Luanda - Um grupo de mais de duas dezenas de efectivos da Polícia Nacional (PN), órgão afecto ao Ministério do Interior angolano, denunciaram ao Club-K Angola um suposto esquema na corporação sobre compra/venda de patentes para graduações de oficiais superiores, subalternos e até mesmos cargos a troca de dinheiro que rondam entre 300 a 800 mil kwanzas, envolvendo altos funcionários que desempenham funções nas áreas correspondentes às possíveis promoções.

Fonte: Club-k.net

Os descontentes apelam às instâncias superiores de direito a reverem e inspeccionar o quadro orgânico da Polícia Nacional, o mais urgente possível, no sentido de acabar com o suposto esquema de venda de patentes que beneficia injustamente alguns e prejudica a maioria com tempo de serviço correspondente a promoções justas.

 

Para os denunciantes, é desolador ver recém-enquadrados na corporação, alguns até ainda muito jovens sem carreira policial nem curriculum equivalente ostentarem patentes desde subinspector até intendentes, quando muitos dos efectivos com carreira de 15 a 40 anos a servir à pátria continuam como agentes de primeira, segunda terceira ou subchefe.

 

“Muitos de nós viemos das extintas FAPLAS para polícia em 1992, outros transitaram dos serviços de segurança do Estado e de outros ramos de especialidade. Derramamos o nosso sangue suor e lágrimas por esta Angola. Mas nunca fomos promovidos. Nunca olham para o nosso caso. Mas aqueles que pagam entre 300 a 800 mil kwanzas têm promoções imediatas de acordo com o valor pago. Miúdas com padrinhos na cozinha, estão a brilhar com patentes novas e se tornam nossas chefes”, desabafou um agente, preferindo anonimato.

 

As denúncias surgem na sequência de últimas promoções na corporação que elevaram a altos postos de patenteamentos, funções e cargos de agentes que não preenchem sequer reúnem requisitos curriculares para as categorias a que foram despachados para novas ordens de serviços –superiormente emanadas pelo comando-geral-, conotadas com presumíveis fraudes, nepotismo, favorecimentos, amizades e compadrios dentro do órgão policial.

 

A maior parte da franja incorporada após os confrontos de 1992, por exemplo, alegam os nossos interlocutores, para não citar aqueles que transitaram por desmobilização da Forças Armadas Angolanas (FAA), Serviço de Segurança de Estado e outros, continuam a ostentarem patentes ou postos abaixo das suas categorias militares, mesmo com o tempo de permanência vencido de seis a dez anos de serviço, quando o regulamento da Polícia Nacional para as devidas promoções correspondem de três a cinco anos efectividade.

 

Ainda nestas reivindicações de injustiças em que manifestam um descontentamento generalizado na Polícia Nacional, as fontes lembram desesperadas nomeações ocorridas nos anos de 2016, 2017 e 2018 em que muitos quadros seriam promovidos para oficiais – superiores e subalternos-, mas sem justificação alguma, estes nomes foram alegadamente substituídos por outros que não faziam parte dos respectivos quadros.

 

“É uma pouca vergonha e injustiça clara o que se verifica na Polícia Nacional. Nós que combatemos e servimos a pátria com sangue suor e lágrimas não somos beneficiados com nada. Hoje vemos colegas com identidades e origem duvidosa na corporação a subirem de patentes. Alguns que nós recebemos na corporação com pouco tempo de serviço são agora nossos chefes a base de um esquema de corrupção por venda de patentes”, disse um dos representantes do grupo signatários da denúncia.

 

Vale ainda lembrar que no recuado ano de 2008, o antigo comandante-geral da Polícia Nacional Ambrósio de Lemos havia despromovido vários agentes da corporação que estavam envolvidos num esquema de compra de patentes de sargentos, sub-inspector, inspector e intendente.

 

Na altura, a despromoção destes funcionários da corporação que estavam colocados na Unidade Operativa de Luanda, Direcção Nacional de Viação e Transito e no departamento dos Recursos Humanos do Comando Geral da Polícia, teria acontecido depois de um longo processo de desmantelamento da organização ilegal que funcionava dentro da corporação.

 



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