Luanda - As redes sociais viralizaram publicações de ameaças directas à TPA e aos seus trabalhadores na sequência da cobertura que a estação pública fez às manifestações ocorridas neste sábado, em Luanda.

Fonte: TPA

As ameaças directas apontam alvos precisos, com promessas de actos violentos contra as instalações da televisão pública, assim como a seus trabalhadores. A liberdade de expressar repúdio, no caso sobre que falamos, ultrapassa a linha da urbanidade, viola as regras sociais, preenche os pressupostos de crimes públicos e merece a condenação cívica e judicial.


As ameaças de destruição, com fogo, das instalações da TPA, e a convocação da ira pública contra nomes concretos de jornalistas seus é um flagrante do desrespeito das normas de civilidade e a confissão da pratica de crimes.


Num ano de enormes desafios para todos, com novas regras de convivência, assim como alteração de hábitos, as circunstâncias convocam todos a unirem-se para o mesmo objectivo. Estando todos convocados para a protecção da vida humana, como podem alguns incentivar a ameaça à integridade física de jornalistas?


A TPA colocou-se na linha da frente e ocupa um lugar de destacado empenho no combate à COVID-19, os seus jornalistas foram os olhos dos angolanos durante o conflito armado, mostraram a emoção pela conquista da independência, estiveram em casa de todos nas primeiras eleições gerais, puseram o país a vibrar com a qualificação de Angola ao mundial de futebol. Mas também sofreram com a seca no Cunene, dedicaram-se para que todos vissem o eclipse solar.


A cobertura de actos públicos é um corolário do serviço a que uma estação está adstrita. Porém, o clima hostil como as suas equipas são, amiúde, recebidas e tratadas, condiciona o exercício do jornalismo, pondo em causa a isenção e a responsabilidade que fundam a qualidade do serviço que prestamos.


A TPA reconhece que ocupa um lugar central para a vida das pessoas e sabe que a exigência por serviços melhor prestados é uma necessidade de todos. A crítica é bem aceite na TPA. Não está em causa que seja escrutinada, vive bem com a denúncia de serviço menos bem feito, porque reconhece que é composta por homens e, por isso, susceptíveis de falhas.


A TPA é um órgão público e, nessas vestes, actua ao lado do bem. Nesses tempos, não aponta culpados, não procura vítimas, não mostra vilões. O trabalho da TPA consiste sempre em participar na construção de uma sociedade séria, digna, de pessoas honestas.


As ameaças públicas não condicionam o exercício do jornalismo sério que a TPA faz. Não nos sentiremos intimidados, não alteraremos o nosso padrão de qualidade. Mas exigimos segurança, queremos tranquilidade e alertamos que há uma mãe, um pai, um filho atrás do jornalista.


A TPA afirma-se aberta às críticas, pois considera que, enquanto empresa pública, deve estar sempre sob o escrutínio público. Porém, a ameaça à integridade física dos seus trabalhadores, a intimidação, a destruição pretendida às suas instalações jamais serão aceites. Deste modo, apela às autoridades policiais e à Procuradoria Geral da República a protecção necessária dos direitos ameaçados, assim como espera uma posição veemente das associações que defendem os direitos dos jornalistas e ver esclarecida a questão.


Os princípios da Constituição, as garantias republicanas, os critérios deontológicos são os pilares do jornalismo da TPA. Não se vislumbra sequer ponderado intimidar o exercício do jornalismo, quando se pretende defender direitos fundamentais. Como pode um grupo de pessoas que se arroga exprimir os seus direitos, atacar aqueles que são a expressão da pluralidade?

Mais do que repudiar actos de intimidação, a TPA manter-se-á plural, isenta, pública. A TPA é dos angolanos e é em nome deles que persegue os seus valores.


CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA TPA, em Luanda, aos 25 de Outubro de 2020

 



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