Luanda - Mungo tem 95 salas de aulas e pede mais 460 (ver Jornal de Angola, 11/05/2021, página 15), cerca de 66 escolas de 7 salas. O sistema escolar cobre 21% das necessidades reais do Mungo. Maldita Covid-19, o sistema escolar controla menos que a metade de crianças no Mungo ainda antes da invasão do SARS-COV-2. Se Mungo é um dos municípios periféricos do Huambo, a cidade do Sumbe sempre teve crianças bastante empoeiradas nas suas brincadeiras de bairro em pleno dia de aulas, por não conseguir vagas de estudo para o ano lectivo. Uma situação que não se pode remediar, pois a rede de escolas privadas é por enquanto fraca e até inexistente nessas localidades.

 


Fonte: Club-k.net

A cidade do Tômbwa, de facto, parece ter o número satisfatório de Escolas Públicas, contagem que deve ser nacional.Luanda, a rainha, tem o privilégio de ter um mercado informal bastante forte e a desventura está presente em quase todas as áreas da vida social, e amaina a crise de escola ao se equilibrar no sistema escolar.


Mais que por falta de escolas, o número de crianças fora da escola aumentou abruptamente porque aquelas que deveriam ingressar no sistema escolar no ano lectivo 2021 não puderam fazê-lo uma vez que a pandemia da Covid-19 interferiu no sistema e a alteração do período de aulas de Janeiro a Novembro, para Setembro a Julho arrastou, sem outra alternativa, os matriculados em 2020 para o ano seguinte.


A experiência aponta a longevidade de pragas tão logo invadam a sociedade. A depressão económica, a desminagem (seca, fome…), afora a malária, estão sempre em andamento. Não se sabe quanto tempo será necessário para enxotar os gafanhotos que começaram a invadir o país pelo Sul.


A Covid-19 não tem fim imediato a contar com o próximo ano lectivo que tem início já no mês de Setembro próximo. Sim, é necessário que o ano lectivo arranque e é necessário repensar o sistema escolar na dimensão dos cuidados de biossegurança para evitar a propagação da pandemia e da necessidade de educação escolar das crianças. São várias as crianças (os jovens, os senhores) que nunca mais voltaram a estudar após suspensão do (seu) ano lectivo por colapso no sistema devido à guerra civil, no passado.


No momento, as salas de aulas acolhem até 100% de sua capacidade pois todos os alunos matriculados em 2020 foram convidados a continuar não obstante o novo regime implantado, tal como a divisão das turmas em duas e a frequência das aulas em horários intercalados.


O próximo ano lectivo vai ser projectado num ambiente de luta contra a Covid-19, o que deve acontecer na dimensão das crianças excluídas do sistema oficial de escola. Se só se pensar na redução do número de alunos a 50% por turma, então o colapso no sistema escolar estará declarado, uma situação mais complexa do que a do sistema de saúde, certamente. Afinal, quando tal se dá no sistema de saúde é possível conferir doentes nos bancos dos hospitais a clamar por socorro, deslocar deputados da assembleia nacional para serviços de constatação, jornalistas de televisão, de rádio, de jornal e a sociedade civil.


No sistema escolar e ou de ensino o colapso é silencioso e invisível, mas real. Nas ruas da cidade, nos bairros, as crianças estão sempre a brincar como se não houvesse mais nada em falta para elas e tivesse sido declarada a celebração da prosperidade nacional. Tal chega a elevar o nível da complexidade e da periculosidade do colapso no sistema escolar. Ao fechar as portas das escolas a um número elevado de crianças, estará a interromper-se de forma irreversível o desenvolvimento de muitos indivíduos e o da sociedade.


Portanto, sobre um sem-número de crianças que sempre nunca teve escolas associou-se agora outro sem-número que deveria estudar em 2021, um aumento que pode ser estancado através de propostas contextualizadas, inclusivas e funcionais.



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