Luanda - A Sonangol impulsiona o processo de diversificação da matriz energética nacional, depois de ter dado os primeiros passos para a entrada no segmento de energias renováveis, anunciou o presidente do Conselho de Administração da companhia numa entrevista publicada na edição de hoje do português “Diário de Notícias”.

Fonte: JA

Sebastião Gaspar Martins afirmou que a petrolífera vai "posicionar-se exactamente como as grandes empresas” internacionais do sector, instituindo na nova macroestrutura uma unidade de negócios dedicada ao gás e às energias renováveis.

 

O responsável lembrou o decurso de dois projectos de energia solar, um no Namibe e outro na Huíla, em parceria com duas empresas internacionais (a Total e a Eni, de acordo com informações disponíveis no Jornal de Angola), revelando o curso de discussões com as autoridades para a criação das melhores condições que concorram para a materialização de tais projectos.

 

O Ministério da Energia e Águas foi parte integrante da assinatura do primeiro acordo e é parte fundamental para o desenvolvimento e a conclusão dos projectos, estando a ser tratada com o Governo, a questão do quadro fiscal adequado para este tipo de investimento, apontou.


"Diligência e seriedade”

 

Sebastião Gaspar Martins declarou, indagado sobre o que o jornal português afirma ser "a imagem de corrupção” da companhia, que a Sonangol "tem os pés assentes na terra” e não tenta "esconder que erros diversos foram cometidos” nesse domínio.

 

Mas, advertiu, "o que não nos parece justo e aceitável é ver o nome desta grande empresa envolvido em histórias contadas (quase sempre infundadas ou envolvidas em romances e mistérios criados em função dos interesses de alguém) e deixar que isso passe em claro”.

 

A fonte preferiu não comentar uma pergunta que coloca o antigo presidente do Conselho de Administração da Sonangol Manuel Vicente a acusar o ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, como o cérebro por detrás de várias operações com fundos da companhia petrolífera nacional.

 

"Não somos a origem desta afirmação e tão-pouco temos qualquer evidência sobre a veracidade da sua genuinidade, pelo que nos abstemos de quaisquer outros comentários a respeito”, disse, acrescentando ser papel da companhia "tratar de todos os assuntos ligados à Sonangol, mas com diligência e seriedade. E estamos a fazê-lo”.

 

Em oposição às tentativas de realçar os factos ligados à corrupção, Sebastião Gaspar Martins lembrou que, ao longo do tempo, a Sonangol teve "um papel cimeiro no desenvolvimento económico e social do nosso país, principalmente nos momentos mais difíceis da nossa história recente”, sendo "uma empresa com uma história de grandes realizações e de ensejos de grande orgulho para os angolanos”.

 

Além disso, adiantou, o Conselho de Administração está a regenerar a companhia e voltar a colocá-la nos padrões internacionais exigíveis, alinhando-a às melhores práticas de governação, tal como definido no sistema instituído de "compliance” e controlo interno.

 

Apontou, como parte desse processo, a actualização do código de ética da companhia, bem como a criação de uma Direcção de "Compliance” e Controlo Interno encarregue da prevenção e identificação de comportamentos desviantes, "evitando, de forma mais eficaz, a ocorrência do mesmo tipo de erros cometidos no passado ou de quaisquer outros”.

De tal forma que, "a empresa já está admitida nas plataformas mundiais de análise de transparência e boa governança e começa a recuperar e ganhar os créditos nessa matéria”, tendo "o reconhecimento dos seus pares em todo o mundo”.

 



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