Luanda - A escassos dois meses da sua realização, as eleições nas federações desportivas nacionais “jogam-se” de forma esquálida, de modo tal que o “fair-play” cantado nos discursos de circunstância acabaram atirados ao tambor do lixo. Nas principais modalidades a disputa, ainda nos bastidores, é impiedosa e os que estão no poder (com a faca e o queijo na mão) não olham a meios para atingirem os seus fins, consubstanciados na manutenção do status quo. As eleições sequer têm data marcadas – sabe-se apenas que devem ser realizadas até 30 de Setembro próximo – mas os “donos do poder” desdobram-se em artimanhas, na verdade jogo caviloso, para se manterem no cargo. Para já, a tentação de alguns é postergar o acto eleitoral. Afinal, são muitos milhões de dólares (e Kwanzas) que passam pelas diversas federações...

Fonte: Club-k.net

Uma das federações onde o “jogo” parece viciado à partida é da de andebol. O apego pelo poder é tanto que a Direcção da Federação Angolana de Andebol (FAAND) anunciou quinta-feira última, 9, a manutenção do adiamento “sine die” da Assembleia Geral Ordinária aprazada para 9 de Maio último. No comunicado oficial N.º 06/FAAND/2020, assinado pelo presidente de direcção em exercício, José Venâncio, e pelo director executivo António Santos, faz-se saber que o adiamento é motivado pela Covid’19 (vide fac-símile).


O comunicado refere que “face a cerca sanitária que se observa desde 27 de Março do presente ano a província de Luanda, e tendo sido reforçada a continuidade da mesma até dia 9 de Agosto de 2020, através do comunicado da Comissão Interministerial emitida a 7 de Julho, informamos a V/Excias que a mesma (Assembleia Geral) continuará adiada sine die, aguardando o efeito melhoramento das condições sanitárias e levantamento da cerca que se observa na capital (Luanda)”.


O documento, “para conhecimento da DNPD, APA’s, Clubes Filiados, Meios de Comunicação Social e demais interessados” estupra de forma inequívoca o instrutivo da Direcção Nacional dos Desportos (DND) do Ministério da Juventude e Desportos (MINJUD), datado de 4 de Junho último. Esta nota impõe, em adenda à circular 35/DND/2019, a obrigatoriedade de renovação de mandatos nas federações nacionais “até final do mês de Setembro”. A medida foi acordada em conclave ocorrido a 4 de Junho passado e no qual estiveram os presidentes de todas as federações nacionais, incluindo Pedro Godinho da FAAND, mesmo não estando em exercício – nos grandes “palcos” ele aparece como presidente e em actos menores José Venâncio dá a cara.


O reajuste do calendário eleitoral para a renovação de mandatos acordado nesse encontro em momento nenhum foi anulado pela DND. Um advogado especialista em justiça desportiva contactado pelo nosso site a fim de emitir uma opinião sobre o documento da FAAND foi directo, sem evasivas. “Se o MINJUD não derrogou o normativo atinente às eleições nas associações desportivas, está claro que a Direcção da Federação de Andebol conspurcou o instrutivo do MINJUD, desrespeitando-o de forma rude”, disse.


“Ainda que a federação de andebol quisesse, por conta e risco próprios, caminhar na contramão do que foi previamente acordado com o seu assentimento, parece-me questionável que a decisão fosse tomada pela Direcção e muito menos por um presidente em exercício e um empregado que, no caso, é o director executivo. Esta é claramente uma competência da Assembleia Geral”, ajuntou.


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