Política

Generais do regime acusam Rafael Marques de ser da UNITA

Lisboa - A UNITA desmente que o jornalista Rafael Marques seja membro do partido e repudia o que considera "má-fé" dos generais que deveriam ser "apartidários", refere a carta rogatória que vai ser enviada ao DIAP em Lisboa.

Fonte: Lusa

UNITA desmente e acusa generais de "má-fé"

Além do julgamento que decorre em Luanda, em Portugal decorre um processo judicial movido pelos mesmos generais angolanos contra Rafael Marques, autor do livro Diamantes de Sangue publicado em 2011 pela editora Tinta da China.

No documento que vai ser enviado esta semana ao Departamento de Investigação e Ação Penal do Distrito Judicial de Lisboa (4ª Secção), a UNITA diz repudiar "a má-fé política dos generais queixosos em usar o seu nome" como forma de afetar a "credibilidade profissional e o bom nome" do jornalista Rafael Marques.

Para o partido da oposição angolana, os generais, assim como todos os efetivos militares, devem ser "apartidários".

"Porque entre os queixosos encontram-se generais a cumprir alguns dos mais importantes cargos do Estado angolano e do Exército, a tentativa de manipulação política em conotar o queixoso com a UNITA, envenena o caráter apartidário das Forças Armadas Angolanas (FAA) e o ambiente de reconciliação nacional, em curso no país desde 2002", escreve o secretário-geral do partido na carta que vai ser enviada para Portugal e a que a Lusa teve acesso.

A UNITA afirma que tomou "conhecimento parcial" sobre o processo em Portugal contra o jornalista Rafael Marques de Morais, "no qual os queixosos" acusam também o arguido de ser membro do partido.

"A UNITA desmente categoricamente a afirmação proferida coletivamente pelos queixosos, os generais Manuel Hélder Vieira Dias Júnior "Kopelipa", Carlos Alberto Hendrik Vaal da Silva, Adriano Makevela Mackenzie, António dos Santos França "Ndalu", João Baptista de Matos, Luís Pereira Faceira, António Emílio Faceira, Armando da Cruz Neto e Paulo Pfluger Barreto Lara, segundo a qual o jornalista é membro do partido UNITA", refere.

"A direção da UNITA reitera que relativamente à filiação partidária do jornalista Rafael Marques de Morais, os generais acima citados prestaram falsas declarações à justiça portuguesa, cabendo a esta a tomada de medidas legais adequadas", sublinha a carta do partido da oposição angolano.

A UNITA afirma, também, que a principal testemunha apresentada pelos generais às instâncias judiciais portuguesas, o Sr. Dianhenga Cambamba Ngingi, exerceu, nos anos 1990, as funções de secretário da UNITA em Caissesse, "na então zona independente do Cuango, província da Lunda-Norte".

A mesma testemunha, segundo a UNITA, também exerceu o cargo de fiscal de comércio, incluindo de diamantes, na referida zona, então ocupada pela UNITA durante a guerra.

"Em circunstância alguma, o passado do Sr. Cambamba Ngingi comprometeu a sua associação aos queixosos", indica o documento assinado pelo secretário-geral do partido.

Entre os queixosos, acrescenta a carta, encontra-se o general Adriano Makevela Mackenzie, que, "durante muitos anos foi um destacado quadro da UNITA" e comandante das extintas Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA).

"O facto de ter pertencido à UNITA não o diminuiu na sua relação profissional e de negócios com os seus colegas ora queixosos", indica a carta.

A UNITA vai apresentar o documento e pronunciar-se sobre os casos judiciais de que o jornalista Rafael Marques é alvo, em conferência de imprensa, na quarta-feira, em Luanda.

Entretanto, na terça-feira, o Ministério Público angolano pediu 30 dias de prisão para Rafael Marques, apesar de os representantes dos generais no processo de difamação sobre violação dos direitos humanos e exploração diamantífera terem aceitado as explicações do jornalista e ativista.

A posição foi assumida no final das alegações finais do julgamento, em que, segundo o advogado do arguido, David Mendes, os queixosos (generais) afirmaram que não havia motivos para continuar com o processo - após a explicação em tribunal -, deixando cair qualquer pedido de indemnização, tendo a defesa de Rafael Marques pedido igualmente a sua absolvição.

"É uma cilada. O que houve foi uma cilada. E o Estado angolano há de conhecer-me de uma forma muito mais dura", afirmou, questionado pela Lusa, Rafael Marques, que após o entendimento alcançado com a acusação acabou por prescindir de levar as suas testemunhas ao julgamento, tal como os representantes dos generais.

Rafael Marques é alvo de uma acusação de calúnia e difamação e duas de denúncia caluniosa, depois de ter exposto estes alegados abusos com a publicação, em Portugal, em setembro de 2011, do livro "Diamantes de Sangue: Tortura e Corrupção em Angola".

 

David Mendes foi autorizado para assumir a defesa de Julino Kalupeteka

Luanda - O líder da seita angolana "A luz do mundo", cujos fiéis se envolveram em confrontos mortais com a polícia e que está detido preventivamente há um mês, vai ser defendido em tribunal por advogados da associação Mãos Livres.


Fonte: Lusa


Dificilmente Kalupeteka terá um julgamento "justo"

A informação foi confirmada à Lusa pelo advogado e dirigente daquela associação cívica angolana, David Mendes, que depois de várias tentativas garantiu hoje a autorização de Julino Kalupeteka, através dos serviços prisionais, para assumir a sua defesa. O líder daquela seita está detido desde os confrontos no Huambo que levaram à morte, segundo a versão oficial, de nove polícias e 13 fiéis.


"Conseguimos que ele assinasse a procuração [para o representar]. Juntamos a procuração aos autos, requerendo que seja realizado um novo interrogatório, na nossa presença. Nos próximos dias esperamos ter acesso ao senhor Kalupeteka", explicou David Mendes.


A associação, que já escreveu ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pedindo uma investigação independente a este caso, face aos números díspares de mortos nos confrontos entre fiéis e polícia, tentava há algumas semanas assumir a defesa do líder desta seita, mas até agora sem sucesso.


Em causa estão os confrontos de 16 de abril, na Serra Sumé, província do Huambo, entre a polícia, que tentava dar cumprimento a um mandado de captura de Kalupeteka e outros dirigentes daquela seita ilegal em Angola, e alguns fiéis que estavam concentrados no acampamento daquela igreja.


Outras versões, nomeadamente da oposição angolana, apontam para "várias centenas" de mortos entre os seguidores da seita, cujo líder foi detido no dia seguinte, permanecendo desde então em prisão preventiva.


"Demos entrada do requerimento hoje, acho que a partir de segunda-feira estamos em condições de ter o primeiro contacto com o senhor Kalupeteka. Presumimos que esteja na cadeia central do Huambo, mas ainda não estivemos com ele", disse ainda David Mendes, que vai assegurar a defesa em tribunal do fundador desta seita, conhecida por advogar o fim do mundo em 2015 ou por travar a vacinação e escolarização dos fiéis.


É que face à mediatização deste caso, que motivou mesmo a condenação, por mais do que uma vez, do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, a Mãos Livres afirma que dificilmente Kalupeteka terá um julgamento "justo".


"Para ser sincero, não acredito. E não acredito pela intervenção do Presidente da República, que foi extemporânea. Como é que, numa questão que ainda estava numa fase inicial, o Presidente já tinha tomado um posicionamento? Influenciou diretamente naquilo que poderá acontecer", criticou, anteriormente, o advogado.


"Esse é o nosso receio, que não haja um julgamento justo, que as pessoas sejam condenadas sem que tenham direito a uma defesa condigna, porque publicamente já estão condenados", concluiu David Mendes.

Angola volta a rejeitar pedido da ONU para investigação a confrontos no Huambo

Luanda - Pela segunda vez no espaço de uma semana o governo angolano voltou a rejeitar a possibilidade de uma investigação independente aos acontecimentos no monte Sumi, no Huambo, em que um número indeterminado de pessoas morreram.

Fonte: VOA

Personalidades angolanas e partidos políticos da oposição pediram uma investigação independente aos confrontos entre a polícia e fieis da seita A Luz do Mundo e subsequentemente um pedido idêntico foi feito pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).

O ministro da justiça angolano Rui Mangueira disse em Luanda que Angola não irá permitir que as suas “instituições de soberania sejam agredidas por instituições de fora”, acrescentando que a polícia tem trabalhado no caso “com toda a lisura e transparência”.

Rui Mangueira acusou aqueles angolanos que afirmaram terem morrido centenas de pessoas nos confrontos de “levantarem números de uma forma irresponsável”.

"O Estado angolano já pediu ao Alto Comissário das Nações Unidas para justificar esta sua pretensão de ter uma comissão independente para investigar o caso, porque as Nações Unidas têm critérios, não podem ser utilizadas ao belo prazer das pessoas", disse o ministro.

Anteriormente o governo angolano tinha acusado aquele organismo da ONU de fazer declarações sem ter qualquer prova de que teria havido um massacre, acusando também aquele organismo de emitir comunicados com base em falsas declarações prestadas por “elementos tendenciosos e absolutamente irresponsáveis, com a intenção de difamar não só as instituições angolanas, mas também todos os seus cidadãos".

“Como é que a TPA pode falar com o Kalupeteka e nós deputados não podemos?”, interrogou-se Raul Danda

Washington - O líder da bancada parlamentar da Unita Raúl Danda disse que os Estados Unidos deveriam “privilegiar” as relações com instituições democráticas de Angola e não apenas com o Estado angolano.

Fonte: VOA

Danda respondia a questões de ouvintes nos estúdios da VOA no programa “Angola Fala só” desta sexta-feira 22, em que defendeu também uma investigação independente aos confrontos no Huambo com elementos da seita A Luz do Mundo, que é o único meio de se saber o que se passou de verdade no monte Sumi.

Raúl Danda disse que todas as acções do Governo indicam que houve uma tentativa de esconder o que na realidade que se passou e que vídeos que foram vistos nas redes sociais indicam claramente que algo de “terrível” se passou no local.

“Como é que a TPA pode falar com o Kalupeteka e nós deputados não podemos?”, interrogou-se o deputado da Unita em referência ao facto de a televisão pública ter tido um breve acesso ao líder da seita Julino Kalupeteka na cadeia onde se encontra no Huambo.

“Quem não deve não teme”, acrescentou Danda para quem uma comissão imparcial de investigação, com a participação de todos os interessados, seria a melhor solução.

O chefe da bancada parlamentar da Unita recordou que o seu partido tinha pedido uma comissão parlamentar de inquérito e que esse pedido tinha sido ignorado.

Interrogado por um ouvinte sobre o facto de o governador do Huambo ter dito que Danda era “um mentiroso”, o deputado recordou que o Governo de Kundi Paihama lhes tinha dito que a sua delegação poderia ter acesso ao local, mas depois ausentou-se para Luanda.

"Posteriormente um administrador impediu a delegação da Unita de se deslocar ao local com o vice-comandante da policia a dizer que tinha ordens superiores para não deixar os deputados deslocarem-se ao local", contou Dando, dizendo que “uma investigação ira revelar quem é o mentiroso”.

Dezenas de ouvintes enviaram os seus números de telefone e perguntas através das redes sociais para o programa que abordou uma vasta gama de assuntos, desde as eleições autárquicas à situação dos veteranos.

“As eleições autárquicas deveriam ter-se realizado ontem”, aclarou Danda, condenando os atrasos na realização das mesmas.

O chefe da bancada parlamentar da Unita disse que o seu partido está a preparar “um pacote legislativo” para que as eleições autárquicas sejam realizdas m 2016.

Em resposta à pergunta de um ouvinte, Raúl Danda disse não ser verdade que o seu partido não tivesse ganho deputados em algumas províncias de Angola.

O parlamentar justificou a sua posição com a fraude eleitoral realizada pelo MPLA e apelou os eleitores a saírem às urnas nas próximas eleições e a votarem sem medo.

Raúl Danda refutou a acusação de ser apenas um partido de lamentações e reiterou que a Unita é um partido de acção.

“Os direitos que os angolanos têm devem-se à Unita, os direitos inseridos na constituição devem-se à Untia, a existência de uma comissão eleitoral independente deve-se à UNITA”, acrescentou, afirmando ainda que é devido a essas leis que o MPLA se vê forçado “a violar a lei”.

O líder parlamentar do partido do Galo Negro, na sequência do comentário de um ouvinte, disse estar "de algum modo desiludido” com os Estados Undos que têm privilegiado relações com o poder, ou seja com José Eduardo dos Santos”.

“Na realidade o mais importante e o mais saudável seria privilegiar relações com as instituições democráticas no país”, disse o deputado da Unita.

Raul Danda, que falou nos estúdios da VOA, integra uma delegação do seu partido que durante uma semana esteve em Washington em contactos com o Departamento de Estados, membros do Congresso, incluindo do Senado, Fundo Monetário internacional -"com quem tivemos uma discussão de certo modo acesa durante cerca de duas horas”, disse aquele político, organizações de direitos humanos, como a Human Rights Watch e a Amnistia Internacional, o Instituto Republicano e o Instituto Nacional Democrático.

A delegação segue no fim de semana para a Bruxelas, Bélgica, onde vai manter contactos com instituições da União Europeia.

 

MPLA ameaça suspender debates mensais no parlamento

Luanda - O partido no poder em Angola, MPLA, ameaçou suspender os debates parlamentares mensais depois da oposição ter boicotado um debate sobre o salário mínimo na passada sexta-feira.

Fonte: VOA

O debate havia sido pedido pela Casa-CE, mas foi boicotado pelos partidos da oposição que abandonaram a sala depois de a imprensa ter sido impedida de assistir ao mesmo.

A oposição, que classificou a decisão do Parlamento de censura, adverte ainda o partido governamental para as consequências que podem resultar da decisão de suspender esses debates.

O chefe-adjunto da bancada parlamentar da Unita Adalberto da Costa Júnior disse nesta segunda-feira, 25, à VOA que a supressão dos debates ou a revisão do seu formato é contra os interesses dos angolanos.

Costa Júnior afirmou ainda a decisão de proibir o registo dos debates por parte dos jornalistas foi tomada por causa da sensibilidade do tema proposto.

O protesto da oposição foi descrito como sendo “radical” pelo chefe da bancada parlamentar do MPLA Virgílio de Fontes Pereira que admitiu a possibilidade de os debates virem a ser eliminados, supostamente porque as exigências feitas são contra o regulamento do Parlamento.

O deputado da Casa-CE Alexandre Sebastião declarou também que o aviso de Virgílio de Fontes Pereira revela que existem verdades que o MPLA não quer que se oiçam.

Sebastião avisou que a suspensão dos debates será mais um passo para a ditadura.

Os dois deputados disseram que a oposição não abandonou a sessão, mas apenas rejeitou participar nos debates face ao que descreveram de “censura imposta aos jornalistas” pela mesa da Assembleia Nacional.

UNITA insta “Nandó” a não voltar a expulsar jornalistas da Assembleia Nacional

Luanda - O Grupo Parlamentar da UNITA vem, por este meio, tornar público o seu manifesto desagrado com a tendência, cada vez maior, da restrição das liberdades na casa das leis, na sequência dos acontecimentos registados com a imprensa que cobria o debate mensal sobre o Salário Mínimo Nacional, no dia 22 de Maio do ano em curso.

Fonte: UNITA

Na ocasião, depois de informado pelos jornalistas sobre as limitações a que foram submetidos para deixarem de fazer a cobertura do Debate e, retirarem­-se da Sessão, o Grupo Parlamentar da UNITA, em concertação com outras forças da oposição representadas no parlamento, instou o Presidente da Assembleia Nacional, a rever a medida e repor a legalidade, cumprindo o que está estatuído no Regimento Interno da Assembleia Nacional e da Constituição da República de Angola, no que diz respeito a divulgação dos conteúdos da Assembleia Nacional. Tal petição foi feita na voz do 1oVice­-Presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Adalberto Costa Júnior, que considerou ser um retrocesso para a democracia angolana, quando a casa das Leis, que seria por excelência o garante das liberdades e do pluralismo, protagoniza censura à imprensa, na cobertura aos trabalhos do parlamento. Esta posição foi secundada pelo Presidente do Grupo Parlamentar da CASA­CE, André Mendes de Carvalho, que condenou igualmente a postura da Direcção da Assembleia Nacional e exigiu a readmissão dos jornalistas.

O Grupo Parlamentar da UNITA, não abandonou o Parlamento, como muitos círculos queriam fazer entender, simplesmente solidarizou­-se com os jornalistas, cujas liberdades foram coartadas, ao arrepio da Constituição e da lei e, por isso, decidiu não intervir num debate sem cobertura da imprensa. Não tendo sido atendida esta petição, os Deputados da Oposição chamados pelo Presidente da Assembleia Nacional para fazerem as suas intervenções no Debate, disseram não haver condições para o efeito. Esta posição foi secundada pelo Presidente do Grupo Parlamentar do MPLA, Virgílio de Fontes Pereira, que explicou ao Presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, a sua posição de orientar os Deputados do seu Grupo Parlamentar a não tomarem igualmente a palavra, por não existirem condições para o efeito.


Na sequência destes pronunciamentos, o Presidente da Assembleia Nacional viu­ se obrigado a dar por encerrado o Debate, por reconhecer não existirem, de facto, condições para prosseguir. O Grupo Parlamentar da UNITA, já manifestas vezes repudiou o facto de não haver transmissão em directo das Sessões Plenárias da Assembleia Nacional, chamando atenção para a necessidade de se garantirem e se respeitarem as liberdades e direitos constitucionalmente consagrados. Luanda, 25 de Maio de 2015 O Grupo Parlamentar da UNITA

Suecia: Angola gasta mais em defesa do que a África do Sul e a Nigéria junta

Suecia - Angola sozinha gasta mais em defesa do que a África do Sul e a Nigéria juntas, segundo contas do Expansão a partir de dados de 2014 compilados pelo SIPRI, acrónimo inglês de Instituto de Investigação para a Paz Internacional de Estocolmo.


Fonte: Expansão


Na educação e na saúde, fundamentais para o desenvolvimento a longo prazo, sucede o inverso


Segundo a organização sueca, Angola liderou destacadamente o ranking africano de despesas militares do ano passado, com 6,8 mil milhões USD, contravalor dos 673 mil milhões Kz inscritos no OGE de 2014 - o SIPRI não considera os gastos com a segurança e ordem pública, que ultrapassaram 500 mil milhões Kz.


Em 2014, a soma dos gastos militares das duas maiores economias de África não ultrapassaram 6,2 mil milhões USD: 3,9 mil milhões USD na África do Sul e 2,3 mil milhões USD na Nigéria - a diferença entre o total e a soma das partes deve-se a arredondamentos.


O que justifica que a terceira maior economia de África gaste mais defesa do que as duas maiores juntas? "Os gastos militares de Angola podem ser justificados, entre outros factores, com a localização geoestratégica do País", diz António Luvualu de Carvalho, professor de Relações Internacionais, em e-mail enviado ao Expansão.


"A localização geográfica de Angola obriga o País a ter grandes despesas militares para ter um Exército sempre em prontidão para responder às dinâmicas das regiões onde se encontra", precisa o também analista político.

"Hoje, as organizações sub-regionais assumem-se como elementos primordiais para o garante da paz no continente e não só", prossegue, destacando "o papel que Angola assume em duas: na Comunidade Económica da África Central (CEEAC), e na Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), cada uma delas tem os seus protocolos militares." A nível continental, lembra o professor da Lusíada, "não podemos esquecer que Angola é um actor central na African Standby Force (ASF) e na African Capacity for Immediate Response to Crises (CARIC), que devem substituir as ASF".


Como se alimenta esta máquina militar?, questiona. "Também, não nos podemos esquecer da protecção das nossas vastíssimas fronteiras".


A título de exemplo, Angola tem com a RDC a 12.ª maior fronteira terrestre internacional por comprimento com 2.511 km. Como é que se protege essa fronteira com os perigos todos que sabemos existirem?, questiona de novo. Belarmino Van-Dúnem, também especialista em Relações Internacionais, ouvido pelo Expansão, subscreve o argumentário geopolítico: "As forças armadas angolanas ainda estão num processo de reforma, e de reedificação e modernização. O que implica investimentos avultados na formação e na compra de material de guerra adequado à realidade regional, continental e mundial, de forma geral", elabora.


Ao contrário do que fez a Nigéria por razões de ordem interna. Segundo o também professor universitário e analista político, "a Nigéria tem um défice no que refere ao investimento nas Forças Armadas devido à desconfiança existente nas forças armadas, pois parte do investimento tem ido parar a mãos erradas, nomeadamente nas dos terroristas do Boko Haram", diz.


"Por isso, o governo do presidente Goodluck Jonathan deixou de investir nas Forças Armadas, tendo investido somas avultados na compra de serviços de segurança fora do país, inclusive mercenários", conclui. Uma atitude que custou caro a Jonathan, segundo Luvualu de Carvalho.


"O avanço do grupo Boko Haram, que dividiu a Nigéria em duas e ameaçava outros países da região como o Níger e os Camarões, deve-se ao fraco investimento nas Forças Armadas do país que o povo 'condenou' nas eleições infligindo uma pesada derrota a Goodluck Jonathan, elegendo o major-general Muhamadu Buhari que já conferiu outra cara ao Exército nigeriano", justifica.


Os dois especialistas coincidem também ao explicar por que é que a África do Sul gasta menos do que Angola na defesa. O baixo nível de despesas militares sul-africanas "pode estar relacionado com a estrutura das Forças Armadas, que é auto-sustentada. O exercito sul-africano possui uma indústria de guerra com exportação, além de prestar serviços nas mais diversas áreas, captando, assim, receitas". "Muito do que Angola compra na África do Sul é produção local", diz, por seu turno, Luvualu de Carvalho.


"Apesar de ser comprovadamente a maior potência económica do continente, no capítulo militar não tem tantas despesas, pois sabemos que tem uma indústria militar muito desenvolvida".


Se nas despesas militares Angola leva a melhor sobre a África do Sul, na educação e na saúde, fundamentais para o desenvolvimento a longo prazo, sucede o inverso. A diferença é especialmente notória na saúde, onde os sul-africanos gastaram, em 2013, o equivalente a quase 9% do PIB, mais de duas vezes o esforço de Angola (3,8%) e da Nigéria (3,9%).


Na educação, a África do Sul despendeu, em 2010, 6% do PIB; em Angola, essa percentagem não ultrapassou 3,5% - não existem dados para a Nigéria. Angola não se destaca apenas em valor absoluto. O País também lidera o ranking dos gastos militares por habitante, com 310 USD, muito à frente da Namíbia e da Guiné Equatorial, segunda e terceira, respectivamente, com 238 USD e 208 USD.


Considerando o esforço relativo que os países fazem nos gastos militares, seja em percentagem produto interno bruto (PIB), seja em percentagem das despesas públicas totais, Angola cai para o terceiro lugar do ranking africano. Em 2014, as despesas militares angolanas absorveram o equivalente a 5,2% do PIB, muito atrás do Sudão do Sul, primeiro neste critério, com 9,3% do PIB, mas muito próxima do Congo, segundo, com 5,6% PIB.


No mesmo ano, os gastos militares consumiram 12,5% do 'bolo' orçamental angolano, num ranking liderado, mais uma vez, a grande distância pelo Sudão do Sul, com 20,8%. Muito atrás do Sudão e colada a Angola, surge a Guiné, com gastos militares equivalentes a 12,6% do OGE.

Angola: Projecto Sábado Académico 2015 priorisa jovens

Luanda - O membro do Bureau Político do Comité Central do MPLA, Sérgio Luther Rescova, afirmou  sábado, em Luanda, que os jovens angolanos têm prioridade nos programas do governo e vão beneficiar-se do próximo projecto Sábado Académico 2015, promovido pela JMPLA.

Fonte: Angop

Em declarações à imprensa, no acto de encerramento do 1º Seminário Metodológico de Capacitação dos Dirigentes e Quadros da organização, adiantou que a JMPLA, através deste seu projecto, reafirmará este ano a premiação dos melhores estudantes nacionais.

O também 1º Secretário Nacional da JMPLA informou que vão distinguir os melhores, nas várias instituições de ensino, a nível dos municípios e sedes provinciais.

Explicou que é uma tarefa fundamental que visa a promoção dos valores cívicos dos jovens, tendo em vista a sua dedicação e formação académica.

Reconheceu o desenvolvimento do sector da educação desde o alcance da paz definitiva em 2002.

Informou, por outro lado, que a educação patriótica, baseada no respeito mutuo, é uma tarefa fundamental e absoluta, daí o seminário ter procurado transmitir as linhas gerais do trabalho da JMPLA no país.

Fez saber igualmente que está em curso uma campanha implementada pelo Executivo, assente no processo de registo civil a nível das comunidades.

Encorajou os militantes da JMPLA e todos os cidadãos angolanos a cumprirem com a tarefa de cidadania, tendo uma identificação devidamente equacionada com o registo de cidadão.

Recomendou aos participantes a transmissão com clareza das orientações nas estruturas de base, por serem elas que lidam dia-a-dia e directamente com os jovens.

Participaram no encontro 253 membros do Secretariado Nacional da JMPLA, que aprovaram uma Moção de apoio ao Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

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