À
Sua Excelência,
Engº José Eduardo Dos Santos
Presidente da República

C/C: Bureau Político Do Mpla
 
39 Anos, Feliz Aniversário
 
ASSUNTO: Algumas verdades sobre a TPA

Excelência, vimos por este intermédio expôr algumas verdades que marcaram os 39 anos da Televisão Pública de Angola (TPA).
 
1 - A TPA levou a cabo um processo de reforma dos trabalhadores com mais de 60 anos de idades e 30 de serviço. Passados cinco meses, grande parte deles está a ser reenquadrado mediante um critério sigiloso e selectivo. Para isto, basta nutrir de certa confiança por parte da Administração.
 
2 - A TPA atribuiu no segundo semestre deste ano o cartão de saúde. O mesmo é impessoal, não abrange a nenhum membro da família. A mulher e os filhos dos trabalhadores não usufruem do mesmo, apesar das consultas serem pagas. Aliás, alguns que ocorreram às clínicas lamentaram o facto de não serem atendidos por não terem dinheiro no bolso e pelo facto do mesmo cartão não dar direito à medicação.
 
3 - Na década de 90, dentro do pacote remuneratório, os trabalhadores tinham como regalias o cartão do Jumbo. Este deixou de existir há sensivelvemte 10 anos, mas ainda consta do inventário da empresa que os trabalhadores gozam deste privilégio.
 
4 - A anterior administração, havia dado como gratificação do natal um cartão Kero, no valor de 30 mil kwanzas, este substituiu o cabaz de bicha (fila). A actual administração anulou este feito, preferindo ver os trabalhadores humilhados em lutas a receberem cabazes deteriorados, tudo porque disto advem alguma comissão, ou, porque o cabaz provém do armanzém do fulano.
 
5 - A anterior administração encontrou o refeitório numa situação precária, sentiu ver os trabalhadores em comunhão de mesa com os gatos. Para o efeito, mandou restaurar o mesmo. Surprendentemente, a actual administração ordenou a remodelação deste, ignorando o trabalho feito pela anterior Administração. Ficamos todos estupefactos porque não vemos por enquanto razão de tal remodelação, pois este ainda está em perfeitas condições em termos de infraestrutura, pecando apenas pelo serviço que presta.
 
6 - Dentro do ano em curso, a TPA viveu um período conturbado, não pagava os subsídios de férias a quem quer que fosse, por alegada falta de dinheiro na empresa. Esta situação só viria ser ultrapassada depois de um trabalhador em fúria ter abordado o PCA no seu gabinete exigindo o seu subsídio.
 
7 - Ainda neste ano, um trabalhador descontente com o magro salário que aufere, procurou pedir explicação ao sr. PCA sobre o atraso do qualificador e o porque dos maus salários. Este, foi duramente sancionado, suspenso e até submetido à corte do salário. Os colegas solidários com a situação, mobilizaram-se para fazer colecta a fim de constituir salário ao infeliz de modos a poder sobreviver ao tempo que durar a punição.
 
8 - Ainda neste ano, administração levou a cabo o processo de crédito automóvel de marca Cherry. No primeiro dia exibiu a marca, a cilindrada e os respectivos preços. Depois de dois dias, a administração, notando a aderência dos trabalhadores, elevou o preçário em 10% com a intenção de sobrefaturação.
Ex: uma viatura que no 1º dia tinha como preço USD 17 mil, 3 dias depois estava a USD 19 mil. Isto levou a desistência dos trabalhadores, dizendo mesmo, fique com os vossos carros! Já imaginou o que é subtrair USD 2 mil dólares a mais à três mil trabalhadores?
 
9 - Assim, aderiram ao crédito automóvel de viaturas pequenas maioritariamente motoristas, cujo preço é de USD 10 mil. Os beneficiários, sairam convictos de que a empresa seria o avalista. Posto no Banco, foram exigidos de cada um ser avalista do outro, condição  ‘sine quan non’, porque segundo o banco, a TPA negara tal responsabilidade. Hoje, o Banco tem grandes dificuldades em proceder os descontos devido os baixos salários. Enquanto isto aguarda até que o salário suba mais um pouquinho.
 
10 - A administração quis surprender os trabalhadores com o qualificador fantasma neste mês de Outubro data do aniversário da TPA. Face a denúncia, a administração protelou para momentos posteriores, de modos a acalmar os ânimos dos trabalhadores. No entanto, os trabalhadores estão expectantes mas também perplexos e apreensivos porque sabe-se, que apesar do puxão de orelhas, a administração não abdicou da sua intenção pelo contrário, criou outra estratégia. Sair do qualificador fantasma para um qualificador simulado, isto é: fazer um simples acréscimo mais ou menos proporcional aos salários já existentes, afastanto-se dos pressupostos inerentes ao qualificador. Em todo caso os trabalhadores estão atentos e acompanham milimetricamente todas às manobras da administração que recaiam em prejuízo da classe. Os trabalhadores sabem que, o mentor dessas manobras é o estratega do CAN 2010. Sempre ele!!

Agora a administração corre com o tempo. Depois de vacilar ao longo destes 3 anos, apercebendo-se do alarido dos trabalhadores prometeu liberar o qualificador no mês de Novembro. Haver vamos. E oxalá que seja de acordo a lei.
 
11 - É difícil ou quase impossível ver o PCA da TPA, os trabalhadores fizeram uma descoberta. Se quizer contactá-lo durma na empresa. No horário das 23h00 a 1h00, o encontrarás. É assim que alguns fizeram e conseguiram. Mas o seu carro está sempre presente, de formas a simular a ausência constante.
Por outro, o trabalhador que quiser marcar audiência com o Sr. PCA, deve antes, narrar às razões tin tin por tin à sua secretária, caberá a ela, analizar, deferir ou indeferir o pedido. É assim que anda a TPA!
 
12 - Há anos, aos trabalhadores ditos veteranos da empresa, tinham sido cedidos talhões de terrenos em Cacuaco e cinco mil dólares cada, para auto construção dirigida. O terreno, que supostamente era pertença da TPA, foi recebido a revelia por elementos afectos a Casa Militar da Presdidência da República.
 
13 - Aquando das inscrições na centralidade do Kilamba, os trabalhadores ocorreram no local com as declarações da empresa para facilitar o processo. Tudo fazia crer, que a empresa estava interessada em ver resolvido o problema habitacional que aflige grande parte dos trabalhadores, mas foi tudo uma falácia porque os salários da maioria é exíguo e não permite aderir a um crédito habitacional, assim concluiu a administração da referida centralidade.
 
14 - Ultimamente a empresa é assolada por uma crise sem precedentes em termos de condições de trabalho, impera a falta de transportes, meios técnicos, cassetes, etc.

Luanda, 29 de Outubro de 2014.
 
Os Trabalhadores da TPA.



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