Económia

Espanhóis emprestam 400 milhões a Angola

Lisboa - Os espanhóis do CaixaBank, que têm 45% do BPI, vão conceder uma linha de crédito de 400 milhões de euros (450 milhões de dólares) ao Estado angolano, segundo um despacho de 16 de Agosto, assinado pelo Presidente José Eduardo dos Santos, citado pelo jornal Valor Económico.

Fonte: Economico

O CaixaBank, que tem 45% do BPI, que por sua vez tem 51% do BFA, vai conceder uma linha de crédito de 400 milhões de euros (450 milhões de dólares) ao Estado angolano, segundo um despacho de 16 de Agosto, assinado pelo Presidente José Eduardo dos Santos, refere o jornal Valor Económico, que cita a Lusa.

De acordo com o despacho presidencial que aprova o acordo-quadro de financiamento, a que a Lusa teve acesso, a concessão desta linha de crédito justifica-se pela necessidade de "diversificar as fontes de financiamento para a cobertura de projectos de investimentos públicos para o desenvolvimento económico e social do país", tendo em conta a crise financeira gerada pela quebra nas receitas do petróleo.

 

Esta linha de financiamento com o CaixaBank sobre a qual o despacho assinado pelo Presidente José Eduardo dos Santos não adianta mais informações além do valor, é explicada ainda pela necessidade de execução de projectos inseridos no Programa de Investimentos Públicos e "outros de interesse nacional".

 

O CaixaBank tem tido um diferendo que se arrasta há mais de um ano com a empresária angolana Isabel dos Santos no BPI, o problema consiste na guerra pelo controlo do BPI e que tem como pano de fundo a necessidade de o BPI deixar de ter a maioria do BFA para se livrar da exposição aos grandes riscos de Angola, por imposição dos reguladores.

 

O conflito entre os principais accionistas do banco BPI (que detém o Banco Fomento Angola), o espanhol CaixaBank, com cerca de 45% do capital social, e a Santoro, de Isabel dos Santos, com cerca de 19%, eclodiu por causa das regras do Banco Central Europeu que obrigam a uma redução da exposição excessiva do BPI a Angola, mas fez perceber a falta de entendimento não só quanto a uma solução para este problema mas também numa estratégia para o BPI, levando a um impasse que acabou com à criação de uma lei pelo Estado português que permite desbloquear o impasse.

 

Esta lei refere-se ao tema da desblindagem de estatutos do BPI, que impede qualquer accionista de votar com mais de 20%, independentemente da participação accionista que tenha. Por isso, apesar de o CaixaBank ter cerca de 45% do capital social do BPI, tem praticamente o mesmo poder da 'holding' Santoro, que tem cerca de 19% do capital. O CaixaBank quer mudar os estatutos e oferece-se para comprar a totalidade das acções do BPI a um preço que não agrada a Isabel dos Santos. Pelo que até ao fim do ano o conflito continuará vivo. No entanto esta linha de crédito poderá ter um efeito diplomático nas pretensões do CaixaBank de controlar o banco nacional.

 

No meio deste conflito accionista que opõe espanhóis e angolanos, em Fevereiro o CaixaBank anunciou uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre o BPI.

A administração do BPI já informou publicamente que é a favor da desblindagem de estatutos, o que retiraria poder a Isabel dos Santos.

Independente da OPA o BPI tem de encontrar uma solução para reduzir a exposição a Angola, cujo risco passou a ponderar a 100%.

Este empréstimo do CaixaBank é importante para Angola que atravessa uma grande crise económica e financeira.

Devido precisamente à crise financeira que o país atravessa, a Assembleia Nacional aprovou na segunda-feira, na generalidade, a proposta de revisão do Orçamento Geral do Estado para 2016, que revê o crescimento da economia de 3,3% para 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, para apoiar a economia, as necessidades de endividamento do Estado aumentam mais de 19% face ao Orçamento em vigor, enquanto o défice dispara de 5,5% para 6,8% do PIB.

O golpe da Sonangol e a crise dos combustíveis à vista - Rafael Marques

Luanda - A Sonangol deve US $1 bilião à Trafigura pela importação de combustíveis, e a situação poderá gerar mais uma crise no país.

Fonte: Maka Angola

Há já vários anos, a importação de combustíveis, nomeadamente gasóleo e gasolina, é praticamente dominada pela Trafigura, uma multinacional suíça. Através da sua subsidiária Puma Energy, que actua em Angola, a Trafigura é sócia do trio presidencial composto pelos generais Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, Leopoldino Fragoso do Nascimento e Manuel Vicente, bem como da própria Sonangol.

 

Recentemente, a Sonangol tentou obter um financiamento de US $800 milhões junto de um banco sedeado no Egipto, propondo como garantia as suas acções no banco Millennium BCP em Portugal, para pagamento da referida dívida. O general Leopoldino Fragoso do Nascimento, que actualmente dirige os negócios da Trafigura em Angola, assim como do trio presidencial, tem sido o grande elemento de pressão para que a Sonangol pague a dívida.

 

Com a mudança de administração, as negociações finais para a concretização do empréstimo foram transferidas para a gestão de Isabel dos Santos. Das cinco prioridades da petrolífera nacional constam a resolução da dívida à Trafigura [e ao trio presidencial], bem como o pagamento da compra das operações da Cobalt International em Angola, que se tinha associado à empresa Nazaki Oil & Gas, do trio presidencial.

 

O general Leopoldino Fragoso do Nascimento é o testa-de-ferro dos grandes negócios do presidente José Eduardo dos Santos que não estão em nome da sua filha Isabel.

 

A Sonangol gasta, mensalmente, entre US $150 e US $170 milhões com a importação de derivados de petróleo, e não tem quaisquer perspectivas de diminuição deste dispêndio a médio ou longo prazo. A situação é tanto mais grave quanto Angola se constitui como o segundo maior produtor africano de petróleo, ao mesmo tempo que se revela incapaz de construir uma refinaria, devido aos interesses privados de alguns dirigentes, que lucram com a importação de combustíveis.

De certo modo, a própria presidência tem impedido que se encontrem soluções e não tem procurado parcerias que lhe permitam reduzir a importação de combustíveis, o que passa, sem dúvida, pela construção de uma refinaria no país.

A futura refinaria do Lobito, cujas infraestruturas estavam em construção, teve inicialmente uma previsão de custos de US $5 biliões. Actualmente, a estimativa ascendeu a US $14 biliões, devido a factores de corrupção, obstrução política e criação de obstáculos à entrada de parceiros idóneos no projecto, conforme citam fontes do Maka Angola dentro da Sonangol.

 

Outra das soluções que a anterior administração da Sonangol tinha ponderado passava pela entrega de petróleo a uma refinaria sul-africana. Essa refinaria ficaria com uma parte do carregamento do petróleo e, em contrapartida, abasteceria o mercado angolano com refinados a um valor mais baixo que os impostos pela Trafigura e os seus associados da presidência da República.

 

No entanto, esta ideia foi abandonada porque Angola tem compromissos de pagamento do serviço da dívida, com carregamentos de petróleo, até 2026. Não há muito mais. Parte dos carregamentos são destinados à China, onde a Sonangol contraiu dívidas no valor US $15 biliões. No mercado europeu, através de financiamentos agenciados pelo Standard Chartered Bank, a Sonangol soma mais uma dívida que ultrapassa os US $13 biliões. Ou seja, a petrolífera nacional deve mais de US $28 biliões.

 

Com o golpe à Sonangol, que levou a família presidencial e seus associados externos a controlar directamente a petrolífera, as operações ficam mais facilitadas. Este golpe vem na sequência de um primeiro em que, por indicação do general Leopoldino Fragoso dos Nascimento, o presidente nomeou o inexperiente jovem Valter Filipe para o cargo de governador do Banco Nacional de Angola.

Assim, o controlo da economia política do país passou para as mãos discretas do general Leopoldino Fragoso do Nascimento, que passou a ser – efectivamente e à sombra – a segunda figura mais poderosa do país.

Todavia, os graves problemas de tesouraria da Sonangol e a falta de divisas não poderão sustentar os gastos actuais de importação de combustíveis a médio prazo. Caso as rezas do poder para a subida do preço do petróleo não sejam ouvidas em breve, a crise dos combustíveis será outra realidade.

Sonangol anuncia suspensão das obras de construção de refinaria

Luanda - A Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol E.P) anunciou hoje, em Luanda, a suspensão das obras de construção da refinaria do Lobito e do Terminal Oceânico da Barra do Dande, para reavaliação da visão estratégica de desenvolvimento e implementação destes projectos.

Fonte: Angop

De acordo com uma nota de imprensa da petrolífera nacional chegada à Angop, a nova visão estratégica irá incorporar todos os investimentos já realizados, de modo a maximizar a sua rentabilidade.

 

O documento acrescenta que estes projectos são de importância capital para o país, mas a Sonangol considera necessária a medida aplicada, tendo em conta a nova realidade que Angola enfrenta, em particular no sector petrolífero, situação que implica uma revisão criteriosa do seu desenvolvimento, faseamento e financiamento.

 

A empresa pública garante que continuará a cumprir as suas obrigações contratuais incorridas até à data e reitera o compromisso de fazer todos os esforços para manter a oferta sustentável de combustíveis ao mercado angolano, tendo em atenção a melhoria da eficiência e a estrutura de custos da companhia.

Nove das 10 maiores exportadoras de Angola são petrolíferas

Luanda - Nove das 10 maiores empresas exportadoras de Angola são petrolíferas, com vendas no primeiro trimestre do ano a somarem 297,8 mil milhões de kwanzas (1,6 mil milhões de euros), segundo dados da execução orçamental compilados pela Lusa.

Fonte: Lusa

O documento, do Ministério das Finanças, indica que no primeiro trimestre de 2016 a única empresa a figurar entre as 10 maiores exportadores de Angola fora do sector petrolífero foi a estatal Sociedade de Comercialização de Diamantes de Angola (Sodiam), que vendeu ao exterior 31,6 mil milhões de kwanzas (170 milhões de euros) em pedras preciosas já lapidas.

 

Esta empresa, filial da Endiama, concessionária do Estado para o sector diamantífero e responsável pela comercialização dos diamantes angolanos, registou um aumento de 92% face ao volume exportado no primeiro trimestre de 2015, o único caso de crescimento entre as 10 maiores exportadoras nacionais, subindo ao segundo posto.

 

O primeiro lugar da lista é ocupado pela maior empresa angolana, também pública, a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) EP, que exportou entre Janeiro e Março o equivalente a 125,9 mil milhões de kwanzas (678 milhões de euros), uma quebra homóloga de 54% que reflecte a forte descida na cotação do preço de petróleo no mercado internacional nos primeiros três meses de 2016.

 

Em terceiro lugar figura agora Cabinda Gulf Oil Company, subsidiária da norte-americana Chevron para a produção de petróleo no enclave de Cabinda e que exportou 28,3 mil milhões de kwanzas (152,5 milhões de euros), menos 59% face ao primeiro trimestre de 2015.

 

A maior quebra entre as principais exportadoras de Angola foi na filial da petrolífera francesa Total, que desceu para a 10.ª posição, tendo exportado 11,9 mil milhões de kwanzas (64,1 milhões de euros), contra os 83,3 mil milhões de kwanzas (449 milhões de euros) do mesmo período do ano anterior. Uma descida de 86% e a perda do segundo lugar que ocupava nos primeiros três meses de 2015.

 

A Sonangol Pesquisa e Produção e a Sonangol Distribuidora (ambas do grupo Sonangol), além da Esso, BP e ENI foram outras das maiores 10 empresas exportadoras de Angola entre Janeiro e Março.

 

Neste período, o barril de crude, o principal produto de exportação de Angola, chegou a valer 28 dólares no mercado internacional, menos de metade no espaço de um ano e muito longe dos mais de 100 dólares de 2014.

 

Para combater a crise decorrente desta quebra para metade nas receitas petrolíferas, o Governo angolano lançou em Janeiro um programa para diversificação da economia, que passa pela aposta noutras áreas de produção, como forma de aumentar a produção interna e exportações, travando as importações.

Angola corta despesas e regista excedente orçamental no primeiro semestre

Luanda - Angola registou um excedente fiscal de 540 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2016, indicam dados do Ministério das Finanças que ainda confirmam a travagem a fundo nas despesas do Estado. De acordo com o ministério liderado por Armando Manuel, a “política fiscal prevaleceu restritiva na primeira parte do ano”, o que levou a contas com um “superavit (excedente) fiscal global” na ordem dos 0,69% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a 100,1 mil milhões de kwanzas (540 milhões de euros)

Fonte: Lusa

À semelhança do ano 2015, o Ministério das Finanças reconhece que o primeiro semestre de 2016 foi “igualmente caracterizado por um esforço fiscal substancial”, sobretudo no arranque do ano, “para apaziguar diversas preocupações com o equilíbrio financeiro das finanças públicas”.

 

Entre as preocupações constaram também a “sustentabilidade da despesa, manutenção das reservas internacionais, e criação de espaço para o aprofundamento das ações de política monetária”, tendo em conta “a evolução reprimida do preço do petróleo nos mercados internacionais”.

 

As cativações orçamentais é uma das formas à disposição do Governo para travar a realização de despesa, justificada pela forte quebra nas receitas provenientes da exportação de petróleo, tendo em conta que em janeiro o barril de crude chegou a descer aos 28 dólares (quase metade do orçamentado pelo Governo).

 

Os resultados preliminares das contas fiscais, de acordo com o Ministério das Finanças, indicam que a receita total atingiu nos primeiros seis meses do ano os 1,358 biliões de kwanzas (7,3 mil milhões de euros), equivalente a 8% do PIB. Já a receita petrolífera manteve-se abaixo do expectável, tendo atingido os 578,8 mil milhões de kwanzas (3,2 mil milhões de euros), correspondendo a 3,4% do PIB.

 

“A assunção do superavit fiscal na ordem dos 0,7% do PIB é fundamentalmente suportada pelos níveis de execução da despesa de capital, configurando a dinâmica do défice como uma função da absorção dos desembolsos externos”, afirma o Ministério das Finanças.

 

Acrescenta que a quebra nas receitas petrolíferas no primeiro semestre condicionou “amplamente a execução da despesa”, com o “propósito de fortalecer o lado fiscal, principal determinante para o enfrentamento da crise atual quer seja em relação à manutenção das despesas públicas básicas ou às expectativas dos agentes em relação à sustentabilidade fiscal”.

 

A despesa total executada no primeiro semestre chegou aos 1,239 biliões de kwanzas (6,6 mil milhões de euros), equivalente a 7,3% do PIB. Neste período, a despesa corrente ascendeu a 1,189 biliões de kwanzas (6,4 mil milhões de euros) e a de capital a 50 mil milhões de kwanzas (270 milhões de euros).

 

Devido à quebra das receitas com a exportação do petróleo no primeiro semestre, o Governo apresentou ao parlamento uma proposta de revisão do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2016, cortando a previsão do preço médio do barril de crude exportado em 2016 de 45 para 41 dólares. Com isto, o crescimento da economia desce dos 3,3% iniciais, face a 2015, para 1,1%, e a inflação, devido à crise cambial, dispara de 11 para 38,5%.

 

Nesta revisão, aprovada na generalidade pela Assembleia Nacional na segunda-feira, o limite da receita e da despesa para 2016 passa dos atuais 6,429 biliões de kwanzas (34,9 mil milhões de euros), para 6,959 biliões de kwanzas (37,8 mil milhões de euros), um aumento justificado pelo Governo com a necessidade de fomentar o crescimento do país (devido ao arrefecimento provocado pela crise petrolífera) através do investimento público.

 

O défice fiscal sobe dos orçamentados 5,5% do PIB para 6,8%, cenário que vai obrigar a um endividamento público de mais 560,4 mil milhões de kwanzas (cerca de três mil milhões de euros), um aumento de 19,2% face às contas iniciais do Governo.

 

Angola: Dólar nas ruas de Luanda volta a subir

Luanda - O preço médio de um dólar norte-americano nas ruas de Luanda voltou a subir, para 580 kwanzas (3,10 euros), apesar da recente injeção recorde de divisas na banca comercial, feita pelo Banco Nacional de Angola (BNA).

Fonte: Lusa

Há alguns meses que o preço no mercado informal permanece estável entre os 570 (valor da última semana) e os 600 kwanzas, apesar de algumas pontuais flutuações semanais, conforme rondas regulares junto das ‘kinguilas’ de Luanda, como são conhecidas estas mulheres que se dedicam ao negócio informal de compra e venda de divisas na rua.

A Lusa encontrou hoje quem vendesse a nota de dólar, no bairro do São Paulo, a 590 kwanzas, enquanto as ‘kinguilas’ do bairro dos Mártires de Kifangondo cobravam 585 kwanzas. Já no bairro do Maculusso, igualmente no centro de Luanda, era hoje possível encontrar quem vendia a nota de dólar a 590 kwanzas, enquanto na Mutamba descia para 580 kwanzas.

 

Quem vende não apresenta qualquer explicação para estas oscilações, além de assumirem que se mantém a forte procura de dólares, por entre os habituais receios da polícia, já que se trata de um negócio ilegal.

 

São preços especulativos – mais de três vezes acima a taxa de câmbio oficial -, que, em muitos casos, como para os trabalhadores expatriados, é a única forma de ter acesso a divisas no atual contexto de crise económica, financeira e cambial, decorrente da quebra nas receitas petrolíferas.

 

Contudo, a Lusa noticiou na segunda-feira que a injeção de divisas pelo BNA na banca comercial cresceu dez vezes no espaço de uma semana, para 689,7 milhões de euros, máximos de 2016, cobrindo a importação de alimentos e salários de expatriados.

 

A informação consta do relatório semanal do BNA sobre a evolução dos mercados monetário e cambial, no período entre 08 e 12 de agosto, contrastando com os 68 milhões de euros (ME) da primeira semana do mês e com os 231,1 ME do final de julho, mantendo-se as vendas apenas em moeda europeia.

 

O Governo português reconheceu em julho que apenas em salários de trabalhadores nacionais em Angola estão retidos, por falta de divisas para concretizar essas transferências, cerca de 160 milhões de euros. Desde setembro de 2014, a moeda nacional angolana desvalorizou-se em mais de 40%, face ao dólar norte-americano, para 166 kwanzas para um dólar, à taxa oficial, muito longe dos valores do mercado paralelo.

 

Um documento do Governo angolano prevê que a desvalorização da moeda nacional chega até aos 215,5 kwanzas por cada dólar norte-americano até final do ano. O BNA recomendou em maio um “maior controlo e responsabilização dos agentes promotores do mercado informal de moeda estrangeira” por parte da polícia.

 

A instituição revelou já em julho que está a trabalhar com os bancos comerciais numa “melhor programação na venda de divisas” para “repor de forma gradual, programada, organizada e prudente” as necessidades de todos os setores da economia.

 

O Presidente angolano exigiu ao BNA, no mês passado, que encontre soluções para resolver as dificuldades dos clientes e empresas no acesso a divisas, reconhecendo que no momento atual quem tem dinheiro prefere mantê-lo fora do país.

 

José Eduardo dos Santos explicou que a venda de divisas aos bancos por parte das empresas petrolíferas estrangeiras que operam no país, para obterem moeda nacional para o pagamento das despesas em Angola, são na ordem dos 300 milhões de dólares por mês e não cobrem atualmente as necessidades, como no passado.

 

O chefe de Estado disse que o Governo já recomendou ao BNA que “trate desta matéria com urgência”, em articulação com os bancos comerciais, “para melhor proteger os interesses” de Angola.

 

Isabel dos Santos corta na Efacec e engenheiros contestam

Luanda - Oitenta e cinco engenheiros da Efacec estão a contestar a decisão da administração da empresa, controlada pela angolana Isabel dos Santos, de lhes retirar as viaturas, Via Verde e cartão para combustível, considerando ser uma “redução ilegal de vencimento”

Fonte: Lusa

Oitenta e cinco engenheiros da Efacec estão a contestar a decisão da administração da empresa, controlada pela angolana Isabel dos Santos, de lhes retirar as viaturas, Via Verde e cartão para combustível, considerando ser uma “redução ilegal de vencimento”.

 

“Estamos a falar no equivalente a um terço dos ordenados de mais de 120 pessoas”, disse à agência Lusa Feliciano Zeferino, engenheiro eletrotécnico que labora há 46 anos na empresa e se assumiu como porta-voz de um grupo de 85 profissionais, adstritos às instalações de Lisboa e do Porto da empresa, que se organizou para contestar a decisão.

 

Sustentando que “o carro faz parte do vencimento” daqueles trabalhadores desde que atingiram o grau 28 de progressão na carreira, “tal como a Via Verde e o 'plafond' mensal de combustível para deslocações pessoais”, o engenheiro alega que é precisamente por isso que, “quando por razões profissionais é excedido em certos meses o 'plafond' atribuído, esse dinheiro é integralmente devolvido” aos visados.

 

Contactada pela agência Lusa, a administração da Efacec diz ter identificado “a necessidade de proceder a um conjunto de intervenções indispensáveis à otimização da produção industrial e atividade comercial da empresa, com vista à obtenção de ganhos efetivos de produtividade, competitividade e sustentabilidade”, mas assegura o respeito pelas “melhores práticas laborais e sociais”, tendo “as estruturas sindicais e todas as pessoas envolvidas" sido informadas "com a máxima antecedência possível”.

 

“Estas intervenções estão integradas nos programas de melhoria operacional de 2013 e 2016 que preveem medidas de redução de custos com fornecimentos, fundamentalmente de custos indiretos”, afirmou num comunicado enviado à Lusa, esclarecendo que o ajustamento em curso “da competitividade salarial dos seus colaboradores” está a ser feito “de acordo com as atuais condições do mercado de trabalho” e “também passa por aumentos salariais”.

 

Para Feliciano Zeferino, esta é, contudo, a primeira “medida grave” para os trabalhadores desde a alteração da composição acionista da empresa, que a deixou sob controlo da filha do Presidente de Angola.

 

Considerando tratar-se de uma decisão “não só injusta e ilegal, mas também discricionária e discriminatória, uma vez que só está a ser imposta aos trabalhadores do grau 28” num contexto de mais de 2.000 funcionários, o engenheiro critica ainda o facto de ter sido apenas comunicada verbalmente aos visados.

TRABALHADORES PROMETEM LUTAR NOS TRIBUNAIS

“Não a aceitaremos, como é óbvio, e iremos lutar nos tribunais até às últimas consequências para sermos integralmente ressarcidos”, assegura.

 

Para o advogado que representa os 85 engenheiros queixosos, a atitude da empresa - que em julho estabeleceu o prazo de 31 de agosto para os engenheiros (quase todos eletrotécnicos e com funções de gestão de obra, manutenção e comerciais) entregarem as viaturas - é “uma ilegalidade”, porque “uma das garantias dos trabalhadores é que os seus vencimentos não podem ser reduzidos”.

 

“Os meus constituintes foram intimados a entregar a viatura que lhes estava atribuída para uso pessoal, com a respetiva Via Verde e o cartão frota para gasóleo. Em termos práticos, isso traduz-se na retirada de uma parte dos seus vencimentos, nuns casos cerca de 700 euros, noutros 900 euros”, explicou Dias Ferreira, à Lusa.

 

Segundo sustenta, “se a Efacec não transformar esta retribuição em espécie numa retribuição pecuniária estará a incorrer numa ilegalidade, além de uma injustiça para com funcionários competentes com décadas de dedicação à casa”.

 

“Os trabalhadores têm alguma esperança de não terem que recorrer ao tribunal, mas também recorrerão se necessário for. Estamos a procurar que o diálogo se faça, mas terão que ter alguma resposta antes do 'deadline' [prazo limite] para entregar os carros e, então, definirão o que irão fazer”, disse.

 

A Efacec Power Solutions, SA é controlada, desde o outono de 2015, pela filha do Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos. A empresa Winterfell -- detida pela Niara Holding, de Isabel dos Santos, e pela Empresa Nacional de Distribuição de Eletricidade (ENDE), do Estado angolano -- detém 66,1% do capital da Efacec, sendo o restante capital propriedade do grupo José de Mello e da Têxtil Manuel Gonçalves.

 

Até junho passado, Isabel dos Santos assumiu o seu lugar no Conselho de Administração da Efacec, tendo apenas renunciado a este posto quando, há dois meses, passou a ocupar a presidência executiva da Sonangol, a petrolífera estatal angolana.

Sonangol com mais 18 concessões petrolíferas no 'offshore' angolano para licitar

Luanda - A Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) tem planos para licitar mais 18 concessões petrolíferas no 'offshore' angolano, a norte e sul do país, segundo o relatório anual da concessionária estatal do sector petrolífero.

Fonte: Lusa

De acordo com o documento, o conselho de administração da Sonangol aprovou, antes da entrada em funções, em Junho, de Isabel dos Santos como presidente do conselho de administração, o programa de licitações para as novas concessões a negociar com operadores privados.



Destas licenças para pesquisa de hidrocarbonetos, seis estão localizadas na bacia do Congo (norte), casos dos blocos 08, 46, 47, 48, 49 e 50, e as restantes 12 na bacia do Namibe (sul), com os blocos 11 a 13, 27 a 30 e 41 a 45, indica o mesmo documento.


O Governo angolano aprovou em Fevereiro de 2015 a divisão em 12 blocos da Zona Marítima da Bacia do Namibe, para futuras concessões petrolíferas, segundo despacho executivo do ministro dos Petróleos que a Lusa noticiou na altura.


De acordo com o documento, assinado pelo ministro Botelho de Vasconcelos, a decisão visa "definir e estabelecer a divisão em blocos" daquela zona 'offshore', permitindo assim "futuras concessões petrolíferas".


Envolve uma área global superior a 68 mil quilómetros quadrados ao largo da província do Namibe, considerada por especialistas como de elevado potencial petrolífero.



A Sonangol anunciou em Novembro de 2015 a fase final do processo de licitação de blocos no 'onshore', em terra, para pesquisa de petróleo e gás, que segundo a empresa podem representar mais de metade das reservas conhecidas do país, ou seja, pelo menos sete mil milhões de barris.


Em causa estava a exploração de petróleo nas bacias terrestres dos rios Kwanza (sete) e Congo (três), mas o concurso foi afectado pela forte quebra na cotação internacional do barril de crude nos últimos meses.


Segundo a Sonangol, relativamente a este concurso, foi feita a abertura e qualificação das propostas e dos grupos empreiteiros, "faltando apenas a contratualização".

 


Os últimos dados oficiais da concessionária estatal angolana indicam que o país tem actualmente disponíveis para concessões 34 blocos e outros 18 estão em fase de produção, enquanto cinco foram entretanto abandonados.

Em 2015, questionado pela Lusa em Luanda, Paulo Jerónimo, administrador executivo da Sonangol para a Exploração e Produção de Hidrocarbonetos, que em Junho último foi nomeado presidente da comissão executiva da petrolífera, esclareceu que as reservas de petróleo em Angola estavam então avaliadas entre 3,5 mil milhões de barris (categoria de provada) e 10,8 mil milhões de barris (categoria de provável).

Angola é actualmente o maior produtor de petróleo em África, com mais de 1,7 milhões de barris por dia.

 

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