Desporto

"Não me sinto reconhecido pelo Estado angolano" - antigo futebolista Ndunguidi

Luanda - O antigo extremo direito do 1º de Agosto e da selecção de futebol Ndunguidi Daniel (ND) fala, em entrevista à Angop, sobre o nível de desenvolvimento da modalidade ao longo dos 40 anos de Independência Nacional, alcançada em 11 de Novembro de 1975, e aponta as infra-estruturas como o principal ganho.

Fonte: Angop
Qual é o estado do futebol 40 anos após a independência nacional?
O futebol evoluiu muito ao longo dos 40 anos de independência no aspecto das infra-estruturas, condições de trabalho e não há comparação possível com o tempo anterior. Hoje, os atletas têm condições excelentes para a prática do futebol, uns já são bem remunerados – praticamente são profissionais, enquanto antes o futebol era amador – não havia nada de remuneração. Actualmente os atletas têm condições para praticar o futebol e no futuro não terão problemas sociais.

Está a dizer que os atletas do seu tempo passam por problemas sociais?
Sim, boa parte. Porque no meu tempo jogávamos mais por amor à camisola, por amor à pátria.

Falou em infra-estruturas, quer pormenorizar?
Hoje, fruto do CAN2010, temos quatro estádios excelentes. Os clubes estão a construir centros de treinamento para os seus atletas. O 1º de Agosto tem uma academia e existe ainda a Academia de Futebol de Angola (AFA).

Então o futebol evoluiu nestes 40 anos de independência?
Acho que neste aspecto evoluiu muito. Deu um salto qualitativo. Agora em termos de futebol é que continuamos a não ter ainda aquela qualidade desejável.

Porque?
Está à vista de todo mundo - o futebol angolano não tem craques (estrelas). O futebol espanhol e inglês são atractivos porquê? Porque existem estrelas. O futebol hoje é um espectáculo e quem proporciona o espectáculo são os atletas.

Os estádios em Angola têm estado vazios por falta de estrelas?
Isto está à vista de todo mundo.

O que falta para o surgimento de estrelas no futebol nacional?
Temos que formar uma nova geração, dar outra qualidade aos nossos jogadores e estabelecer o biótipo de atletas que queremos para o futuro. Temos que definir qual é o futebol que nós queremos para o nosso país. O futebol de Angola não é peixe nem é carne. Não está definido. Eu vejo o futebol do Congo, da RD Congo, do Ghana, da Nigéria e sabe-se logo. Antes, o nosso futebol tinha uma definição. Era um futebol técnico, um futebol espectáculo.

Até que ponto a vinda de treinadores, naquela altura, de países como a Bulgária, ex-Checoslováquia, ex-Jugoslávia e depois o Brasil influenciou no biótipo do futebol angolano a que se refere?
Por exemplo, no 1º de Agosto, a nossa escola era a jugoslava. O futebol no 1º de Agosto foi sempre caracterizado, até aos anos 90, pela escola jugoslava, por técnicos jugoslavos, onde a força é aliada à técnica e tivemos frutos. No Petro era o futebol brasileiro.

Quando se fala em biótipo trata-se já de uma questão de política desportiva do país?
Exactamente. O país tem de definir políticas desportivas não só para o futebol, mas para o desporto em geral. Há países que são conhecidos no mundo por causa do desporto, como o Brasil actualmente por causa do Neimar, a Argentina por causa do Messi. Os maiores embaixadores, os maiores diplomatas no mundo são os desportistas. Eles é que fazem a maior propaganda dos respectivos países, mesmo não sendo diplomatas de carreira. Angola tem que embalar neste século XXI.

Permita-me que retroceda para o início da entrevista, onde falou da evolução das infra-estruturas, fundamentalmente após o CAN2010 que Angola albergou. Como encara a gestão destes imóveis?
Aí já é outro departamento. Acho que estes estádios deviam ser entregues a gestores profissionais ou a empresas privadas, porque o Estado angolano tem outras preocupações.

Fale mais sobre as escolas de futebol em Angola...
Temos que inundar o país com escolas de futebol. Actualmente só temos três escolas com boas condições: a do 1º de Agosto, da AFA e a do Petro Atlético de Luanda, num país com 18 províncias. A Alemanha, que é um país territorialmente inferior a Angola, tem 25 centros de treinamento especiais só para o futebol jovem. Por isso, deram espectáculo no recente mundial, disputado no Brasil.

Além das escolas citadas, existem outras como a Norberto de Castro, Joka Sport...
De facto, omiti estas, mas continuam sendo poucas num universo de 18 províncias. Considero muito poucas. O Estado tem que investir no desporto se quiser que a sua bandeira seja elevada ao mais alto nível. Os investimentos no desporto são muito fracos.

Apenas para deixar bem claro. No seu ponto de vista, o futebol evoluiu muito ao longo dos 40 anos de independência apenas em termos de infra-estruturas?
Sim, em termos de infra-estruturas a evolução está à vista de todo o mundo. Mas agora no futebol praticado, aí já não houve evolução. Sem medo de errar, o nosso futebol não tem qualidade nenhuma. Temos de ter a coragem de dizer isso e investirmos na formação, porque o nosso futebol decresceu, fundamentalmente depois da última geração de jogadores como Akwá e Mantorras.
Primeiro formar o jovem como homem na sociedade, depois como futebolista e em seguida fazer a gestão dos investimentos que forem feitos. O futebol hoje é táctico e o futebolista deve ter capacidade intelectual para assimilar as orientações do treinador. Angola tem 24 milhões de habitantes, não é difícil pegar em 60 jovens com 10 anos e acompanhá-los até 2022. Os maiores países no mundo em termos de futebol fazem isso. A Alemanha para ganhar agora o mundial do Brasil2014 começou a preparar a equipa depois do de 2006. Muitos destes atletas agora campeões do mundo eram sub-14 e sub-15.

O desporto escolar seria um caminho?
Exactamente. Eu venho do desporto escolar, tal como a maioria dos craques deste país.

Actualmente existe desporto escolar, como tal, em Angola?
Que eu saiba não existe.

Esta questão do desporto escolar passa muito pela valorização do professor de educação física?
Exactamente. A disciplina de educação física deve ser mais valorizada. Eu sou do tempo em que se podia reprovar se não tivesse boa nota em Educação Física. A disciplina é importante para desenvolver as capacidades motoras do estudante.

Qual é a importância dos centros de treinamento?
Isto é fundamental, porque há jovens que ainda praticam futebol em campos pelados nos campeonatos juvenis e juniores. Acho que, assim como se proibiu nos seniores jogar em campos pelados, se devia exigir o mesmo aos escalões de formação.

E sobre os talentos?
O talento natural existe. Agora é importante saber como estão a ser formados, como está a ser transmitido aos jovens o ABC do futebol para que eles possam desenvolver as qualidades natas.

Não depende também da formação e valorização do próprio treinador? Os melhores estão no futebol de alto rendimento, não é assim?
E de quem é a culpa? Dos dirigentes. Agora, no nosso Girabola2015, dos 16 treinadores 11 são estrangeiros, o que é uma vergonha. Existem equipas que contratam treinadores estrangeiros para não descerem de divisão. Agora eu pergunto como fica o treinador nacional? Há um preconceito em relação ao nacional. Mas, na verdade, o treinador estrangeiro de qualidade não vem para Angola e nem para África. Existem 11 treinadores estrangeiros no Girabola, mas a qualidade da competição não melhorou.
Dizem que sou muito crítico, mas devemos fazer críticas construtivas para melhorarmos.Portugal também tinha esta política, mas hoje o campeonato português tem 18 clubes e só um treinador é estrangeiro, o espanhol do FC do Porto. E a ele é exigido que seja campeão.

Em relação à remuneração, não estando ainda em vigor a lei do profissionalismo desportivo... Como se pode definir o desporto em Angola: é profissional ou não?
Existe um profissionalismo encapotado. Por lei, não está ainda nada definido. Mas o profissionalismo existe. Hoje no Girabola já há salários de 20 mil dólares/mês para o caso de clubes grandes. Nada comparado a clubes europeus. Mas há clubes no país que pagam bem.

Os angolanos que evoluem no estrangeiro trazem mais-valia à selecção nacional?
Eu sou de opinião que o jogador angolano que evolui no estrangeiro deve ser convocado para o 11 inicial, porque se for para ser suplente que se coloque o que joga no Girabola.

Fale mais sobre os investimentos que devem ser canalizados para o futebol...
Os investimentos devem ser contínuos. Um clube como Bayern de Munique investe anualmente quatrocentos e 80 milhões de euros. O nosso futebol é de brincadeira em relação a países como Espanha, Inglaterra, França e mesmo Portugal. Mas eu não vou patrocinar um clube que não me garante retorno financeiro - o futebol angolano não é atractivo.

Qual é para si a equipa ideal ao longo dos 40 anos de independência?
Isto é simples. Não vou agradar a todos, mas seria: Ângelo Silva (Guarda-redes), Manico (lateral direito), Lourenço e Garcia (centrais) e Mascarenhas (lateral esquerdo); Sarmento, Lufemba e Eduardo Machado (meio campo), Abel, Jesus e N’suka (ataque).

Há alguma razão para ficar de fora do 11 ideal?
Trata-se do meu “onze”. Nesta minha condição de treinador, não posso colocar todos, mas reconheço terem ficado de fora outros jogadores também de muito valor.

Quem seria para si o futebolista de todos os tempos?
Dinis. Para mim, foi o maior. É o nosso Pelé.

E o desportista de todos os tempos?
Também é o Dinis.

O Ministério da Juventude e Desportos e a Federação Angolana de Futebol anunciaram para este ano a realização de uma conferência nacional de futebol. Qual é a sua opinião?
Não vai dar em nada. É desnecessária. Já houve vários encontros de futebol em Angola, mas depois fica tudo em papel e na gaveta. Tem que se partir para a acção e acção é o futebol jovem. De quem é a AFA? Então se o kota (patrono da AFA) deu o exemplo, dizendo o caminho, as pessoas estão a dormir! Não é necessário encontro. Deve-se apostar no futebol jovem, na formação.

Foi estrela do futebol angolano. Entretanto, não chegou ao profissionalismo...
Não cheguei ao profissionalismo porque na altura não era permitido. Em 1979 devia ingressar no Sporting de Portugal, mas não foi possível por lei.

O Sport Lisboa e Benfica também já esteve na corrida?
Também, em 1990, com 33 anos. Eles gostaram do meu futebol.

Sente-se realizado?
(Silêncio)

Em face do silêncio, o que ganhou com o futebol?
Concretamente nada. Ganhei prestígio e fama. Financeiramente, não ganhei absolutamente nada.

Noto que fala com nostalgia. Sente que não é reconhecido por tudo que deu ao futebol nacional?
Pelo Estado angolano não me sinto reconhecido. Apenas pelo meu clube, o 1º de Agosto, onde sou actualmente conselheiro para o futebol e embaixador.

Reclama por este reconhecimento?
É claro. Fui embaixador do desporto angolano como todos os outros e em tempos de guerra. Penso que o Estado angolano deve-me este reconhecimento.

É treinador de futebol, inclusive ganhou um título nacional em 1998 e levou a equipa à final das Afrotaças. Já não exerce, porquê?
Como treinador activo, já não por opção. Eu tenho ideias próprias e noto que não há espaço para mim.

Por tudo que representa para o futebol angolano, se fosse presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF) onde começaria a trabalhar?
Já batemos nesta tecla. Na formação.

PERFIL

Nome: Ndunguidi Daniel Gonçalves
Naturalidade: Buco Zau (Cabinda)
Data de Nascimento: 13 de Outubro de 1956
Comida Preferida: Funje de milho (molho variado)
Bebidas: Vinho
Ocupação nos tempos livres: Navegar na internet sobre temas variados como política, desporto e entretenimento.
Cantor preferido: Augusto Chacaya, uma das referências da banda Jovens do Prenda.
Troféus conquistados como atleta: Campeonato nacional em 1979, 1980 e 1981.
Troféus como treinador: Bi-campeão nacional (1998 e 1999) e três vezes vencedor da Supertaça (1998, 1999 e 2000)
Internacionalizações: Oitenta, num percurso entre 1976 até finais da década de 1980.

Kabuscorp demite treinador e contrata Miller Gomes

Luanda - O Kabuscorp demitiu hoje o técnico jubomir Ristovsk, e para o seu lugar chamou o angolano Miller Gomes (na foto) , actual detentor do título do Girabola e que rescindiu no início da época com o Recreativo do Libolo, informou à Angop, em Luanda, fonte oficial.

Fonte: Angop

Miller Gomes.jpg - 47.21 KBNum comunicado de dois parágrafos, assinado pelo presidente do clube, Bento Kangamba, a direcção dos vice-campeões nacionais refere que rescindiu amigavelmente o contrato com o técnico sérvio que inciou funções em Novembro passado.

Para o seu lugar, indica a fonte, foi contratado o angolano Miller Gomes por um período de oito meses com mais um ano de opção.

Antigo treinador do Benfica de Luanda, Petro de Luanda e Recreativo do Libolo, Miller Gomes venceu o Girabola 2014, tendo deixado o Recreativo do Libolo no início desta temporada para prosseguir a sua formação de treinador na Europa.

O Kabuscorp foi afastado na segunda eliminatória de acesso à fase de grupos da liga dos campeões africanos, apesar do triunfo sábado no estádio dos Coqueiros, em Luanda, de 2-1 diante do El Merreikh do Sudão, que trazia uma vantagem de 2-0 da primeira mão.

No Girabola, Jubomir Ristovsk deixa o Kabuscorp em quinto lugar mas sem qualquer derrota. Em seis jogos, regista duas vitórias, quatro empates, zero derrotas, nove golos marcados, sete sofridos e 10 pontos, a três do líder Interclube.

Interclube (1º / 13 pts) e o Recreativo do Libolo (3º / 11 pts) são as outras formações que ainda nao perderam no campeonato nacional de futebol da 1ªdivisão.

Futebol: Selecionador nacional não recebe salário há seis meses

Lisboa - O técnico dos Palancas Negras, Romeu Filémon, poderá abandonar o cargo nos próximos dias por incumprimento do seu contrato, por parte da Federação Angolana de Futebol.

Fonte: Club-k.net

Filémon despejado por falta de pagamento de renda da casa 

O treinador, que está pela segunda vez a frente do combinado nacional, não recebe salários há seis meses, e por força deste embaraço, passa por dificuldades gritantes, segundo um dos assessores do treinador, que está a tratar do expediente que ditará o fim do aludido contrato.

"Na verdade, o professor Romeu Filémon não recebe salários há seis meses, e como deve calcular passa por enormes constrangimentos. Ele  está a sobreviver graças aos apoios que recebe de amigos e familiares", disse o assessor que preferiu o anonimato.

Os incumprimentos da entidade reitora do futebol angolano, remeteram Romeu Filémon a uma situação vergonhosa. Neste momento, o jovem  treinador está em casa de um familiar, por ter sido despejado da residência onde vivia porque a FAF não pagava renda há largos meses, violando assim um detalhe do contrato. "O Filémon não resistiu aos incómodos do senhorio por falta de pagamento de renda da casa, saiu e foi albergado por um familiar", informou o assessor.

É ainda chocante o facto de o treinador estar a se locomover com apoios de terceiros, às vezes de táxi, porque a FAF não o concedeu viatura conforme consta no acordo. “ O carro dele foi danificado recentemente em consequência de um acidente, e neste momento, depende de terceiros para  ir trabalhar. Até hoje a FAF finge que não tem a obrigação de lhe atribuir uma viatura", acrescentou a fonte. 

O assessor disse ainda que Romeu Filémon tem recebido convites para treinar equipas grandes do Girabola, mas vê-se obrigado a rejeitar por uma "questão de ética", já que ainda está ligado contratualmente com a FAF.

Oliveira Gonçalves dá a "receita" para apuramento de Angola

Luanda - O ex-selecionador dos Palancas Negras, Oliveira Gonçalves, admitiu a possibilidade de Angola disputar a única vaga do grupo para a fase final do CAN2017, no Gabão, caso se organize bem.

Fonte: Desporto

Em declarações à Angop, na galeria dos desportos em Luanda, à margem do encontro de auscultação com vista a conferência nacional de futebol, Oliveira Gonçalves colocou Angola e RD Congo como principais candidatos num grupo que tem ainda a República Centro-Africana e Madagáscar.

O treinador mais referenciado do futebol angolano reconheceu que “em primeiro lugar, os jogos são sempre difíceis, o grupo é difícil”. Nestas eliminatórias, apenas o vencedor de cada grupo se apura diretamente, assim como o melhor segundo classificado.

“Hoje já não há adversários fáceis. Mas devo dizer que, com trabalho bem programado e organizado, desde que se proporcione à federação condições, e esta dê aos técnicos e atletas, está série poderá ser de facto conquistada por Angola ou pela RDC, pois são, na minha ótica, são os potenciais candidatos”, declarou.

No entanto, o treinador que conquistou a primeira taça continental para o país e conseguiu a melhor classificação de sempre num CAN alertou para o respeito por todos os adversários. E justifica o seu alerta com a história e percurso da própria seleção de Angola.

“É imperioso dizer que temos um exemplo próprio, nosso, porque há uns anos quando nos apuramos para o Mundial, Angola era o outsider, ninguém contava que atingiria o campeonato do mundo. Então devemos estar preparados e preocupados também com a RCA e Madagáscar. Não serão peras doces”, disse o técnico que conduziu em 2006 Angola ao seu primeiro e único até agora campeonato do Mundo, na Alemanha.

Prosseguindo a análise do grupo B ditado pelo sorteio realizado no Cairo nesta quarta-feira, Oliveira Gonçalves reconhece que “do ponto de vista teórico não é um grupo tão equilibrado. Por isso, atribui favoritismo aos Palancas Negras e a RD Congo, “mas é importante que não menosprezar os outros adversários”.

O experiente treinador campeão africano sub-20 em 2001 referiu que Angola apenas falhou um CAN (2015) e por isso “se calhar não será assim tão difícil, quanto na época em que ele assumiu o comando da equipa nacional.

“ Naquela altura, Angola não ia há quatro anos, estava oito anos fora da competição africana. Aí foi mais difícil. Assumimos a seleção num período complicado”, recordou.

No presente, referiu que a seleção está em atividade, e Oliveira Gonçalves considera importante que se continue a observar jogador no exterior que sejam mais-valia, que venham transmitir a seleção a qualidade que se precisa.

Prosseguindo as suas sugestões sobre a forma como os Palancas negras devem preparar esta eliminatória, reiterou a importância da programação e sobretudo a criação de condições para jogadores e equipa técnica, mas é preciso fazer mais.

“É preciso continuar a trabalhar, aproveitar as datas FIFA. Dar condições para trabalhar e fazer toda uma programação que também tem a ver com o campeonato nacional. Se o Girabola for competitivo e for bom, isso vai ajudar a seleção nacional. E não deixar de ir buscar os jogadores que sejam de facto uma mais-valia”.

Sublinhou entretanto os aspetos administrativos também: “mas com toda a organização, e não com dúvidas sobre se o atleta pode ou não ser inscrito pela seleção nacional angolana. Quando se vai observar um jogador, estamos conscientes que ele pode representar a seleção nacional. Sendo assim, creio que estamos em condições de voltar a um CAN”.

Futebol: Equipas angolanas fora das afrotaças

Luanda - O Petro de Luanda - que era última esperança dos angolanos - foi incapaz de seguir em frente nas eliminatórias de acesso à fase de grupo da Taça da Confederação Africana de Futebol (CAF), após perder, este domingo, por 0-1, diante do Royal Leopard da Swazilândia no jogo da segunda "mão", realizado no Estádio 11 de Novembro.

Fonte: Angop
Futebol.jpg - 93.38 KBOs petrolíferos vinham de um empate a dois golos, alcançado no terreno do adversário, e, além da necessidade de vencer, a igualdade a uma bola até servia para passar esta segunda eliminatória, mas deixou-se bater, sendo a quarta e última equipa angolana a ser afastada das afrotaças.

Ainda neste domingo foi afastado da mesma competição o Benfica de Luanda, que depois de perder, na Tunísia, com o Etoil do Sahel, por 0-1, não foi além de um empate (1-1) na segunda mão.

Sábado, o Kabuscorp do Palanca ficou de fora das preliminares de acesso à Liga dos Campeões Africanos de Futebol. Perdeu por 0-2 e ganhou por 2-1 frente ao El Merriekh do Sudão. O Recreativo do Libolo ficou já de fora da corrida à Liga, ainda na primeira eliminatória.

Rui Gomes aconselha a direcção da FAF a demitir-se para o bem do futebol angolano

Luanda - Rui Gomes, comentador desportivo, não tem dúvidas em apontar culpados pela ‘derrocada’ da selecção: a Federação de Futebol (FAF) pela “desorganização e por pensarem que a federação era uma lavra”.

Fonte: NJ
Rui Gomes.jpg - 58.21 KBO que esteve na base da eliminação da selecção?
Estávamos a formar uma selecção jovem, sem experiência, de atletas que tinham de se conhecer melhor. Não fomos honestos e correctos para passar essa mensagem. Por isso, quando esticamos a fasquia como se diz na gíria, os resultados são estes. A falta de honestidade, de abertura e sermos mais honestos para connosco mesmo, foram factores extremamente importantes. Temos de ter a humildade para analisar friamente e dizer que é justa a não participação ao CAN.

De quem é a culpa?
A culpa é de todos os membros da FAF e do presidente da federação. Cometeram-se muitos erros. Não é lógico, nem sensato que coisas como jogadores mal inscritos aconteçam no século 21. O que aconteceu foi um insulto a todos os amantes do desporto, sobretudo do futebol.

Deveriam demitir-se?
Não há dúvidas. Não são apenas esses erros que vieram à superfície. No Girabola aconteceram casos que admiramos. A FAF deve demitir-se em bloco, para o bem do futebol.

Quem tem capacidade para os substituir?
A questão não é a capacidade. Esses indivíduos têm capacidade, mas deram a entender que são vaidosos, não ouviram e deixaram a FAF à mercê de pessoas com menos responsabilidade. Não só por não terem conhecimentos, mas também a fraca responsabilidade. Não posso admitir que um responsável da federação esteja a tomar banho de sol no Algarve e a querer gerir o seu departamento com telefonemas para Luanda. Isso é inadmissível. E mais inadmissível ainda é que um técnico estrangeiro venha dar ordens que os jogadores fulanos e beltranos não podem jogar. Isso demonstra desorganização e desconhecimento. Não tenho receio de dizer que a FAF deve agarrar nos computadores e tudo de bom que lhes pertence e meter num saco como se diz na gíria “agarrar as embambas” e levá-los.

O problema da selecção foi organizativo e não competitivo?
Competitivo também teve algumas situações, mas o organizativo sobrepôs-se.

Não admite mudanças com a direcção actual?
Não há hipótese. São muitos erros e de palmatória. São erros de infantilismo, desconhecimento total, desrespeito para com os agentes do futebol, particularmente para com os do desporto.

Há quem defenda que temos de fechar as portas. É a solução?
Não. Temos compromissos com a CAF, pagamos quotas e todos esses valores não são altos e se sairmos da competição, estamos isentos também a qualquer competição africana ou até da FIFA. Não temos paciência, queremos imediatismo e não vamos longe com o imediatismo.

De que forma?
Já fui dado como antinacionalista porque tinha de falar bem da selecção. Não tenho outra selecção, mas tenho de ser realista. A política intervém muito no desporto. Quem coordena o país e quem tem o direito de exercer ou orientar esses aspectos políticos é o Ministério da Juventude e Desporto. Mas infelizmente, algumas vezes, as pessoas são escolhidas por questões políticas e quando chegam a alguns cargos têm dificuldade mesmo que tenham outras capacidades desportivas e de organização mas pensam sempre o aspecto político.

É o que se passa na FAF?
Poderá ser. Na selecção devemos ter a consciência de que é necessária a pressão política porque estamos a defender o país. Precisamos da pressão política porque sabemos que não há hipótese de a FAF continuar. Não há saúde, ninguém acredita mais. O presidente da FAF é uma pessoa excepcional, não é incompetente, nenhum deles é incompetente, mas deixaram o barco em mãos alheias.

O Ministro da Juventude e Desporto quer repensar no desporto. Como fazer isso?
Isso de repensar cai sempre por saco roto. Não vale a pena. Temos projectos muito bonitos e objectivos, o problema é tirar do papel para a prática. É preciso repensar no futebol, mas já tivemos aqui não é o primeiro encontro nacional de desporto, houve colaborações e comissões, mas não se fez nada. Podemos fazer 50 encontros, mas é perder tempo.

Oliveira Gonçalves pode ser a solução?
Não. Nem aconselho o Oliveira Gonçalves a voltar à selecção, porque não é treinador. No Santos Futebol Clube é vice-presidente. Mas ele agora é dirigente desportivo. Reconhece-se que deu a sua contribuição, ninguém apaga a imagem da história do futebol, levou a seleção ao mundial mas não é técnico.

Existe corrupção no futebol angolano?
Se nos países mais evoluídos há corrupção, porque é que aqui não poderá haver corrupção no futebol? Não descarto essa possibilidade.

Vale a pena continuar a apostar na selecção?
Devemos trabalhar bem os sub-17 e 20. É necessário pagar bem a quem trabalha, os treinadores das camadas jovens são mal pagos e não têm preparação suficiente.

PERFIL

Rui da Conceição Gomes nasceu a 21 de Agosto de 1954, no Sumbe, Kwanza-Sul. Começou no futebol aos 12 anos, no Clube Atlético de Luanda. Depois ingressou no Grupo Desportivo da TAAG. Foi campeão de Angola, pelo Petro de Luanda. Esteve na selecção das velhas glórias do futebol de Angola. Praticou básquete no Clube Atlético de Luanda.

Actualmente é comentador desportivo. Tem formação de dirigente desportivo. Foi presidente da Associação Provincial de Futebol de Luanda e vice-presidente do ASA, campeão nacional como vice-presidente para futebol, em 2002, 2003 e 2004.

Ronaldinho Gaúcho pode ingressar no Kabuscorp na segunda volta do Girabola

Luanda - O Kabuscorp do Palanca aguarda pelo passe do médio ofensivo brasileiro Ronaldinho Gaúcho para a segunda volta do campeonato nacional de futebol da I divisão "Girabola", entre os meses de Junho e Agosto, informou hoje em Luanda fonte do clube.

Fonte: Angop

A informação foi prestada hoje, quinta-feira, à Angop, pelo presidente do vice-campeã nacional, Bento dos Santos “Kangamba”, acrescentando que o jogador cumpre um contrato de seis mês com uma equipa do México.

“Poderemos contar com o passe para um ano, já a partir da segunda volta do nosso campeonato “, disse o responsável, que já tinha tentado contratar o médio em 2012.

Acrescentou que estão também na corrida por Ronaldinho outras equipas do Brasil e da Ásia.

Em relação ao avançado senegalês Ladji Keita explicou que já manteve um contacto telefónico com o presidente do Petro de Luanda, clube que é o detentor do passe do jogador, perspectivando que, nos próximos dias, poderá saber da situação do atleta.

Moncho Lopez é o quarto selecionador estrangeiro de Angola

Luanda - O espanhol Moncho Lopez, contratado pela Federação Angolana de Basquetebol (FAB) para orientar a selecção sénior masculina, é o nono técnico da equipa nacional, no geral, e quarto estrangeiro.

Fonte: SAPO

O vínculo contratual com o espanhol foi anunciado segunda-feira (9), para orientar a campeã continental no Campeonato Africano da Tunísia “Afrobasket2015”, em Agosto deste ano, devendo o contrato termina a 31 do mesmo mês.

Ao contrário dos estrangeiros bem sucedidos (Mário Palma e Luís Magalhães), o espanhol nunca orientou uma equipa em Angola, nem qualquer selecção africana, o que pode se tornar um obstáculo na pretensão de revalidar o título continental, tendo em conta as diferenças entre o basquetebol europeu e africano.

No entanto, tratando-se de um técnico estudioso (já foi formador em “clinics” em Angola), o facto de não treinar neste país pode não ser relevante, dependendo da filosofia de jogo que vai optar.

A situação de Moncho Lopez assemelha-se a do francês Michel Gomez, que mesmo tendo um curriculum “recheado” de êxitos não foi bem sucedido no comando técnico da selecção nacional, sendo, até ao momento, o único que orientou Angola num Afrobasket e não conseguiu vencer.

Passaram pela selecção nacional sénior masculina os técnicos angolanos, Victorino Cunha, Vladmiro Romero, Alberto de Carvalho “Ginguba”, Paulo Macedo, José Carlos Guimarães, os portugueses Mário Palma e Luís Magalhães e o francês Michel Gomez.

Com quatro títulos africanos, Mário Palma lidera a lista, seguido de Victorino Cunha com três, Vlademiro Romero com um, os mesmos que Ginguba, Paulo Macedo e Luís Magalhães.

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