Paris - As forças ruandesas, enviadas desde Julho a Cabo Delgado, no norte de Moçambique, no intuito de apoiar as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas na luta contra os jihadistas, afirmaram neste Domingo ter tomado o controlo do estratégico porto de Mocímboa da Praia que estava nas mãos dos insurrectos desde há um ano. As autoridades moçambicanas devem pronunciar-se possivelmente ainda hoje sobre este assunto.

Fonte: RFI

“A cidade portuária de Mocímboa da Praia, um importante reduto da insurgência há mais de dois anos, foi tomada pelas forças de segurança do Ruanda e de Moçambique”, afirmaram as Forças de Defesa do Ruanda na rede Twitter.

 

O coronel Ronald Rwivanga, porta-voz do exército ruandês, confirmou que Mocímboa da Praia "caiu". Esta que uma das principais cidades de Cabo Delgado, alvo do primeiro ataque jihadista em Moçambique em Outubro de 2017, tinha caído nas mãos dos grupos armados no dia 12 de Agosto do ano passado, tornando-se na plataforma dos jihadistas locais.

 

Ao referir que Mocímboa da Praia "foi o último reduto dos insurgentes", o coronel Rwivanga considerou que a sua reconquista "marca o fim da primeira fase das operações de contra-insurgência".

 

Desdobrados há algumas semanas no norte de Moçambique, os mil homens que compõem o contingente ruandês, têm reivindicado já uma série de vitórias no terreno, nomeadamente a reconquista de Awasse, uma pequena aldeia estratégica localizada perto de Mocímboa da Praia no extremo norte da província de Cabo Delgado.

 

Há dois dias, ao fazer o ponto das operações, o porta-voz das forças ruandesas indicou que estava igualmente a ser planeada a estabilização das áreas retiradas dos insurgentes. “Vamos garantir a manutenção da ordem, operações de segurança, patrulhas e depois vamos consolidar e desenvolver as forças de segurança locais”. Ao dar conta de alguns feridos do lado ruandês e de cerca de cem baixas entre os insurgentes, este responsável indicou ainda que os militares ruandeses e moçambicanos tinham apreendido equipamentos e munições durante as suas operações conjuntas.

 

Este novo desenvolvimento em Cabo Delgado surge numa altura em que o Presidente moçambicano está prestes a proceder amanhã em Pemba, capital de Cabo Delgado, ao lançamento formal da Força em Estado de Alerta da SADC. Este contingente integra nomeadamente cerca de 1500 soldados da África do Sul, uns 300 do Botsuana, um número equivalente de militares oriundos do Zimbabué, sendo que Angola envia 20 elementos especializados da Força Aérea.

 

No mês passado, a União Europeia também estabeleceu oficialmente o envio de uma missão militar para ajudar a treinar as FDS. Militares especializados vindos de Portugal, que constituem metade dos efectivos deste contingente, já se encontram no terreno a treinar as tropas moçambicanas, no âmbito de uma missão que deveria durar dois anos.

 

Segundo dados oficiais, desde o começo dos ataques em Outubro de 2017, a violência jihadista provocou mais de 2800 mortos e mais de 800 mil deslocados. O ataque contra a vila de Palma, no passado mês de Março, marcou uma viragem em Cabo Delgado. Este único ataque causou dezenas de mortos bem como dezenas de milhares de deslocados e levou o gigante francês dos hidrocarbonetos Total a suspender as suas actividades na região, um empreendimento para a exploração de gás orçado em 16,8 biliões de Euros.

 



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