Luanda - Octávio Capapa é meu amigo há mais de três décadas. Conhecemo-nos nos corredores da Rádio Nacional de Angola, quando eu ainda aprendia a profissão. É uma amizade de carácter. Meu princípio: Uma vez amigo, sempre amigo. Não viro as costas aos meus amigos. Desde que não me apunhalem pelas costas. Podem sempre contar comigo, de forma incondicional, para o que for justo e necessário. Cá estou. Cá estarei.

Fonte: Club-k.net

Na terça-feira, dia 25, falei com Octávio Capapa por videochamada. Testemunhas: A irmã, Eva Capapa. A companheira, Filomena Correia e Jaime Castro, sobrinho. Este último é o que desempenha o papel de babysitter do jornalista. O que relatei é factual. Confirmável. Testemunhado.


Octávio Capapa afirmou estar cego. Disse estar a lutar contra um cancro. Disse sentir-se abandonado. Depois da publicação do meu artigo “O Silêncio dos Indecentes”, surgiu um familiar a contestar o texto. Classificou-o como inverídico. Alegou que a Presidência da República e o MPLA têm prestado apoio regular. Num gesto eticamente discutível, decidiu expor publicamente uma conversa privada. Fontes da Presidência reafirmam que os apoios existem.


O estranho é que o próprio beneficiário declara não os receber. Mesmo perante os alegados apoios, o estado clínico e social de Capapa continua a suscitar preocupação. Há aqui uma contradição que merece esclarecimento público.


Escrevi “O Silêncio dos Indecentes” movido pela responsabilidade, pela solidariedade e pela amizade. Não retiro uma vírgula do que escrevi. Facto: Capapa está doente. Facto: Declara sentir-se abandonado. A divulgação irresponsável de conversas privadas em vários grupos de WhatsApp pertence ao espectáculo digital. Não deve sobrepor-se à dignidade humana. O que me move é a verdade.


Vamos ser práticos. Se houve apoios concretos por parte da Presidência da República e do MPLA, que sejam discriminados. Se houve assistência, que seja detalhada. Se houve falhas, que sejam assumidas. A dignidade de um homem doente não pode ser matéria de aproveitamento político nem instrumento de disputa lateral. Ponto final: Não retiro uma linha essencial do que escrevi sob o título “O Silêncio dos Indecentes”. A Presidência da República deveria saber que verdade combate-se com transparência. Cá estou. Exigente comigo mesmo. Sereno. E tranquilo por ter denunciado o abandono a que está sujeito Octávio Capapa. Fi-lo por solidariedade. Amizade.