Luanda - A recente recondução de Bento (Joaquim Sebastião Francisco) Bento para o cargo de primeiro secretário do MPLA, em Luanda, representa um violento “soco no estomago” (ai que dor!) dos familiares, amigos e “compagnous de route” dos activivistas políticos Cassule e Kamulingue torturados com requintes de “bestialidade nazista”, pouco antes de terem sido mortos “à boa maneira de Kinkuzu” por agentes da Polícia Nacional em 2012.

Fonte: Club-k.net

O voto de confiança política depositado em Bento Bento deixa chocado os militantes do MPLA que ainda têm uma réstia de noção de valores como o civismo e a moral na sua conduta. Eles ajuízam que, em termos de Marketing Político, a elevação de Bento Bento pode causar mais danos à imagem do MPLA do que agregar valor durante este período de pré-campanha eleitoral.

O regresso de Bento Bento significa que o MPLA tem poucos quadros capazes de desempenhar a tarefa que lhe foi novamente confiada. Para além de ser “o mais do mesmo”, é, convenhamos, um atestado de incompetência aos milhões de militantes do partido no poder, sobretudo aos jovens ávidos de quererem mostrar o que sabem e o que valem politicamente (a propósito, qual será a sorte de Nelson Funete?). A “canonização” de Bento Bento terá sido o expediente que João Lourenço encontrou para justificar a falta de quadros capazes no seio do partido?

A indicação de Bento Bento para o cargo de primeiro secretário do MPLA na capital angolana confirma a tese, segundo a qual, o crime, em Angola, afinal, compensa e traduz a ideia de que o partido no poder está desinteressado num sério combate à impunidade e na consolidação do processo de paz e reconciliação nacionais.

A Bento Bento faltam predicados como a polidez e um discurso politicamente correcto, que não incendeie a pradaria em tempos de paz e reconciliação nacionais que todos pretendemos consolidados. Truculência e arrogância (as “marcas registadas” de Bento Bento) não podem ser tidas como credenciais para alcandorar quem quer que seja ao posto de um bom activista político.

A responsabilidade moral pelas mortes macabras de Cassule e Kamulingue há muito que é, à boca pequena, assacada a Bento Bento, ao tempo em que era primeiro secretário do MPLA e governador de Luanda.

Bento Bento é apontado, surdina, por alguns sectores, como tendo sido o autor político e moral do assassínio de Cassule e Kamulingue. A ordem que se diz ter sido da autoria de Bento Bento para “varrer” a presença dos activistas da face da terra terá contado com o “alto patrocínio” do Serviço de Inteligência Militar e com a cumplicidade do então chefe da Segurança do Presidente da República, Helder Vieira Dias “Kopelipa”. Tudo isso (digo eu) deveria merecer um inquérito imparcial da Procurador-Geral de Angola.

 



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