Madrid - O Presidente de Angola e o primeiro-ministro espanhol concordaram hoje em Madrid na necessidade de aprofundar as relações bilaterais e fortalecer setores de interesse económico para empresas e investidores espanhóis naquele país africano.

Fonte: Lusa

João Lourenço chefia uma delegação angolana que realiza uma visita oficial a Espanha, tendo sido recebido esta tarde por Pedro Sánchez, depois de na parte da manhã se ter reunido com o rei Felipe VI.

 

Pedro Sánchez destacou durante o encontro desta tarde o interesse que as empresas espanholas têm pelo mercado angolano, "onde podem contribuir com a sua experiência, qualidade e tecnologia para o desenvolvimento económico e social do país", segundo um comunicado de imprensa distribuído pelo gabinete do chefe do Governo espanhol.

 

Na reunião, os dois líderes chegaram a acordo sobre uma declaração conjunta para "aprofundar as relações bilaterais e reforçar os sectores de interesse económico para as empresas e investimentos espanhóis no país" africano.

 

Numerosas empresas espanholas estão atualmente a desenvolver projetos em sectores como o tratamento de água, refrigeração industrial, saúde, educação, formação e geologia, explica Madrid.

 

As boas relações económicas entre os dois países são postas em evidência pelo facto de em 2020 a Espanha ter exportado para Angola 87 milhões de euros e importado por 548 milhões de euros.

 

Desde 2018, o valor acumulado dos investimentos espanhóis no país atinge 518 milhões de euros, colocando Angola no 49º lugar como destino do investimento espanhol.

 

"A Espanha quer contribuir para o desenho da política da União Europeia em relação a África, para que esta seja orientada para o progresso e industrialização do continente, para a criação de emprego, especialmente para os jovens, e para a implementação efetiva" de uma zona de Comércio Livre, disse Pedro Sánchez, citado no comunicado de imprensa.

 

A Espanha considera Angola um "país prioritário", devido ao seu "peso político, projeção regional e enorme potencial económico".

 

Por esta razão, Angola é "um dos principais parceiros de Espanha na África Subsaariana" e Madrid é um dos "principais apoiantes de Angola na União Europeia".

 

Pedro Sánchez recordou que a Espanha sempre esteve do lado de Angola, "mesmo em tempos extremamente difíceis" como os anos de guerra civil, e insistiu que os dois países têm de "trabalhar em conjunto para promover uma relação estratégica, com especial ênfase nas questões económicas e de investimento".

 

Sánchez também salientou que, para conseguir a recuperação socioeconómica após a pandemia de covid-19, todos os países devem ter acesso às vacinas.

 

A este respeito, lembrou o anúncio que fez na semana passada nas Nações Unidas: dos 30 milhões de vacinas que a Espanha se comprometeu a doar a diferentes países, 7,5 milhões irão para países da África Subsaariana e vizinhos do sul.

 

O Governo espanhol também realça que a relação entre os dois países em matéria académica é reforçada pelo recente lançamento da Fundação Universitária Ibero-Americana, que irá formar quase 12.000 estudantes com pessoal docente espanhol, angolano e ibero-americano.

 

Por seu lado, no almoço em que hoje foi convidado do rei de Espanha e em que Pedro Sánchez também esteve presente, João Lourenço assegurou que pretende "com esta visita estabelecer uma verdadeira parceria estratégica" com Espanha, "reforçando os laços de amizade e de cooperação em importantes domínios" da economia angolana.

 

O Presidente de Angola quer, com a visita que está a fazer a Espanha, estabelecer com este país "uma verdadeira parceria estratégica", estando o mercado angolano "aberto a uma maior presença" de empresários espanhóis.

 

Segundo a agenda de João Lourenço, a visita oficial de dois dias a Espanha termina quarta-feira com visitas a "objetivos infraestruturais e institucionais na capital espanhola", entre outras à empresa de águas Canal Isabel II e à sede da Organização Mundial do Turismo (OMT).

 

A visita à capital espanhola "conclui" a "ação de diplomacia" angolana no estrangeiro, que incluiu Washington (sede do Governo norte-americano e de várias instituições económicas internacionais), Nova Iorque (sede das Nações Unidas) e Madrid.

 



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