Zaire – O presente artigo tem como objectivo de reportar o que pude sentir depois de eu ter tido o artigo de Angop que noticiava as movimentações governamentais feitas pelo novo governador do Zaíre. Cito o texto transcrito no site da Club-k: “O governador da província do Zaire, José Joanes André, exonerou esta terça-feira os administradores municipais de Mbanza Kongo, Soyo, Tomboco e Kuimba, ao abrigo da Lei da Organização e Funcionamento dos Órgãos da Administração Local do Estado”, fim da citação.

Fonte: Club-k.net

Aqui me interessa falar do município de Soyo onde estive recentemente. O que era especulação agora se tornou realidade. Porque está confirmado que temos uma nova administradora.

É sobre os desafios que a nova governante tem pela frente é o que me leva a dissertar acerca de questões que me preocupam faz muito tempo. Exponho aqui no presente texto de maneira crítica construtiva, manifestando o que penso e espero da nova administradora e do novo governador. O que defendo e demonstro aqui sou capaz de expressar de viva voz e com a mesma frontalidade diante dos responsáveis mencionados.

Os desafios da nova administradora do Soyo, a senhora Lúcia Tomás, são imensos. Antes de tudo, eu gostaria de tecer algumas considerações quero felicitar a essa nobre mulher angolana, filha da minha terra de Soyo.

Parabéns pela nomeação da senhora como administradora do município produtor de petróleo, embora esse ouro preto não seja a única e a mais importante fonte de riqueza no município, porque temos outras riquezas em Soyo. Porém, não podemos deixar de considerar a importância do ouro negro, que muito tem beneficiado, ou contribuído, para o crescimento económico do país. Isto sem esquecer do petróleo de Cabinda e outras localidades de Angola.

Eu dizia que temos outras riquezas no Zaire, basta ver a produção alimentos vindos de Tomboco. É uma coisa belíssima que nos demonstra como somos ricos em nossa província. É com grande pesar e dor que vemos o descaso do governo do Zaire, por não saber aproveitar outras fontes de economia, diria mesmo é um problema vindo de cima. Isto é, deficiência de governo central. Prefere-se importar tudo até “bundas” em carnavais, como aconteceu em 2004. Foi matéria do jornal Folha 8 (Consultar Folha 8, Sábado, 28 de Fevereiro de 2004).

Os amantes de Angola e seus habitantes aspiram grandes coisas, e uma delas é o desenvolvimento da província do Zaire e de outras províncias de Angola, mas infelizmente a centralização das obras de construção em Luanda e sul de Angola, fazem com que a província do Zaire permaneça no esquecimento.

Muito se tem escrito nos diversos sites, como por exemplo, Angola24horas.com e Club-k.net. Tem-se prometido muita coisa no que diz respeito à atribuição de 10% de produto, ou da riqueza, para a província do Zaire e Cabinda, mas infelizmente, nada vemos só se fica nas boas intenções e promessas. E de boas intenções só até o inferno está cheio.

Cada ano eleitoral, e em cada encontro com os sobas do Soyo, os governantes de hoje, e de ontem, fazem muitas promessas que já se tornam habituais, devido ao descumprimento ou incumprimento das mesmas. E eles “coitados” ficam conformados porque em Angola ainda impera o pensamento: “chefe é chefe, só ele manda e determina, a autoridade é intocável e inquestionável”.

Saí um governante e entra outro, e as coisas continuam na mesma. É a mesma conversa no quintal. Só mudam as personagens. Nisso, o povo fica duvidoso. Isso é verdade. Visto que após a exoneração do antigo administrador, o saudoso senhor Manuel António, o povo do Soyo ficou céptico.

Quer dizer, passa a pensar que mais uma que veio para uma temporada. Li num dos comentários postado na internet dizendo que “a nova administradora, a diníssima senhora Lúcia Tomás, é filha da terra. Mas para que vale ser governada pela nativa de Soyo (ou Zaíre) se ela mesma não nos representou, e nem levantou a sua voz em favor de nosso município ou província, quando ela foi deputada? O que fará de novo?”, questionaram os internautas.

Mas creio que milagres acontecem. Vamos esperar, ver para crer. Vamos torcer, mas opinando se as coisas não melhorarem. As autárquicas virão um dia. E vamos tirar quem nos desgoverna ou envergonha...

O que expresso nesse espaço representa o pensamento, o sentimento e o desejo profundo do povo de Soyo. O povo quer mudanças. As mudanças são simples. Primeiro, reparação de picadas existentes no município do Soyo. Estou a me referir das vias que ligam os bairros: Nova, Paróquia Imaculado de Maria, rua da Central Eléctrica de Soyo para “praça municipal” que não é mais mercado, na minha opinião, porque é um entulho de lixo como podem observar nas fotos abaixo.

Falo da praça 1º de Maio até a antiga oficina de João Mendes. Hoje serve de parque para paragem de autocarros e mercado ao mesmo tempo... Não há opção.

Não deixarei de destacar as coisas boas que vi no Soyo, por exemplo, a construção do novo aeroporto de Soyo. A construção e a inauguração da Mediateca que permitirá os alunos a pesquisarem mais via internet.

Faço a seguinte sugestão, criem bibliotecas com uma qualidade e quantidade de livros boníssimos como aquela biblioteca idêntica a “Casa de Angola na Bahia”, no Brasil. Que maravilha ver aquele recinto e o acervo de livros que possui, as exposições da arte angolana, ao passo que em nossa terra não temos bibliotecas para leituras ou pesquisas.  

Espero que se faça mais em nosso município e outros da província, como Nzeto e Tomboco. E outras regiões das terras do Kongo dia Ntotela. Queremos ver comprimidas as promessas do acabamento da famosa obra de auto-estrada que ligará Soyo e Luanda. Para que se percorra aquela via com menos tempo e com segurança na estrada. 

Portanto, gostaria de ver aqueles tractores e camiões (estão entre a o povoado de Kitona e Impanga) parados nas vias de redondeza de Soyo a funcionarem; ou que nos expliquem porque as obras estão paradas e os tractores e camiões que estão parados nas garagens estão a estragar.   

O dinheiro mal gasto que poderia ser aplicado na construção de mais escolas, em vez das nossas crianças continuarem a estudar em igrejas emprestadas, sem carteiras. Não precisamos de habitações pré-fabricadas, emprestadas ao Ministério da Educação, como é o caso da faculdade para formação de novos pedagogos em Soyo.

Segundas as informações vindas das populações de Soyo, afirmam que a referida instituição superior de formação pedagógica foi uma habitação provisória dos trabalhadores, porém, passou a ser uma sede para formação dos professores. Parabéns pela iniciativa de ter instalado um curso para os professores a nível superior. Mas, Soyo fornece dinheiro suficiente que pode ser aplicado na construção de faculdades não pré-fabricadas.

Peço em nome do povo Zaire que se respeitem as aspirações do povo humilde e bondoso do Soyo. Mas se as coisas não melhorarem nós munícipes levaremos a cabo uma educação consciêncializadora que irá retirar, no seio do povo, as administradoras e governantes de fachada. Temos capacidade para isso e levaremos esse projecto adiante.

Felicito os governadores e administradores que deixaram os cargos e que façam o melhor nas próximas incumbências atribuídas a vós todos. E aos novos administradores transcrevo o comentário que eu havia apostado no portal “Club-K” que foi retirado cujo teor foi:

“O cão muda de lugar, mas leva consigo suas pulgas. Para os antigos e novos representantes do povo do Zaire só diria que façam a diferença depois da nomeação. Porque o povo está cansado de estagnação social e da miséria e orfandade em que está imerso. Zaire começa com Z e essa província está na cauda de Angola, em termos de desenvolvimento e investimentos do governo Central.

Resumiria os sentimentos dos habitantes de Soyo dizendo: estamos no abandono total. Nessa senda, gostaria de apelar para nova administradora de Soyo, Lúcia Tomás, e com todo respeito, que resolva os problemas de falta de energia e água. Manda consertar as picadas deixadas pelos colonos. Além da avenida que liga o aeroporto, que está bonito, até Kwanda, precisam ser arranjadas as vias que dão acesso ao "mercado municipal” que na minha opinião o lugar não possui condições dignas para se vender os alimentos. É uma vergonha ver o lixo ao céu aberto e os alimentos que são vendidos em péssimas condições de higiene”.

Faltam-nos em alguns lugares de Angola, as medidas de vigilância sanitária e medias profiláticas, ou de prevenção de doenças. A isso chamo de urgência e emergências administrativas dos governantes de Angola. Não é uma realidade única de Soyo, pois vi a sujeira em Luanda. É triste ver isso como estudante de enfermagem. Lamento e lamento.

Confiram as imagens da realidade da praça de Soyo e tire as vossas conclusões. Não esqueça de ver o que está bom e louvável trata-se da obra do aeroporto de Soyo. Nós queremos mais.

Faltam medidas profiláticas ou preventivas em nossa Angola. Onde está a vigilância sanitária? Os fiscais cobram o dinheiro e o lixo não é retirado. É uma vergonha para um município que produz petróleo (Soyo) que sustenta a economia de Angola. (imagem 3)

A mais chocante de todas as fotos, visto que coloca em risco a saúde pública, porque a maioria das doenças são provenientes de águas e alimentos contaminados e outras doenças são provocadas por picada de mosquitos como é o caso da malária. Para isso, é urgente atacar a origem das doenças. Precisa-se investir em saneamento básico e na recolha de lixo. Veja a lama e o peixe.

Esse é o Soyo que nos envergonha e não nos orgulha... Mas é o que temos... Que pena!!! Lama exposta e a vendedora a comercializar o peixe para o consumo humano. Para os fiscais do município isso é normal! Para mim não. Nós vemos que está errado e calamos e depois choramos se alguém morre, e o pior em tudo isso, nós encontramos os culpados e chamamos os velhos de feiticeiros se alguém morre de diarreia. Olha a causa e a descaso pela saúde pública.

Coisas boas e o Soyo que queremos e almejamos são novas construções ordenadas e com urbanização. Novas escolas, nisso parabéns para o governo do Zaíre e o povo agradece pelo gás botânico se chegar a nossas cozinhas.

Fraternalmente, frei Luzolo Lua Nzambi.



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