Luanda - O senhor que se segue na Presidência da República é o schwa da política central angolana, por estes dias de intrigas infantis, apatetadas e desagregadoras que precedem o IX congresso ordinário do MPLA. O schwa é silencioso. Quase ninguém o ouve. Fala em surdina. Sem acento. Sem debate. Sem nome, sem rosto.

Fonte: Club-k.net

João Lourenço deixa pistas. Mas baralha as cartas. Fala do assunto como tabu. Insinua. Mas não esclarece. Os aduladores permanecem em cima do muro. Estão sem ponto cardeal. Não sabem para que lado se virar depois de o terem feito aberta e infamemente em relação a Adão de Almeida e Manuel Homem. A sucessão é uma incógnita. Um túnel sem luz.

As pistas são conhecidas: Jovem. Fisicamente apto. Primeiro, fiel ao partido. Depois, à Nação. O sucessor pode ser um puto. Inicialmente grato. Politicamente subserviente. João Lourenço quer adestrá-lo. Mas a lealdade vai ser curta. Semanas ou meses. Depois de ter controlo sobre os órgãos de Defesa e Segurança e tiver o apoio do partido deixa de ser tutelável.

No tabuleiro da sucessão há poucos nomes: Adão de Almeida, Pereira Alfredo, Manuel Homem, Mara Quiosa e Fernando Garcia Miala. Avaliações recentes mostram que todos foram analisados. Conclusão: Para já, fora do jogo. Nada de concreto.

Adão de Almeida carece de endurance política. A Presidência da Assembleia Nacional é mais uma rampa de lançamento para depois de 2030.

Pereira Alfredo chegou a concentrar a preferência presidencial. Mas falta-lhe retórica. Falta-lhe “traquejo social e urbano” Não arrasta eleitorado. Não convence. Falta-lhe carisma.

Manuel Homem bem pode lançar ou livro de crónicas ou fazer campanha discreta. Mas está fora das contas. Destino: Governador de Cabinda ou uma pasta ministerial. O seu desempenho no Ministério do Interior é apenas razoável.

Mara Quiosa carrega arestas políticas difíceis de limar. A nomeação para vice-presidente do MPLA foi um erro de cálculo. Está fora do jogo.

Fernando Garcia Miala, chefe do SINSE, conhece os riscos. Vai evitar armadilhas políticas. Sabe que a fórmula “saio eu, entras tu, depois volto” é inexequível em Angola.

O futuro Presidente da República ainda é um som apagado. Um schwa na política do momento. Não se sabe o nome. Mas todos sentem a sua presença. O silêncio e o segredo movem o poder.

Post Scriptum - O schwa é um som vocálico neutro e fraco, geralmente presente em sílabas não acentuadas, quase imperceptível na fala.