Opinião

MPLA Solta a Língua no Parlamento - Carlos Kandanda

Luanda - A abolição (06.12.1865) definitiva da escravatura dos negros afro-americanos, nos Estados Unidos da América, foi sucedida por uma luta intensa e prolongada em busca da liberdade, da igualdade e dos direitos civis, através de vários movimentos cívicos, uns pacíficos, outros violentos; sob a liderança de personalidades carismáticas, na pessoa de Martin Luther King, Jr., Rosa Parks, Al-Haij Malik Al-Shabazz “Malcom X,” Stokely Carmichael, Daisy Bates, Andrew Goodman, Huey Newton, Bobby Seale, etc. Muitos desses líderes negros terminaram por ser assassinados pelos activistas brancos que defendiam a continuação da escravatura, que era, naquela época, a fonte principal da mão-de-obra barata, sobretudo para as plantações de algodão, nos Estados Federais do Sul.


Fonte: Club-k.net


Tenho dúvidas se Dr. Agostinho Neto estivesse vivo ter-se-ia trilhado este caminho prolongado e sangrento

A 13.ª Revisão da Constituição dos Estados Unidos, de 06 de Dezembro de 1865, promovida pelo Presidente Abraham Lincoln, pôs fim definitivo a escravatura dos negros afro-americanos. Porém, antes da entrada em vigor desta Emenda, a 14 de Abril de 1865, Presidente Abraham Lincoln foi brutalmente assassinado em Washington D.C., devido o seu activismo cívico que defendia, de modo intransigente, a abolição definitiva da escravatura.


No percurso desta luta perseverante, empreendida pelas comunidades negras, com apoio resoluto de alguns círculos brancos, havia uma doutrina, defendida pela comunidade branca, que dizia assim, em Inglês: «separate but igual». A traduçao literal, «separados mas iguais». Esta política defendia a tese de que, embora os negros ficaram libertos da escravatura, mas não podiam misturar-se com os brancos e ter os mesmos direitos de frequentar as mesmas escolas, os mesmos hospitais, os mesmos teatros e os mesmos restaurantes; de usar as mesmas casas de banho, as mesmas carruagens de comboio e os mesmos autocarros; de usufruir os mesmos salários, as mesmas condições de trabalho e os mesmos seguros sociais; de ter o mesmo acesso aos júris, às mesmas legislaturas e a mesma igualdade perante a lei, etc. etc.


De facto, se tratava de um processo transitório, do regime esclavagista para o sistema da segregação racial – de jure e de facto. Este conceito da discriminação racial nos Estados Unidos da América e noutras partes do Mundo não ficou definitivamente superado, embora o seu impacto social tenha sido reduzido drasticamente.


Esta questão vem a superfície devido uma intervenção virulenta e tendenciosa, com uma dose forte de exclusão social e politica, de carácter racial, etnocêntrico e regionalista, protagonizada pelo Deputado João de Almeida Azevedo Martins, Membro do Bureau Politico do MPLA, durante o Debate Parlamentar, do dia 24 de Julho de 2015, subordinado ao tema: Os Processos Eleitorais: Transparência e Estabilidade.


Em relação aos fundadores do nacionalismo angolano, Álvaro Holden Roberto, António Agostinho Neto e Jonas Malheiro Savimbi, o Deputado João de Almeida Azevedo Martins, soltara a língua afirmando, nesses termos: “Embora estivessem juntos, mas não estavam misturados”, continuando a elogiar o Dr. Agostinho Neto em desprezo total dos outros dois nacionalistas. Convém realçar o facto de que, nesta altura, de forma espontânea, a Bancada do MPLA levantou-se em ovação e em aplausos, num gesto de desdém e de desprezo total da Oposição, numa postura clara de segregação e de exclusão politica e social, manifestando o delírio do poder. Esta teoria, «de não mistura», é bem assumida ideologicamente pela linha dura do MPLA, do circulo interno do poder, e detentor de mais de 85% da riqueza de Angola.


Este assunto suscita muitas interrogações e limita a minha disposição de aprofundar este tema por se tratar de defuntos (Holden, Neto e Savimbi) e de figuras notáveis que marcaram, de modo indelével, a História revolucionária do nosso País; e aos quais deve a nossa independência. Um Povo que não reconhece os protagonistas do seu passado histórico; ou escamoteia-a deliberadamente para fins pessoais e partidários, dificilmente será capaz de construir um lar comum em que caiba todos os membros da sociedade, em plena igualdade e dignidade, que sirva de património para as gerações vindouras.


Neste caso específico, tenho dúvidas se Dr. Agostinho Neto estivesse vivo ter-se-ia trilhado este caminho prolongado e sangrento; e o país estivesse nesta condição de exclusão, de insensibilidade, de desonestidade, de sectarismo exacerbado, de corrupção generalizada e da desvalorização dos angolanos a favor dos interesses alheios?


Também não é menos verdade o facto de que, as matanças sistemáticas do 27 de Maio de 1977, que tocaram duramente em todas famílias angolanas, representam o maior holocausto (com a excepção do genocídio de Ruanda) que o Continente Africano conheceu, nesta era contemporânea. Por outro lado, desde 1975, na altura da independência, até agora, registaram-se massacres constantes e cíclicos no País, que foram perpetrados pelo MPLA, nomeadamente: O Genocídio tribal de 1992, contra os Ovimbundos; a Sexta-feira sangrenta de 1993, contra os Bakongos; e o Genocídio recente do Monte Sumi, no Huambo, contra uma comunidade religiosa, da Etnia Ovimbundo.


Afinal, em que reside esta arrogância e orgulho de ser modelo ou exemplo para o nosso País e para África? Para merecer ovação e aplausos, por uma Bancada Parlamentar, que representa todos os angolanos, defendendo a política de discriminação, de exclusão, de intolerância e de dividir os angolanos!


Nesta senda, o Dr. Marcolino José Carlos Moco, antigo Dirigente do MPLA, fez uma entrevista exclusiva com Agora, número 932, de 10 de Julho de 2015, na qual fez um diagnóstico interessante sobre a problemática angolana. Para não correr o risco de má interpretação, obriga-me trazer aqui o extracto desta entrevista, sobre o cerne da problemática angolana, cita:
“Aqui, em Angola, o problema é étnico. E serei frontal: o problema é que kimbundus, mestiços e algumas populações do litoral estão a ser mobilizados para um falso problema que a UNITA, os Ovimbundus e os Bakongos são perigosos, são gentios, atrasados e, se tomar o poder, tudo vai ficar de patas para o ar. Isso é que é o problema, e o resto, estamos a escamotear as coisas.” Fim de citação.


Este texto, tirado de um trabalho extenso do Marcolino Moco, escusa qualquer comentário. Pois, os factos falam por si, e são da autoria assumida de um Dirigente destacado do MPLA, que ocupou com brilho Cargos eminentes no Partido do MPLA (Secretário Geral); no Governo (Primeiro Ministro); e na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (Secretário Geral Executivo).


Por analogia, as afirmações, acima referidas, do Deputado João de Almeida Azevedo Martins, Dirigente do MPLA, confirmam as revelações do Dr. Marcolino Moco. Isso conjuga-se com a doutrina, acima referida, que inspirava e impulsionava a segregação racial nos Estados Unidos da América. Embora tivera tido antes o conhecimento desta teoria de «não mistura», mas o que mexeu com a minha consciência patriótica é o facto de ter sido feito em pleno plenário da Assembleia Nacional e ter sido protagonizado por um Dirigente de Proa do MPLA, com uma dimensão de influência enorme no Bureau Politico, do Comité Central do Partido, muito próximo do Presidente José Eduardo dos Santos, que serve de elo de ligação entre a Cidade Alta e o Grupo Parlamentar do MPLA.


Analisando um pouco a base ideológica dos negros afro-americanos, na luta contra a segregação racial, convém constatar que havia duas correntes principais – distintas e complementares: Uma corrente que defendia métodos pacíficos, que era encabeçada pelo Martin Luther King, Jr. Outra corrente, que era inspirada por Stokely Carmichael, abraçava métodos mais contundentes, pacíficos e violentos. No auge das reivindicações dos direitos civis, consubstanciadas nos protestos, manifestações, marchas de repúdios, acampamentos, greves, acções passivas e boicotes, vinham mergulhar os Estados Unidos da América em chamas e em distúrbios, que incluíram os assassinatos do Presidente Abraham Lincoln (14.04.1865); Malcom X (21.02.1965) e Martin Luther King, Jr. (04.04.1968).


 Convém destacar o facto de que, a ala militante e radical do Stokely Carmichael, defendia a conceito de que, os direitos civis não bastavam se não reconhecer o “poder negro”, para que os povos da raça negra tenham acesso ao poder soberano. Esta tese, do Poder Negro, foi interpretada, naquela época, como sendo uma manifestação do racismo.


Porém, a aspiração pelo «poder negro» é que levou os negros afro-americanos a sonhar mais alto, com a aspiração de atingir a Casa Branca, que hoje é uma realidade concreta nos Estados Unidos da América, com Barack Obama no Poder. Esta doutrina, do «poder negro», não só libertou a raça negra do complexo de inferioridade, mas desmistificou igualmente a superioridade da raça branca, e libertou-a da utopia incivil. Além disso, o conceito do «poder negro» (distorcido deliberadamente pelos círculos racistas) impulsionou igualmente a luta pela independência do Continente Africano. Neste respeito, Malcom X, afirmava:
“Europa é para os Europeus, Africa é para os Africanos.”


Por isso, na época contemporânea a igualdade da espécie humana já não se põe em causa. Mesmo pessoas com perturbações mentais já não meditam sobre a possibilidade da existência da superioridade racial ou étnica, como era antes, no tempo da escravatura e do colonialismo europeu. Pois, os descendentes de escravos de ontem, dos negros afro-americanos, hoje estão entre os astronautas e cientistas de alto calibre, dos centros de pesquisa, da tecnologia de ponta. 
Para dizer que, a ilusão do MPLA de manter-se definitivamente no poder, de pensar que é melhor que todos outros angolanos; manipulando a consciência dos angolanos menos atentos; criando fissuras no mosaico étnico-cultural do país; incentivando o racismo velado e semeando a exclusão e a intolerância politica, não colherá frutos desejados. Pois, a Política é a Ciência e é a Arte do Poder, que consiste em vitórias e em derrotas alternantes. Por isso, as forças políticas devem habituar-se tanto em conceder derrotas, quanto a celebrar vitórias, de acordo com a vontade expressa dos eleitores.


Quando esta lógica, de alternância do poder, não estiver respeitada ou estiver desvirtuada, é difícil alcançar a estabilidade e a paz duradoira. Nesta lógica, a comunidade branca dos Estados Unidos da América, no fim, reconhecera o mérito da igualdade entre as diversas comunidades raciais e entre vários estratos sociais da sociedade. É efectivamente isso que hoje permitiu edificar uma América poderosa, unida, próspera, igual e respeitável em todo Mundo. 
Parece que, o MPLA tem dificuldades enormes de reconhecer este facto e pensa que, só ele é que tem o direito de governar e os outros têm a obrigação de estar inertemente na Oposição. Este tipo de pensamento é a causa principal da instabilidade politica e social que se vive no país, e que vai incentivando e temperando o espirito de revolta e de resistência popular, sobretudo nas franjas juvenis. A mudança em Angola já atingiu os níveis irreversíveis. O maior desafio é de como conduzi-la para que seja feita de modo pacífico, ordeiro, responsável, positivo e construtivo.


Logo, para que este processo seja pacífico e responsável, é necessário que haja a alteração profunda de mentalidade. Isso passa necessariamente pela sensibilização de toda sociedade, sobretudo dos militantes do MPLA de que, a democracia reside na alternância do poder soberano. Não basta manipular os processos eleitorais para exigir a consciência e a necessidade de credibilizar o poder politico. Dando o facto de que, a credibilidade resulta-se de fair play (jogo limpo), de tolerância, de igualdade e de respeito mutuo, isto é, de factos reais, que se consubstanciam em processos eleitorais transparentes, justos e verificáveis. Só assim que se torna possível a legitimidade do poder e a credibilidade das Instituições do Estado.


Por isso, não é justo, na época contemporânea, urdir intrigas, calúnias, mentiras, conspirações e espantalhos no sentido de fomentar a instabilidade, a fim de perpetrar de novo um 27 de Maio de 1977, que visava essencialmente dizimar o escol da juventude intelectual negra, que era visto como um obstáculo à supremacia dos elementos mestiços, brancos e crioulos no seio do MPLA. As revelações do Dr. Marcolino Moco devem ser tidas em consideração séria por todas e todos patriotas angolanas e angolanos, respectivamente.


Neste contexto, nós os angolanos, devemos opor-se fortemente à restituição do sistema colonial português, de dividir os angolanos entre os brancos, os negros e os mestiços; entre os brancos da metrópole e os brancos de Angola; entre os mestiços do asfalto e os mestiços da sanzala; entre os cafuzos e os cabritos; entre os negros do litoral e os negros do interior; entre os assimilados e os indígenas; entre os Kimbundus de Catete e os Kimbundus de Malange; entre os Bailundos do Sul e os Bailundos assimilados. Enfim, entre os civilizados da cidade e os matumbos e gentios do mato.


Tudo isso visava dividir, reinar, oprimir e explorar. Por isso, nós, os Angolanos, sem excepção, não devemos nos deixar cair na armadilha dos novos colonizadores, que buscam dividir os Angolanos, distraí-los, com vista a perpetuar a ditadura, a repressão, a exploração, a corrupção e a pilhagem da riqueza do nosso País, que pertence-nos todos.

Casas dos desalojados das chuvas do Lobito e Catumbela - Jandira de Melo

Lobito - Passados os 4 meses prometidos pelo Governador Isaac dos Anjos, ontem 30 de Julho, foram entregues os alicerces aos desalojados para que cada um construa o resto da casa. As casas não estão assim construídas e o acampamento do Camuringue será desactivado conforme palavras do Governador.

Fonte: Club-k.net

IA deu show na TV a entregar os títulos dos terrenos e as 370 bases/alicerces das casas, ao custo de $11.000 cada, com um total de $4.070.000 (construídas pelas empresas por si escolhidas), sem somar os custos de limpeza dos terrenos, desmatação, abertura de vias, numa zona situada a 13km do actual centro de acolhimento do Camuringue. A construção das casas e todos os outros custos fugiu do controlo de IA e já não há recursos financeiros para as concluir.

Tal se deve a vaidade, arrogância, ganância e teimosia de IA, que decidiu sozinho, que cada casa tivesse uma área coberta de 125m2 ( com 2 quartos e uma suíte – contas feitas por baixo indicam que cada casa deste comporta 3.500 blocos/tijolos), num lote de 1.000m2, com ruas de 60 e 28 m de largura. Moral da historia todo o dinheiro doado pelo Presidente JES, Endiama e Bancos, nem os materiais de construção que o povo de Angola solidariamente doou não são suficientes para construir as 300 casas para os desalojados, mais 70 casas para realojar uma aldeia dos caçadores e carvoeiros que teimosa e desnecessariamente IA incluiu no projecto. Estas 70 casas a mais, para além de aumentar os custos, deixará mais de outras 70 famílias desalojadas pelas chuvas sem casa (estão contadas mais de 500 famílias com casas desalojadas).

As famílias desalojadas e a aldeia de caçadores e carvoeiros, não terão condição financeira e material para levantar as paredes, fazer a cobertura, aplicar portas, janelas, louça sanitária etc numa zona situada a 25 km da cidade do lobito. Esta-se logo a ver que os desalojados ou têm uma sorte dos céus e conseguem concluir as casas ou então vão vender os terrenos com as bases. A nova zona precisa de água, energia, escola, centro de saúde, o que não será possível construir até as próximas chuvas. Pelos vistos as próximas chuvas voltarão a encontrar os desalojados nas tendas do Camuringue e outras a viver em casa de parentes, já sem comida nem outros apoios materiais. Aproveitou-se a "fartura" de dinheiro, alimentação e materiais de construção, pondo em marcha um projecto megalômano, em total desrespeito as famílias e aos doadores.

Porquê IA não construiu casas mais modestas, com dignidade humana que permitisse conclui-las dentro dos limites financeiros e dos matérias de construção doados?

O que terá levado IA a executar um projecto tão pesado que não permitiu a conclusão das casas, deixando o peso nas costas da já carente população desalojada?

Será que IA pôs os seus interesses pessoais como sede de Gloria e ganhar mais alguns trocados, acima do objectivo superior de resolver o problema das residências da população desalojada pelas chuvas?

Pescar fortunas nas turbinas da presidência - Nkituavanga II

Luanda - A actual realidade pode ser chocada porque as experiências de cada estão piorando cada vez mais. A própria lei da sociedade capitalista exige isso. Os duros momentos que florescem na vida económica de Angola vão cada vez mais agudizando. As razoes propriamente angolanas são varias partindo da má vontade, corrupção, má gestão, mau sistema politico, má qualidade do coração humano/angolano etc.

Fonte: Club-k.net

A experiência também demonstra que não haverá grandes mudanças. E tempo ao angolano ser preparado a espera de momentos mais difíceis. Na altura do ''boom do petrodolar'', o cidadão angolano já sofria. Mesmo quando se gritava altamente que Angola tinha uma economia mais crescente, havia mais centenas de mortes causadas pela fome na parte sul do país para ainda não falar das zonas rurais mais recuadas condenadas a miséria, onde a bandeira comunista só flutua saudavelmente nos períodos eleitorais. Poderá haver uma mudança subtil na economia só daqueles que fazem parte da nomenclatura do sistema, do circulo fechado e da influencia do núcleo, e da tribo em questão.

Vive-se momentos maus e não se prevê nada que num futuro próximo trará sorrisos nos lábios de angolanos. Os estrategas do partido da situação são nesta circunstancia do tempo irrelevantes; já não tem estratégias para a mudança. Seus cálculos e projectos são direccionados para a obtenção de lucros pessoais ou interesses próprios.

O mundo está atravessando um período financeiro muito caótico. A economia do mundo conhece momentos turbulentos nesta crise. Para alem de ocupar, conquistar novas terras ou mercados para explorar, pilhar recursos minerais: vegetais, marítimos, agrários como o subsolo em geral, as hipóteses para o melhoramento são reduzidas, raras ou inalcançáveis. O regresso do Irão no cenário da politica internacional vai ainda complicar pois tem petróleo de qualidade melhor e tem ambições para uma economia melhor. Por isso a batalha da politica de preços no mercado petrolífero será bruta e Angola vai sofrer nisso; independentemente das ocorrências na Sonangola.

Os estrategas do partido da situação estudaram a conjuntura do país, embora caducos entenderam que Angola já não tem probabilidades para melhorar a sua economia. Qualquer que seja o clima ou a temperatura o escassez predomina a economia angolana e os escapes de recuperação são para este governo inatingíveis. O mercado do petróleo angolano está corrompido ate a sua espinha. A transição da economia dolarizada a uma economia propriamente angolana que está sendo feita com intenções egoísticas, com inclinação as multiplicações de lucros da família em questão. A atmosfera politica também já não é a mesma. As crises politicas no seio da família do partido da situação conhecem graves vertigens. A protecção e segurança das instituições estão cada vez mais débeis, perto a anunciar o desabando. A moral politica de membros está quebrada. O poder corruptivo vai enfraquecer-se visto a falta da circulação da moeda habitual, o dólar. Esta condição reviravolta afectou a forma e maneira como esses estratégicos operam. Como a crise abalou toda a economia nacional tem que se localizar em que departamento, gabinete ou gavetas repousa o dólar neste território. Este estudo permitiu aos estratégicos discernir que só a presidência que nunca poderá ''secar''. Secar entende-se por falta, crise, escassez ou penúria.

A nossa presidência está conhecer momentos difíceis. A nossa presidência já não se identifica com a inovação. Ela já não tem aquele poder operacional do passado pois não só perdeu membros calibrados em termos de raciocinar, mas os poucos restantes perderam confiança entre componentes da cúpula. A estratégia do comunismo virou contra a própria maquina do vermelho-preto. Os estrategas do movimento pensaram aproveitar esses últimos momentos da decadência do poder para fazer dividendos. Estudou-se a questão como fazer fortuna e onde encontra-la. Estudou-se então o que neste momento perturba a consciência da cadeira presidencial. O que na realidade rouba a paz na consciência do líder máximo não é a oposição. A oposição que temos já não tem capacidade como tal. Uma oposição que come na cozinha e nos pratos do partido com o qual opõe. Uma oposição que respira dólares que lhe são fornecidos pelo poder. Esta oposição só existe para acompanhar o partido em fim de oficializar seus mandatos, permitindo-lhe renová-los. Uma oposição que senta com o poder na mesma ''komba'' nos lugares incógnitos; por isso nunca poderá estremecer o poder. Ela não é para o poder um tira-sonho. Ela é um elemento parasitário que vive nas veias do poder.

Os estrategas do partido compreenderam que só os estudantes, a juventude e os activistas que tem poder de atemorizar a presidência. Portanto a mesma presidência é actualmente a única fonte que pode ''pagar'' fortunas. A hora é de incertezas com um futuro imprevisível. No desabando cada opera egocentricamente numa inconsciência, onde a traição é moeda corrente. O principio é saudável: ''cada um por si Deus para todos''. Para melhor ''chupar'' a presidência, o triangulo foi facilmente traçado. Da presidência aos activistas passando pelos dólares. Vai-se sacrificar as cabeças de activistas num belo prato a presidência pondo em questão a segurança do estado ou simplesmente da presidência em troca dum preço volumoso em verdes. O cenário foi fácil a desenhar, montar e aplicar. A presidência ficará satisfeito uma vez terá o seu tira-sonho inesperadamente com muita facilidade sob assistência duma oposição parada, cega e muda. A presidência é actualmente o melhor poço para cartar verbas, dividendo e fortunas. A nossa presidência já habituou com esse género de troca, cambio humano. Neste tipo de troca onde está em causa o tira-sonho do PR, a presidência só tem uma mão livre, suave e fraco que vai pagando com olhos fechados. Assim nasceu um golpe de estado imaginado, montado e arquitectado pelos estrategas do movimento da situação.

O que se ignora voluntariamente é que a mentira tem sempre curtas pernas. Os especialistas do partido no poder esqueceram que os activistas tem somente poder de manifestar-se, capacidade de organizar marchas sem portanto possuir habilidades de golpear um estado soberano, um partido rico e politicamente enraizado, um tronco curvo da revolução vermelha. Os pobres activistas angolanos não tem uma base de reforço. Eles não tem uma base de concentração ideológica nem politica. Não tem suporte de nenhum partido. A medrosa oposição escolheu sua equipa ao lado do partido-governo. Os activistas não tem capacidade financeira para sustentar a oposição como o partido da situação tem feito.

Neste momento de parto doloroso, a criança está pronta para sair mas a mãe não tem forças para puxar e precisa-se uma parteira para ajudar. Para os estrategas, o tempo é favorável para fazer dinheirão chupando a presidência. Neste propicio momento é muito lucrativo e encorajado para os angolanos que tiver possibilidades de subtrair certos dólares a presidência visto que os ...


Nkituavanga II

Sobre os presos políticos (conceito) - Reginaldo Silva

Luanda - Nenhum país desde os mais democráticos aos mais ditatoriais assume oficialmente que tem presos políticos nas suas cadeias, pela simples razão que nenhum código penal consagra a existência dos mesmos, sendo este um refúgio mais do que perfeito para negar a sua existência.

Fonte: Morrodamaianga

Como é evidente há outras razões menos formais e mais relacionadas com imagem que os governos querem vender de si próprios. Nelson Mandela foi o preso político mais famoso do nosso tempo, mas nunca o regime do apartheid o considerou como tal já que ele foi condenado a prisão perpétua por terrorismo, suponho.


Pelo que julgo saber (nunca confirmei) Mandela chegou a figurar mesmo nas listas das personas não gratas dos EUA, também como terrorista. Os portugueses que em Angola colonial tinham as cadeias cheias de presos políticos tratavam-nos a todos de também por terroristas.


Em 1960 e na sequência da prisão de Agostinho Neto em Portugal , a Amnistia Internacional que fez campanha pela sua libertação definiu o preso político como “qualquer indivíduo fisicamente impedido de expressar qualquer opinião que honestamente tenha e não advogue a violência pessoal. Excluíam-se aquelas pessoas que haviam conspirado com um governo estrangeiro para derrubar o seu”.

A condição de preso político não tendo uma dimensão jurídica convencional/consensual pois cada governo em função das suas conveniências age em conformidade, é mais um juízo de valor que a liberdade de expressão/opinião nos permite fazer diante de determinada realidade sócio-política.

(cont)
Sobre os presos políticos (conceito) 2...

Quando olhamos para a realidade sócio-política concreta de Angola o que é que vemos (admitindo desde já a possibilidade de não estarmos a ver muito bem)?


Vemos um Estado que tarda em despartidarizar-se e que, portanto, muito dificilmente é aceite como sendo a tal "pessoa de bem" em que todos devemos confiar. (Percebe-se que assim seja, num país pós-conflito, que praticamente já desistiu da componente identificada nos acordos de paz como sendo a reconciliação nacional)

Vemos um poder judicial quase colado ao poder político, com alguns dos seus representantes a fazerem declarações controversas do ponto de vista da própria interpretação/cumprimento da lei nomeadamente em relação ao segredo de justiça e a presunção da inocência.

Vemos uma Segurança mais preocupada em vigiar/controlar a sociedade civil do que em proteger o país das reais ameaças internas e externas, como os diferentes tráficos e lavagens de dinheiro sujo.
Vemos, qual cereja em cima do bolo, uma comunicação social pública completamente governamentalizada, que faz o resto do filme, contando-nos "estórias da carochinha"
Esta realidade só pode produzir "presos políticos", porque as pessoas com alguma legitimidade são levadas pensar que o processo judicial é meramente instrumental e é usado/manipulado para fazer calar e atemorizar todos quantos pensam de forma diferente da "cartilha oficial".

O facto de eu estar a escrever isto aqui o que seria mais uma das provas da existência da liberdade de expressão em Angola como um dos direitos fundamentais, em abono da verdade só prova que eu (ainda) não estou preso e pouco mais.

A tolerância embora seja importante (já) não é um valor estruturante da democracia, sendo mais uma necessidade da chamada paz social.  Há ditaduras muito mais tolerantes se comparadas com outras mais agressivas.
A aceitação sim. Estou a falar da aceitação do outro como ele e não como nós queremos que ele seja.  Se ainda temos o défice que temos na primeira disciplina, imaginemos o que se passa com a segunda.


No meu caso, toda a gente sabe que eu fui saneado em 2011 da RNA/TPA por razões políticas e com base em ordens superiores.  Os direitos fundamentais são abrangentes e não excepcionais e só funcionam com as garantias dadas pelo próprio Estado Democrático de Direito em que os cidadãos acreditam piamente, não tendo por isso receios de sofrer consequências/retaliações (cada vez mais silenciosas), onde estão incluídas as dificuldades do acesso ao emprego em instituições públicas ou o afastamento de cargos de responsabilidade.


Toda a gente sabe que em Angola não há garantias reais para nada e muito menos de protecção de quem pensa pela sua própria cabeça e assume publicamente as suas convicções e opiniões. Sinceramente custa-me ouvir na rua as pessoas elogiarem-me dizendo-me que eu sou "corajoso", quando eu apenas digo o que penso no exercício da minha "magistratura".
Para quê coragem se as liberdades existem?

(cont)

 

E se descobrirmos que nada é o que parece ser? - Edson Nuno

Luanda - Há um ditado que diz: “ A fé começa quando os olhos da carne já não capazes de ver”. Existem debates que nunca terão um final lógico, debates estes que seus temas estão sempre em constantes actualizações de linguagem e ideais porque tendo em conta as gerações vindouras, a toda hora surge um sábio, um eloquente e intelectual que desvirtualiza e/ou altera com suas razões o rumo da “verdade”. Mas também a “verdade”... será que ela existe mesmo? Em Filosofia diz‐se que tudo que tem nome existe. No Cristianismo o centro da verdade é Jesus, o filho de Deus que veio nos salvar. “ Eu sou a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai se não por mim”. Esta para mim é a resposta da maioria dos “ Porquês”.

Fonte: Club-k.net

Sempre que tiveres dúvidas leia Jo, 14‐6 e a dúvida se arrebatará ou és considerado um homem de pouca fé. Mas também devemos ter em consideração que nem tudo é religião só para salvaguardar aqueles que nem dão importância a isto. Para nos acalentar de algumas dúvidas que tenham a ver com o passado existem os nossos anciãos que por meio de provérbios e contos nos “aldrabam ou não” mas encontramos alguma moral no final de cada um deles, e os historiadores, aqueles que considero os maiores culpados disto tudo. Será que conhecem mesmo da história que nos nos contam, ou são simples narradores de factos já narrados pelos verdadeiros ou não narradores dos factos? Já que, como diz o ditado popular “Quem conta um conto aumenta sempre um ponto”, o que dizer do historiador dos dias de hoje que contam contos ocorridos há séculos? Quantos pontos devem ter aumentado? Se formos a contar os pontos vamos nos ver perante uma obra em Braile (Linguagem dos cegos) ... Com muitos pontos (risos).

Mas vamos lá, sobre o meu penúltimo artigo” Infidelidades e amores cataclísmicos” publicado aqui neste mesmo site, fui severamente apedrejado verbalmente pelos meus confrades dizendo que não tenho idade para falar de infidelidade quando a minha intenção era mormente em demonstrar que mulher/homem alheio traz azar, já diz o Levítico 20‐10. Quanto a este assunto gostaria de derramar algum vocábulo que poderão até achar engraçado. O casamento/matrimónio... quem inventou e porquê? Fruto de algumas pesquisas apercebi‐me que nos anos 1000 o casamento era uma mera troca de favores entre famílias, um ritual que não envolvia sentimentos amorosos a prior. Acredito que predominava mais o respeito entre os seres do que o “tal amor” hoje mais vulgarizado do que outra coisa. Esse sentimento de respeito pelo cônjuge deveria ser o mais compulsivo do que a mera atracção sexual que não predomina no relacionamento com a célebre frase matrimonial “até que a morte os separe”. Com a ambição sexual que domina o ser o mano e essa fome eterna pela satisfação do prazer carnal, a “morte” passa a ser aquele par de nádegas que cruza o nosso olhar ou o bolso endinheirado, que acaba por separar. Cá por mim quem inventou o casamento foi um indivíduo de baixa auto‐estima, solteiro maior que mal encontrou alguém que gostou dele casou e acasalou fazendo lei para os outros. E passou a ser regra.

Muito se fala e se lê sobre a atracção de pessoas do mesmo sexo. Há quem defenda ser normal invocando factos biológicos. Há quem considere repugnante. Segundo o livro que mais se lê em todo o mundo, a Bíblia, em Levítico 18, 22 : “Não dormirás com um homem como se dorme com uma mulher: É uma abominação;” “ Se um homem dormir com outro homem como se fosse com mulher ambos cometem uma abominação e serão punidos com pena de morte” Lev. 20, 13. A busca incessante da satisfação dos prazeres carnais faz com que os seres humanos percam o foco para que foram feitos: a procriação em primeiro lugar. Se por acaso o homem veio do macaco, segundo a ciência, e de repente parou a evolução, acredito eu que muito em breve viveremos o mesmo acontecimento quando o prazer exacerbado der lugar a procriação para continuidade da espécie humana, simplesmente porque dois seres do mesmo sexo não procriam. Não estou aqui a tentar chamar a atenção as agentes da profissão mais antiga do mundo, a prostituição, mas simplesmente a buscar o que considero moral dentro dos padrões que nos foram transmitidos de geração para geração. Vivemos num mundo de pecado segundo as religiões e do crime segundo a jurisdição. Se vós tendes prazeres imorais, resguardem‐se dos olhos do mundo. Não precisa o mundo saber que possuis gostos diferentes da maioria. Até quando o projecto família engloba apenas os cuidados afectivos e educacionais transmitidos pelos progenitores ou não? Todo o sexo tem comportamentos inatos a sua característica. Não vamos por favor tentar distorcer as coisas em prol do nosso ego. Talvez as coisas acontecem assim porque fomos mal informados. Nem tudo para ser o que parece.

Mas ... E se quando morrermos, após a separação da alma do corpo físico, estivermos perante o guarda dos portões celestiais e na hora da sentença depois de apresentarmos o nosso currículo enquanto vivos de boa passagem pela terra, ele nos responder: “Não fui eu quem vos mandou agir assim na terra”!?. Se tivéssemos uma noção de como era depois da morte se calhar seria diferente.

Mas... E se os amantes do mesmo sexo tiverem certos naquilo que fazem? E se a monogamia foi um erro reconhecido e aceite? E se a poliandria fosse aceite?

Ainda acredito que se calhar nem tudo é o que parece ser. Reflictamos!

Edson Nuno a.k.a Edy Lobo, Licenciado em Língua e Literatura Inglesa

Em defesa dos 15 Ativistas políticos - Carlos Pueblas

Luanda - Nos últimos tempos, dois factos tem dominado profundamente a cena política e económica angolana: no cenário económico, vive‐se uma profunda crise económica e financeira, cujas causas já são sobejamente conhecidas. Na vertente política, a intolerância política atingiu o seu clímax com a prisão arbitraria dos agora famosos 15 ativistas políticos do auto intitulado movimento revolucionário.

Fonte: Club-k.net

Mas é exactamente deste último caso que pretendo tecer algumas considerações.

Neste clima de intolerância política serei julgado pelos inimigos de opiniões contrarias como sendo anti MPLA, anti Governo e a quem poderá mesmo me acusar de ser militante da UNITA, como agora tornou‐se na moda.

Para aqueles que assim pensam, me antecipo a apresentar‐lhes algumas facetas da minha vida:

Dos 7 aos 12 anos aproximadamente, fui pioneiro da OPA; dos 20 aos 24 anos militante da JPMLA‐ Juventude do Partido e coordenador do seu núcleo no ensino de base do II nível. Terminei o ensino secundário e me graduei como técnico médio na República de Cuba. Portanto, o meu modesto currículo em termos de ligação histórica com o actual partido no poder é mais que evidente e mais sólido do que de muitos actuais "camaradas", que militam no M mais por razões meramente económicas e de cargos do que por convicções e princípios ideológicos.

E pela primeira vez, estou a ponderar seriamente votar para a oposição em 2017, caso o MPLA continue a impor um regime de terror no país.

Voltando a questão dos 15 ativistas políticos, como cidadão deste país, amigo e simpatizante do MPLA, não podia deixar de estar consternado e preocupado com o rumo ditatorial que o MPLA têm vindo a seguir nos últimos tempos.

A absurda acusação contra os corajosos e heroicos jovens angolanos de que pretendiam realizar um golpe de estado contra o governo do MPLA liderado pelo presidente José Eduardo dos Santos constituí um conto de fadas e desprovida de qualquer sustentabilidade legal ou material.

Constituí igualmente um insulto a todos angolanos de Cabinda ao Cunene, na medida em que os seus autores julgam que os angolanos são incapazes de distinguir um filme de ficção científica dos eventos reais e palpáveis.

A literatura sobre os golpes militares, nos ensina que estes são sempre desencadeados e levados a cabo por elementos castrenses, uma facção dentro das próprias forças armadas decide derrubar pela via militar o poder político e executivo do qual contestam.

regra geral, envolve altas figuras militares do exército, força aérea e do Estado Maior General das forças armadas do Pais.

No caso actual de Angola, as alegações do regime, segundo as quais 15 jovens armados até os dentes apenas com um livro, celulares, pen drivers e computadores estavam prestes a desencadear um golpe de estado, derrubando no processo um dos regimes mais militarizados do continente africano, seria de facto não somente um facto extraordinário, de proporções bíblicas, como a luta de David e Goliath, mas como sem precedente na história da humanidade.

Camaradas sensatos do MPLA, os factos são factos e contra factos não há argumentos: Estes jovens angolanos estão presos apenas para intimidar e silenciar ainda mais as poucas vozes que ousam criticar e desafiar o regime do presidente angolano José Eduardo dos Santos.

Todos aqueles que de facto amam esta nossa rica e linda Angola, de Cabinda ao Cunene devem juntar‐se aos esforços destes 15 jovens angolanos para que em conjunto transformemos este país num estado de direito e democrático; um país onde cada angolano, independentemente da cor, raça, classe social e filiação partidária sinta‐se verdadeiramente livre e orgulhoso.

O descontentamento é hoje generalizado no país; e os que reclamam são os próprios angolanos cuja condição económica e social está acima da maioria dos seus compatriotas.

Nos musseques de Luanda, nos principais centros urbanos do país, nos táxis, vulgo candongueiros as conversas do dia são sempre dominadas pela falta de luz, água, medicamentos nos hospitais, corrupção generalizada, o enriquecimento ilícito da classe política do país e a longa permanência do cidadão José Eduardo dos Santos no poder.

Só não vê, quem quer tapar o sol com peneira e não reconhece a justeza das reclamações aqueles que vivem noutras galaxias deste nosso universo Angola ( Cidade alta, Talatona, e condomínios onde e o preço mínimo de uma residência custa meio milhão de dólares).

No concepto de democracia do MPLA e do seu presidente José Eduardo dos Santos, a democracia em Angola é sinonimo de:

Marchas e comícios de apoio ao nosso querido líder clarividente, omnipresente e glorioso José Eduardo dos Santos ( Vulgo Kim Il Sung de Angola).

Não meus camaradas! A democracia, não é apenas a realização de eleições. É entre outras coisas a alternância ao poder, o respeito pelas minorias e liberdade de expressão.

Na ausência destes pressupostos, mesmo que haja paz, não se pode dizer que há democracia.

O nosso Kim Il Sung de Angola, segundo a narração do MPLA faz as escolas e hospitais germinar como cogumelos em cada município e comunas desta vasta Angola, faz jorrar água e energia em cada casa de todos angolanos desta vasta Angola com a agua do nosso majestoso kwanza e eletricidade das barragens de Cambambe e Kapanda; Aquele que ergue e edifica marginais modernas e estádios de futebol para o povo se abrigar de frio e da chuva; aquele que distribuí as riquezas e receitas de petróleo e diamantes entre a oligarquia financeira e política no poder, enquanto a maioria dos filhos desta terra se debate com problemas de sobrevivência, fome, malária e miséria, corrupção generalizada e institucionalizada.

Cada angolano que realmente ama este país, deve juntar‐se as iniciativas em prol de libertação imediata dos nossos 15 magníficos. Por isso, as iniciativas dos artistas e personalidades angolanas e estrangeiras em prol da libertação dos detidos devem servir de inspiração profunda para todos angolanos que almejam uma Angola verdadeiramente democrática, próspera e de direito.

Os jovens presos lutam por uma Angola democrática, pacífica, e socialmente mais justa para todos os seus filhos. Esta luta não é contra o MPLA e o seu presidente ou os seus militantes;

É uma luta contra a arrogância do regime, a intolerância política, a falta de liberdade de expressão no país, a falta de uma imprensa verdadeiramente imparcial, equilibrada e independente. É uma luta contra a corrupção e o saque dos recursos públicos de todos nós. É uma luta para o bem estar económico e social de todos os angolanos.

É importante recordar que, Angola e o próprio MPLA sempre estiveram na vanguarda da luta de libertação dos povos da Africa Austral e do continente em geral.

O MPLA e o seu presidente ao proclamar a independência nacional e preservar a integridade territorial e a unidade nacional de cabinda ao Cunene já cumpriu com o seu papel histórico.

Por este facto, todos os angolanos estarão para sempre agradecidos; e o nome do presidente José Eduardo dos Santos será para sempre enaltecido.

Porém, na luta para a instauração de uma sociedade verdadeiramente democrática e justa, Angola tem estado atrasar‐se cada vez mais.

Basta olhar para Moçambique, que teve uma experiência pós independência igual a de Angola:

Este país já vai no quarto presidente da Republica, e Angola continua com o mesmo homem desde 1979.

A transição é urgente, sob pena dos angolanos virem a esquecer e ignorar totalmente os feitos históricos do MPLA e do presidente José Eduardo dos Santos.

"No se matam las ideias".

Libertem já os muchachos e todos os presos políticos. 

Carta aberta aos agentes da policiais angolanos - Luís Carlos Matos

Luanda - Polícia angolana, vamos falar claro, como irmãos... como cidadãos do mesmo país que nos deu vida, que nos viu nascer e crescer!... Vamos olhar olhos nos olhos como conterrâneos da mesma Terra da qual amamos de verdade e com responsabilidade.


Fonte: Club-k.net


Caríssimos, acredito na vossa boa preparação, na vossa força e qualidade em querer o melhor para o país e trabalhar para a ordem pública, protegendo, sobretudo, os mais fracos e cidadãos de direito.


Contudo, há um erro crasso que neste momento cometeis ao carregar, bater, dar porrada e ser verdadeiramente violentos para com o alvo errado: os jovens angolanos (masculinos e femininos) que têm saído à rua e em locais públicos com documentos previamente entregues às autoridades, a quem de direito, para o efeito e competentes, no sentido de serem avisadas das suas Marchas, Vigílias ou Manifestações que são sempre pacificas, reivindicando direitos constitucionais, humanos e democráticos, previstos e dentro da lei, para o nosso país!


Ora o que se pretende, depois disto, é que os senhores Agentes policiais ao invés de partirem para a violência sobre cidadãos indefesos e, completamente, desarmados, deveriam, antes, protegê-los de qualquer perigo exterior à Manifestação, já que eles estão dentro dos parâmetros e regulamentos das leis da nossa Constituição!!


Fazer o que os senhores têm constantemente feito é subverter a lei, através da violência gratuita, com grande excesso de abuso de poder, exercendo uma violenta e anormal carga negativa sobre cidadãos desarmados e indefesos... Ora todos nós sabemos que a isso, em primeiro lugar, se chama: COBARDIA! Porém, mesmo assim, eu quero crer ou acreditar que os senhores e as senhoras agentes policiais angolanos não são cobardes a esse ponto e que, pelo contrário, gostam de viver a democracia, dando oportunidade de direitos iguais para que todos se expressem em liberdade, dentro da Não Violência, à qual os senhores agentes devem ser os primeiros a dar exemplo!!...


Até agora parece-me a mim que só tendes recebido ordens superiores bem parciais, deturpando a realidade dos factos e cumprindo de olhos fechados, sem perguntas e sem reflexões humano/racionais o que tendes que fazer... Ora isso também não é normal, não é justo nem racionalmente equilibrado para agentes de grande estirpe como os senhores pretendem ser. A verdade é que com essas atitudes parcialmente radicais, discriminativas e injustas, somente, vos colocais como uma das piores polícias do mundo actual.


Ora, sinceramente, como democrata, não é isso que espero nem quero para a nossa Policia angolana!... Vamos, portanto, sintonizar na harmonia, no equilíbrio e na justiça! E não em praticar favores para um regime desequilibradamente elitista, parcialmente caprichoso, discriminativo, que busca o seu bem estar para apenas um dos lados da sociedade e, por essa razão, com uma atitude pseudo-democrática. Isto é, profundamente, abominável e errado, sobretudo, quando os manifestantes estão dentro da própria Constituição angolana! Em todos os sentidos.


Na verdade, quem está a pisar o risco e a "cuspir" sobre a Constituição angolana são, precisamente, os senhores Agentes Policiais angolanos... Isto é inconcebível e uma vergonha sem tamanho nem peso. É assim que querem ficar para a História de Angola, no futuro?...


Pergunto, por isso livre e lúcido: é normal obedecer a alguém que vos faz errar e perigar no cumprimento do vosso dever? É que, a continuar assim, um dia destes estareis a bater sobre as vossas próprias famílias de sangue e a metê-los na cadeia para, depois, serem torturados... Mas, sinceramente, acham isto normal?! Ponham a mão na consciência e abram bem os olhos!...


Verifiquem, entretanto, por favor, o que diz a Constituição angolana no Capitulo II dos artigos 30° e 31° (1 e 2); no Artigo 36° (1, 2 e 3); no Artigo 40 (1, 2, 3 e 4); no Artigo 47° (1 e 2); e no Artigo 48° (1)... Leiam com olhos de ver, analisem bem e, sobretudo, assimilem! Trata-se da nossa Constituição angolana. Vejam como e quando estais, precisamente, a pisar o risco!...

A mentira do comandante Polícia de Luanda - Pedrowski Teca

Luanda - O comandante da Polícia Nacional em Luanda, comissário António Maria Sita (na foto), informou-nos hoje que os jovens que foram detidos ontem, na seqüência de uma manifestação reprimida, que exigiam a liberdade dos presos políticos, tiveram sido postos em liberdade e acompanhados até a residência de um dos activistas identificado como Sekele, no município de Viana, Km 30.

Fonte: Drowski

Após constatações, Sita retornou a chamada afirmando que o nome do activista não era Sekele mas sim Paposseco, que também foi detido com Adolfo Campos, Laurinda Manuel Gouveia, RaúlLindo Mandela, Adão Bunga (McLife), Feridão, Mário Sebastião, Kika, Delegado, e Valdemiro Piedade, próximo do Cine Atlântico, na Vila Alice.

O comandante da Polícia de Luanda reiterou que os activistas foram deixados na residência do Paposseco mas que decididesligar os telemóveis e permanecerem no local com o objectivo de causar factos políticos.

Por parte de Sita, houve ameaças de que se os jovens persistissem em se esconder para criar factos políticos, a polícia voltaria ao local para lhes prender e acusar de actos criminosos.

O facto é que os jovens detidos ontem, quando eram aproximadamente 17 horas, foram levados para as matas de Kabala, na província do Bengo, onde foram abandonados hoje quando eram quase 20 horas.

Tão logo foram libertos, Adolfo Campos manteve contacto telefônico com algumas pessoas e neste momento o grupo está à caminho de Luanda.

Não entendemos as razões que levaram o comandante António Maria Sita a difundir tais informações falsas e caluniosas, e que objectivo pretendia atingir.

Sita difundiu a mesma informação inclusive à alguns jornalistas.

O regime angolano está a tentar à todo custo inverter contra os jovens activistas cívicos, a culpa pelas violações dos direitos humanos e da Constituição de Angola, ocorrida ontem no Largo da Independência, em Luanda.

// TAG FOR ADVERTISEMENT