Lisboa - Filho de um banqueiro e colecionador de arte desde os 15 anos. Sindika Dokolo terá estado ao lado da mulher, Isabel dos Santos, nos bons e nos maus negócios.

Fonte: Revista Sábado

Nasceu em 1972 no antigo Zaire, filho de pai congolês e mãe dinamarquesa, mas passou a maior parte da sua infância na Europa, especialmente na Bélgica e em França. O seu pai, Augustin Dokolo, foi o primeiro homem negro a criar um banco em África no fim dos anos 60. "É conhecido como o empresário mais bem-sucedido do Congo desde a sua independência", apontou Sindika em entrevista ao Jornal de Negócios.



Herdou do pai não só as suas receitas enquanto self made man, mas também o gosto pela arte, que mais tarde o faria dedicar ao colecionismo. Numa entrevista à TPA, contou que a mãe fez questão de o levar a todos os museus da Europa e que o pai tinha já várias obras de arte africana. Foi também o pai que o levou a prosseguir a formação em economia, comércio e línguas estrangeiras em Paris.



Como escreve o site New African, Sindika é conhecido entre a família e os amigos como uma pessoa modesta, realista e genuína, com uma grande paixão pela família, pelos negócios e pela arte. Em 1995 haveria de voltar ao agora Congo para juntar essas paixões, juntando-se aos negócios de família, que se estendiam do setor da banca à pecuária, passando pelo imobiliário, pelos seguros e pela extração de minérios.



Com a morte do pai, em 2001, viria a assumir a rédeas total do império da família, ao mesmo tempo que estava a começar a criar o seu próprio império com a ainda namorada, Isabel dos Santos. Atualmente é membro do conselho de administração da cimenteira angolana Nova Cimangola e da Amorim Energia, dona da Galp. Continua também a administrar os negócios da família Dokola no Congo.

O ativismo político na arte

Ainda que seja visto por muitos como parte do establishment político e social de Angola, Sindika Dokolo assume-se como ativista nas duas áreas. Primeiro porque afirma ser alvo de perseguição tanto no seu país de origem, onde já foi acusado de fraude, como naquele que o acolheu depois do casamento, depois porque vê na arte um meio de defender a sua identidade africana.



O empresário avançou na área da arte logo aos 15 anos, quando começou a constituir uma coleção de arte africana com a ajuda do seu pai. Mais tarde herda algumas das peças da sua coleção e acaba por criar a Fundação Sindika Dokolo, em Luanda, para promover a cultura e a arte no continente.



Desde então reuniu mais de três mil obras, entre pinturas, gravuras, fotografias, vídeos e instalações, numa coleção que vale perto de 50 milhões de euros. Já a apresentou em alguns dos principais palcos de arte no mundo como como a ARCO, em Madrid, a Bienal de Veneza e o Espaço OCA, em São Paulo. Em 2016 viria a escolher a cidade do Porto para estabelecer a sede da sua fundação na Europa, escolhendo a Casa Manoel de Oliveira como morada.



É também um defensor acérrimo da restituição das obras de arte aos países a que pertencem, nomeadamente a arte africana que continua espalhada pela Europa.



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