Sociedade

Angola: Ex-governador de Luanda nomeado director do IFAL

Luanda - O ex-governador de Luanda, Graciano Francisco Domingos, foi nomeado recentemente pelo ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa, a cargo de director-geral do Instituto de Formação da Administração Local (IFAL), segundo uma nota de imprensa distribuída nesta sexta-feira. O acto de tomada de posse terá lugar no IFAL, na próxima segunda-feira.

Fonte: Club-k.net
O antigo vice-ministro do Urbanismo e Ambiente substitui no cargo o jornalista (e escritor) Ismael Mateus Sebastião, que em comissão de serviço exercia as funções de director desta instituição de formação, desde 2010.

Jurista de profissão, Graciano Domingos é natural de Gonguembo, província do Kwanza-Norte, é licenciado em Direito, pela Universidade Agostinho Neto, e Mestre em Ciências Jurídico-Civis, pela mesma instituição. Já exerceu vários cargos governamentais, com destaque para o de governador da Província de Luanda e os de vice-ministro do Urbanismo e Ambiente.

Criado pelo Decreto Presidencial Nº 24/02, de 30 de Abril, o IFAL tutelado pelo Ministério da Administração do Território, tem por objectivo principal assegurar a execução da política de aperfeiçoamento e modernização da Administração Local do Estado e da Administração Autárquica, através de acções de formação.

Angola: Nomeada nova directora do INAC e do Instituto de Promoção de Ajuda as Comunidades

Luanda - As novas directoras do Instituto Nacional da Criança (INAC) e do Instituto de Promoção e Coordenação de Ajuda as Comunidades, respectivamente, Nilsa Batalha e Maria Assis, foram empossadas hoje, quarta-feira, em Luanda, em acto presidido pelo ministro da Assistência e Reinserção Social, João Baptista Kussumua.

Fonte: Angop

Nilsa Batalha substitui no cargo Ruth Madalena Mixingi.

No mesmo acto, foi igualmente empossado Daniel Muondo ao cargo de director geral da Escola Nacional de Formação de Técnicos do Serviço Social, cujo adjunto é Manuel Fernandes.

Na ocasião, ao se referir da nova direcção do INAC, o ministro João Baptista Kussumua enfatizou estar confiante, pois, esta tem a responsabilidade de dar um pulso cada vez maior, nas tarefas já iniciadas nesta área que o Governo continua a priorizar.

Sublinhou que a criança é prioridade absoluta do Estado, quanto à sua protecção, promoção e Desenvolvimento.

“O Estado Angolano prioriza a protecção a este grupo, pois é o futuro sustentável da nossa Nação, razão pela qual as acções de advocacia, mostram-se urgentes e relevantes, na medida em que somos um país pós conflito e com a presença de situações de violência, para os quais são necessários serviços direccionados, dinâmicos e determinados, para responder a este grupo, que requer e apela, entre outros, a um conjunto de quadros de excelência, que interpretem a realidade, as necessidades e de forma tangível alcancem os resultados que perspectivam”, disse.

Em relação ao Instituto de Promoção e Coordenação de Ajuda as Comunidades (IPORCAC), que sucede a Unidade Técnica de Coordenação da Ajuda Humanitária (UTCAH), o governante realçou contar com a criatividade, entrega e dedicação da equipa para dar sustentabilidade a todos os objectivos em prol das comunidades.

Para o governante, a Escola Nacional de Formação de Técnicos do Serviço Social assume um papel cada vez mais contribuinte para seguir as “linhas orientadoras do Executivo e das preocupações pessoais de sua excelência Presidente da República, José Eduardo dos Santos, na elevação dos níveis académicos e profissionais dos quadros angolanos”.

Agradeceu o trabalho desenvolvido pela directora cessante do INAC, Ruth Mixingi, que durante longos anos contribuiu para o desenvolvimento das tarefas relativas às crianças.

Participaram do evento, além dos recém empossados, altos funcionários do Ministério da Assistência e Reinserção Social (Minars).

 

China doa meio milhão de dólares para Angola comprar vacinas contra febre-amarela

Luanda - A China doou ao Governo angolano 500 mil dólares (448 mil euros) para a compra de vacinas contra a febre-amarela, surto que desde dezembro já matou 38 pessoas.

Fonte: Lusa

A embaixada da China em Angola, em nota distribuída segunda-feira à imprensa, referiu que o apoio responde a um pedido de ajuda das autoridades angolanas.

O surto de febre-amarela que atinge Angola provocou mais de dez óbitos só na última semana, cifra que desde dezembro se eleva a 38 mortos e mais de uma centena de casos confirmados, de acordo com informação das autoridades de saúde pública.

O surto, que se iniciou na zona de Viana, arredores de Luanda, também já foi detetado nas províncias da Huíla, Huambo e Cuanza Sul, inclusive com óbitos.

As autoridades de Saúde de Luanda iniciaram há precisamente uma semana, no município de Viana, uma campanha de combate a este surto de febre-amarela, prevendo vacinar, prioritariamente, até um milhão e meio de crianças e grávidas.

O Governo angolano admitiu anteriormente não ter o número suficiente de vacinas para cobrir a população alvo desta campanha de vacinação extraordinária.

Além da vacinação das crianças, a campanha prevê ações de sensibilização das populações para o reforço das medidas de prevenção, nomeadamente a eliminação de águas estagnadas, proteção contra mosquitos, distribuição de desinfetantes para água e ações de desinfestação de casas.

A campanha será posteriormente alargada a outros municípios de Luanda.

O plano de combate ao surto de febre-amarela em Luanda, lançado a 25 de janeiro, conta com um orçamento provisório de 2,02 mil milhões de kwanzas (11,9 milhões de euros), para a aquisição de vacinas e material, custo operacional das atividades, bem como formação do pessoal envolvido.

A capital angolana registou em 2015 uma cobertura de 70% na vacinação contra a febre-amarela, uma redução comparativamente a 2014, ano em que atingiu os 77%.

Os últimos surtos de febre-amarela em Angola registaram-se em 1971 e 1986.

Vacina da febre-amarela está a ser comercializada

Luanda - O governador de Luanda, Francisco Higino Lopes Carneiro, tomou conhecimento, através de denuncias, da existência de pessoas que estão a cobrar valores monetários para aplicar a vacina contra a febre-amarela, por isso medidas em conformidade com a lei foram já tomadas. Em declarações à imprensa no fim de uma vista de solidariedade para com as famílias residentes nas zonas inundadas pela chuva em Viana, o dirigente afirmou ter tomado conhecimento dos casos de cobranças para aplicação de vacinas da febre-amarela, através de denúncias, e tomaram-se medidas em conformidade com a lei.

Fonte: Angop

Higino carneiro manifestou também a sua insatisfação quanto ao número de pessoas vacinadas contra a febre-amarela, afirmando que mais postos de imunização devem ser criados. Segundo o governador, o número de pessoas vacinadas não é satisfatório, embora existam 24 postos distribuídos por Viana.

O dirigente adiantou que podem ser criados muito mais postos e neste momento podiam estar vacinados mais de 200 mil pessoas, por isso “precisamos de fazer muito mais porque o número de populares é maior”.

Áreas adjacentes ao Mercado do Trinta começaram segunda-feira a beneficiar de uma acção de fumigação e de eliminação de charcos de água para o combate do mosquito Aedes Aegypti, dando-se prosseguimento à campanha contra a febre-amarela, que teve inicio no dia 02 de Janeiro, no bairro do Zango, Viana.
Hoje, terça-feira, continuaram montados os postos de vacinação no mercado do Km 30, nas imediações do mercado e em locais indicados pelos presidentes de comissões de moradores.

Entretanto, a campanha de vacinação, que teve início no dia 02 de Janeiro com término previsto para a próxima terça-feira, vai continuar até a cobertura total da população alvo, garantiu Mateus Neto.

A investigação de casos da febre-amarela teve início no dia 30 de Dezembro de 2015, com a ocorrência de seis casos, com quatro óbitos, caracterizados por síndrome febril, icterícia (olhos amarelos) e hemorragia em indivíduos do sexo masculino, no bairro do Zango.

Para fazer face à epidemia, o Governo Provincial de Luanda está a levar a cabo uma campanha de combate à doença que abarca acções de sensibilização das populações para o reforço das medidas de prevenção, como tapar os recipientes de água, colocar óleo queimado nos charcos e proteger-se contra a picada de mosquitos.

Consta ainda das acções, a distribuição de mini doses de Bactivec (desinfectante para água), tratamentos de criadores de larvas do mosquito, fumigação intra e extra domiciliar, bem como a vacinação e distribuição de mosquiteiros, principalmente de crianças, idosos e grávidas.

A Febre-amarela é uma doença transmitida ao homem pela picada do mosquito Aedes Aegypti infectado, constituindo um importante problema de saúde pública.

Em Angola, os últimos surtos ocorreram em 1971 e 1986 e a vacina da Febre Amarela foi introduzida no calendário vacinal em 1980.

Quem são os assassinos de Jorge Valério?

Luanda - A pergunta que não se quer calar e que insistentemente o advogado Benja Satula quer ver respondida por acreditar que não foram réus que planearam e mataram Jorge Valério, de 20 anos, em 2012, é precisamente esta. Para o Ministério Público e a assistência produziram-se provas suficientes que condenam Jéssica e os “comparsas”. A sentença está marcada para a próxima Sexta-feira.


Fonte: Opais

As provas mais consistentes do processo são os relatórios das ligações telefónicas estabelecidas entre Jéssica Coelho, Manuel Bravo, João Manuel Mateus, Victor Nsumbo e a própria vítima, Jorge Valério. O tribunal mostrou que os extratos foram obtidos para a descoberta da verdade.

A acusasção corrobora da mesma ideia, no caso o Ministério Público e a advogada assistente, Ana Paula Godinho, uma vez que, dizem, não se compreende de outra forma as razões que levariam Jéssica a ligar várias vezes a Bravo (o motorista) fora do horário de trabalho, nomeadamente às 23:00h de 29 de Setembro, 01:05h da manhã de 30 de Setembro de 2012, e às 02:00h.

Os relatórios mostram que constavam muitas chamadas de Bravo dirigidas a Jéssica no dia do desaparecimento de Jorge, mas, segundo Benja Satula, o advogado de defesa, que se apoiou no mesmo documento, a localização de Bravo dava na zona dos combatentes e de Jéssica, no 1º de Maio, entre as 12:00h e as 14:00h. Por isso, é impossível terem marcado ou feito um encontro no Colégio Elizângela, nesse horário, porque encontravam- se em pontos diferentes.

Passados quatro meses de julgamento e de produção de provas, o caso ainda mostra muitas nuvens escuras, não só verificadas nos autos, como também provocadas por alguns declarantes que se contradisseram em tribunal. “Foram feitos exames às roupas dos arguidos no processo e o resultado foi negativo ou não se detectaram vestígios de sangue”, disse Benja. Os invólucros recolhidos no local do crime, tal como aponta o advogado, não foram examinados, mas fez-se exames de balística a uma arma que não disparou (a que consta nos autos).

“Quem fez os disparos? O indivíduo que matou o Jorge o masacrou, e não o fez porque a pistola encravou, mas porque tinha vontade de fazer, aliás, ele foi fazendo disparos para que ninguém acudisse”, sublinhou, nas alegações finais. O PAÍS, agora que se aproxima o fim do julgamento, traz uma breve nota sobre cada um dos os sete arguidos do caso que ficou conhecido como “Jéssica/Jorge Valério”, como cada um aparece no processo, as suas declarações e as acusações que sobre si pesam.

Para o Ministério Público e a assistência, não há dúvidas de que são os indivíduos abaixo que cometeram o crime, com excepção de Adilson Monteiro (prófugo) e de João Manuel Maiala (o homem que alugou a arma). Pede a condenação dos réus como um acto de justiça feita, também para que sirva de exemplo a não seguir. A decisão desta “novela com várias interrogações” está nas maus do juiz Milecamena António João, da 3ª secção da sala dos crimes comuns do Tribunal Provincial de Luanda.

•NOME: Jéssica Alves Coelho, 20 anos
•OCUPAÇÃO: Estudante

É vista como a mandante do crime, a jovem que projectou e pediu que ‘empacotassem’ o namorado Jorge Valério. Consta nos autos que, aos 17 anos, a então menina pediu ao seu motorista que arranjasse alguém para executar aquele trabalho, uma vez que o seu parceiro tinha fotos exibindo a sua nudez e ameaçava postálas nas redes sociais. Jéssica teria pago 8 mil dólares por todo o trabalho. Mas, em tribunal, como também na fase de instrução preparatória, negou todas as acusações que pesam sobre si, e disse que nunca vira, com a excepção do Bravo, os demais arguidos.

•NOME: Manuel Lima Bravo, 37 anos
•PROFISSÃO: motorista

O cidadão aparece no processo por alegadamente ter arranjado João Manuel Mateus e Rodrigo Domingos Vidal ‘Narô’, jovens com quem a Jéssica negociara. Foi o primeiro dos réus a levantar em tribunal a afirmação de ter sido vítima de tortura por parte dos agentes do SIC no acto de instrução preparatória, tendo acrescentado que quase todas as declarações feitas na fase de instrução preparatória fê-las porque não aguentava mais tanta agressão. Por fim, numa acareação com Hélder Neto, agente do SIC (antes DNIC), Bravo disse que as agressões de que foi vítima, da parte daquele agente, lhe causaram sequelas graves, ao ponto de não mais conseguir ter relações sexuais com a sua esposa.

•NOME: João Manuel Mateus ‘Teodoro’, 32
•PROFISSÃO: taxista

Aparece acusado no processo como o co-negociante da morte de Jorge junto com Narô – este último que desistiu do plano. Teodoro, em tribunal disse que não teve nada a ver com a morte do jovem, nunca tinha visto Jéssica e que estava a ser acusado injustamente. Quando questionado sobre o facto de ter sido indicado por Bravo, seu vizinho, disse que a este tinha comprado uma viatura Hiace. Também disse em tribunal que foi brutalmente espancado pelos agentes do SIC, e que depois de muita surra teve de indicar Victor Nsumbo, porque tinha visto, quando levou o seu carro para ser consertado, uma arma no porta-luvas do carro do mecânico. O SIC negou ter-lhe agredido, acrescentado que Teodoro era gatuno no mercado do “Asa Branca” e que actualmente encontra-se com o rosto “bonito”.

•NOME: Victor Nsumbo “Vladimiro”, 29
•PROFISSÃO: mecânico

Foi detido após ter sido indicado por João Manuel Mateus, então seu cliente, por causa da arma que vira no porta-luvas do seu carro. Em tribunal, disse que alugou a arma para ameaçar os assaltantes que várias vezes entraram na sua oficina e roubaram peças de carros. Também disse que foi espancado por agentes da DNIC (agora SIC), com uma chave de fendas nas nádegas, e que a crueldade dos agentes e a insistência em perguntarem “quem é o seu ajudante”, enquanto o batiam, fez com que indicasse Pocotocha. Victor aparece nos autos como o indivíduo que ficou com a tarefa de arranjar a arma e a viatura com a qual raptaram Jorge Valério. É, dos réus, o que em todas as audiências apresentava um terço pendurado no pescoço e orava no princípio de cada julgamento.

•NOME: António Nhath ‘Pocotocha’, 23
•PROFISSÃO: ajudante de mecânica

Ajudante de mecânica da oficina de Victor, aparece nos autos como o mais cruel de todos os arguidos, tendo aplicado vários golpes a Jorge, agredindo-o com um tambor demetal e blocos de cimento na cabeça. António não disse ter sido agredido pelo SIC, mas em tribunal alegou que o agente Hélder Neto é mau. Um facto curioso foi levantado pela advogada oficiosa, ao revelar, em tribunal, que Pocotocha estava detido de 10 de Setembro a 9 de Outubro de 2012, mas aparece no processo um homicídio que aconteceu a 28 de Setembro do mesmo ano. Nestes termos, não é possível alguém estar em dois sítios ao mesmo tempo.

•NOME: Adilson Cainda Monteiro, 21
•OCUPAÇÃO: estudante

No decorrer das investigações foram feitas buscas na residência de Adilson, por suspeitas do seu envolvimento no crime, e no decorrer das mesmas encontraram no seu quarto estupefacientes. Assim, Adilson está a ser julgado à revelia por posse e consumo ilegal de estupefacientes. Recorda-se que na fase das alegações finais o advogado de Jéssica levantou o facto de o pai de Jorge Valério ter dito, em entrevista, que Roberto Leal Monteiro Ngongo, avô de Adilson, dissera, durante o funeral de Jorge, que o seu neto “não matou, só mandou matar”.

Quem tentou raptá-lo dias antes da sua morte?

Consta também, segundo o que transmitiu o advogado de Jéssica, que no dia 27 de Setembro de 2012, dois dias antes do desaparecimento do malogrado, na Avenida de Portugal, aconteceu uma tentativa de rapto de Valério, tendo os seus raptores o agredido na rua, rasgando na totalidade o seu vestuário, com a intenção de introduzi-lo numa viatura. O rapto não se consumou por intervenção de um familiar. Também não está devidamente explicado, para Satula, o facto de às 22:30h a vítima ser raptada pelos arguidos em questão e às 23:00h os mesmos já estarem no Cazenga. “Os co-arguidos João Mateus e Victor Sumbo dizem ter-se deslocado na mesma viatura, mas seguiram caminhos distintos.


Um fez o percurso Bairro do Cruzeiro- Largo 1º de Maio-Unidade Operativa-FTU-Shopprite-Simão Kimbango-Camama e o outro diz terem seguido o percurso Bairro Cruzeiro-Largo 1º de Maio-Rocha Pinto-Camama?”, outra pergunta que carece de resposta.

Provas do crime que constam nos autos

1 Prova por confissão dos arguidos

2 Prova material e pericial.

3 Prova pericial por exame de endoscopia

4 Prova pericial por exame técnico no local do crime

5 Exame de balística

6 Relatório de reconstituição do trajecto da vítima até ao local do crime

7 Exame do portátil do infeliz

8 Relatório de chamadas emitidas e recebidas no telefone de Jorge

9 Relatório de chamadas emitidas e recebidas no telefone (032) de Jéssica

10 Relatório de chamadas emitidas e recebidas no telefone de Bravo

11 Relatório de chamadas emitidas e recebidas no telefone de Victor Nsumbo

12 Relatório de chamadas emitidas e recebidas no telefone João Manuel Mateus

13 Declarações da testemunha ‘Narô’ em tribunal

David Mendes excluído da inspecção ao Monte Sumi

Luanda - Além da alegada exclusão da equipa de defesa, as circunstâncias e área do Monte Sumi em que os 13 civis (número oficialmente reconhecido pelo governo) perderam a vida não mereceram a atenção dos autores da inspecção judicial, pelo que consta da acta.

Fonte: Opais

O advogado David Mendes, o defensor do líder da seita “Igreja Cristã no 7º Dia A Luz do Mundo” e seus fiéis seguidores, revelou, ontem, a OPAÍS que não foi notificado pelo juiz presidente, Afonso Pinto, sobre a realização da inspecção judicial ao Monte Sumi. Além dos juízes, estiveram presentes representantes do Ministério Público, que considerou terem sido notificados atempadamente, os arguidos e alguns dos declarantes. A sessão de Sexta feira, data da realização da aludida visita, estava reservada à realização da acareação entre os arguidos e declarantes e à execução de algumas diligências que se achavam necessárias, nas instalações da 1ª Secção de Crimes Comuns do Tribunal Provincial do Huambo, e não no Monte Sumi, pelo que a defesa ter-se-á oposto. O causídico aclarou que, no seu ponto de vista, o juiz-presidente da 1ª Secção de Crimes Comuns do Tribunal Provincial do Huambo só realizou esta operação ao então “santuário” dos fiéis da referida seita, em resposta ao recurso interposto pela defesa, no qual se debruça aos indeferimentos ao pedido de realização da reconstituição.

“Como o indeferimento do pedido da defesa já fora objecto de recurso, o juiz encontrou uma forma de se justificar e não tinha outro caminho que não consistisse em nomear uma pessoa da sua confiança e não da confiança dos réus para cumprir tal formalidade”, explicou. Recordou que desde a instrução preparatória que solicitaram à Polícia e à Procuradoria para ter acesso ao Monte Sumi e não lhes ter sido permitido. Na instrução contraditória, requereram ao juiz a reconstituição e o pedido foi indeferido. Não obstante isso, segundo David Mendes, a sua equipa não cruzou os braços e no primeiro dia do julgamento (tal como noticiou OPAÍS na edição de 19 de Janeiro) retomou a solicitação e o juiz declinou o pedido. “Como sempre, até já se tornou cúmplice, o juiz combinou com o procurador e sem notificarem a diligência à defesa, decidiram ir ao Monte Sumi”, declarou.

A inspecção judicial

O juiz-presidente Afonso Pinto, em concordância com os juízes assessores Ângelo Vilinga e Osvaldo Malanga, nomeou o funcionário do tribunal Marcelino Sepanda como defensor oficioso, em substituição dos três integrantes da equipa encabeçada por David Mendes. O oficial da Polícia Hélder Pinto, um dos sobreviventes do confronto, descreveu que chegara ao local do sucedido passando por detrás da casa do Kalupeteka e permanecera entre a sua casa e a dos Nazareus, virado para o pátio da casa do alegado profeta.

Instantes depois, ouvira um disparo do lado do cimo da montanha, que estava atrás de si, tendo de seguida os membros da seita partido para agressão contra os efectivos da Polícia Nacional. Chamado à pronunciar-se sobre o que acabava de ouvir, José Kalupeteka confirmou que os jovens estavam sentados num banco de madeira, defronte a casa dos chamados Nazareus (categoria esta que era atribuída aos membros da seita que tinham a incumbência de transmitir a sua doutrina aos novos membros). Disse ainda que viu os agentes da Polícia Nacional ao longe, no momento em que saía do interior da sua residência.

Posteriormente, fora abordado pelo investigador Filipe João, o agente Abel do Carmo (vítima) e, a escassos metros deles, estava outro agente identificado apenas por Castro. Contou que depois disso ouvira um disparo, no pátio da sua casa, que o levou a fugir inicialmente por detrás da mesma e posteriormente esconder-se na montanha oposta à montanha do areal, cujo cimo dista cerca de 700 metros da zona do acampamento, em que permaneceu até cerca das 19h30 e de onde ouvira os cânticos das senhoras.

De seguida foi chamado o coréu Filipe Quintas que confirmou a sua versão inicial, segundo a qual apanhara o tiro num dos membros inferiores ao sair da sua casa adjacente ao pátio em que desenrolaram os factos, tendo assim indicado o local. Os juízes sentiram necessidade de inquirir o arguido Hossi Uacuti Vilinga sobre a zona em que se apercebera do confronto havido entre os polícias e os seus “irmãos em Cristo”, ao que respondeu ter sido a 500 metros do acampamento.

Hossi reconfirmou ter abandonado a viatura em que seguia e fugido para uma mata que fica entre a localidade do Sumi e o Quilómetro 25, onde pernoitara. No dia seguinte, dirigiu-se à Estrada Nacional que liga o município da Caála à província da Huila, em direcção a comuna do Kuima (fica ao Sul do Quilómetro 25 e do Sumi), onde veio a ser detido por efectivos da Polícia, às 14horas do dia 17 de Abril. Além de confrontar as declarações dos arguidos acima mencionados e a do oficial da Polícia que chefiou a brigada motorizada que se deslocou ao Monte na data dos factos, foram ouvidos o coréu Gabriel Esperança e o declarante Marcelino Canhanga (comandante do posto da Polícia do sector Quilómetros 25), cujos depoimentos não foram consignados em acta. No que concerne ao auto de “inspecção judicial”, ficou registado que se constou que o intendente Luengui e o agente Afonso António “foram mortos a 350 metros de distância do acampamento”.

A geografia do santuário de Kalupeteka

biografiaDe acordo com dados em posse do Tribunal, recolhidos na “inspecção judicial”, o santuário dos fiéis da seita de Kalupeteka dista cinco quilómetros e meio do Quilometro 25. E do campo em que os efectivos da Polícia Nacional encostaram as suas viaturas à área residencial, a distância é de 300 metros. No que concerne a configuração da área residencial da seita “Igreja Cristã no 7º Dia A Luz do Mundo” no Sumi, as lavras situadas a leste do acampamento e no cimo da montanha, constatou-se que a distância é de dois quilómetros e meio do primeiro local. Ao passo que a distância do local em que encontra-se a máquina escavadora da área residencial é de 40 a 50 metros.

Em termos geográficos o Sumi fica entre uma cordilheira que compreende três montanhas. Há o acampamento dos fiéis na encosta da terceira montanha, abaixo o qual (o acampamento) há um vale com cerca de três represas e do outro lado do vale existe a encosta de uma outra cordilheira cultivada de limoeiros. Esta outra cordilheira compreende também três montanhas. A comunidade dos fiéis da referida seita está configurada da seguinte maneira: à entrada principal está a residência do líder e fundador da seita, José Julino Kalupeteka, ao lado de quem está uma casa de chapa, à distância de um metro, cujo quarto mais próximo era do co-réu João Zacarias.

Actor angolano acusado de agredir taxista em Portugal

Lisboa - O actor angolano Celso Roberto está a ser acusado de ter batido "na cabeça e na cara" de um taxista em Lisboa

Fonte: DN

Um taxista de Lisboa diz que o ator Celso Roberto, de A Única Mulher, o agrediu "na cabeça e na cara" e já terá apresentado queixa na Polícia de Segurança Pública (PSP). "Estava a passar na Avenida da Índia quando uma senhora me pediu para parar. Mal entrou no carro, um homem tentou abriu a porta, mas ela mandou arrancar e foi o que eu fiz", conta Nuno Fonseca ao Correio da Manhã.

 

Em declarações ao mesmo jornal, o taxista explica ainda que, quando chegou com a sua cliente ao destino - a Avenida António Augusto de Aguiar, também em Lisboa -, "o mesmo homem já estava à espera". "Parecia embriagado e agrediu-me na cabeça e na cara. A mulher ainda tentou evitar (...), mas ele tirou a chave da ignição e deu-me murros", prosseguiu Nuno Fonseca, acusando ainda Celso Roberto de ter dado pontapés no carro.

 

O caso estará agora entregue às autoridades.

 

Além de ator - antes de A Única Mulher, integrou o elenco de Windeck e Jikulumessu, ambas emitidas pela RTP1 -, Celso Roberto é também DJ e modelo.

Jurista Albano Pedro diz que activistas não são autores do "Governo de Salvação Nacional"

Luanda - O jurista Albano Pedro depôs nesta Segunda-feira, 8,como declarante na retomada do julgamento dos 17 activistas angolanos acusados de rebelião e de prepararem um golpe de Estado.

*Coque Mukuta
Fonte: VOA

Ele pretendia apenas lançar um debate sobre personalidades capazes de gerir o país

Pedro foi convocado por ter tido a iniciativa de publicar uma lista denominada de Governo de Salvação Nacional que o Ministério Público está a usar na acusação contra os activistas.


Albano Pedro disse à VOA que a ideia de lançar um debate nas redes sociais sobre individualidades que poderiam integrar um Governo de Salvação visava apenas saber se Angola tem ou não alternativas para governar o país.

 

“Foi-me colocada a questão qual era a minha intenção ao lançar o debate e eu disse que era fazer uma sondagem e saber até que ponto é que há políticos de referência e como se viu na lista apareceram pessoas idóneas, o que mim significou que o objectivo foi atingido”, explicou.

 

Pedro disse ter deixado claro ao tribunal que a lista não foi iniciativa dos 17 jovens que estão a ser julgados.

 

Apesar do feriado do Carnaval, o julgamento continua amanhã, segundo o juiz.

 

GOVERNO DE SALVAÇÃO NACIONAL: A BRINCADEIRA QUE FICOU SÉRIA !

 

Acabei de prestar o meu depoimento como declarante do processo n.º142/15-A, conhecido como o processo dos 15+2 depois de permanecer nas instalações do tribunal por cerca de 5 horas a espera de ser chamado à Sala de Audiência do Tribunal. Maria Luísa Rogério, Vladimiro Russo, Mihaela Webba e eu (Albano Pedro) fomos as únicas presenças do primeiro dia marcado (08/02/2016). Apesar de ter sido mal notificado ( o que me levaria a não comparecer em tribunal) me predispus a tudo fazer para colaborar com a celeridade do processo, uma vez que se alega que os declarantes ausentes estão a atrasar o julgamento. Ficou esclarecido que a lista do GOVERNO DE SALVAÇÃO NACIONAL constante do processo é semelhante a uma das listas formadas ao longo do debate no meu perfil do facebook. O debate teve a participação de vários internautas que forneceram nomes e compuseram as listas (cerca de três listas).

Portanto a lista que consta do processo crime não é nem da autoria exclusiva dos réus (15+2) e nem minha. Surgiu da contribuição de vários interessados alguns dos quais estão detidos e a maioria dos quais não conheço e nem foram notificados a comparecer em tribunal. Estranha que uma das listas com uma maioria de membros do partido no poder não tenha sido levada em consideração e os seus autores ou os seus integrantes não tenham sido chamados a depor. De qualquer modo, a maioria dos nomes propostos pelos diferentes participantes não teve participação directa no debate. Aquilo que foi uma intenção académica de avaliar se os angolanos têm referências politicas (uma reserva moral de indivíduos que podem servir a pátria em caso de crise política) que seria parte de um artigo de análise política que estava a preparar para publicar, acabou sendo interpretada como elemento de um crime.

Felizmente o Ministério Público e o Tribunal ficaram mais esclarecidos sobre a situação. Com essa situação até perdi o gosto de publicar o artigo. Vamos esperar o fim do julgamento a ver no que vai dar. Para os meus detractores que se precipitaram em condenar-me sem provas ventilando suposições e falsidades de intriguistas acusando-me de uma autoria sem nexo aqui fica o meu desprezo. Agradeço muito sinceramente aqueles que sempre acreditaram na minha verticalidade e honestidade pela forma como enfrento a realidade política angolana. O meu abraço!

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