Luanda - O Presidente da República, João Lourenço, inaugurou esta terça-feira o Complexo Hospitalar de Doenças Cardio-Pulmonares Cardeal Dom Alexandre do Nascimento, antigo Hospital Sanatório de Luanda.

Fonte: Angop

Acompanhado pela Primeira-dama, Ana Dias Lourenço, pelo Vice-presidente da República, Bornito de Sousa, e por membros do Executivo, o Chefe de Estado angolano percorreu as diferentes áreas da nova unidade hospitalar.

 

O acto inaugural foi antecedido de uma cerimónia religiosa orientada pelos Bispos de Luanda, Dom Filomeno Vieira Lopes, e Dom José Manuel Imbamba, preesidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), na presença, também, do homenageado, Cardeal Dom Alexandre do Nascimento.

 

Localizada no município do Kilamba Kiaxi, em Luanda, a infra-estrutura está orçada em cerca de 214 milhões, 85 mil e 456,35 dólares. O valor inclui construção, reabilitação e apetrechamento da unidade sanitária.

 

A nova estrutura do antigo Sanatório de Luanda conta com mais de 300 camas (contra as anteriores 250), 212 das quais em quartos de isolamento e 88 em enfermarias gerais.

 

Pode atender pacientes com e sem tuberculose, nos seus serviços de ambulatório, que passam a integrar um departamento de acidentes e emergências, área de fisioterapia e um centro de diagnóstico não invasivo (com técnicas que não usam agulhas, cirurgias ou medicamentos orais para resolver o problema do paciente).

Novos serviços

O Complexo Hospitalar Cardeal Dom Alexandre do Nascimento dispõe, agora, de um conjunto de componentes tecnológicas, com destaque para os serviços de ressonância e anatomia patológica, ambulatório com todas as valências de uma unidade docente, um bloco operatório com quatro salas e cuidados intensivos.

Reserva 36 leitos em pediátrica, 60 na enfermaria de tuberculose multirresistente e igual quantidade para a área de "HIV/TB", bem como outros 20 na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) de infectados e 18 em cirurgia.

Dispõe, ainda, de serviços de broncoscopia, de cirurgia torácica, geral e cardíaca, hematologia, tomografia axilar computarizada, ultra-sonografia, entre outras tecnologias que vão ajudar na formação de especialistas em pneumologia, com destaque para os tisiologistas (responsáveis pelo estudo das causas, prevenção e tratamento da tuberculose).

Entre as novidades estão, igualmente, a hemodinâmica, Unidade de Terapia Intensiva (UTI), serviços de imagiologia, vários laboratórios e meios de diagnóstico.

A nova unidade conta, também, com uma morgue com 18 gavetas, serviços de necrotério para a realização de autópsias e um Centro de Simulação Médica.

Investigação científica e formação de quadros

Com estes e outros serviços, o novo complexo hospitalar vai cumprir com as missões de diagnosticar, tratar, reabilitar, além de dar especial atenção à investigação científica e formação de quadros de nível superior (incluindo pós-graduada) e médio.

Para a formação, o novo hospital terá um edifício com um auditório para mais de 150 pessoas e uma sala de treinamento de casos de broncoscopia.

Um serviço de esterilização e uma farmácia fazem, igualmente, parte do complexo hospitalar, que neste momento tem 538 profissionais de saúde, sendo 25 médicos, 18 angolanos e sete cubanos, 215 enfermeiros e 298 técnicos de apoio e funcionários.

A produção de oxigénio será feita internamente no hospital, que possui serviços de refrigeração, energia alternativa.

O espaço reserva 450 vagas na área de estacionamento com um moderno e atractivo arranjo paisagístico.

Antes das obras de reabilitação e expansão, o Hospital Sanatório de Luanda encontrava-se em estado avançado de degradação e com condições precárias de atendimento ao público.

Historial de reabilitação do Sanatório

O Hospital Sanatório de Luanda foi a primeira unidade sanitária visitada por João Lourenço, após a tomada de posse como Presidente da República.

Na altura, com uma capacidade para 250 camas, a instituição contava apenas com 25 médicos, dos quais 18 angolanos e sete cubanos, para uma necessidade de 87 e 215 enfermeiros.

Uma construção datada de 1972, cujas estruturas apresentavam um avançado estado de degradação com problemas na rede de esgotos residuais e infiltrações no interior de alguns compartimentos, além da falta de água e de energia eléctrica.

Em Março de 2018, o Chefe de Estado considerou imperiosa a realização da obra, para melhorar a assistência e o acompanhamento médico aos doentes com tuberculose.

João Lourenço orientou a ministra das Finanças a assegurar os recursos financeiros necessários para a execução do contrato de reabilitação, ampliação e apetrechamento do hospital.

À ministra da Saúde foram delegadas competências para a aprovação das peças e do procedimento contratual, verificação da validade e legalidade de todos os actos praticados no âmbito do referido procedimento, para a celebração do contrato; os doentes internados foram acomodados em instalações provisórias, construídas para o efeito; e a obra de reabilitação e expansão do Sanatório de Luanda arranca.

Três anos depois, o Complexo Hospitalar de Doenças Cardiopulmonares Cardeal Dom Alexandre do Nascimento é inaugurado, numa área construída de mais de 36 mil metros quadrados, vocacionado para o diagnóstico e tratamento de doenças respiratórias, principalmente da tuberculose.

Dados indicam que, em Angola, pelo menos 60 mil pessoas estão infectadas com o bacilo da tuberculose.


Cardeal Dom Alexandre de Nascimento

O arcebispo emérito de Luanda é o único Cardeal angolano. Com 96 anos, continua a servir o país e a Igreja Católica.

A sua trajectória está associada à trajectória política de Angola sob domínio colonial, marcada pela luta de libertação nacional até à independência.

O nome do primeiro Cardeal de Angola está ligado também à comunidade política, criação da Universidade Católica de Angola, reabertura da Rádio Ecclesia-Emissora Católica de Angola, bem como ao retomar, pela igreja, de várias infra-estruturas importantes de evangelização.

Dom Alexandre Cardeal do Nascimento nasceu no dia 1 de Março de 1925, em Malanje, onde se tornou bispo em 1975.

 

 



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