Luanda - A ex-deputada e filha do ex-chefe de Estado angolano, Welwitchea dos Santos ‘Tchizé’, mostrou-se, esta terça-feira, 17, indignada com o facto de a Rádio Nacional de Angola (RNA) ter dado crédito e destaque a uma carta supostamente escrita e assinada por José Eduardo dos Santos, seu pai, cuja saúde, em Barcelona, Espanha, conheceu nos últimos dias um quadro deteriorante.

Fonte: Isto É Notícia

A indignação da filha do ex-Presidente da República angolano prende-se com o facto de o Tribunal Supremo — aquando do julgamento do ‘Caso 500 milhões’, que envolvia o ex-presidente do Conselho de Administração do Fundo Soberano de Angola, José Filomeno dos Santos ‘Zenu’, seu irmão, e o ex-governador do Banco Nacional de Angola (BNA) Valter Filipe —, ter colocado em causa a autenticidade da assinatura contida na carta que o ex-titular do poder executivo fez chegar àquela instância judicial.

Tchizé dos Santos não percebe o critério utilizado numa e outra situação, quando a carta que se tornou viral nas redes sociais tem tudo para não ser levada a sério, pelos indícios de falsificação da assinatura e pela notável diferença em si entre a assinatura “a que os angolanos se acostumaram a ver” e a que foi agora apresentada como autêntica na carta cujo conteúdo foi lido na RNA.

“Eu não entendo esse regime do MPLA. Então a carta que José Eduardo dos Santos assinou, de punho e letra — a mesma assinatura que todos os angolanos estavam acostumados a ver em todos os despachos de José Eduardo dos Santos, que fez desde [19]79 até 2017, enquanto foi Presidente da República —, foi invalidada pelo tribunal… não serviu como testemunho, porque diziam que não podiam garantir que o José Eduardo dos Santos é que a assinou. E esta carta com esta assinatura que não é igual… está a ser noticiada na Rádio Nacional?”, questiona a filha de Eduardo dos Santos, num áudio amplamente partilhado nos grupos da rede social WahtsApp, esta terça-feira.

No mesmo áudio, a ex-deputada à Assembleia Nacional interroga-se sobre a natureza do partido no qual milita ou militou até à perda do seu mandato no Parlamento. Diante da decisão editorial do órgão oficial de comunicação social do Estado, a ex-parlamentar questiona se se está em presença de um “regime ditatorial” ou se se trata de uma “democracia”.

“Então, afinal de contas quais são os critérios para aceitar ou não aceitar? Zenu está condenado porquê? Porque o tribunal disse que aquela assinatura não era do José Eduardo dos Santos, porque não estava garantido que era [dele]. Um tribunal! E agora estão a pôr um documento em circulação, [uma] fonte oficial do Estado? Porque já é assinatura de José Eduardo dos Santos?”, insistiu questionando a ex-deputada.

 

Tchizé dos Santos recorda que no documento assinado por José Eduardo dos Santos diz expressamente que, ele enquanto Presidente da República, tinha dado orientações a dois auxiliares do poder executivo para cumprirem uma missão, nomeadamente a José Filomeno dos Santos e a Valter Filipe.

“Então porquê não aceitaram estas declarações e não ilibaram os senhores?”, seguiu interrogando-se Tchizé dos Santos, lembrando que a alegação era a de que “a assinatura não podia ser verificada”. “Agora já se pode verificar? Então, vamos comparar a assinatura que está na carta que foi apresentada ao tribunal por José Eduardo dos Santos, que é igual àquela que todo o mundo conhece, com essa brincadeira que está aí a passar hoje, com a data de hoje ou de ontem”, disparou.

Na alegada ‘nota de esclarecimento’ atribuída a José Eduardo dos Santos, que está na origem da indignação da ex-deputada, o seu subscritor descreve que “em virtude da multiplicidade de informações, sempre contraditórias, sobre o meu estado de saúde, comunico a todos os interessados que a única entidade autorizada a falar a propósito é o meu médico pessoal, Dr.º João Afonso, que me tem acompanhado ao longo desses 16 anos e de quem tenho a máxima confiança como profissional”.

“Reafirmo ainda que continuará a ser o médico coordenador da equipa multidisciplinar que garante a minha assistência médica em Barcelona”, lê-se na polémica carta.

José Eduardo dos Santos regressou à cidade de Barcelona a 7 de Março deste ano, após ter estado em Luanda durante seis meses. Antes de regressar ao Reino de Espanha, no quadro dos cuidados médicos a que tem sido submetido, recebeu, na sua residência, no Miramar, o actual Presidente da República, João Lourenço, naquela que foi considerada pelas autoridades como uma “visita de cortesia”.

 



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