Lisboa – Os rumores postos a circular desde quinta-feira (29), em Luanda, insinuando que Ivan Leite Morais, um dos filhos do antigo do ministro das finanças de Angola, José Pedro de Morais Júnior, teria sido incomodado pela autoridades judiciais, está a ser encarado como um propositado “vulto” destinado a medir reações públicas. Apesar de Ivan Morais   ter já desmentido, em fóruns privados, de  que tenha sido incomodado,  o assunto está a ser aproveitado para a chamada de alerta da redefiniçao da política de João Lourenço do combate a corrupção visando agora atingir negócios de antigos servidores públicos que estejam em mãos de filhos “testas de ferro”.

Fonte: Club-k.net

José Pedro de Morais Júnior, que viu o nome dos seus rebentos mencionados nos infundados relatos, na capital do país, chegou a ser citado em 2019, como a figura que “melhor” colaborou com as autoridades angolanas ao assumir o compromisso de fazer restituições aos cofres do Estado, em resposta ao apelo de Lourenço, feito na campanha eleitoral do MPLA.

 

De acordo com informações, um grupo de antigos servidores públicos teria, a dada altura, se aproximado ao Presidente João Lourenço, em busca de perdão presidencial, invocando que “de facto” realizaram operações de descaminhos de bens públicos mas que tudo foi feito com o conhecimento de José Eduardo dos Santos, no âmbito do empoderamento do “partido”.

 

Lourenço segundo as mesmas informações terá colocado o Serviço de Inteligência Externa (SIE), em ação e por intermédio de parceiros externos (Dubai, Suíça, EUA), obteve dados adicionais indicando que alguns dos antigos titulares de cargos públicos que o aproximaram detém em contas bancarias no estrangeiro valores superiores ao que lhe foi declarado e outros com ativos não em nome de filhos “testas de ferro”. Com base nisto, Lourenço retirou proteção aos mesmos, permitindo que o Serviço Nacional de Recuperação de Activos (SNRA) agindo sem clemência.


No seguimento da nova redefiniçao da política de Lourenço, as autoridades judiciais colocaram sob radar filhos de antigos governantes que estariam a frente de investimentos que se acredita estarem a atuar como laranjas dos seus progenitores. Há ventilações de que as autoridades teriam escrutinado um jovem José Paulo de Almeida Van-Dunem, “Zé Paulo”, filho de um governante que estaria a frente de uma fabrica de alimentos ‘AP Food- Industria’, em parceria com um investidor estrangeiro Akjaram Chakar. Um outro jovem identificado por “Sacha”, filho do antigo ministro da defesa nacional, Cândido Pereira dos Santos Van-Dúnem chegou a ser ouvido tal como Hélder Jardim Belsa, filho da antiga ministra Fatima Jardim.


Em finais de 2020, a Procuradoria Geral da República (PGR), mostrava interesse em notificar o cidadão Tchino Veladir Silva de Sousa para ser ouvido nos termos de uma queixa movida pelo Governo Provincial de Luanda (GPL), por alegada apropriação de fundos públicos ao tempo em que esteve em comissão de serviço nesta instituição como Director do Gabinete Provincial do Ambiente, Gestão de Resíduos Sólidos e Serviços Comunitários de Luanda. Tchino de Sousa é filho do antigo PGR, general João Maria de Sousa, e estava num quadro de dupla efectividade por constar também na folha de salários da ELISAL, e controlar uma empresa privada Cleane Gest, Limitada que fazia gestão do Velório Provincial de Luanda (VPL) cobrando 300 mil kwanzas para a utilização do espaço , durante 24 horas, sem contrapartida para o GPL.


Em finais de 2018, a empresaria Yolanda Marina Isaac Carneiro foi ouvida pela PGR por conta de empresas em seu nome que teriam recebido pagamentos de fundos usados para a campanha do MPLA, provenientes do Comissão Administrativa da Cidade de Luanda (CACL), ao tempo em que este organismo esta instituição era comandada pelo seu progenitor, Higino Lopes Carneiro.

 



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