Sociedade

Huambo: Bens dos cidadãos com dívida no BUE podem ser penhorados

Huambo - O delegado da Justiça e dos Direitos Humanos na província do Huambo, Ernesto Estêvão Pedro, disse esta quarta-feira, 06 de Maio, nesta cidade, que o Estado vai responsabilizar criminalmente os cidadãos com dívida no Balcão Único do Empreendedor (BUE), através da penhora dos seus bens.

Fonte: Angop
“Quem ainda não reembolsou o financiamento e tenha comprado uma moagem, motorizada, secadores para salão de beleza ou, até mesmo, adquiriu viatura ou residência com dinheiro recebido no BUE, deve saber que estes bens serão confiscados pelo Estado, por ser uma acção de expropriação judicial”, declarou o responsável.

Ernesto Estevão Pedro exigiu que os empreendedores financiados pelo BUE comecem rapidamente a amortizar a dívida, depositando ao banco, mensalmente, 12 mil kwanzas, conforme acordado em contrato celebrado entre as partes.

Realçou que o banco tem mecanismos próprios de execução judicial e da penhora dos bens de todos os cidadãos que beneficiaram do dinheiro do Estado, concedido pelo BUE através das instituições financeiras.

"Não se esqueçam que, no momento da assinatura dos contratos, vocês deixaram diversos documentos de identificação pessoal, sobretudo o Bilhete de Identidade, fotografia e locais de residência actualizados", alertou.

O Balcão Único do Empreendedor, nos termos do Decreto Presidencial 40/12, de 13 de Março, é um sistema que o Estado encontrou para facilitar a constituição de empresas em nome legal, pelo facto de existirem muitos cidadãos no mercado informal a exercerem trabalhos de prestação de serviço sem prévia legalização.

De 2012 a 2013 esta instituição disponibilizou a 1.680 micro-empreendedores um bilião, 86 milhões, 556 mil, 24 kwanzas e 21 cêntimos, que ainda não foram reembolsados.

Protesto dos estudantes obriga direcção do IMETRO a rever os preços das propinas

Luanda – Para conter a onda de protestos protagonizados pelos seus estudantes, a direcção do Instituto Superior Politécnico Metropolitano de Angola (IMETRO) garante, em comunicado (ver mais adiante), que vai repor, para o ano escolar de 2015, “o preçário observado no transacto ano de 2014 denominado em kwanzas”, em respeito ao Despacho 88/15 de Ministério do Ensino Superior, que continua a ser desrespeitado pelas instituições de ensino superior de Angola.

Fonte: Club-k.net
Nesta segunda-feira, 04 de Maio, os estudantes do IMETRO previam realizar uma manifestação a fim de protestar contra a subida “vertiginosa” dos preços das propinas. No comunicado, a direcção do IMETRO considerou que a acção dos seus estudantes “é uma manobras perpetradas por indivíduos rotulados de estudantes, pretendendo no espaço académico desenvolver um activismo político, com propósito de estimular o vandalismo, a desobediência civi (…)l”.

Sabe-se que, no principio deste ano, o IMETRO alterou as mensalidades dos cursos ligados aos departamentos de Ciências Económicas e Gestão bem como no de Ciências Humanas, Educação e Artes de 24 mil e 800 kwanzas para 26 mil e 145 kwanzas. Ao passo que os cursos adjacentes ao departamento de Ciências Tecnológicas e Engenharia registaram um incremento de quatro mil kwanzas.

Os estudantes que ainda não defenderam a sua monografia passaram a pagar o dobro do valor que era cobrado no ano passado (2014), ou seja, saíram de 100 mil kwanzas para 200 mil kwanzas.

As folhas de provas passaram de 25 para 30 kwanzas, o valor das declarações com e sem notas registaram um aumento de 225 kwanzas. a primeira saiu de 5 mil kwanzas para 5 mil e 225 e a segunda de mil para 1225 kwanzas.

CASOS SEMELHANTES

Dentre vários instituições do ensino superior que continuam a ignorar, ou melhor, desrespeitar o Despacho do Ministério do Ensino Superior, destacam-se as universidades Óscar Ribas, Metodista, Independente de Angola.

AADIC RECOMENDA A DENUNCIA DE PRÁTICAS ABUSIVAS

Por este motivo, a Associação Angolana dos Direitos do Consumidor (AADIC) – através de um comunicado de imprensa, enviada a redacção deste portal noticioso – recomenda aos estudantes e encarregados de educação a denunciarem, de imediato, as instituições que por livre e espontâneo vontade, decidiram ignorar o Despacho 88/15 do Ministério do Ensino Superior, no sentido de repor a legalidade.

A AADIC reforça ainda aos fornecedores (universidades e institutos) que aumentaram “ao seu bel-prazer” os valores das propinas, que devem de imediato resolver este impasse com os seus discentes (consumidores), realçando que “o incumprimento desta obrigação implicará a abertura de um processo judicial (civil ou penal) contra estas instituições, por violação ao Despacho 88/15.

A nota da AADIC salienta ainda que, as instituições do ensino superior que não devem misturar, ou melhor, comparar o câmbio do mercado formal ao informal, por violarem – abusivamente – os artigos 4º, 9º, 15º da Lei nº15/03 de 22 de Julho (Lei de Defesa do Consumidor), “passando por cima de um direito fundamental consagrado na Constituição, no seu artigo nº 78º”.

Para a elucidação do leitor, o Club K publica na integra o Despacho nº 88/15 do Ministério do Ensino Superior.

Despacho nº88/15m de 6 de Março, do Ministério do Ensino Superior

Considerado que está em curso um estudo sobre o valor das propinas a praticar no Subsistema de Ensino Superior, que deve culminar com a elaboração e aprovação de um diploma legal que vai estabelecer as regras e definição do valor das propinas e emolumentos de praticar nas Instituições de Ensino Superior;

Considerado que, nos termos da legislação vigente no Subsistema de Ensino Superior, nomeadamente o Decreto nº 90/09, de 15 de Dezembro, que alínea i) do nº1 do seu artigo 12º, estipula como uma das atribuições do Executivo a definição do valor das propinas e demais emolumentos das Instituições de Ensino Superior;

Em conformidade com os poderes delegados pelo Presidente da República, nos termos do artigo 137.º da Constituição da República de Angola, e de acordo com o disposto nos nº2 e 4 do artigo 2º do Decreto Presidencial nº 6/10, de 24 de Fevereiro, determino:

1º - As Instituições de Ensino Superior para o Ano Académico 2015 devem ter como propinas e emolumentos os mesmos valores praticados no Ano Académico 2014.

2º - Sem prejuízo do disposto no ponto anterior, são admitidas alterações das propinas e demais emolumentos das Instituições de Ensino Superior, desde que sejam para a redução da sua onerosidade.

3º - O presente Despacho é de cumprimento obrigatório para todas as Instituições de Ensino Superior.

4º - Os serviços competentes do Ministério do Ensino Superior devem velar pelo cumprimento escrupuloso do disposto no presente Despacho.

5º - As dúvidas e omissões resultantes da interpretação e aplicação do presente Despacho são resolvidas pelo Ministro do Ensino Superior.

Publique-se.

Luanda, aos 6 de Fevereiro de 2015.
O Ministro, Adão Gaspar Ferreira do Nascimento

Caso de assassinato a irmã de ex-governador começa a ser julgado

Luanda - No dia 20 de Maio do corrente, o juiz de direito, Eduardo Moises Luacute Samuco, vai julgar na 4º secção da sala dos crimes comuns do Tribunal Provincial de Luanda – três réus, acusados de terem disparado com uma bala incendiária, contra Delia Teresa Joaquim Sebastião Francisco Bento da Silva, irmã mais nova de Bento Joaquim Francisco Bento, ocorrido no dia 13 de Fevereiro de 2014. A mesma viria perder a vida dias depois do assalto que teve lugar na rua António Barroso, localizada no distrito da Maianga, em Luanda. 

Fonte: Club-k.net

Esposo da malograda está entre os suspeitas

Neste caso estão identificados como réus os seguintes cidadãos a saber:

 

  1. Ariclene Guilherme dos Santos detido no dia 6 de Março de 2014, solteiro nascido aos 28 de Agosto de 1995 natural de Luanda, filho de Diógenes Fernandes dos Santos e de Lucrencia Sebastão Guilherme;
  2. Paulo António de Almeida detido no dia 6 de Março de 2014, 19 anos de idade na data dos factos;
  3. Tomás Migochi Gomes detido no dia 8 de Março de 2014, nascido aos 28 de junho de 1993 mecânico de profissão.

Suspeitos 

De acordo com fontes consultadas, está a ser apontado também como maior suspeita, de ter dado a pista aos marginais, o cidadão José Domingos da Silva, até então esposo da falecida. A inclusão o nome do esposo na lista dos suspeitos é por ter sido ele, apenas a única pessoa à quem a esposa tinha informado que devia levantar na altura numa das agências bancárias sede do BPC, o montante de 30 mil dólares, uma vez que o réu Ariclene Guilherme dos Santos, tinha a certeza que a falecida possuia dinheiro na sua pasta, porque um dia antes do crime o mesmo recebeu uma chamada do co-arguido Paulo António da Almeida “Lilas” a lhe informar que tinha uma “patada” para o dia seguinte.

Suspeito em contradição

José Domingos da Silva, o esposo suspeita, apresentava-se em alguns círculos como general da Casa Militar. Quando foi chamado pela DPIC disse que era engenheiro electrónico, e mais tarde afirmou ser um mero empresário o que acresceu a desconfiança, uma vez que só ele sabia que a malograda faria movimentações bancárias de valores elevados.

BP despede 150 trabalhadores em Angola

Luanda - A multinacional BP em Angola anunciou o despedimento de cerca de 150 trabalhadores, dos quais 40 são angolanos. A empresa justifica esta decisão com a extinção dos pontos de trabalho, no quadro de um processo de redução das actividades offshore denominado simplificação e eficiência, que vai até Dezembro deste ano.

*Coque Mukuta
Fonte: VOA

Quarenta trabalhadores angolanos foram notificados pela direcção da empresa BP-Angola do seu despedimento compulsivo, juntamente com 110 trabalhadores expatriados.

A multinacional, que actua no ramo de petróleo e gás, comunicou oficialmente que o despedimento entraria em vigor hoje, 4 de Maio.

Antes, a BP tinha começado a desmobilizar os chamados expatriados.

Um dos trabalhadores angolanos despedidos, que preferiu falar sobre o anonimato por temer represálias, afirma que o Ministério do Trabalho e dos Petróleos deviam monitorar as acções que estão a ser levadas a cabo por aquela multinacional porque, segundo ele, está a proceder de forma injusta.

“A empresa está a forçar os trabalhadores”, acusa.

Segundo a mesma fonte, a empresa justificou as demissões com a extinção dos postos de trabalho em causa, no entanto, a fonte da VOA diz que todos os meses há novas contratações.

Para ele, “podiam usar os trabalhadores que já se encontram na empresa”.

A VOA contactou o Gabinete de Comunicação e Imagem da BP, a British Petreoleum, mas não obteve qualquer resposta.

"Pacote Legislativo da Comunicação Social" desapareceu da agenda governamental, diz SJA

Declaração do SJA sobre o 3 de Maio Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

Luanda - Por ocasião da passagem de mais um Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o SJA saúda todos os jornalistas e os seus órgãos pela jornada que, uma vez mais nos remete para uma profunda reflexão.

Fonte: Club-k.net

No ano em que Angola comemora o quadragésimo aniversário da sua independência o panorama mediático nacional continua a registar factos preocupantes que afectam gravemente o quadro geral da Liberdade de Imprensa no nosso país.

Se olharmos para a Declaração de Windhoek, proclamada em 1991 numa Conferência da UNESCO, que está na origem da comemoração do 3 de Maio, por decisão da Assembleia Geral da ONU um ano depois, constatamos que ainda não se pode falar de independência plena em relação aos poderes políticos, económicos e religiosos.

A existência do monopólio estatal e de emergentes oligopólios, estes últimos reflectidos na concentração da propriedade dos meios de comunicação social em entidades detentoras de poder económico que, cada vez se confunde mais com o político, contribui para degradar o grau de Liberdade de Imprensa, uma vez que o pluralismo transmitido pelo aumento dos meios em circulação não se reflecte de forma proporcional na diversidade editorial dos projectos.

O SJA constata indícios preocupantes de retrocessos em termos de liberdade de expressão e de outros direitos conexos ao exercício da actividade jornalística.

A dificuldade do acesso às fontes de informação, sobretudo públicas, o que gera especulações e divulgação de notícias sem o devido rigor e observância do contraditório, concorre para abalar a nossa já debilitada liberdade de imprensa.

De igual modo, continua em agenda a garantia de melhores condições laborais e salariais dos jornalistas.

Nesse contexto, o SJA lamenta a existência de atrasos salariais de mais de três meses em órgãos de comunicação social tutelados pela mesma entidade patronal.

Lamenta igualmente a existência de evidências de interferências directas de representantes do patronato nos conteúdos de alguns meios de comunicação social, sugerindo um quadro de censura prévia.

Por ocasião desta data, o Sindicato dos Jornalistas Angolano não pode deixar de deplorar o facto de até agora o "Pacote Legislativo da Comunicação Social" objecto de consulta pública em Maio/Junho de 2011 ter praticamente desaparecido da agenda governamental.

Este pacote que foi apresentado sob o lema "Por Uma Comunicação Social Plural, Isenta e Responsável", integra os projectos de Lei sobre o Conselho Nacional de Comunicação Social (CNCS), Estatuto do Jornalista, Radiodifusão, Exercício da Televisão e Publicidade.

Com efeito a novidade é que não há qualquer informação mais oficial sobre os planos do Executivo neste domínio, para além de vagas e ambíguas referências ao assunto, sem nenhum compromisso mais sério com algum cronograma, o que leva a entender que o mesmo terá deixado, por razões desconhecidas, de fazer parte das suas prioridades.

Sendo o modelo de gestão da comunicação social angolana na vertente da actividade jornalística estruturado com base nos princípios da regulação e da auto-regulação, o SJA não consegue entender as razões que levam que até ao momento a aprovação da legislação concernente tenha sido atirada para as calendas.

Neste quadro, importa destacar o Projecto de Lei sobre o Conselho Nacional de Comunicação Social e o do Decreto sobre o Estatuto do Jornalista, que dão corpo as duas estruturas que têm exactamente a função de garantir a existência de uma comunicação social plural, isenta e responsável.

A declaração da ONU que assinala este ano o 3 de Maio, refere que "o jornalismo de qualidade permite que os cidadãos tomem decisões conscientes sobre o desenvolvimento de sua sociedade. Ele também permite expor a injustiça, a corrupção e o abuso de poder".

Fazendo nosso o lema da Jornada Mundial da Liberdade de Imprensa 2015 que é "Deixem o Jornalismo Prosperar", o SJA não tem qualquer dúvida em concluir que Angola hoje teria, certamente, um jornalismo mais profissional e muito mais a altura das expectativas da sociedade, se o novo modelo do Conselho Nacional de Comunicação Social já tivesse sido adoptado e implementado em simultâneo com a criação da Comissão da Carteira e Ética.

O Sindicato não entende também que entre algumas das vozes mais críticas sobre o desempenho dos médias e dos jornalistas angolanos estejam exactamente as pessoas que mais responsabilidades têm com a actual situação de bloqueio em que se encontra o já referido pacote legislativo.

As Nações Unidas defendem e muito bem que o jornalismo só será capaz de prosperar "num ambiente favorável em que os jornalistas possam trabalhar de forma independente e sem interferência indevida, bem como em condições de segurança."

O SJA que está perfeitamente alinhado com a letra e o espírito da abordagem deste ano constante da Declaração das Nações Unidas, reitera a necessidade de se garantir efectivamente a segurança dos jornalistas, com a multiplicação de acções tendentes a reforçar o combate contra a impunidade dos crimes praticados contra os profissionais da imprensa.

Apesar de no último ano o SJA não ter constatado mortes ou outras situação que tivessem lesado fisicamente os jornalistas, a questão da segurança no exercício da sua actividade profissional continua a colocar-se com o registo de ameaças veladas e abertas, tendo como pano de fundo um clima de grande pressão psicológica que não é possível ignorar.

 

Luanda, 03 de Maio de 2015

A Secretária Geral

Luísa Rogério

Jornalista diz que em Angola "simula-se liberdade de expressão”

Luanda - Dias depois de a organização não-governamental Freedom House ter divulgado o seu relatório sobre a liberdade de imprensa no mundo de 2015, em que Angola aparece no grupo dos países não livres, o Sindicado dos Jornalistas Angolanos vem agora reforçar que a actividade dos profissionais da comunicação está em perigo. Os jornalistas falam de perseguição e coacção por criticarem o Governo.

Fonte: VOA

A secretária-executiva do Sindicado dos Jornalistas Angolanos Luísa Rogério começa por lembrar que “com a privatização dos jornais, com o monopólio e o oligopólio, a liberdade de imprensa corre um grande risco em Angola"

Rogério lamentou igualmente a falta de condições e de salários condignos de que padecem a grande maioria dos jornalistas.

"Grande parte dos jornalistas da imprensa privada vai apenas sobrevivendo, os salários são uma miséria, as próprias instituições de defesa dos jornalistas trabalham em regime de sobrevivência porque não recebem qualquer incentivo do Estado", revela Rogério.

O jornalista Félix Miranda considera que o Estado deu alguns passos, mas lamenta o facto dos profissionais que criticam o Governo serem ainda vítimas de perseguição e de coacção do Executivo.

"Simula-se liberdade de expressão porque as pessoas ainda são perseguidas, coagidas com processos judiciais na DNIC por emitirem opiniões contrárias às do Executivo, que detém os instrumentos de repressão judicial e policial", acusa Miranda.

Entretanto, num comunicado divulgado pela Angop, o Governo reitera que o direito de exercer jornalismo em Angola está salvaguardado e vai continuar a trabalhar para garantir que o jornalismo seja exercido com segurança e justiça, do mesmo modo que diz condenar acções que coloquem em perigo a profissão e a vida dos jornalistas.

Mel Gamboa propõe desobediência civil passiva…

Luanda - Confrontada com a subida repentina do preço dos derivados do hidrocarboneto, a actriz acima expressa, manifestou o seu ponto de vista sobre a situação do país e propõe que em nome da cidadania, da dignidade humana e dos nossos direitos, devemos reagir. Ela propõe que todos permaneçam em casa sem fazer absolutamente nada, para que possamos bloquear o funcionamento das instituições à fim das autoridades hegemónicas mudarem a forma de proceder.

Fonte: Observatório
Em seguida, propomos a leitura do texto “ipsis litteris” (tal e qual, à letra…), que a redacção do Observatório extraiu da página do facebook de Mel:

Neste momento estou de cama com gripe e febre tifóide. Chamam-me de rica mas para pagar a renda, alimentação, comunicação e combustível (que só sobe) tenho 4 empregos. Quando estou mal de saúde por cada consulta, análise e medicação eu fico com o coração na mão. Mas tenho noção que tenho melhores condições que muita gente nessa terra. Muita mesmo.

Os meus familiares e amigos reclamam porque não me vêm, porque estou sempre ocupada. Com tanta ocupação intercalo entre trabalhar que nem uma condenada e perder a saúde por isso. Mas isso me torna melhor que os outros? Simplesmente não.

Sou só mais uma escrava do sistema!

Para piorar tenho sonhos, sonhos grandes e eles estão em Angola e por Angola. Parte dos meus salários são para sustentar esses sonhos e no meio disso tudo ajudar quem precisa.

Insinuam constantemente que pelo meu aspecto físico eu “só estou assim porque quero”, pois bem prostituição é uma coisa que não quero para mim. Bajular também não é a minha cena. Ensinaram-me a pensar e é a pensar que quero ganhar a minha vida.

Muitos jovens estão como eu, a ralar, a dar no duro, mas tanto corremos e nunca saímos do mesmo lugar e parece que as coisas só pioram.

Partilho isso porque nesse momento estou a morrer de vergonha alheia.

Vergonha dos meus conterrâneos que têm uma vida de MERDA mas até de não fazer absolutamente NADA, têm MEDO.

Até de simplesmente PARAR porque sabemos que se estão a cagar para nós como povo, porque com eleições ou sem elas vamos continuar a levar com areia nos olhos.

Eu já afirmei várias vezes que não pertenço a nenhum partido político (e já fui ameaçada por um coronel por dizer isso), quem me conhece sabe que os meus discursos sempre são em prol de um colectivo social pró activo, mas até de sermos pró activos somos empatados ou impedidos; daí que: por favor vamos separar as coisas. Quem precisa de comer ao almoço e ao jantar na segunda-feira por favor pense no seu estômago. Estou a falar de quem ganha ao dia. Quem quiser parar vai garantir que se houver mudanças, as mesmas beneficiem também a quem pensou em si e nos seus filhos unicamente.
Ver pela terceira vez seguida os combustíveis a subir e que nem cordeiros enchermos as bombas antes da meia-noite sem reclamar, como se os depósitos fossem infinitos, só demonstrou a nossa passividade como conjunto.

Estudar é importante? Claro que sim. O dia 4 de Maio não impedirá ninguém de pagar as propinas no final do mês. Se não pagarem transporte público ou combustível no dia 4 de Maio irão pagar no resto dos dias. E se mais ninguém PARAR no dia 4 de Maio A mensagem é óbvia: temos o governo que merecemos!

Enfim. A desesperança é tanta, alimentada por tanta covardia colectiva que só me apetece dizer: febre tifóide me leva. Me leva de vez e se for para nascer de novo que não seja mais na porcaria desse planeta.

SINSE desmente Laborinho: Kalupeteca nunca foi militar da UNITA

Luanda - A biografia do chefe da seita “A Luz do Mundo” nos serviços secretos angolanos diz que “a sua vida esteve sempre dedicada a agricultura e actividade religiosa na sua terra natal”. Por outro lado, foi sempre conflituoso, adúltero, com tendências extremistas e não aceitava as leis do Estado.

Fonte: O País
Os serviços secretos angolanos (SINSE) elaboraram um ficheiro com vasta informação sobre José Julino Kalupeteka, homem considerado como “profeta do século XXI” pelos seus seguidores da Igreja do Sétimo Dia A Luz do Mundo. Dentre os documentos há uma biografia (ver caixa) que contraria a informação adiantada pelo secretário de Estado do Interior, Eugénio Laborinho, no Huambo, apontando Kalupeteka como antigo militar da UNITA.

“Hoje mesmo encontramos material de propaganda da UNITA, também sabemos, pelo cadastro, que Kalupeteka foi soldado da UNITA, eis porque nas buscas que se estão a fazer na montanha do Sumi encontrou-se armamento, uma série de objectos contundentes, candjavites e outros meios e armas brancas que serviram para matar os nossos oficiais superiores e também encontramos uma grande reserva logística, não sei por que razão, e muitos documentos que foram canalizados a investigação criminal”. Disse Laborinho aos jornalistas no dia 17 de Abril, dois dias depois do confronto com a Polícia no monte S. Pedro Sumi, de que resultou a morte de nove efectivos policiais e de treze civis alegadamente pertencentes a seita.

Ao caracterizar Kalupeteka, dois parágrafos da biografia no ficheiro do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SINSE) dizem: “Nunca esteve matriculado em alguma escola, apenas teve aulas de alfabetização, ministradas pelo seu primo Henriques Domingos”. No parágrafo seguinte, sobre o envolvimento militar, diz o documento que Kalupeteka “Nunca foi militar, a sua vida esteve sempre dedicada a agricultura e actividade religiosa na sua terra natal”.

O que o documento não refere é como Kalupeteka se viu livre da tropa se na idade de mancebo, em plena guerra, o serviço militar era obrigatório em Angola. Um analista ouvido por O PAÍS alerta para a possibilidade o SINSE estar ainda a trabalhar com vários perfis de kalupeteka, até encontrar um que o defina por completo.

A biografia a que este jornal teve acesso descreve o percurso de José Julino Kalupeteka de 1983 a 2010 e caracteriza-o, no penúltimo parágrafo, como sendo “um cidadão com tendência extremista, pois não respeita as leis do Estado, é conflituoso perante as outras pessoas, sobretudo quando estava ligado a Igreja Adventista do 7º Dia e, para ele, o único Estado é Deus”.

No fim, o documento diz que Kalupeteka “é considerado de bom orador, com forte poder de mobilização, boa capacidade de persuasão e de convencimento, aproveitando, para tal pessoas um pouco desequilibradas do ponto de vista psicológico, resultado de instabilidade social, económica e emocional e, sobretudo, descontentes, referindo-se àquelas que são expulsas da Igreja Adventista do 7º Dia por mau comportamento”.

Biografia de José Kalupeteka

José Julino Kalupeteka, solteiro de 46 anos de idade, filho de Júlio Kamoli e de Teresa Nangassole, nasceu aos 15 de Setembro de 1969, natural da Kayambo, sector do Quilómetro Vinte e Cinco, município da Caála, Província do Huambo, portador do BI nº 005627764HO046, passado pelo arquivo de identificação do Huambo, aos 26/02/12, vive maritalmente com a senhora Feliciana Lúcia Ngundo, com a qual tem oito filhos (nomes propositadamente omitidos).

Nunca esteve matriculado em alguma escola, apenas teve aulas de alfabetização, ministradas pelo seu primo Henriques Domingos. Nunca foi militar, a sua vida esteve sempre dedicada a agricultura e actividade religiosa na sua terra natal.

Em 1983 abandona a aldeia de Cayambo e instala-se na aldeia de Cawayala, no Quilómetro Vinte e Cinco, e tendo em conta os seus dotes musicais, é indicado para exercer as funções de responsável do grupo coral da Igreja Adventista do quilómetro Vinte e cinco.

Desempenhou essas funções até 1986, altura em que começou a portar-se mal, pois, não respeitava os responsáveis da igreja, mormente os pastores Romeu Cinco reis, Tamásio Bongue e Aurélio Nanga, facto que o levou a ser expulso da igreja no Quilómetro Vinte e Cinco.

Em função da influência que este tinha no seio da juventude cristã da Igreja Adventista do 7º Dia, vai para a sede da província, concretamente para o bairro de Capango, onde exerceu as mesmas funções na igreja do Kapango.

O mesmo comportamento de desrespeito aos responsáveis da igreja, associado a actos de adultério, em 1999 abandona a Província do Huambo e fixa-se na Província da Huíla, concretamente no bairro Lalula, na cidade do Lubango.

Na Província da Huila continuou com o seu comportamento e fugiu para a Província do Huambo, onde foi recebido pela direcção da Igreja do 7º Dia do bairro Calomanda.

Tendo em conta o seus carácter agressivo e hostil contra os responsáveis da igreja, para além do seu comportamento adúltero, aos 18 de Fevereiro de 2001 é expulso em definitivo da igreja, tendo como mote a violação dos princípios doutrinais, mormente o envolvimento em actos de adultério, onde envolveu-se com uma jovem do grupo coral, tendo-a engravidado sem assumir a responsabilidade.

A medida tomada pela igreja criou-lhe um espírito de revolta contra os pastores, acusando-os de desvios de fundos, feiticeiros, mentirosos e mobilizava os crentes para não pagamento dos dízimos.

Estas acções eram desenvolvidas através de canções religiosas, cujos conteúdos, apara além de terem o carácter religioso, ofendiam os seus responsáveis. Assim, em 2006 começa com o trabalho de evangelização dos crentes da Igreja Adventista do 7º Dia a partir da Província de Benguela, isto no bairro Calomanga, para desacreditar os seus responsáveis.

No mesmo ano, desloca-se a província do Bié, onde efectuou trabalho idêntico num período de sete dias e regressou para a sede da Província do Huambo, instala-se no bairro Calundo, onde viveu por um período de 19 meses.

Durante o período de permanência na sede do Huambo, prosseguiu com a hostilização dos responsáveis da Igreja Adventista do 7º Dia, acção que já tinha realizado em Benguela e Bié, com sabotagem das suas actividades, promovendo acções no mesmo local onde decorriam as actividades da igreja, simplesmente para criar um ambiente de sabotagem e intriga e sempre que fosse repreendido, partia para a violência em companhia dos seus seguidores.

De 2007 a 2008, dedicou-se em acções de evangelização das populações, cujo alvo preferencial eram crentes que sofriam medidas disciplinares no seio da Igreja Adventista do 7º Dia.

Em 2009 a 2010, desloca-se a Província de Luanda, concretamente no Município de Cacuaco, no bairro da Vidrul, onde deu prosseguimento com a sua actividade de evangelização. Na base da adesão que se registava, foi aconselhado pelo pastor José Silva, a reunir documentos para fundar a sua própria igreja.

Este acatou o conselho do pastor e, segundo o mesmo, reuniu a documentação e fez entrada à Repartição dos Assuntos Sociais do Município do Cacuaco, onde foi atribuído o nome de Igreja Cristã no Sétimo Dia a Luz do Mundo.

Em 2010, regressa a Província do Huambo e instala-se no Quilómetro Vinte e Cinco, onde comprou um terreno na serra do Sumy, para fins agrícolas. Devido a adesão que foi registando nos cultos que realizava na sua residência, este foi obrigado a construir um estábulo no seu terreno localizado na serra do Sumy, que transformou em igreja.

Trata-se de um cidadão com tendência extremista, pois não respeita as leis do Estado, é conflituoso perante as outras pessoas, sobretudo quando estava ligado a Igreja Adventista do 7º Dia e, para ele, o único Estado é Deus.

É considerado bom orador, com forte poder de mobilização, boa capacidade de persuasão e de convencimento, aproveitando, para tal pessoas um pouco desequilibradas do ponto de vista psicológico, resultado de instabilidade social, económica e emocional e, sobretudo, descontentes, referindo- se àquelas que são expulsas da Igreja Adventista do 7º Dia por mau comportamento.

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