Lisboa - Uma investigação do Yahoo News, publicada no domingo, expõe os planos da CIA, juntamente com altos funcionários da administração do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que envolviam raptar e até mesmo assassinar o fundador da WikiLeaks, Julian Assange.

Fonte: RTP

De acordo com a investigação, os planos remontam a 2017, altura em que Assange estava refugiado na embaixada do Equador em Londres. Segundo revelaram ex-funcionários dos serviços de inteligência dos Estados Unidos, o plano da CIA, na altura chefiada por Mike Pompeo, pressupunha, em primeiro lugar, raptar Assange da embaixada.

 

A ideia era “invadir a embaixada, arrastar [Assange] para fora e levá-lo para onde quiséssemos”, disse um ex-funcionário dos serviços de inteligência dos EUA ao Yahoo News.

 

O plano não ficava, no entanto, por ali. Alguns altos funcionários da CIA e da administração Trump chegaram mesmo a discutir o assassinato de Assange, “chegando ao ponto de solicitar ‘esboços’ ou ‘opções’ de como o matar”, lê-se na investigação do Yahoo News.

 

Um antigo responsável da contraespionagem revela que as discussões ocorreram entre “os mais altos escalões da administração Trump” e acrescenta: “Parecia não haver limites”.


Uma “obsessão completa de Pompeo”

O plano contra Assange espelhava uma sede por vingança por parte de Pompeo após a publicação na WikiLeaks de vários documentos, conhecidos por “Vault 7”, que expunham uma série de métodos e procedimentos utilizados pela Agência Central de Inteligência norte-americana nas suas atividades de espionagem por todo o mundo. Os arquivos foram descritos como “a maior fuga de dados na história da CIA”.

 

Pompeo e outros líderes importantes da agência “estavam completamente desligados da realidade porque estavam muito envergonhados com o Vault 7”, disse um ex-funcionário de segurança nacional de Trump ao Yahoo News. "Eles só viam sangue à sua frente", sublinha.

 

Um ex-funcionário do Governo de Trump disse mesmo que “o WikiLeaks era uma obsessão completa de Pompeo”. “Depois do Vault 7, Pompeo e Gina Haspel [vice-diretora da CIA] queriam vingar-se de Assange”.

 

O plano foi contestado por vários funcionários e alguns membros do Conselho de Segurança Nacional colocaram dúvidas quanto à legalidade do mesmo. Alguns funcionários do Governo entraram secretamente em contacto com funcionários e membros do comité de inteligência no Senado para alertá-los sobre as recentes propostas de Mike Pompeo.

 

O Yahoo News não conseguiu, por isso, confirmar se as sugestões de medidas extremas contra Assange chegaram a ser aprovadas pela Casa Branca. A CIA não quis fazer comentários e Mike Pompeo não respondeu aos pedidos de esclarecimentos do Yahoo News.

 

Em agosto, os EUA conseguiram mais tempo para argumentar a extradição de Assange, depois de o Supremo Tribunal britânico ter adiado para outubro a decisão final sobre a extradição para os Estados Unidos do fundador da WikiLeaks.

 

Os juízes deram mais um mês aos advogados americanos para apresentarem novos argumentos.

 

Em janeiro, os EUA perderam uma das batalhas judiciais no caso de Assange, após o Tribunal Criminal de Old Bailey (em Londres) ter rejeitado o pedido de extradição do fundador da WikiLeaks para os EUA. Na altura, a decisão foi justificada com o frágil estado de saúde mental de Julian Assange, tendo sido apontado o risco de suicídio. Os americanos recorreram para o Supremo Tribunal inglês que deverá anunciar a decisão só em outubro.

 

Julian Assange é acusado pela justiça dos EUA de 18 crimes, incluindo espionagem, arriscando até 175 anos de prisão caso seja considerado culpado.

 

O jornalista e ativista australiano permanece detido na prisão de alta segurança londrina de Belmarsh (no sudeste da capital britânica).



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