Benguela - Noventa e um por cento de 1.211 pessoas de 16 das 18 províncias do país e da diáspora participantes de um inquérito sobre os efeitos económicos e sociais do confinamento social, em tempo de pandemia da Covid-19, consideram que mudou o modo de ocupar o seu tempo, bem como o exercício da actividade profissional/laboral.


Fonte: JA

Outros 87 por cento dos inquiridos revelaram ter sentido maiores mudanças no confinamento social em curso.

 

O inquértito foi realizado por uma equipa de investigadores do Centro de Estudos de Ciências Jurídico-Económicas e Sociais (CEJES) da Universidade Agostinho Neto (UAN).

 

Enquanto consumidores, os inquiridos disseram acatar as regras de prevenção e higiene associadas aos actos de consumo (97 por cento), reduziram a frequência das deslocações para efectuar compras (93 por cento) e passaram a afectar uma maior fatia dos orçamentos à aquisição de bens essenciais (73 por cento). Apenas 50 por cento dos inquiridos declarou ter reduzido as despesas de aquisição de bens e serviços.

 

Pouco mais de metade dos inquiridos declarou ter alterado o local de abastecimento (54 por cento), a quantidade adquirida em cada deslocação (55 por cento). O estudo também apurou que 53 por cento dos inquiridos esteve em situação de tele-trabalho, ao passo que outros 39 por cento observaram o trabalho presencial convencional.

 

Noventa e sete por cento aponta a preocupação com a saúde e segurança dos familiares e redes sociais de pertença emerge como o dado mais expressivo. Os inquiridos declararam ter aumentado o tempo dedicado às actividades domésticas (91%), à comunicação com familiares e amigos (82%), à prestação de apoio aos familiares (60%) e ao lazer/- entretenimento (55%).

 

Trinta e três por cento foi o percentual dos inquiridos que incrementaram o tempo dispendido em actividade física/-desportiva, enquanto que para a actividade estudantil foi de 41 por cento. As mudanças no perfil da procura de informação e nos meios de acesso utilizados foram também reconhecidas pelos inquiridos.

 

As redes sociais (88%) suplantaram a Rádio e a TV (85%) como principal meio de acesso à informação. 90 por cento da amostra fez pesquisa específica sobre a Covid-19.

 

Noventa e dois por cento dos inquiridos reconheceram ter feito uso, com mais frequência e durante mais tempo, das opções proporcionadas pelas TIC, nomeadamente as novas ferramentas de comunicação e as redes sociais. No-venta e um por cento dos inquiridos reconheceu ter feito menor uso dos serviços públicos, enquanto 77 por cento fez recurso às plataformas de acesso digitais como opção.

 

De acordo com a informação colectada, dos 1211 inquiridos auscultados, 91 por cento fez sempre a higienização das mãos, 8% apenas fê-lo algumas vezes, 86 por cento cumpriram rigorosamente as restrições de mobilidade, 74 por cento usaram álcool gel sempre; 21% apenas o fez algumas vezes, 57 por cento desinfectaram sempre os objectos de uso corrente, 27% apenas o fez algumas vezes, 47 por cento usaram sempre máscaras faciais, enquanto 31% apenas o fez algumas vezes.

 

O estudo, realizado entre 20 de Abril e 4 de Maio de 2020, indica que a amostra utilizada no inquérito contemplou membros de diferentes confissões religiosas, sendo 51 por cento de católicos e 29 por cento evangélicos. 182 dos inquiridos (15 por cento) declararam não ter religião.

 

Ao analisar a área de residência dos inquiridos, o estudo indica que 79 por cento residem na área urbana, 18 por cento na peri-urbana e apenas três por cento na área rural. A grande maioria dos inquiridos (87 por cento) residem na província de Luanda.

 

Quanto ao nível académico dos inquiridos, 71 por cento têm formação académica superior (licenciatura) e pós-graduada (mestrado e doutoramento) e 24 por cento frequenta o ensino superior. O perfil dos inquiridos, 46 por cento são do sexo masculino e 54 por cento do sexo feminino.

 

Cinquenta e um por cento dos inquiridos respondentes têm idade entre os 25 e os 44 anos de idade. A menor taxa de participação registou-se no escalão com 55 anos ou mais idade.

 

Para além do levantamento dos dados sócio demográficos dos inquiridos, com o estudo pretendeu-se obter também informação sobre mudanças nas práticas de consumo, mudanças no modo de ocupação do tempo, mudanças nas relações sociais e familiares, mudanças nas relações com as instituições, cumprimento das restrições e medidas preventivas, mudanças no perfil da procura e meios de acesso à informação.

 

Para os investigadores do Centro de Estudos de Ciências Jurídico-Económicas e So-ciais (CEJES) da Universidade Agostinho Neto (UAN) o objectivo foi efectuar uma primeira leitura sobre os efeitos económicos e sociais do confinamento social decorrente do Estado de Emergência que em Angola, como na maioria dos países do mundo, foi instituído para conter a propagação da pandemia.

 

O projecto, que conta com coordenação científica de Carlos Lopes e José Octávio Van Dúnem, nesta fase apresenta apenas alguns dos resultados em bruto do inquérito rápido on-line, sendo que o relatório analítico final encontra-se em processo de finalização.

 



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