Luanda - Por alegado incumprimento nos pagamentos, os cartões de seguro da ENSA têm sido barrados. Quem é assegurado pela empresa é obrigado a pagar os medicamentos e serviços farmacêuticos e clínicos A seguradora explica que tem necessidade de “renegociar contratos, por causa das fraudes e para evitar perdas cambiais”.

Fonte: NG
Nos últimos meses, quem tem o cartão de seguro da Empresa Nacional de Seguros de Angola (ENSA) tem enfrentado dificuldades na aquisição de medicamentos e outros serviços farmacêuticos e no atendimento em clínicas.

As farmácias têm rejeitado entregar os medicamentos por alegadamente haver incumprimento da maior seguradora angolana nos pagamentos aos serviços prestados.

Por exemplo, na farmácia Mecofarma, encostada ao Cine-Atlântico, em Luanda, logo à entrada, o cliente depara-se com o seguinte aviso, afixado numa vitrina: “o convénio com a ENSA-Advancecare Angola foi suspenso até novas indicações”. Para mais informações, o aviso sugere que se contacte os serviços de apoio da Advancecare.

O NG contactou com esses serviços de apoio da Advancecare e recebeu apenas como resposta que se “trata de um problema a nível interno e que está a ser resolvido entre a seguradora e as farmácias”.

Enquanto a Mecoforma confia que a interrupção possa ser temporária, segundo apurou o NG, a Central Farmacêutica, responsável pela linha de farmácias da Farmácia Central, e a ENSA rescindiram o contrato por falta de pagamentos da seguradora. O NG contactou a administração da Central Farmacêutica, mas até ao fecho desta edição, os seus responsáveis mostraram-se indisponíveis, mas prometendo prestar declarações tão logo seja possível.

A situação já dura há mais de quatro meses e tem causado embaraços a quem é assegurado pela ENSA e tem beneficiado na compra de medicamentos.

A ENSA reconhece, ao NG, que há uma renegocialão de contratos por causa da crise económica e justifica o corte com a necessidade obter “melhor equilíbrio entre os direitos e obrigações para se evitar perdas cambiais e diminuir a fraude”. A seguradora garante que está na “fase final do processo” e promete “fechar o tema o mais breve possível”.

Os seguros de saúde da ENSA são os mais têm crescido, de acordo com os dados disponibilizados na internet pela seguradora. Um relatório, relativo à actividade de 2014, os prémios (valor pago pelos segurados) subiu 10 por cento num ano. Actualmente, representa, juntamente com as viagens, a maior ‘fatia’ das operações da ENSA. Em 2014, a seguradora recebeu mais de 18 mil milhões em prémios do ramo de saúde.

Os seguros da ENSA, ligados à Saúde, cobrem as despesas com um determinado número de medicamentos, entre eles, para o tratamento da malária, febres e gripes.

Além das farmácias, também algumas clínicas deixaram de atender os utentes com o cartão da ENSA.

Ao NG, a ENSA admite estar a modificar a relação com clínicas, farmácias e centros de diagnóstico.

 



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