Lisboa – O Ministro de Estado e Chefe da Casa Civil, Adão Francisco Correia de Almeida,  é a entidade identificada como responsável pela escolha de Laurinda Jacinto Prazeres Monteiro Cardoso para desempenhar o cargo de Tribunal Constitucional. O assunto está a gerar polêmica devido as ligações comerciais da mesma a Rui Ferreira nos negócios com Kassim Tajideen, o libanes  condenado nos EUA por financiar o grupo terrorista do Hezbollah.

Fonte: Club-k.net

Nova Juiza Presidente do TC é membro do BP do MPLA 


Secretária de Estado para a Administração do Território e Membro do Bureau político do MPLA, Laurinda Cardoso, é amiga de longa data e comadre de Adão de Almeida. Foi pelas mãos de Almeida que chegou ao governo depois de uma carreira como advogada.  


Com um vasto percurso no ramo da advocacia, Laurinda Cardoso tornou-se especialista em Direito e Contencioso Laboral. A dada altura mostrava se favorável para  dar aulas. Falhou na aprovação para o mestrado e nunca mais se apresentou em nenhuma instituição acadêmica. Por cerca de 10 anos trabalhou para os escritórios de advogados da Juiza Guilhermina Prata e de   Rui Ferreira, tornando-se também  “testa de ferro” deste último   nos negócios com parceiros libaneses, que mais tarde foram implicados pelo EUA por financiar o terrorismo. Laurinda Cardoso,  Directora Jurídica do Grupo Golfrate Holdings Angola, ligado a Arosfran.

 

Antes de ascender como secretaria de Estado do governo de João Lourenço, Laurinda Cardoso exerceu o cargo de Directora do Gabinete Jurídico de Adão de Almeida, no Ministério da Administração do Território. Ao mesmo tempo fundou o seu próprio escritório de advogados, “LEAD Advogados Angola” em parceria com antigas amigas da Universidade.

 

Com a saída de Adão de Almeida no MAT, entrou um novo ministro Marcy Lopes. De acordo com informações Laurinda Cardoso,  terá se incompatibilizado com o novo ministro remetendo ambos para uma situação de “costas viradas”,  aproveitada agora  por Adão de Almeida para socorrer a amiga e  propor o seu nome ao  Chefe de Estado, João Lourenço como sucessora de Manuel Aragão no Tribunal Constitucional.

 

A sua nomeação está a dar lugar a uma onda de  contestação devido as suas impressões aos negócios privados, tais como a ALLCOMERCE, que tem como PCA Sidney Carlos Manita Ferreira, filho de Rui Ferreira. A ALLCOMERCE foi constituída no dia 1 de Abril de 2011. Para além de Laurinda Cardoso, faz parte da sua subscrição o sócio libanês Mohammed Tajideen (95%), filho de Kassim Tajideen, que fundou a Arosfram e mais tarde condenado nos EUA por financiar a rede terrorista Hezbollaz.

 

As ligações a Rui Ferreira, colocam Laurinda Cardoso, numa situação de expetativa, em se saber como irá lidar com a empresa, MERAP (de Rui Ferreira e Guilhermina Prata) que instalou um sistema informático no Tribunal Constitucional impedindo o registro de novos partidos políticos em Angola. Outra expetativa é a sua condição de membro do BP do MPLA em tratar o processo de impugnação para derrubar Adalberto Costa Jr que decorre no Tribunal Constitucional, movido por antigos militantes da UNITA que se mudaram para o partido no poder. 

 

Apesar de ter aceite o desafio para liderar o TC, Laurinda Jacinto Prazeres Monteiro Cardoso já dava sinais de regressar a advocacia assim que largasse o governo. O argumento invocado, é de que a sua anterior atividade como advogada dava-lhe mais rendimentos comparando ao que aufere como membro do governo cujo salário ronda a a algum inferior ao equivalente a  USD 1000. A dada altura, chegou a juntar grupos de antigas colegas da advocacia para confraternização numa quinta no Kikuxi, arredores de Luanda, que foi interpretado como sinalização do seu  regresso a classe.

 

Em Dezembro de 2019, o nome de Laurinda Cardoso foi alvo de investigação pela RTP, por causa da compra de um imóvel ao partido português CDS-PP, envolvendo uma das suas empresas do ramo imobiliário na cidade do Porto.

 

É um negócio sem aparente explicação mas absolutamente ruinoso para o CDS-PP. Há dois anos, o partido vendeu um imóvel no Porto por 157,5 mil euros, uma transação que, a valores do mercado na altura, lhe poderia ter rendido mais 200 mil euros.”, descreveu a reportagem da RTP, adiantando que Laurinda Cardoso revendeu o imóvel um ano e meio depois por quatro vezes mais, arrecadando uma mais-valia de meio milhão de euros.

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