JES nas próximas eleições também pode vir a ser apenas uma ponte que vai ajudar o próximo presidente de Angola e o seu vice atingirem ao poder caso ele abandone o mesmo em 2018 ou antes. Mas tudo que JES até agora planificou, mesmo com descontentamentos interno no seu partido, so será possível se ele ganhar as eleições que, em condições normais será difícil so para não dizer impossível.

Neste caso quem são esses dois candidatos que fazem com que JES se sinta obrigado a adaptar essa ponte e que não conseguiriam realizar os seus objectivos pelo mérito e competência?

Eu acho que o MPLA tem de ganhar coragem e enfrentar JES para parar de confundir o partido com uma empresa familiar ou uma monarquia, pois o MPLA ainda tem algumas figuras históricas que ambicionam no silêncio dum olhar a liderança do partido e o cargo de Presidente da República.

A linha dura do MPLA nunca poderá conformar-se com a promoção desonesta do Manuel Vicente e do José Filomento dos Santos para cargos que exigem competência e mérito.

As primeiras perguntas que surgem para estes tipos de casos são:

1. Será que os candidatos fantasmas que JES prepara para a sua sucessão conseguem provar a sua militância no partido?

2. Desde quando é que são membros do Bureau Político?

Terceira hipótese:

Caso JES não consiga enganar o seu partido e os angolanos no geral com manobras cujos fundamentos também podem ser constitucionais, então a sua excelência de todo poderoso José Eduardo dos Santos pode vir a pensar na alternativa de provocar a desistabilidade do país via conflictos. E isso vai dar uma grande lição até ao próprio MPLA e fará com que este partido na era pós Dos Santos não permita com que um lider político por mais destacada seja a sua posição no país tenha em posse como uma propriedade privada um exército.

Mas como é que ele próprio (JES) já sabe que vai ganhar o pleito eleitoral, que vai o manter no poder até 2018?

Isso é uma questão que não pode ser ignorada, porque JES nunca teve vergonha de exibir a sua capacidade de produzir a fraude eleitoral e de aplicar manobras dilatórias que podem atrapalhar o ritmo da realização periódica das eleições no país.

JES e o seu partido MPLA ja chegaram a cometer um erro nojento de justificar a vitória das eleições através do número de membros que o mesmo partido tem.

Mas afinal de contas qual é o partido do mundo que ja ganhou eleições só por ter muitos membros?

A vitória numa eleição não é prevista nem concretizada através do número de militantes ou de membros dum partido, mas sim pelo nível de satisfação do povo.

Só os militantes dum partido não garantem a vitória nas eleições, por isso é vergonhoso um partido político ter como objectivo principal aglomerar membros. Vejam que Angola tem mais de 24 milhões de habitantes e nas eleições de 2012 foram apurados apenas 5.756.004 votos válidos.

Isso mostra que não são apenas os militantes dos partidos que votam, porque eu não acredito nem na legitimidade dos 4.135.503 de votos que garantiram a vitória do MPLA nas eleições de 2012, nem acredito também que o mesmo número equivale ou corresponde ao número de militantes do mesmo partido.

Observem que a Alemanha tem mais de 81.900.000 de habitantes, mas o partido que Governa o mesmo país há mais de 10 anos tem apenas 446.859 membros. Como é que consegue ganhar eleições sem fraudes?

Finalmente, Angola precisa de mudança sobretudo dum Governo com membros astutos que conseguem interpretar os desejos e as aspirações secretas das massas e posicionar-se como a encarnação de tais desejos e como aqueles que são capazes de realizar tais aspirações.

Que cada angolano seja a parte da solução dos problemas de Angola e participe no processo da transição do regime para garantirmos as nossas crianças e a todos angolanos no geral um futuro melhor num país onde jamais poderá se tolerar a má gestão do erário público, corrupção generalizada, nepotismo, descriminação e a partidarização da função pública que sacrifica a competência e o mérito.

MPLA: A única certeza é a incerteza - Francisco Louçã

Lisboa - ”A vitória é certa", repete-se no congresso do MPLA. Mas que "vitória" é que é "certa"? Era do "marxismo-leninismo", depois foi da "acumulação do capital", agora é do "mercado", o que é que é "certo"? O slogan está cansado e Hélder do Amaral, do CDS, declara deliciado ao "Jornal de Angola": "Eu digo que Angola faz bem ao preferir coxear no caminho certo do que correr em caminhos errados".

Fonte: Expresso

Coxear no caminho certo, portanto. Com uma economia totalmente dependente do petróleo e uma sociedade baseada na distribuição clientelar desta renda, Angola foi atropelada pelo colapso do preço - e já se percebeu que a ameaça está para ficar, com enormes perdas orçamentais. Já não há dinheiro. As consequências são devastadoras, porque os recursos de um Estado pobre para os pobres são comprimidos e a riqueza de um Estado rico para os ricos escasseia. A incerteza tornou-se na única certeza.


A burguesia angolana, formada pela elite militar e política que ganhou a guerra civil e tutelada por José Eduardo dos Santos ao longo dos seus já 37 anos de madato, distribuindo prebendas e garantindo pessoalmente aos seus generais e empresários o acesso à fortuna, acumula mais consumo de luxo do que capital, compra mais casas no Estoril e diamantes na Avenida da Liberdade do que máquinas agrícolas e pouco cuida da produção. Espera o investimento estrangeiro e a comissão que lhe corresponde, enquanto o palácio prefere reter matreiramente os dividendos porque precisa de divisas para distribuir entre a corte. Com o que sobra compra empresas que gerem outras rendas. Vivendo de mão estendida para o Presidente, os dirigentes do regime seguem o chefe, que lhes declara agora, com bonomia, que "vamos passar a governar com o cidadão", como titula o jornal oficial. Mas o cidadão perde-se no caos das ruas, desespera nos mercados, teme os hospitais, sabe que a escola ignora os seus filhos, tem medo da polícia e de quem o vai assaltar a seguir.


O processo.farsa contra Luaty Beirão e os seus camaradas demonstrou aos jovens que ler um livro pode ser crime, mas o imbróglio jurídico obrigou o Presidente a recuar. Ninguém sabe o que virá a seguir. Para o povo, a incerteza é a sua vida. Siga o espectáculo, portanto, No congresso são dados mais alguns passos para a sucessão dinástica e aplaudem-se com carinho os representantes dos partidos portugueses que vão dar testemunho de como a antiga metrópole, arrependida de algumas liberdades que a imprensa se permite ou a justiça se atreve, espera e desespera por mais um contrato, uma palavrinha, um aceno.


A peregrinação dos candidatos a empregos generosos cruza-se com os políticos que querem remediar os agravos que o palácio possa ter sentido ou pressentido - convidando portanto o regime angolano a tratar Portugal com uma prosápia que se transforma em reverência quando se trata de qualquer outro Estado poderoso. Todos os favores se cobram e alguns até se pagam, essa é a lei da política angolana. Covém que saibam que, no dia em que as contas das arcas angolanas começarem a ser descortinadas, muitas orelhas arderão em Lisboa. A incerteza angolana é um castelo de cartas.

 

Portugal: Angola é nossa dona - José Diogo Quintela

Lisboa - Estou surpreendido com o que li na imprensa sobre as declarações de Hélder Amaral, enviado do CDS ao sétimo congresso ordinário do MPLA. Há, como é evidente, um erro na transcrição. Os jornalistas enganaram-se. Não se trata do ‘sétimo congresso ordinário do MPLA’, mas sim do ‘sétimo congresso do ordinário MPLA’. A ordinarice não é do congresso – um tipo de assembleia perfeitamente inócua -, mas sim do partido. Os jornalistas deviam ter mais atenção. Afinal, trata-se da reunião política mais noticiada em Angola desde aquela em que uma dúzia de activistas se juntou para ler um livro.

Fonte: CM

Sobre as declarações propriamente ditas, não me surpreenderam. Hélder Amaral tem razão quando diz que o CDS tem agora muitos pontos em comum com o MPLA.

Por exemplo, quer com Paulo Portas, quer com Assunção Cristas, o CDS posiciona-se como o partido que defende os valores da família. Ora, não há ninguém no mundo inteiro que seja mais zeloso a transmitir valores à família do que José Eduardo dos Santos. Transmite valores – normalmente através de escritura ou de transferência bancária – de vários tipos. Só à filha Isabel dos Santos já transmitiu valores que lhe permitiram adquirir participações nas maiores empresas portuguesas. É um exemplo enquanto homem de família. Houvesse mais pais assim.

O CDS é também o partido que defende o investimento privado. E grande parte dos homens de negócios que investem em Portugal são membros do MPLA. É natural que queira fazer tudo para lhes agradar.

Outros pontos em comum são a posição conservadora em relação às drogas. O CDS é contra a liberalização da droga e o MPLA também é conhecido por querer livrar Angola de substâncias ilegais. Por todos os meios ao seu alcance. Há uns anos, chegou a encher de cocaína os pneus de bicicleta de Luaty Beirão, quando este viajou para Portugal, só para retirar de Angola mais um quilo de droga.

Aliás, Luaty Beirão permitiu encontrar outra coincidência de pontos de vista entre CDS e MPLA. O partido angolano criticou a greve de fome do activista com a mesma veemência com que o CDS critica todas as greves que costuma haver em Portugal.

Manuel Monteiro, ex-Presidente do CDS, já veio dizer que este alinhamento com o MPLA é a prova de que o partido se rendeu aos interesses de Paulo Portas. Ora, se há alguém que sabe o que é render-se aos interesses de Paulo Portas é Manuel Monteiro. Foi a primeira marioneta centrista controlada por ele. Agora, passados tantos anos, Portas não tem só um, mas sim uma trupe inteira de fantoches à sua disposição. Pode encenar as obras completas de Shakespeare em bonifrates. Se Portas voltasse ao jornalismo, fundava um jornal chamado ‘O Independente (menos em assuntos relacionados com Angola)’.

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As novas oportunidades

Três dos administradores que o Governo escolheu para a Caixa não têm habilitações suficientes para o serem. Mostrando que a aposta na educação é uma das suas bandeiras, o Governo vai patrocinar a formação dos três. Bizarramente, vai ser na prestigiada escola INSEAD, em vez de ser numa lota. Armando Vara, o administrador mais famoso que a CGD já teve, era formado em peixes. Nomeadamente, robalos de parques de estacionamento. Espera-se que no INSEAD também aprendam sobre turismo, para poderem administrar a participação no empreendimento de Vale do Lobo.

Ainda devem ter o número de telefone do KGB

Continuando uma bonita tradição comunista de anti-semitismo, o PCP pressionou o Ministério da Justiça para romper a parceria com forças de segurança israelitas, que dariam formação à Polícia Judiciária sobre técnicas de interrogatório. Faz sentido. Para quê ir lá fora buscar informação, se temos cá uma organização com décadas de associação a regimes que eram tão bons a interrogar que não só faziam as perguntas, como davam as próprias respostas? Na Soeiro Pereira Gomes deve haver arquivos com essas técnicas bem detalhadas.

Estafeta 4x100 metros de aldrabice

Quão criativos têm de ser os nadadores americanos que conseguiram inventar uma história de assalto no Rio de Janeiro que, de tão inverosímil, se descobriu ser falsa? Uma patranha tão descabelada que até os marginais brasileiros devem ter dito: "Nã, isto é aldrabice. Nunca faríamos a coisa dessa maneira."

Trata-se de um país onde um semáforo em Ipanema é mais perigoso que Cabul, em que o Senado tem mais ladrões que a cinematografia completa do Quentin Tarantino, o Congresso tem mais ladrões que o Senado, e em que o ex-Presidente é bandido, a Presidente suspensa é bandida, o Presidente substituto é bandido e o futuro Presidente, se tudo correr normalmente, será bandido.

Imaginar um assalto que seja improvável para os padrões brasileiros de gatunagem só está ao alcance de um grande ficcionista.

MPLA: Os vencedores do Congresso da democracia - José Ribeiro

Luanda - Quem ganha com os resultados do Congresso do MPLA, que ontem encerrou os seus trabalhos em Luanda, é quem aposta na continuidade de José Eduardo dos Santos como presidente do maior partido político. E não são poucos a constituir esse universo.

Fonte: JA

A garantia de que Angola vai continuar a manter-se num rumo seguro, de estabilidade e reconstrução, é a primeira ideia que ressalta do final da reunião magna da maior força política de Angola. Isto não é de somenos importância. Para quem conhece bem os meandros da política e da realidade angolana e regional, este facto tem um grande significado. Com a continuação de José Eduardo dos Santos à frente do grande partido angolano, todos os sectores sociais que integram o espectro fundamental daquilo que habitualmente se classifica como forças vivas da Nação, têm razões para brindar.

Vejamos como isto ocorre.


O abrandamento do crescimento económico causado pela queda forte da receita esperada do petróleo para o orçamento público produz uma alteração na mentalidade e na prática diária em Angola. A mudança já se está a notar. Para substituir o petróleo, o país tem de resgatar os valores do trabalho e da produtividade, numa época em que os sinais exteriores de rendimento e de emprego contam mais do que o trabalho. O entendimento da necessidade de trabalho e produtividade está reflectido nos textos fundamentais do Congresso e voltou a ser sublinhado ontem pelo Presidente José Eduardo dos Santos.


A desaceleração económica veio reduzir tanto a oferta de emprego como os proveitos familiares, abrindo terreno ao aumento da pobreza e das desigualdades sociais. Nas ruas da cidade de Luanda, um óptimo barómetro social para medir níveis de consumo e de satisfação, ao lado dos vendedores ambulantes surgiram agora pedintes em maior número, tanto daqueles que pedem porque precisam mesmo de pedir, como daqueles que são transportados por traficantes de imigrantes apostados em criar instabilidade na capital do país, não hesitando até em abandonar crianças nas cidades.


Com a reeleição de José Eduardo dos Santos como presidente do MPLA, é previsível que seja reforçado, nesta fase particular, o combate à pobreza e revigoradas as medidas de política social viradas para o apoio às camadas mais vulneráveis da sociedade e para a promoção do emprego. A acentuada preocupação social é uma característica tradicional do MPLA e dos seus dirigentes históricos. Essa marca brota das raízes de um partido que declara que ele próprio é o povo e se constituiu em defensor da “grande família angolana”. Isto diz tudo. O líder do MPLA reafirmou ontem esta linha de acção quando disse que a família “é verdadeiramente uma importante base de apoio”, mas “não basta declarar que ela é o pilar da sociedade”, sendo “preciso definir políticas públicas e adoptar medidas concretas para reforçar o seu papel e proteger as mais frágeis e carenciadas”. Com essa ideia, ficou clara a continuidade da linha do MPLA como partido popular.

As famílias angolanas são assim as primeiras ganhadoras com a reeleição de José Eduardo dos Santos.


Os investidores, empresários e empreendedores obtêm também garantias renovadas com o desfecho da reunião magna do MPLA. O Congresso foi precedido de uma vaga de boatos e rumores absurda, incluindo vindos de agentes económicos que deviam ser mais responsáveis no que afirmam. Numa conjuntura de volatilidade da moeda e de expectativa política, o investidor normal retrai-se e aguarda pelo melhor momento para voltar a aplicar o seu dinheiro. Infelizmente, a economia é assim, tem o seu lado cínico. A reeleição do presidente e a certeza de que com ele e a sua visão política sobre a economia haverá condições de segurança renovadas e acrescidas para um novo impulso no investimento público e privado e para um regresso ao crescimento económico, é outra indicação que sobressai do conclave dos “camaradas”. Os investidores podem voltar a investir no longo prazo, porque a diversificação económica vai mesmo para a frente.


Finalmente, quem tem de agradecer ao MPLA o facto de ter reeleito o Presidente José Eduardo dos Santos para se manter como seu líder são todos os democratas angolanos, incluindo os que estão na oposição. A oposição angolana tem feito tudo, até arriscado a sua existência como oposição, para não ter como adversário alguém que não tenha a personalidade do líder angolano. Com as devidas diferenças, a má experiência de Moçambique, cuja renovação política geracional está a ser saldada em nova guerra e mortes de civis, cria na UNITA e na CASA-CE uma oposição esquizóide que não se importa de protagonizar incidentes graves na Capupa, no Sumi e no Gonçalo, apenas para propagar uma ideia de instabilidade e apelar ao Presidente para continuar no poder, ao mesmo tempo que faz as piores e mais indignas acusações ao homem que garante a paz e a estabilidade no país.


Na oposição, não são poucos os que rezam para que José Eduardo dos Santos continue a ser o presidente do maior partido político e o Presidente de todos os angolanos. A reeleição é também, além de tudo o resto, uma vitória da democracia.

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