Luanda - O candidato à liderança da UNITA, maior partido da oposição angolana, Adalberto da Costa Júnior, disse hoje que foi já emitida a certidão que comprova a sua renúncia à nacionalidade portuguesa.

Fonte: Lusa

A candidatura de Adalberto Costa Júnior foi, sexta-feira, aceite, mas com “reserva” sob condições da apresentação da comprovação de que neste momento já não tem a nacionalidade portuguesa, tendo-lhe sido dado o prazo de apresentação do documento até três dias antes da realização do congresso, marcado para 13 a 15 de novembro próximo.

 

Em declarações à imprensa, na cerimónia de lançamento da sua campanha eleitoral, Adalberto da Costa Júnior anunciou que o problema está ultrapassado.

 

“A dita certidão já está na nossa mão, não há nenhuma limitação. Este também é um elemento que era importante partilhar aqui, não há nenhuma restrição”, referiu.

 

O candidato e atual líder da bancada parlamentar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) referiu que, contestando o regime não podia viver em Angola de acordo com as suas ideias, daí a necessidade de ter fugido do país.

 

“Ainda jovem, eu vivi a partir de Benguela momentos que quando recordo, recordo também com muita saudade. Eu sou parte da geração que foi cobaia, no início da independência, dos sábados vermelhos, das perseguições, das rusgas, das campanhas do café, da cana-de-açúcar e sou parte da geração que foi mobilizada para o embrião da Força Aérea Angolana e fugi de Angola um pouco naquelas circunstâncias em finais de (19)78, início de (19)79”, explicou.

 

Segundo Adalberto da Costa Júnior, tem avó de origem portuguesa e foi possível adquirir uma nacionalidade que lhe deu proteção durante um período.

 

“Aquela nacionalidade também serviu a causa e serviu para muitas missões”, disse o político, salientando que “nenhum dirigente da UNITA que viveu fora, viveu com os seus passaportes”.

 

“Porque Angola não nos permitia dar nacionalidade. Se trabalhamos na diplomacia, como eu, se fomos estudantes, como muitos outros, todos foram portadores de algum passaporte que lhes permitiu viver lá fora. Para mim isto é uma circunstância perfeitamente tranquila e sem nenhum elemento complexo”, salientou.

 

Adalberto da Costa Júnior atribuiu a demora na emissão do certificado de renúncia da nacionalidade a questões burocráticas, já que até se deslocou antecipadamente à Portugal para o efeito.

 

“Os processos burocráticos são bastante demorados e, portanto, há de facto um tempo muito longo, mas ontem (sexta-feira) ao fim do dia recebemos a grata informação de que este processo foi todo desbloqueado, que a certidão está disponível. E, portanto, aqueles que sonharam ganhar na secretaria vão ter que contar comigo”, frisou.

 

Na corrida à liderança da UNITA, estão também os candidatos Raul Danda, Alcides Sakala, Abílio Camalata Numa, José Estevão Cachiungo, para a sucessão, 17 anos depois de presidência, de Isaías Samakuva.

 



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