Desporto

Presidente do Recreativo da Caála demite-se

Luanda - O presidente de direcção do Recreativo da Caála, Horácio Mosquito, foi suspenso por 30 dias pelo Conselho de Disciplina da Federação Angolana de Futebol (CDFAF) devido a declarações à imprensa há cerca de duas semanas, no Lobito, em que denunciou práticas de corrupção no futebol angolano. Nesta segunda-feira, o mesmo anunciou a sua demissão.

Fonte: Club-k.net

"Comunicado de imprensa"

Assunto: Auto demissão do Cargo de presidente de direção do clube recreativo da Caála.


Horácio Mosquito, até então Presidente de Direção do Clube Recreativo da Caala, na sequência dos acontecimentos da semana finda, designadamente;

Carta de reclamação a FAF como cidadão, com cópia ao Presidente da República, ao Ministro de Estado e Chefe da Casa Civil, ao Ministro da Juventude e Desportos, da minha Participação Criminal a PGR, e finalmente pela suspensão inusitada por um período de 30 dias de que fui alvo pela FAF após 2 semanas das declarações em Benguela.

Venho por esta via comunicar a toda a família caálense, a todos os amantes do desporto rei, e a todos os órgãos de informação em geral de que de forma a não prejudicar o andamento das investigações, no processo sobre a corrupção no futebol Angolano, e não atrapalhar a gestão do dia-a-dia da agremiação desportiva que dirijo, por imperativo de coerência auto demito-me do meu actual cargo de presidente

de direção do clube recreativo da Caála.

Será criada nas próximas horas uma comissão de gestão, da qual farei parte, e a mesma praticará actos de mera gestão até a eleição de um novo presidente.

Desde já aproveito a oportunidade para anunciar que dia 20 de junho de 2015 vai realizar-se uma assembleia geral extraordinária na sede do Clube, cuja agenda terá como base:

1- Relatório final de contas de 2012-2015, e balanço geral desde o ano da subida de divisão até a presente data.

Apresentação dos membros da comissão de gestão.

Anúncio do Projecto "5 em 5", e da data da Inauguração do cinema, e da sala de eventos na sede do Clube.

Lançamento da campanha dos " por 50kz torna-te sócio do crc do teu coração ".

Apresentação do plantei_ para a segunda volta do campeonato nacional de futebol da la divisão.

Por último quero apelar a calma e compreensão de todos pois tudo faremos para dignificar o passado do clube, honrar o presente, e Projectar o futuro, fazendo de tudo para elevar o bom nome do clube, almejando uma segunda volta mais digna, e com uma participação honrosa na taça de angola.

Grato pela atenção dispensada, viva o futebol angolano, viva a verdade desportiva, juntos e unidos seremos sempre mais fortes.

Caála, aos 8 de Junho de 2015.

(Horácio Mosquito)

“Faço parte do benfica e presto todo o apoio ao actual Presidente”, revela Tchizé dos Santos

Lisboa – A antiga Presidente do Benfica de Luanda, Tchizé dos Santos revelou recentemente através das redes sócias que continua ligada a aquele clube contrariando assim, antigas informações de que se teria retirado das lides desportivas por alegadas razões profissionais.

 

 Fonte: Club-k.net

“Contínuo ligada ao nosso glorioso”

“Continuo ligada ao nosso glorioso”, revelou a dirigente desportiva acrescentando que “faço parte do conselho benfiquista e presto todo o apoio ao actual Presidente e demais membros da direção”.

 

Tchizé dos Santos deixou a liderança do Benfica de Luanda no inicio de 2013, tendo sido rendida por Joaquim Sebastião, o actual Presidente. A também deputada angolana tornou-se na altura a única mulher na direcção de um clube em Angola.

 

Três anos antes do seu retiro, da liderança do Clube, ela arrebatou o premio de melhor dirigente desportivo do ano, numa altura em que o Benfica de Luanda alcançou o terceiro lugar no girabola.

 

De realçar que o  futebol é a modalidade de eleição do Sport Luanda e Benfica. O clube tem nas suas fileiras o ciclismo, hóquei em patins. A direcção do clube dedica-se na criação de condições para a abertura do departamento de formação de talentos.

Horácio Mosquito suspenso pela FAF

Luanda - Horácio Mosquito, presidente de direcção do Recreativo da Caála, foi suspenso por 30 dias pelo Conselho de Disciplina da Federação Angolana de Futebol (CDFAF) devido a declarações à imprensa há cerca de duas semanas, no Lobito, após o desafio com a Académica local, no estádio do Buraco, a contar para a 14ª jornada do Girabola.

 

Fonte: JA

O comunicado oficial da Federação Angolana de Futebol (FAF) refere que Horácio Mosquito já foi notificado pelo Conselho de Disciplina da FAF para responder a processo disciplinar.

 

No estádio do Buraco, a Caála perdeu com os “estudantes” do Lobito, por 0-1.

 

Horácio Mosquito promoveu na terça-feira uma conferência de imprensa , em Luanda, durante a qual denunciou alegados “actos de corrupção no futebol nacional”.

 

O Conselho de Disciplina também notificou pelo mesmo motivo o técnico Ivo Traça, do Desportivo da Huíla, que criticou a arbitragem da partida que opôs a sua equipa à do Progresso da Lunda Sul, no Estádio Municipal das Mangueiras, em Saurimo.

 

As duas equipas empataram a duas bolas após uma vantagem de 2-0 dos militares da Região Sul.

 

O Recreativo da Caála ocupa a 16ª e última posição da tabela classificativa do Girabola, com 12 pontos. O Desportivo da Huíla tem 17.

Pedro Neto exige “postura” a Horácio Mosquito

Luanda - O presidente da Federação Angolana de Futebol, Pedro Neto, lembrou ao presidente do Clube Recreativo da Caála, Horácio Mosquito, que deve ter uma postura enquanto dirigente desportivo.

*Sedrick de Carvalho
Fonte: OGolo

A exigência do representante máximo da FAF surge na sequência das denúncias de Horácio Mosquito feitas ontem, onde confirmou as suspeitas de existência de corrupção no Girabola e apontou o órgão reitor do futebol nacional como estando envolvido no esquema criminoso.

 

Na sequência, Pedro Neto reconheceu o direito de Horácio Mosquito, “enquanto cidadão, fazer os pronunciamentos que fez”, mas realçou que tal comportamento será analisado cuidadosamente “em fórum próprio enquanto agente desportivo”.

 

O número um da FAF minimizou a denúncia de Horácio Mosquito sobre a corrupção, alegando que “não se disse nada de novo”. Segundo Pedro Neto, “todos nós nos temos pronunciado [sobre a corrupção], porque é preciso sanar esse fenómeno do nosso desporto”.

 

Ministro apela serenidade na análise das denúncias de Mosquito

Luanda - O ministro da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba, afirmou que diante das denúncias do presidente do Recreativo da Caála e que preocupam o país deve haver serenidade de toda família de futebol e isntou a Federação da modalidade para despoletar o mecanismos legais e estatutários necessários para apuramento dos factos.

Fonte: Angop

De acordo com a nota de imprensa assinada pelo titular dos Desportos em Angola, sublinha-se que as declarações de Horácio Mosquito na terça-feira sobre as irregularidades que ocorrem no Campeonato Nacional de Futebol, também denominado por Girabola, têm de ser apurados e depois responsabilizar criminal e/ou disciplinarmente os prevaricadores.

 

"Estas denúncias ocorrem numa ocasião em que a família do futebol se encontra engajada na preparação da Conferência Nacional do Futebol, a realizar-se nos próximos dias 25, 26 e 27 de Junho, cujos objectivos são, de entre outros, a elaboração do Plano Nacional de Desenvolvimento do Futebol, Plano esse que deve conduzir a modalidade a alcançar melhores resultados a todos os níveis", ressalta o documento.

 

Gonçalves Muandumba refere igualmente que a realização deste evento é antecedida de encontros de auscultação dos adeptos, atletas, dirigentes, árbitros, jornalistas desportivos e outros, criando-se assim oportunidades para apresentação e discussão dos problemas existentes no futebol, em todas as suas dimensões.

 

Terça-feira Horácio Mosquito denunciou à imprensa a existências de corrupção no futebol angolano, assegurando ter já enviado documento com respectivos nomes dos acusados junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) e outras instituições, indicando que fazem parte da lista alguns dirigentes desportivos, árbitros, comissários aos jogos, atletas, treinadores, jornalistas e membros da Federação Angolana de Futebol (FAF).

Secretário-geral da FIFA terá transferido 10 milhões de dólares para vice de Blatter

New York - O “The New York Times” diz que Jérôme Valcke é o alto responsável da FIFA não identificado que em 2008, segundo os procuradores dos EUA, transferiu a verba para Jack Warner, então vice-presidente do organismo, agora acusado de suborno para ajudar a África do Sul a ganhar a Mundial de 2010.


Fonte: Lusa

O secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, fez transferências bancárias no valor de 10 milhões de dólares (9,12 milhões de euros ao câmbio atual) para contas controladas por Jack Warner, um dos implicados no escândalo de corrupção do organismo que tutela o futebol mundial, noticiou esta segunda-feira o “The New York Times”.


Citando autoridades federais ligadas ao processo que corre nos Estados Unidos, o jornal diz que estas transferências, efetuadas em 2008, são um elemento-chave na investigação sobre corrupção que abala o organismo máximo do futebol, liderado pelo suíço Joseph Blatter, de quem Valcke é o braço-direito.


O “The New York Times” diz que Jérôme Valcke é o alto responsável da FIFA não identificado que em 2008, segundo os procuradores, transferiu 10 milhões de dólares para Jack Warner, acusado de ter recebido um suborno para ajudar a África do Sul a ganhar a organização do Campeonato do Mundo de 2010.


No entanto, o documento que indicia nove dirigentes ou ex-dirigentes da FIFA e cinco parceiros do organismo não diz que o alto responsável sabia qual o destino do dinheiro. Ao contrário dos outros envolvidos, Valcke não é acusado de associação criminosa.


No passado domingo, o presidente da federação da África do Sul, Danny Jordaan, diretor-executivo da candidatura sul-africana em 2008, disse que o dinheiro transferido a partir da FIFA não era um suborno mas sim um legítimo pagamento ao fundo de desenvolvimento do futebol nas Caraíbas.


Jack Warner era então vice-presidente da FIFA e presidente da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caraíbas (CONCACAF), cargos dos quais foi suspenso em 2011 por suspeitas de corrupção do processo eleitoral que haveria de conduzir Joseph Blatter ao seu quarto mandato na presidência da FIFA. 
 

O dirigente de Trindade e Tobago, uma das 15 pessoas que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusa de associação criminosa e corrupção, esteve detido 24 horas após se ter apresentado voluntariamente na quarta-feira da semana passada nos serviços antifraude da polícia local. Acabou libertado mediante pagamento de uma caução de cerca de 400 mil dólares, enquanto aguarda decisão sobre o pedido de extradição feito pelas autoridades norte-americanas.


Entre os acusados estão dois vice-presidentes da FIFA, o uruguaio Eugenio Figueredo e Jeffrey Webb, das Ilhas Caimão, que é atual presidente da CONCACAF, assim como o paraguaio Nicolás Leoz, ex-presidente da Confederação da América do Sul (Conmebol).


Dos restantes dirigentes indiciados, além de Warner, fazem parte o brasileiro José María Marín, membro do comité da FIFA para os Jogos Olímpicos Rio-2016, o costarriquenho Eduardo Li, o nicaraguense Júlio Rocha, o venezuelano Rafael Esquivel e Costas Takkas, das Ilhas Caimão.


A acusação foi conhecida na passada quarta-feira, depois de o Ministério da Justiça e a polícia da Suíça terem detido Webb, Li, Rocha, Takkas, Figueredo, Esquivel e Marin num hotel de Zurique, a dois dias das eleições para a presidência da FIFA, que foram ganhas de novo por Joseph Blatter, eleito para um quinto mandato.

Presidente do Recreativo da Cáala denúncia casos de corrupção no Girabola

Luanda - O Presidente do Clube Recreativo da Cáala do Huambo, Horácio Mosquito, denunciou a existência de actos de corrupção no campeonato nacional de futebol da I divisão, Girabola, assegurando ter já enviado documento com respectivos nomes dos acusados junto da Procuradoria-geral da República (PGR) e outras instituições. Em conferência de imprensa realizada terça-feira, em Luanda, disse possuir provas suficientes que ditam a existência deste fenómeno que periga a modalidade no país.

Fonte: Angop

Horácio Mosquito indicou que fazem parte da lista, alguns dirigentes desportivos, árbitros, comissários aos jogos, atletas, treinadores, jornalistas e membros da Federação Angolana de Futebol (FAF).

 

Informou que face a esta pratica, certos clubes beneficiaram na conquista do maior troféu da competição (Girabola) e tantos outros evitaram a despromoção. Desta forma, considerou que a sua equipa tem sido prejudicada pelo facto de não aderir a falsa promoção em troca de valores ou de apartamentos.

 

Questionado pelos jornalistas para citar nomes, Horácio Mosquito disse não haver necessidade, por facto de ter já endereçado documentos onde constam os presumíveis elementos junto à Casa Civil da Presidência da República, Federação Angolana de futebol (FAF), Ministério da Juventude e Desportos e a PGR.

 

No campeonato nacional de futebol da I divisão, Girabola2015, a equipa do Recreativo da Caála ocupa a 16ª e última posição com 12 pontos.

"Não me sinto reconhecido pelo Estado angolano" - antigo futebolista Ndunguidi

Luanda - O antigo extremo direito do 1º de Agosto e da selecção de futebol Ndunguidi Daniel (ND) fala, em entrevista à Angop, sobre o nível de desenvolvimento da modalidade ao longo dos 40 anos de Independência Nacional, alcançada em 11 de Novembro de 1975, e aponta as infra-estruturas como o principal ganho.

Fonte: Angop
Qual é o estado do futebol 40 anos após a independência nacional?
O futebol evoluiu muito ao longo dos 40 anos de independência no aspecto das infra-estruturas, condições de trabalho e não há comparação possível com o tempo anterior. Hoje, os atletas têm condições excelentes para a prática do futebol, uns já são bem remunerados – praticamente são profissionais, enquanto antes o futebol era amador – não havia nada de remuneração. Actualmente os atletas têm condições para praticar o futebol e no futuro não terão problemas sociais.

Está a dizer que os atletas do seu tempo passam por problemas sociais?
Sim, boa parte. Porque no meu tempo jogávamos mais por amor à camisola, por amor à pátria.

Falou em infra-estruturas, quer pormenorizar?
Hoje, fruto do CAN2010, temos quatro estádios excelentes. Os clubes estão a construir centros de treinamento para os seus atletas. O 1º de Agosto tem uma academia e existe ainda a Academia de Futebol de Angola (AFA).

Então o futebol evoluiu nestes 40 anos de independência?
Acho que neste aspecto evoluiu muito. Deu um salto qualitativo. Agora em termos de futebol é que continuamos a não ter ainda aquela qualidade desejável.

Porque?
Está à vista de todo mundo - o futebol angolano não tem craques (estrelas). O futebol espanhol e inglês são atractivos porquê? Porque existem estrelas. O futebol hoje é um espectáculo e quem proporciona o espectáculo são os atletas.

Os estádios em Angola têm estado vazios por falta de estrelas?
Isto está à vista de todo mundo.

O que falta para o surgimento de estrelas no futebol nacional?
Temos que formar uma nova geração, dar outra qualidade aos nossos jogadores e estabelecer o biótipo de atletas que queremos para o futuro. Temos que definir qual é o futebol que nós queremos para o nosso país. O futebol de Angola não é peixe nem é carne. Não está definido. Eu vejo o futebol do Congo, da RD Congo, do Ghana, da Nigéria e sabe-se logo. Antes, o nosso futebol tinha uma definição. Era um futebol técnico, um futebol espectáculo.

Até que ponto a vinda de treinadores, naquela altura, de países como a Bulgária, ex-Checoslováquia, ex-Jugoslávia e depois o Brasil influenciou no biótipo do futebol angolano a que se refere?
Por exemplo, no 1º de Agosto, a nossa escola era a jugoslava. O futebol no 1º de Agosto foi sempre caracterizado, até aos anos 90, pela escola jugoslava, por técnicos jugoslavos, onde a força é aliada à técnica e tivemos frutos. No Petro era o futebol brasileiro.

Quando se fala em biótipo trata-se já de uma questão de política desportiva do país?
Exactamente. O país tem de definir políticas desportivas não só para o futebol, mas para o desporto em geral. Há países que são conhecidos no mundo por causa do desporto, como o Brasil actualmente por causa do Neimar, a Argentina por causa do Messi. Os maiores embaixadores, os maiores diplomatas no mundo são os desportistas. Eles é que fazem a maior propaganda dos respectivos países, mesmo não sendo diplomatas de carreira. Angola tem que embalar neste século XXI.

Permita-me que retroceda para o início da entrevista, onde falou da evolução das infra-estruturas, fundamentalmente após o CAN2010 que Angola albergou. Como encara a gestão destes imóveis?
Aí já é outro departamento. Acho que estes estádios deviam ser entregues a gestores profissionais ou a empresas privadas, porque o Estado angolano tem outras preocupações.

Fale mais sobre as escolas de futebol em Angola...
Temos que inundar o país com escolas de futebol. Actualmente só temos três escolas com boas condições: a do 1º de Agosto, da AFA e a do Petro Atlético de Luanda, num país com 18 províncias. A Alemanha, que é um país territorialmente inferior a Angola, tem 25 centros de treinamento especiais só para o futebol jovem. Por isso, deram espectáculo no recente mundial, disputado no Brasil.

Além das escolas citadas, existem outras como a Norberto de Castro, Joka Sport...
De facto, omiti estas, mas continuam sendo poucas num universo de 18 províncias. Considero muito poucas. O Estado tem que investir no desporto se quiser que a sua bandeira seja elevada ao mais alto nível. Os investimentos no desporto são muito fracos.

Apenas para deixar bem claro. No seu ponto de vista, o futebol evoluiu muito ao longo dos 40 anos de independência apenas em termos de infra-estruturas?
Sim, em termos de infra-estruturas a evolução está à vista de todo o mundo. Mas agora no futebol praticado, aí já não houve evolução. Sem medo de errar, o nosso futebol não tem qualidade nenhuma. Temos de ter a coragem de dizer isso e investirmos na formação, porque o nosso futebol decresceu, fundamentalmente depois da última geração de jogadores como Akwá e Mantorras.
Primeiro formar o jovem como homem na sociedade, depois como futebolista e em seguida fazer a gestão dos investimentos que forem feitos. O futebol hoje é táctico e o futebolista deve ter capacidade intelectual para assimilar as orientações do treinador. Angola tem 24 milhões de habitantes, não é difícil pegar em 60 jovens com 10 anos e acompanhá-los até 2022. Os maiores países no mundo em termos de futebol fazem isso. A Alemanha para ganhar agora o mundial do Brasil2014 começou a preparar a equipa depois do de 2006. Muitos destes atletas agora campeões do mundo eram sub-14 e sub-15.

O desporto escolar seria um caminho?
Exactamente. Eu venho do desporto escolar, tal como a maioria dos craques deste país.

Actualmente existe desporto escolar, como tal, em Angola?
Que eu saiba não existe.

Esta questão do desporto escolar passa muito pela valorização do professor de educação física?
Exactamente. A disciplina de educação física deve ser mais valorizada. Eu sou do tempo em que se podia reprovar se não tivesse boa nota em Educação Física. A disciplina é importante para desenvolver as capacidades motoras do estudante.

Qual é a importância dos centros de treinamento?
Isto é fundamental, porque há jovens que ainda praticam futebol em campos pelados nos campeonatos juvenis e juniores. Acho que, assim como se proibiu nos seniores jogar em campos pelados, se devia exigir o mesmo aos escalões de formação.

E sobre os talentos?
O talento natural existe. Agora é importante saber como estão a ser formados, como está a ser transmitido aos jovens o ABC do futebol para que eles possam desenvolver as qualidades natas.

Não depende também da formação e valorização do próprio treinador? Os melhores estão no futebol de alto rendimento, não é assim?
E de quem é a culpa? Dos dirigentes. Agora, no nosso Girabola2015, dos 16 treinadores 11 são estrangeiros, o que é uma vergonha. Existem equipas que contratam treinadores estrangeiros para não descerem de divisão. Agora eu pergunto como fica o treinador nacional? Há um preconceito em relação ao nacional. Mas, na verdade, o treinador estrangeiro de qualidade não vem para Angola e nem para África. Existem 11 treinadores estrangeiros no Girabola, mas a qualidade da competição não melhorou.
Dizem que sou muito crítico, mas devemos fazer críticas construtivas para melhorarmos.Portugal também tinha esta política, mas hoje o campeonato português tem 18 clubes e só um treinador é estrangeiro, o espanhol do FC do Porto. E a ele é exigido que seja campeão.

Em relação à remuneração, não estando ainda em vigor a lei do profissionalismo desportivo... Como se pode definir o desporto em Angola: é profissional ou não?
Existe um profissionalismo encapotado. Por lei, não está ainda nada definido. Mas o profissionalismo existe. Hoje no Girabola já há salários de 20 mil dólares/mês para o caso de clubes grandes. Nada comparado a clubes europeus. Mas há clubes no país que pagam bem.

Os angolanos que evoluem no estrangeiro trazem mais-valia à selecção nacional?
Eu sou de opinião que o jogador angolano que evolui no estrangeiro deve ser convocado para o 11 inicial, porque se for para ser suplente que se coloque o que joga no Girabola.

Fale mais sobre os investimentos que devem ser canalizados para o futebol...
Os investimentos devem ser contínuos. Um clube como Bayern de Munique investe anualmente quatrocentos e 80 milhões de euros. O nosso futebol é de brincadeira em relação a países como Espanha, Inglaterra, França e mesmo Portugal. Mas eu não vou patrocinar um clube que não me garante retorno financeiro - o futebol angolano não é atractivo.

Qual é para si a equipa ideal ao longo dos 40 anos de independência?
Isto é simples. Não vou agradar a todos, mas seria: Ângelo Silva (Guarda-redes), Manico (lateral direito), Lourenço e Garcia (centrais) e Mascarenhas (lateral esquerdo); Sarmento, Lufemba e Eduardo Machado (meio campo), Abel, Jesus e N’suka (ataque).

Há alguma razão para ficar de fora do 11 ideal?
Trata-se do meu “onze”. Nesta minha condição de treinador, não posso colocar todos, mas reconheço terem ficado de fora outros jogadores também de muito valor.

Quem seria para si o futebolista de todos os tempos?
Dinis. Para mim, foi o maior. É o nosso Pelé.

E o desportista de todos os tempos?
Também é o Dinis.

O Ministério da Juventude e Desportos e a Federação Angolana de Futebol anunciaram para este ano a realização de uma conferência nacional de futebol. Qual é a sua opinião?
Não vai dar em nada. É desnecessária. Já houve vários encontros de futebol em Angola, mas depois fica tudo em papel e na gaveta. Tem que se partir para a acção e acção é o futebol jovem. De quem é a AFA? Então se o kota (patrono da AFA) deu o exemplo, dizendo o caminho, as pessoas estão a dormir! Não é necessário encontro. Deve-se apostar no futebol jovem, na formação.

Foi estrela do futebol angolano. Entretanto, não chegou ao profissionalismo...
Não cheguei ao profissionalismo porque na altura não era permitido. Em 1979 devia ingressar no Sporting de Portugal, mas não foi possível por lei.

O Sport Lisboa e Benfica também já esteve na corrida?
Também, em 1990, com 33 anos. Eles gostaram do meu futebol.

Sente-se realizado?
(Silêncio)

Em face do silêncio, o que ganhou com o futebol?
Concretamente nada. Ganhei prestígio e fama. Financeiramente, não ganhei absolutamente nada.

Noto que fala com nostalgia. Sente que não é reconhecido por tudo que deu ao futebol nacional?
Pelo Estado angolano não me sinto reconhecido. Apenas pelo meu clube, o 1º de Agosto, onde sou actualmente conselheiro para o futebol e embaixador.

Reclama por este reconhecimento?
É claro. Fui embaixador do desporto angolano como todos os outros e em tempos de guerra. Penso que o Estado angolano deve-me este reconhecimento.

É treinador de futebol, inclusive ganhou um título nacional em 1998 e levou a equipa à final das Afrotaças. Já não exerce, porquê?
Como treinador activo, já não por opção. Eu tenho ideias próprias e noto que não há espaço para mim.

Por tudo que representa para o futebol angolano, se fosse presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF) onde começaria a trabalhar?
Já batemos nesta tecla. Na formação.

PERFIL

Nome: Ndunguidi Daniel Gonçalves
Naturalidade: Buco Zau (Cabinda)
Data de Nascimento: 13 de Outubro de 1956
Comida Preferida: Funje de milho (molho variado)
Bebidas: Vinho
Ocupação nos tempos livres: Navegar na internet sobre temas variados como política, desporto e entretenimento.
Cantor preferido: Augusto Chacaya, uma das referências da banda Jovens do Prenda.
Troféus conquistados como atleta: Campeonato nacional em 1979, 1980 e 1981.
Troféus como treinador: Bi-campeão nacional (1998 e 1999) e três vezes vencedor da Supertaça (1998, 1999 e 2000)
Internacionalizações: Oitenta, num percurso entre 1976 até finais da década de 1980.

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