Lisboa – A exoneração esta semana de Marcolino José Carlos Moco do cargo de administrador não executivo da Sonangol, está a ser interpretada em círculos políticos, em Luanda, como reflexo de promessas feitas por altura da sua tomada de posse alertando que se demitia da petrolífera estatal caso observasse incumprimento de promessas eleitorais por parte da governação de João Lourenço.

Fonte: Club-k.net

Moco prometeu que  se demitiria da Sonangol se JL falhasse 

Desde que deixou o poder a vários anos, este antigo primeiro ministro foi se manifestando que não estava interessado em cargos, porém em Janeiro de 2018, viu-se surpreendido quando ouviu pelos meios de comunicação a sua nomeação como administrador não executivo da Sonangol, sem ser consultado. Contactado na altura, pelo diretor do gabinete presidencial, Edeltrudes Costa, informou-o que devido a problemas de comunicação, e o facto de Moco ter estado fora do país, tiveram dificuldades em consulta-lo para informa-lo do convite. Nesta ocasião, Edeltrudes Costa convenceu-lhe a viajar a Luanda para a tomada de posse garantindo-lhe, também uma audiência com o Chefe de Estado, João Lourenço que teve lugar no palácio presidencial.

 

Poucos dias depois da tomada de posso como responsável da petrolífera estatal, Marcolino Moco concedeu uma entrevista a revista ‘Jeune Afrique’ em que reiterava a confiança depositada na governação de João Lourenço, renovada com a acessão a liderança do MPLA.

 

Bastante confiante nas mudanças que poderiam ocorrer em Angola, Marcolino Moco fez uma advertência pública em que não excluía uma hipótese de desilusão. “Se João Lourenço não cumprir as suas promessas, eu demito-me”, dizia o antigo Primeiro-Ministro de Angola, ao revista ‘Jeune Afrique’ destacando-se entre os compromissos assumidos, a luta contra a corrupção, a impunidade e o combate à bajulação.

 

O ano de 2020, foi o período em que Marcolino Moco começou a dar sinais de alguma decepção, apesar de que em Março daquele ano, ter desmentido estar em rota de colisão com João Lourenço. O antigo governante alertava a emissora DW da Alemanha para não se repetir erros da governação de José Eduardo dos Santos, que era de ouvir apenas os que lhe agradavam. Por isso Moco dizia que “João Lourenço tem que ser ele próprio".

 

Passado quatro meses, Marcolino Moco, em entrevista ao Novo Jorna dizia-se «desiludido» com governação de João Lourenço e considerava o combate à corrupção «uma decepção». "É inadmissível que o país seja comandado por dois ou três iluminados que nos vão surpreendendo com esta ou aquela prisão seleccionada e exonerações não explicadas", apontou.

 

Lamentou também a interferência política junto dos órgãos de Justiça, tendo tomado como exemplo o acórdão do Tribunal que proíbe a Assembleia Nacional de fiscalizar os actos do Titular do Poder Executivo.

 

Em Novembro de 2020, Marcolino Moco ao notar repressão policial durante duas manifestações, em 24 de outubro e 11 de novembro, considerou que o país regressou aos “métodos autoritários que não levam a lado algum”.

 

“Assim não vamos lá. Mas ainda vamos a tempo - penso eu - e as esperanças têm de manter-se, agora que um novo ano se aproxima”, escreveu Marcolino Moco, nas redes sociais. Contudo para 2021, Marcolino Moco que é defensor pelo bem vida, viu a administração do Presidente João Lourenço, a envolver-se nas execuções de 28 cidadãos na vila de Cafunfo e, por outro lado o Bureau Político do MPLA, a lançar uma constrangedora campanha xenófoba e racista contra os adversários políticos, com realce ao líder da UNITA.

 

"O que quer que seja, insinuar, sequer, que Adalberto Costa Júnior não é angolano, ouvi-lo de várias bocas, e agora pressenti-lo num comunicado do BP [Bureau Político] do MPLA, é algo que me deixa muito preocupado", referiu, o também antigo SG dos “Camaradas”, por meio do facebook.

 

Diante do antecedente de decepção ao ver a governação de João Lourenço envolvida em incumprimentos de promessas e em violação de direitos humanos (execuções policiais), fontes consultadas pelo Club-K, que acompanham a trajectória de Marcolino Moco, apontam dois cenários quanto a sua exoneração esta semana: de que terá saído pelos próprios pé, ou que João Lourenço ao notar que este cumpriria com a sua promessa de se demitir, poderá ter-se antecipado em afasta-ló.



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