Luanda - O ativista angolano Manuel Chivonde "Nito Alves", do grupo de 17 jovens condenados por atos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores, foi colocado em liberdade provisória nesta terça-feira.

Fonte: DW

No passado dia 29 de junho, quando 16 dos 17 ativistas angolanos foram libertados, a defesa disse que Nito Alves iria permanecer na prisão até 8 de agosto, dia em que completaria seis meses de prisão efetiva aplicada em outro processo, por desrespeito ao tribunal, "aquando da audição do pai numa das sessões". Mas inesperadamente, Nito Alves, foi liberto ao princípio da tarde desta terça-feira (05.07).

 

Com base num recurso apresentado por David Mendes, da Associação Mãos Livres, um dos advogados de defesa dos ativistas angolanos, o Tribunal Constitucional anulou a sentença de seis meses de prisão efetiva aplicada ao ativista por desrespeito ao tribunal.

Surpreso com a libertação

Nito Alves, que só teve conhecimento da sua soltura 30 minutos antes, disse em entrevista exclusiva à DW África que está bem e muito sereno. "Já beijei minha mãe duas vezes, dei muitos abraços ao meu pai e outros familiares, mas continuo preocupado com o jogo político de José Eduardo dos Santos, o Presidente de Angola", disse. "Quando digo isso significa que devemos pensar profundamente o que o regime agora vai fazer. Do nosso lado, vamos continuar a lutar para deitar abaixo a ditadura neste país."

 

Segundo Nito Alves, a "suposta liberdade que está a viver" foi decidida pelo Tribunal Constitucional e não pelo Supremo, e o advogado David Mendes, da Associação Mãos Livres, e seus colegas souberam como resolver definitivamente o assunto. "Do nosso lado repito que vamos manter as nossas manifestações", afirma.

Champanhe com a família

 

“Vamos continuar a luta para derrubar a ditadura em Angola, diz Nito Alves

 

As primeiras horas da liberdade de Nito Alves se resumem da seguinte forma: "Vou beber uma taça de campanhe com a minha família e vou descansar. Daqui a 48 horas vou continuar com a luta porque o caminho é para a frente. As manifestações têm que continuar até a destruição da ditadura de José Eduardo dos Santos e do seu MPLA".

 

Nito Alves contou que não esperava a sua libertação esta terça-feira, mas como se tratou de um processo político, acha que as autoridades decidiram pela sua libertação imediata. "Sendo um processo político e porque vivemos numa ditadura não sabia da minha libertação imediata. Mas como o assunto é político, eles acharam melhor acabar com isso e colocar-me fora da prisão."

 

Motivos da libertação

 

Entretanto, o amigo e ativista Emiliano Catumbela disse à DW África que todos aguardavam a libertação de Nito Alves para o dia 8 de agosto. Segundo ele, a soltura obedece a uma estratégia das autoridades angolanas, que a todo o custo tentam impedir qualquer manifestação de pessoas à saída da prisão dos ativistas.

 

"As autoridades são muito espertas, porque sabiam que muita gente estaria à porta da prisão no dia 8 de agosto para receber o Nito. Já estávamos a mobilizar as pessoas para estarem presentes nesse dia à porta das instalações prisionais e, como as autoridades souberam desta movimentação e para evitar qualquer manifestação, decidiram libertar o Nito, dando-lhe conhecimento da sua soltura 30 minutos antes", critica.

 

Walter Tondela, um dos advogados que trabalhou na equipa liderada por David Mendes, considerou a libertação de Nito Alves como mais uma pedra na construção da democracia que todos querem ver vingar em Angola. "É uma vitória da democracia, da justiça e da liberdade. É isso o que queremos construir em Angola."

 



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