Luanda - Posição dos Activistas em relação aos pronunciamentos inconsequentes do presidente da Assembleia Nacional, Senhor Fernando da Piedade Dias dos Santos ‘Nando’.

Caros cidadãos angolanos,


É verdade que «os pratos, quando vazios, fazem muito barulho».

No dia 11 de Agosto do corrente ano, os membros da Coordenação da manifestação do dia 21 de Julho de 2018 – que visava protestar contra o índice elevado de desemprego, bem como dos problemas sociais à ela associados –, em particular, e os angolanos de uma maneira geral, tomaram conhecimento, através dos distintos meios de Comunicação Social do País, de (um) dado estatístico tornado público pelo Presidente da Assembleia Nacional, Senhor Fernando da Piedade Dias dos Santos ‘Nando’, onde, para além da contradição dos números apresentados – da qual iremos nos pronunciar mais abaixo – constava igualmente a declaração, de acordo com a percentagem maior, de que «67% (Zimbo) dos jovens não procuram emprego».

Angolanos e angolanas,


Reconhecemos que a resposta que o Presidente da Assembleia dá às manifestações, ocorridas em seis (6) das dezoito (18) províncias do País, não carrega consigo nada de novo, se tivemos em conta que ela – a resposta – reflecte a cultura estratégica daqueles que sempre estiveram no poder de 1975 aos dias de hoje, com responsabilidades acrescidas no atraso a que estamos voltados, não apenas da parte de nós os jovens, como da maioria dos angolanos. Reflecte, por outro lado, a qualidade da liderança que temos no País. A qualidade da liderança a que nos referimos, só para pontualizar, é essencial na gestão ética, eficaz, na distribuição dos recursos do Estado, na promoção e fortalecimento dos sectores sociais, no desenvolvimento de um sector privado que produza riquezas e crie empregos. O Senhor Fernando da Piedade Dias dos Santos, talvez, não tenha consciência disso! No entanto, da nossa parte, consideramos que tais pronunciamentos só vêem reforçar o milenar adágio africano de que «os pratos, quando vazios, fazem muito barulho» e também a dimensão imaterial da pobreza. Hoje, existem seres humanos tão pobres que até a própria alma seriam capazes de vendê-la.


Ora bem, Senhor ‘Nandó’, permita-nos a informalidade, qualquer angolano minimamente sério, consciente da realidade socioeconómica do País em que vivemos, conhece as enchentes que se registam sempre que se verificam qualquer anúncio de emprego, mesmo que se trate apenas de uma vaga. Isso por quê? Porque, diferentemente de muitos dos governantes, a geração angolana mais jovem – e não só –, assolada pelo problema do desemprego aspira a uma melhoria das condições de vida bem como melhores perspectivas governativas para o futuro, mediante um trabalho honesto e dignamente remunerado. Do mesmo modo, temos consciência de que, para muitos, «mentir é como respirar’, fazem-no com maior facilidade e naturalidade possível, mas, permita-nos a honestidade – valor cada vez mais raro no País –, consistência e coerência não foram encontrados nesta tal mentira e insulto por si proferido.


Senhor Presidente,

A falta de emprego não é culpa da juventude (e nem será!), é incompetência do próprio governo que não tem tido capacidade de criar Políticas voltadas à promoção de empregos que possam cobrir a demanda; que tem ajudado a ‘lançar’ à falência centenas de indústrias, empresas; que não tem tido capacidade de atrair, com robustez, investimentos que possam catapultar o sector privado. O Senhor Presidente de uma Assembleia pouco ou nada representativa, ainda frisou que a juventude ‘«não procura emprego nos postos de empregabilidade». Perguntamos-lhe: será este pensamento a manifestação do espírito mais acabado de «Construção do Novo Homem Angolano» ou fuga de responsabilidades e um atestado de incompetência e de preguiça à juventude angolana? É muito doloroso, quando ainda existem pessoas que pretendem brincar com o sofrimento de outros. E mais doloroso ainda quando esta irracionalidade advém de alguém com responsabilidades acrescidas no aparelho do Estado.


Angolanos,

É nossa convicção que a mentira atrasa o desenvolvimento dos Países. Por isso, não serve para Angola. Assim, cumpre-nos informar à todos os angolanos e não só, que os jovens «ofendidos» não se abalam nas suas convicções, não colaboram com mentiras e nem trairão o seu País. Pelo que, repudiamos e demarcamo-nos desta tamanha irracionalidade demonstrada e, face a isso, exigimos, da parte do Presidente da Assembleia Nacional, um PEDIDO DE DESCULPAS PÚBLICAS E QUE SE RETRACTE, se é que ainda nutre um mínimo de respeito e consideração pela maioria juvenil angolana. De nós, angolanos e angolanas, podem ficar descansados que continuaremos firmes nas nossas convicções, nas nossas exigências e avançaremos sempre na busca do elementar para que TODOS NÓS, ANGOLANOS, tenhamos uma existência DIGNA E ACEITÁVEL.


Aproveitamos o ensejo para pedir aos demais angolanos «ofendidos» que se mantenham, também, firmes nas suas convicções no processo de luta pela conquista do regime democrático e o Estado de Direito nacional, na devolução dos verdadeiros valores que devem nortear um Estado e na defesa da verdade. Contem connosco nesta batalha até o fim.


«O Poder pertence ao Povo (os Cidadãos Angolanos) e não aos dirigentes, partidos políticos ou políticos».


Luanda, 13 de Agosto de 2018.

OS SUBSCRITORES:
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