Luanda - Em entrevista exclusiva à DW, o novo líder da CASA-CE lamenta que a fome e a pobreza tenham "tomado conta da população" e que a economia esteja falida. E explica porque não faz parte da "Frente Unida" da oposição.

Fonte: DW

Para o presidente da Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE), Angola está com uma "economia totalmente falida", resultante da má governação e das crises económica e sanitária. Por isso, a situação atual da população é deplorável.


"Eu estou a vir do interior (do país) e a fome, a miséria e a pobreza tomou conta da população. Há regiões como no município do Chongoroi (Benguela) onde há pessoas a comer ração animal", conta Manuel Fernandes. E isso ocorre porque os governantes, sobretudo da antiga administração do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, roubaram o país, acusa.


Quanto ao caso Pedro Lussati, o major que foi detido por ter em sua posse milhões de dólares, euros e kwanzas, Manuel Fernandes diz que a imagem de Angola voltou a estar suja na comunidade internacional. "Porque quando isso acontece no epicentro do poder é algo gravíssimo", diz.

Cruzada contra a corrupção


E como é que o líder da CASA-CE vê a "cruzada contra a corrupção" do Presidente João Lourenço? "O país, devemos reconhecer, está a experimentar uma nova realidade porque no passado havia impunidade, os governantes faziam e desfaziam e eram intocáveis. O que não acontece hoje. O que acontece é tentar moralizar a sociedade para criar o temor daquilo que é público", responde.


Publicamente, muitas vozes falam em seletividade na luta contra a corrupção. Manuel Fernandes também nota que há "falta de inclusão nestes processos".


"Há vários atores e já se levantaram vozes que não colaboraram com a justiça no seu devido tempo e abocanharam aquilo que é alheio, mas até agora não está a ser feito nada para a sua responsabilização judicial. Mas há outras pessoas que foram indiciadas tardiamente e já foram julgadas e condenadas", diz.


Este ano, André Mendes de Carvalho "Miau"foi destituído do cargo e substituído por Manuel Fernandes. "A CASA-CE hoje recomenda-se e está mais próxima dos cidadãos. Nós temos uma CASA-CE coesa, forte, dinâmica e vigorosa", assegura.

Fora da "Frente Unida" da oposição


Apesar deste vigor, a coligação tem sido criticada por não aderir à chamada "Frente Unida" da oposição, constituída por UNITA, Bloco Democrático e seguidores de Abel Chivukuvuku. Questionado sobre o assunto, Manuel Fernandes não reconhece a existência de uma frente como tal. E, à semelhança do PRS, a CASA-CE, diz que também não foi contactada.


"Na prática, o que vai existir é uma ampla adesão na lista da UNITA. Porque eu não acredito de que a UNITA venha abdicar dos seus símbolos para idealizar uma nova coligação para ir as eleições. Se não nos contactaram é porque os outros entenderam que não nos precisam", conclui.


E existe algum problema entre a CASA-CE e o Bloco Democrático de Justino Pinto de Andrade? "Absolutamente nenhum. O Bloco Democrático não tem nenhum problema. O que se passa é que o próprio Bloco é que está a pensar trilhar uma participação diferente nas próximas eleições", acredita Manuel Fernandes.


No entanto, foi congelada a vice-presidência para assuntos eleitorais, posição que era ocupada pelo Bloco Democrático. "Porque não podemos aceitar que alguém que vai ser nosso concorrente amanhã, venha saber qual é a nossa estratégia total sobre as eleições, não pode ser", justifica.


Em 2022, está prevista a realização de eleições gerais. Sobre a data das autárquicas ninguém sabe. Qual é a posição da CASA-CE? "A perspetiva é que sejam em julho ou agosto. O nosso ponto de vista é que autárquicas deviam ser antes. Quanto mais se não for possível, então poderíamos com uma cacetada matar dois coelhos. É serem em simultâneo", remata.

 



DEBATE NAS REDES SOCIAIS:




DEBATE NO ANÓNIMATO: