Luanda - Essa frase é secular e de domínio público, aliás há uma forma mais comum de expressa-la “A juventude é a força motriz de uma sociedade”. Entretanto, a Nação ouviu ontem o Presidente João Lourenço “reavivar" essas palavras aos jovens do seu partido e pela forma que fez a sua intervenção ficou claro que não dirigiu-se apenas àquela juventude partidária, falava sobretudo para fora ou seja para todos os jovens que compõem a Nação angolana, onde me enquadro e nesta qualidade, fazendo por um lado, uso ao direito a liberdade de expressão e opinião, por outro lado como forma de despender força energética que reside em mim, faço essa breve consideração.

Fonte: Club-k.net

Entretanto, além de não ser uma frase ex novo, também não trouxe nada de novo no seu discurso que fortalecesse a juventude. Em minha opinião, foram frases soltas e deslocadas do actual contexto sócio-juvenil, que nem mesmo para motivação elas são acolhidas. Senhor Presidente a questão é saber onde é que a juventude vai reforçar-se ou seja buscar força?

 

Que sociedade teremos nas próximas décadas com uma juventude que vê "queimada e evaporada" essa sua etapa, essa fase de sua vida por falta de políticas exequíveis de inserção social? Ainda sobre a força e porque se impõe, faço uma breve incursão no seu plano físico pelo seu carácter objectivo, particularmente as leis de Isaac Newton sobre essa matéria, a força é tida como uma grandeza que tem a capacidade de vencer a inércia de um corpo, modificando-lhe a velocidade, isto é, na sua magnitude ou direcção, por tratar-se de um vector. Deste modo como corolário, chega-se a conclusão de que a força pode causar deformação em um objeto flexível. Desta lei de Newton podemos extrair o conceito segundo o qual a natureza inerte dos corpos modificam-se pela força alterando o seu estado e direcção. Transportando este conceito ao facto da força de uma Nação residir na juventude, facilmente percebe-se que1 pela sua força a juventude não vai continuar inerte, não tanto pelos avarentos, mas pela força que reside nela.

 

Ademais, atendendo o status quo que a juventude angolana se encontra, a exaltação dessa frase soa como algo jocoso para os jovens, que encontram-se ainda inertes não por falta de força, aliás como o senhor Presidente dignou-se recordar, a força reside na juventude. Assim sendo essa força precisa ser usada e transformada em emprego e em outras políticas de inserção social para a dinamização da nossa jovem Nação, ao invés de tomar os jovens que não comungam da mesma orientação da juventude partidária a que se dirigia, como sendo sedentos e ávidos de míseros cem euros, que em minha opinião reduz os jovens a meros objectos de troca, atentando mesmo contra a sua dignidade e pondo em causa os princípios basilares de um Estado Democrático e de Direitos, que acolhe não apenas a representatividade, mas também a participação que reveste-se de várias formas. Na defesa desta dignidade enquanto jovem, penso que a juventude merece maior dignidade e respeito pelas suas opções. Não seria nada estratosférico se o Presidente João Lourenço se retratasse perante os jovens aos quais dirigiu-se de forma jocosa.

 

Termino dizendo que, não devemos ter uma memória estéril quanto ao passado recente em que esses mesmos jovens já foram apelidados de arruaceiros e frustrados. Mas, hoje a Nação sabe de que lado esteve a arruaça e a frustração. Afinal que juventude queremos para Angola? Sol lucet omnibus.


Por: N’junjulo J. António.

 



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