Luanda – As ideias políticas de Jonas Savimbi foram a mola impulsionadora das mudanças que ocorreram e ocorrerão nas diversas etapas da história de Angola. E quando Angola for verdadeiramente Angolana, as suas ideias farão parte da Galeria das Ideias Politicas dos Politólogos Angolanos, Africanos e não só. Senão vejamos, só para dar um exemplo da profundeza do seu ideário:

Fonte: UNITA
Jonas Malheiro Savimbi na génese da UNITA estabeleceu os seguintes princípios:

1 - Liberdade e Independência Total para os Homens e para a Pátria Mãe. Ele preconizava a liberdade da Pátria e dos seus cidadãos como uma propriedade politica activa que devia designar o espaço geográfico e a vida prática dos Angolanos. – Ainda é hoje valido.

2 - Democracia assegurada pelo voto do Povo através de vários Partidos Políticos. Para Jonas Savimbi a Democracia devia se constituir num valor que integra o quadro jurídico-político e a acção prática das instituições politicas publicas, da acção governativa e da cultura cívica do cidadão Angolano de formas a participar com a sua consciência nas decisões politicas, económicas e sociais do País. – Ainda é hoje valido.

3 - Soberania expressa e impregnada na vontade do Povo de ter amigos e aliados primando sempre pelos interesses dos Angolanos. Jonas Savimbi era por uma politica de soberania baseada na dinâmica dos factores internos como o nosso Povo, a nossa Terra e o nosso próprio esforço de realização, elementos básicos que permitem estabelecer e reforçar as relações de amizade e cooperação com os outros povos e nações, sem subalternizar os Angolanos aos interesses dos outros países. O Angolano como ponto de partida e de chegada de todo o exercício político-partidário e da acção administrativa. – Ainda é valido.

4 - Igualdade de todos os Angolanos na Pátria do seu nascimento. Jonas Savimbi defendia uma sociedade com um quadro jurídico que tenha capacidade e grandeza moral de proteger e dignificar na prática a natureza multiétnica, multiracial, multicultural, multi-classista, multilinguística da sociedade angolana, para que o Angolano pobre ou rico, letrado ou não, rural ou litorino, suburbano ou citadino, branco, mestiço ou negro, Chokue ou Bakongo, Kimbundu ou Vassekele, Umbundu ou Kuanhama, etc., etc., sejam um só, iguais perante a Lei e perante a prática governativa, iguais em oportunidades para se suplantar a herança colonial negativa de Angolanos de 1ª de 2ª ou de 3ª classes. – Continua ou não válido este princípio?

5 - Na busca de soluções económicas, priorizar o campo para beneficiar a cidade. Jonas Savimbi defendia um quadro politico-socio-económico estrutural suficientemente sólido e racional para garantir equilíbrios de oportunidades económicas que valorizem e dignifiquem os cidadãos do meio urbano, rural ou suburbano, numa integração económica entre o litoral e o interior, entre sedes provinciais e municipais, entre comunas e aldeias; um sistema económico em que o Angolano, produtor ou consumidor, é o elemento chave para o progresso e o desenvolvimento, que pode influenciar o ordenamento e distribuição demográfica, e o bem-estar sócio-moral e ético do Angolano. - Não é o que está hoje em falta?

Este era o sonho de Jonas Malheiro Savimbi que procurava dar honra e dignidade a Pátria, valorizar o Homem Angolano como riqueza principal e força principal e activa do desenvolvimento sócio-económico do País e a aproximação politica e criadora dos tempos.

Afinal Jonas Malheiro Savimbi foi e será sempre para os excluídos, a sua fonte de inspiração na luta pela justiça social e pela conquista de uma vida digna para todos os cidadãos desta Pátria. O Homem que dedicou toda a sua vida em defesa dos Angolanos.

Por amor a Pátria, defesa intransigente da Terra e do Homem nú, o autóctone e seu património cultural, o Dr Jonas Malheiro Savimbi transformou-se no expoente máximo do Patriotismo Angolano, tombando heroicamente, aos 22 de Fevereiro de 2002, negando à exílios, clemências, amnistias, integração, elementos que só perpetuam a injustiça social, a exclusão, a intolerância contra as camadas mais desfavorecidas deste País mártir. O Projecto de Jonas Savimbi continua vivo, válido e actualizado no tempo e nas circunstâncias.

Portanto, é com o devido reconhecimento e merecimento que o 22 de Fevereiro, dia da sua morte em combate, é consagrado pela UNITA como o dia do Patriota.

Quando se comemora o 12º aniversário do passamento físico do Dr Jonas Malheiro Savimbi, é hora de todos os Angolanos genuínos e excluídos se unirem para que brevemente o seu sonho se torne realidade. Unamo-nos para que a Pátria não nos desmereça porque o seu Povo precisa e merece uma vitória para o bem comum.

UMA VIDA POR ANGOLA E PELOS ANGOLANOS

Jonas Malheiro Savimbi nasceu aos 3 de Agosto de 1934, no Munhango, uma vila situada ao longo do Caminho de Ferro de Benguela. Filho de Loth Malheiro Savimbi e de Helena Mbundu Sakato Savimbi.

Muito cedo despertou em si o espírito patriótico-nacionalista que o acompanhou durante toda a sua vida. Formou-se em ciências politicas e jurídicas na Universidade de Lausanne - Suíça, com distinção. Muitos por este mundo procuram saber a verdade sobre quem foi Jonas Savimbi cujos adversários tratam de deturpar e ofuscar para apagá-lo da história. Porém, os factos são teimosos e quando se constituem em contributo para a História da Humanidade, eles são inapagáveis.

ALGUNS FACTOS

• Jonas Malheiro Savimbi, inconformado com a realidade colonial no seu País, ingressa na UPA (União dos Povos de Angola) em Fevereiro de 1961. A sua influência fez-se sentir imediatamente, tendo sido nomeado Secretário Geral desse Movimento. A acção politica de Jonas Savimbi encorajou muitos jovens intelectuais a aderirem àquela organização nacionalista, facto que veio dar um novo ímpeto à UPA.

• Em 1962 conseguiu convencer os Dirigentes do PDA (Partido Democrático Angolano) e da UPA a uma fusão de que resultou a FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola). Ainda neste ano, com o seu contributo directo, constituiu-se o GRAE (Governo Revolucionário de Angola no Exílio), primeiro instrumento politico – jurídico nacional opositor do regime colonial e Jonas Malheiro Savimbi desempenhou funções de Ministro dos Negócios Estrangeiros desse Governo. A sua habilidade diplomática permitiu, tão cedo, o reconhecimento do GRAE pelas instituições regionais e internacionais.

• Jonas Malheiro Savimbi, aos 25 de Maio de 1963 participou na criação da OUA (Organização da Unidade Africana) como Presidente da Comissão de todos os Movimentos de Libertação de África, que endereçou um Memorando aos Chefes de Estado Africanos, lido diante da Assembleia Magna da OUA pelo veterano do Quénia Onginga Ondinga. Esta Comissão era dinamizada por Jonas Savimbi – Presidente, Mário Pinto de Andrade – Secretário e Dr Julius Kianu – Relator.

• As divergências de pensamento e método politico com a Direcção da UPA quanto à condução da luta levaram Jonas Malheiro Savimbi a abandonar a organização e fundar a União Nacional Para a Independência Total de Angola – UNITA, criando assim mais um espaço politico de luta de libertação para dar novo impulso à luta anti-colonial, baseando-se em três princípios fundamentais:
a) Direcção no interior do País;
b) Contar essencialmente com as nossas próprias forças;
c) Consciencializar o Povo e uni-lo na luta pelos seus direitos inalienáveis.

Assim a UNITA, sob Presidência de Jonas Malheiro Savimbi é criada aos 13 de Março de 1966 no Muangai, província do Moxico, apresentando aos presentes o seu Projecto Politico baptizado de Projecto do Muangai ou Projecto dos Conjurados do 13 de Março, que veremos mais adiante.

• A 4 de Dezembro de 1966, Jonas Malheiro Savimbi recebe o “baptismo de fogo” no ataque ao posto colonial de Kassamba, comandado directamente por ele. Mas foi a 25 de Dezembro de 1966 no ataque à Teixeira de Sousa que oficialmente a UNITA sob liderança do seu Presidente, inicia a Luta Armada de Libertação Nacional. Este ataque deu a UNITA a sua personalidade politica e o seu reconhecimento nacional e internacional.

• De 01 à 06 de Julho de 1967, Jonas Malheiro Savimbi é detido na Zâmbia, quando fazia uma digressão no exterior do País para angariar meios para a continuação da luta, devido aos ataques que a UNITA levava a cabo ao longo do Caminho de Ferro de Benguela (CFB). Aprisionado durante 06 dias, Jonas Savimbi, graças a intervenção do Presidente Nasser do Egipto junto do Presidente Kaunda, é exilado no país de Nasser durante nove meses, de onde regressa clandestinamente à Angola, em Julho de 1968.

• Jonas Malheiro Savimbi foi o único Dirigente dos Movimentos de Libertação Nacional que se encontrava no interior do País por ocasião do 25 de Abril de 1974. Por isso, Jonas Savimbi viu-se obrigado a deslocar-se para o exterior do País com vista a procurar uma aproximação com os outros Presidentes dos Movimentos de Libertação para estabelecerem uma plataforma de cooperação em face da presente realidade político-militar. Assim, aos 25 de Novembro de 1974 em Kinshasa – Zaire, Jonas Savimbi assinou a plataforma de cooperação com Holden Roberto da FNLA. Aos 18 de Dezembro de 1974 assinou a plataforma de cooperação com António Agostinho Neto do MPLA, no Luso – Moxico. De recordar que as conversações com o Presidente Neto iniciaram em Dar-es-Lam/Tanzania em Novembro do mesmo ano e no Luso assinou-se a plataforma.

• Jonas Malheiro Savimbi promoveu a Conferencia de Mombaça no Quénia em que participaram os Lideres dos três Movimentos de Libertação, onde concordaram estabelecer uma plataforma de entendimento e cooperação criando condições conducentes à negociação com a entidade colonizadora, para a Independência de Angola. Esta Conferência ocorreu de 03 à 05 de Janeiro de 1975.

• Por ocasião das discussões dos acordos de Alvor Jonas Savimbi apresentou o texto onde defendia a multiracialidade de Angola e enriqueceu, também, os princípios referentes as eleições gerais. Jonas Malheiro Savimbi foi signatário dos Acordos de Alvor à 15 de Janeiro de 1975 juntamente com Holden Roberto e Agostinho Neto e os seus Movimentos (FNLA, MPLA e UNITA) reconhecidos como os únicos representantes do Povo Angolano.

• Os Acordos de Alvor eram o único instrumento político-jurídico de transição do poder do regime colonial português para os Angolanos, representados pelos três Movimentos de Libertação. Esta transição passaria por eleições livres em Outubro de 1975 e o Governo saído das eleições proclamaria à 11 de Novembro de 1975, em nome de todo Povo Angolano, a Independência do País.

• Muito cedo o MPLA iniciou a inviabilização da aplicação dos Acordos de Alvor, excluindo do processo a FNLA e a UNITA. Em face desse clima de violação dos Acordos, Jonas Savimbi, numa tentativa de salvá-los, aos 16 de Junho de 1975, promoveu a cimeira de Nakuru (Kénia) entre os Dirigentes dos três Movimentos para se restabelecer a Paz no País antes da data acordada para a Independência.

• Infelizmente, o MPLA violou totalmente os Acordos de Álvor e autoproclamou-se como o único representante do Povo Angolano e adjectivou os outros Movimentos de inimigos e por isso nenhum palmo de terra para esses inimigos em Angola.

• Assim, a 11 de Novembro de 1975 Agostinho Neto proclama a Independência de Angola em nome do Comité Central do MPLA e não do Povo Angolano.

• Perante esta exclusão, acrescida a máxima de que para o inimigo (UNITA) nem um palmo de terra, Jonas Malheiro Savimbi em frente da UNITA apela à uma Resistência Popular Generalizada contra o regime mono-partidário e ditatorial do MPLA, apoiado pelo imperialismo russo-cubano.

• Assim, durante 16 anos, Jonas Malheiro Savimbi dirige a Resistência contra o expansionismo russo-cubano e o monopartidarismo, tendo angariado apoios e simpatias interna e externamente. Classificado como Estratega Polito-Militar de Craveira Internacional; Combatente pela Liberdade; Esperança de Angola pelos países amantes da liberdade e democracia, Jonas Savimbi, obrigou a saída dos cubanos de Angola e o fim do monopartidarismo.

• Aos 31 de Maio de 1991, Jonas Savimbi assinou os Acordos de Bicesse/Portugal com Eduardo dos Santos, acordos que puseram fim a Republica Popular de Angola, levando o País as primeiras eleições gerais em Setembro de 1992.

• As eleições de 1992 foram classificadas pela oposição de fraudulentas e não credíveis, reabrindo assim o clima de instabilidade.

• Aos 16 de Outubro de 1992, Jonas Savimbi, em nome da UNITA aceita os resultados das eleições para evitar o impasse e o regresso a guerra. Mas como as maquinações no sentido de voltar a impor o cenário de 1975/76 tinham amadurecido, o MPLA pôs em marcha a sua estratégia de genocídio politico-tribal, massacrando Dirigentes e Quadros, assaltando e espoliando todo o património da UNITA.

• Mesmo diante deste clima, Jonas Savimbi procurou sempre vias do diálogo para solucionar o conflito pós-eleitoral, protagonizando variadíssimas iniciativas diplomáticas em prol da Paz.

• A carreira de Jonas Savimbi foi fundamentalmente de um cidadão sensível aos problemas do seu Povo; de um empenho total as causas profundas e legítimas do seu Povo; de um condutor de homens cujo pensamento e acção determinaram a evolução do processo de Libertação do Povo de Angola e de África Austral, tornando-lhe num dos Patriotas mais vibrantes e empreendedores do fim do Século XX.

• O Dr. Jonas Malheiro Savimbi tinha uma visão clara e convicta da dinâmica da sociedade e da necessidade de se ajustar a prática politica a evolução inevitável da história. Foi ele, o único Dirigente Nacionalista Angolano que circunscreveu nos ideais do seu Movimento, aquando da sua fundação em 1966, a democracia assegurada pelo voto do Povo através de vários Partidos Políticos. Impregnado deste valor, Jonas Savimbi, lutou com ele contra o colonialismo e o exclusivismo do sistema monopartidário.

“Nós na UNITA sabemos manter a fé quando ela falha noutros corações e noutras almas. Nós sabemos estar de pé quando os outros se prostram”. Dr Savimbi.



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