Luanda - Os membros da União dos Cabindenses para a Independência (UCI) Maurício Gimbi, presidente, André Bônzela e João Mampuela foram libertados na sexta-feira, 19, depois de terem passado quase oito meses em prisão preventiva.

Fonte: VOA

Os activistas foram detidos entre 28 e 30 de junho de 2020, acusados dos crimes de rebelião, ultraje ao Estado e associação criminosa.

 

Na sexta-feira, um juiz decidiu colocá-los em liberdade, sob o Termo de Identidade e Residência, por excesso de prisão preventiva.

 

A pronúncia descreve que no dia 28 de junho Maurício Gimbe e André Bônzela foram encontrados a colar panfletos A4, com os dizeres: “Abaixa as Armas", "Abaixo a Guerra em Cabinda", "Cabinda não é Angola", "Queremos Diálogo", "Viva Liberdade", "Viva o Povo de Cabinda”.

 

Na altura da prisão de ambos, o advogado de defesa Bula Tempo afirmou à VOA que foram detidos, na rua, alegadamente, por terem colado panfletos com dizeres que apelavam para o fim da guerra em Cabinda, a necessidade do diálogo e a separação do enclave do território angolano.

 

“Eles não foram presos em flagrante delito, o que é ilegal”, reiterou o advogado, lembrando que a prisão está assente “em fatos que atentam contra a liberdade de opinião”.

 

Na sua página no Facebook, no sábado, Maurício Gimbi, líder da UCI, escreveu que "por causa da justa causa do povo de Cabinda, eu seria dado como desaparecido no dia 28 de junho de 2020 se o rapto arquitectado por alguns malfeitores contra a minha integridade física desse certo".

 

"O plano era raptar-me, maltratar-me, tirar a minha vida e fazer desaparecer o meu cadáver sem deixar nenhum rasto para que o povo de Cabinda não se apercebesse e não se revoltasse", acrescenta, dizendo que "as mesmas pessoas que me fariam desaparecer seriam os mesmos responsáveis pela mesma manipulação".

 

O activista ainda agradeceu a todos "aqueles que directa e indirectamente influenciaram o nosso sustento alimentar e assistência médica enquanto presos, e sobretudo aos que contribuíram para a nossa soltura imediata através do activismo social, dos direitos humanos e políticos".

 

Desconhece-se, por agora, a data de julgamento.

 



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