Lisboa – Fontes bem posicionadas revelaram ao Club K que duas das inúmeras empresas que beneficiaram ilicitamente de milhões de kwanzas do Orçamento Geral do Geral, destinado a construção das infra-estruturas à população da província do Cuando Cubango, pertencem a Bento Francisco Xavier, vice-governador para os Serviços Técnicos e Infra-estruturas. As mesmas são Befraxa & Filhos, Lda. e Fraxa Service Lda. Durante o período em que durou o 'banquete', o Estado angolano perdeu cerca de quatro biliões de kwanzas.

Fonte: Club-k.net
Nas redes sociais circulam, desde ontem, documentos confidências que certificam que, por exemplo, a empresa Befraxa & Filhos, Lda. beneficiou cerca de 166 milhões de kwanzas para execução de várias infra-estruturas naquela província. Obras essas, pagas na totalidade, que nunca foram executadas. E desconhecesse quantos milhões foram canalizadas a Fraxa Service Lda.

 

Há quem garante que a rede de mafiosos que operava no edifício sede do Governo do Cuando Cubango, cujo “modus operandi” consistia na emissão de ordens de saque, para o pagamento de obras inacabadas, desmantelada, em Menongue, pelo Serviço de Investigação Criminal operava sob o comando de Bento Xavier.

 

Dentre as várias individualidades detidas pelo SIC, em Menongue, consta o motorista de Bento Xavier, que também é membro do Comité Provincial do MPLA. Há informações que as autoridades encontraram cerca de 200 milhões de kwanzas na conta bancária do mesmo. Os valores provêm das transferências feitas, semanas antes, pelas duas empresas (Befraxa & Filhos, Lda. e Fraxa Service Lda. ) do então director provincial da Indústria, Geologia e Minas.

 

“Ele [Bento Xavier] só não está detido como os outros sujeitos porque, enquanto vice-governador, goza de imunidades”, contou uma fonte, acrescentando que “mas também foi graça a pronta intervenção do seu advogado [suponha-se que seja David Mendes] que impediu que os agentes do SIC lhe detesse”.

 

Sabe-se que este [o vice-governador para os Serviços Técnicos e Infra-estruturas] terá sido denunciado – durante o interrogatório no SIC – pelo director do gabinete do governador do Cuando Cubango, Jossi Hermenegildo Pedro. Suponha-se que todas movimentações bancárias da conta do Governo do Cuando Cubango para o efeito de pagamentos dos serviços não prestados e não só, foram facilitadas/monitoradas pelos dois.

 

De realçar que a rede de mafiosos do Governo do Cuando Cubango, cujo “modus operandi” consistia na emissão de ordens de saque, para o pagamento de obras inacabadas e que eram usadas como lavras, desviou dos cofres do Estado, no período de 2012 até agora, um valor estimado em quatro biliões de kwanzas.

 

Por esta prática, encontram-se já detidos o director do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística (GEPE) do Governo da Província do Cuando Cubango e os seus respectivos chefes de departamento de Programação Financeira e de Estudos e Projectos, acusados de crimes de peculato, lavagem de dinheiro, associação de malfeitores e tráfico de influências, previstos e puníveis nos termos da legislação angolana.

 

Também estão já detidos o actual secretário-geral do Governo da Lunda-Sul, que à data dos factos exercia a função de chefe do Departamento de Administração, Gestão do Orçamento, Planificação e Informática (DAGOPIT) no Cuando Cubango, os directores dos gabinetes do governador e o da vice-governa- dora para o Sector Político, Social e Económico.

 

Encontram-se ainda detidos, o actual chefe do DAGOPIT do Governo do Cuando Cubango, o motorista do vice-governador para a Área Técnica e Infra-estruturas e está foragido o director de gabinete.

 

Anderson Domingos Luhami disse que o actual secretário do Governo Provincial da Lunda-Sul, além dos crimes de que é acusado, também vai responder por participação em negócios ilícitos, violação de normas de contratação pública e de abuso de poder, praticados enquanto chefe do DAGOPIT.

 

Entre as muitas práticas detectadas pelo SIC, por exemplo, ao director do gabinete do governador do Cuando Cubango, em 2017, enquanto funcionário público, lhe foi adjudicada uma obra no valor de 130 milhões de kwanzas para a construção de uma escola de seis salas de aula, no Cuito Cuanavale, que nunca teve início.



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