Luanda - A 2ª Guerra Mundial foi precedida pela Guerra-fria que arrastou o Mundo até a década noventa. O desmoronamento do Império Soviético e a queda do muro de Berlim, que dividia o nosso planeta Terra entre o Ocidente e o Oriente, assinalava o advento do Multilateralismo. A perspectiva, da época, era de pôr fim definitivo ao regime da bipolarização politico-ideológica do Mundo, entre o Capitalismo e o Comunismo, sob os domínios dos Estados Unidos da América e da União Soviética, respectivamente.

Fonte: Club-k.net

O advento do Multilateralismo, sob os auspícios das Nações Unidas, assegurado por três pilares principais (EUA, UE e BRICS), era o prenúncio do fim definitivo da barbaridade e da afirmação efectiva da estabilidade mundial, da coexistência pacífica, do equilíbrio politico, da distribuição justa da riqueza e da erradicação da fome e da pobreza. Infelizmente, a realidade actual do Mundo não é aquela que estava prevista na Declaração Universal dos Direitos do Homem, celebrada com pompa e circunstância em 1948, no rescaldo da 2ª Guerra-Mundial.

O Mundo hoje se encontra mergulhado num turbilhão, numa agitação intensa, sem o norte e sem uma autoridade eficaz e suprema, com um eixo-central de comando, capaz de estabelecer a ordem mundial e conduzir seguramente o destino da humanidade. O Mundo vive uma época crucial, da mudança profunda da civilização humana, caracterizada por seguintes fenómenos fundamentais:

a) A Expansão do Islamismo, como poder global – politica e religioso.

b) A proliferação dos conflitos transnacionais, multinacionais, interétnicos e inter-religiosos, caracterizados por actos extremos de barbaridades, de genocídios e de violências gratuitas.

c) A pobreza extrema, que provoca a emigração massiva, em busca de sobrevivência e do bem-estar social, aos países estáveis e ricos.

d) A corrupção generalizada, que é a fonte principal da pobreza, da fome e das convulsões sociopolíticas.

e) A má governação que se associa ao autoritarismo, à cleptocracia, à fuga de capitais, à acentuação dos níveis da pobreza, à fragilidade e ao colapso gradual das instituições públicas.

f) A globalização cibernética e informática, que dinamizam e veiculam as redes sociais, como fontes principais de informação, de comunicação, de sensibilização humana, de mudanças política e das transformações profundas das sociedades oprimidas e exploradas pelas elites politicas locais. 

g) O desmoronamento gradual da velha ordem mundial, enraizada nas instituições obsoletas, incapazes de corresponder às exigências actuais das sociedades modernas e das camadas juvenis.

No meio destes fenómenos, que reflectem a realidade mundial, o desmoronamento gradual das instituições actuais (obsoletas), tem o reflexo profundo sobre a incompatibilidade entre a Civilização Ocidental (Cristã) e a Civilização Árabe (Islamismo), que buscam o poder global e a supremacia mundial.

A emigração massiva do Sul do hemisfério para o Norte do hemisfério cria uma nova dinâmica na correlação de forças entre as duas civilizações. A imigração intensa na Europa Ocidental serve de veículo da implantação do Islamismo na região, desarticulando gradualmente a Civilização Ocidental.

O conflito no Médio Oriente tem o carácter geocultural, geopolítico e geoeconómico, que visa o controlo do Mar Mediterrâneo, que liga a Europa, a África e a Asia Menor. Alias, dados históricos revelam que a Região Mediterrânea sempre foi um palco de disputas sangrentas entre o Povo Latino (à norte) o Povo Magreb (à Sul) e o Povo Turco (à leste), reflectido os pesos históricos dos Impérios Romano, Egípcio e Otomano, respectivamente. Por isso, o controlo efectivo desta região estratégica pelo Estado Islâmico servirá de trampolim para sustentar os seus redutos implantados na Europa. Por outro lado, permitirá o avanço firme e continuo a partir da África do Norte para o Sul de Sahara.

Tendo em conta a importância estratégica da África (nos domínios geopolíticos, geoeconómicos e geodemografia), o Islamismo visa, de facto, tomar conta dela, o mais cedo possível. A aproveitando o fenómeno da corrupção generalizada e a fragilidade das instituições africanas. Para este efeito, as sementes já estão bem lançadas na Somália, Quénia, Nigéria, Mali e Grandes Lagos. Angola, neste respeito, é um país mais vulnerável da região austral; bem infiltrada por agentes extremistas do Islamismo, aproveitando a corrupção institucional galopante – a todos os níveis dos Órgãos de Soberania do Estado.

Portanto, a proliferação das Igrejas Cristãs no País não é a maior ameaça ou atentado à integridade física e moral do Estado Angolano, neste momento. A Cruzada que está em curso contra as Igrejas Cristas só fortifica o Islamismo, que se desenvolve tranquilamente, implantando-se e consolidando os seus núcleos no terreno, sustentados pelas células clandestinas, espalhadas pelo todo território nacional.

A este respeito, Angola não deixa de ser alvo estratégico preferido do recrutamento de Jovens Angolanos para a doutrinação islâmica e instrução militar, em algures no Mundo Árabe, enquadrado na estratégia global da expansão do Islamismo ao Mundo inteiro. 

A problemática actual do Kalupeteka, da Igreja do 7º Dia – Luz do Mundo, relacionado com o genocídio do Monte Sumi, está fortemente impregnado de motivação politica e étnico-cultural, contra o Povo Bantu, da etnia umbundo, que representa cerca de 47% da população de Angola. Portanto, o factor religioso, que está em voga, é apenas uma «cortina de fumo» que visa somente iludir a opinião pública nacional e internacional.

Analisando bem o conflito do Médio Oriente, a componente étnica constitui um dos factores principais das rivalidades (Xiitas, Sunis e Curdos) interétnicas, que alimentam, inspiram e impulsionam a militância sectária, do Estado Islâmico e de outros grupos extremistas muçulmanos.

Em jeito de analogia, o Nacionalismo Angolano, na sua matriz cultural, a componente étnica (Bakongo, Quimbundo e Umbundo) teve uma relevância bastante notável no divisionismo sectário que se implantou no seio dos três (FNLA/MPLA/UNITA) Movimentos de Libertação Nacional, atingindo o estado antagónico. Portanto, a componente étnica constitui um «elemento-sensível» que deve ser tratado com maior cuidado e prudência, para que não se resvale de novo ao estádio de ruptura.  
A cibernética, na qual está contida a informática, é uma tecnologia de ponta, da época contemporânea, que constitui uma das ferramentas principais do desenvolvimento e das mudanças constantes que se verificam actualmente no Mundo. A restrição e inibição (através do controlo e da manipulação da média estatal e privada) do acesso da sociedade a este instrumento fundamental, que serve de veículo principal de informação e de comunicação, têm o potencial de causar e acelerar o colapso das instituições do Estado.

Pois, o desenvolvimento sustentável do Mundo contemporâneo depende, de grosso modo, do intercâmbio de informação, veiculada pelos órgãos da comunicação social e pelas redes sociais, que funcionam numa rede global, de alta velocidade, que interligam os cidadãos do mundo, sejam onde estiver, em qualquer parte do Globo. 

Logo, o acesso à informação de qualidade e credível é um direito inalienável da humanidade, num Estado democrático de direito. Por isso, ao infligir sobre este direito fundamental, viola, de modo flagrante, os princípios da liberdade, de igualdade, de consciência, de escolha, de opinião, de crença, de sufrágio universal e de alternância democrática do poder politico. Noutras palavras, isso implica, na última instância, o recurso à resistência popular, consagrada no direito internacional.

O combate à pobreza e à fome passa necessariamente pela boa governação, que consubstancia efectivamente na valorização do trabalho, do serviço, do capital e da produtividade de cada factor produtivo. O salário, nesta equação, é o mecanismo principal da distribuição justa do rendimento nacional. A justiça social baseia-se no equilíbrio em relação à remuneração do factor produtivo, que consiste essencialmente no salário, na renda, no juro e no lucro.

A ausência do equilíbrio equitativo, acima referido, verifica-se infalivelmente a exploração da força do trabalho e dos serviços, que resulta nas desigualdades sociais, na pobreza e na fome. O que, de certo modo, provoca a emigração massiva, de um lado para o outro, em busca da sobrevivência e do bem-estar social.

Neste caso específico, Angola é o sistema feudal, caracterizado pela exploração severa da mão-de-obra e de serviços, a favor da classe empregadora, composta por detentores do poder politico. Verifica-se igualmente, neste sistema politico, a decomposição gradual da soberania do Estado, que se funda no poder unipessoal, do Chefe do Executivo, que exerce o monopólio económico.

Logo, isso explica o facto do índice do desenvolvimento humano de Angola situar-se no nível baixo. Em comparação com Cabo Verde e Namíbia cujos índices estão no nível alto e médio, respectivamente. Nota-se que, esses dois países irmãos, do Continente Africano, são desprovidos de recursos minerais e de matérias-primas, com a escassez acentuada de recursos hídricos, que é o produto essencial da vida, que assegura a actividade humana. Ao passo que, Angola é um verdadeiro Paraíso, onde se encontra tudo, em abundância.

Enfim, o acalcanhar de Aquiles do Mundo contemporâneo é o fenómeno da corrupção, parte integrante da má governação. Ela é responsável pela fuga em massa de capitais e pelo esgoto do tesouro público. Uma via fácil de enriquecimento ilícito de uns poucos e de empobrecimento da maioria da população. Sendo um fenómeno mundial, ela deve ser combatida decidida e veementemente.

Só que, há países, como a China, tomam medidas drásticas contra os implicadores, no sentido de reduzi-la, erradicá-la e controlá-la efectivamente. Porém, há outros países, como Angola, a corrupção é impune, é formal, é institucional e faz parte do esquema do enriquecimento rápido e fácil dos detentores do poder politico. A corrupção torna o País vulnerável a infiltração dos grupos terroristas que corrompe as instituições do Estado, os governantes e os agentes da defesa e da segurança, que ocupam cargos estratégicos.

Nota-se que, os bens, dos sujeitos supracitados, entrosam e misturam-se com os interesses obscuros. A corrupção em Angola tornou-se um instrumento potente da manutenção do poder político. Por isso, a erradicação deste fenómeno passa necessariamente por via da mudança do poder politico. 

Em resumo, esta longa reflexão não visa um objectivo específico, mas sim, uma avaliação geral da conjuntura internacional. De qualquer maneira, ela enquadra-se na meditação profunda sobre o Dia Internacional da África que se comemora ao 25 de Maio, hoje. Com efeito, ela deixa igualmente algumas dicas importantes que cada leitor poderá cifrar de acordo com seu entendimento pessoal. Somente, os acontecimentos recentes na Assembleia Nacional da República de Angola, especificamente do dia 22 de Maio de 2015, tem quatro facetas, de índole paradoxal, como seguem:

Primeiro, revela que o Parlamento Angolano é um apêndice da Cidade Alta, sujeito aos ditames do Poder Executivo, violando o princípio da separação dos poderes executivo, legislativo e judicial.

Segundo, deve existir discórdias exacerbadas entre o poder executivo e o poder legislativo. Sendo ambos Órgãos de Soberania do Estado, que se encontram neste momento envolvidos na luta de desgaste e do descrédito mútuo e reciproco.

Terceiro, o Presidente da República deve estar na fase avançada de cansaço, a ser induzido facilmente em erros gravíssimos, recorrentes e cíclicos. Como aconteceu neste caso, de impedir os Jornalistas fazer a cobertura, de um acto público, do Poder Legislativo.

Quarto, deve existir a cultura de medo, de pânico e de endeusamento no seio da Direcção do MPLA, que lhe inibe de aproximar o seu Líder no sentido de aconselhá-lo devidamente. Preferindo, deste modo, manter-se distante, expondo-se e deixando-se queimar sua própria imagem, que já se encontra bem ofuscada, na opinião pública.

Seja qual for a situação real deste enredo, é no interesse de Angola efectuar uma transição tranquila, pacifica, ordeira, responsável, sustentável e construtiva, capaz de assegurar a continuidade e a transformação gradual das instituições do Estado. Por isso, a dignidade e o prestígio do Presidente Angolano é essencial, de modo que haja, de facto, esta mudança positiva e estável, de acordo com as exigências actuais da sociedade angolana. O paradoxo, neste caso, reside em como seja assegurada a credibilidade e o prestígio do Presidente Angolano, que está profundamente mergulhado na corrupção e no nepotismo!

Em síntese, a convulsão social, que se manifesta no Mundo, bem exposta nesta reflexão, é um fenómeno que vai definir e determinar a Nova Ordem Mundial, neste Século XXI. Tendo em consideração a colisão directa ou indirecta entre as seguintes civilizações, que buscam a supremacia mundial, nomeadamente: A Civilização Ocidental, a Civilização Árabe, a Civilização Russa e a Civilização Chinesa.



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